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Dia Mundial de Luta contra a AIDS (1° de dezembro): a Psicologia na defesa da vida, dos direitos humanos e da equidade

A AIDS (sigla em inglês para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), doença desenvolvida a partir da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), é uma questão de saúde pública desde os anos 1980. Atualmente afeta cerca de 40 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a UNAIDS, o programa conjunto das Nações Unidas que tem como objetivo liderar e coordenar a resposta global à epidemia de HIV/AIDS. 

O Dia Mundial da Luta contra a AIDS, lembrado em 1º de dezembro, foi criado em 1988 para criar conscientização em torno desta condição de saúde e as formas de prevenção de novas infecções. Em 2025, a UNAIDS alertou que houve uma forte redução no financiamento internacional para programas de saúde, redução que prejudica serviços de prevenção, testagem, apoio comunitário e acesso ao tratamento, especialmente em países de baixa e média renda. O cenário está sendo classificado como “o revés mais significativo em décadas” na luta contra o HIV/AIDS. 

No Brasil, dados do Ministério da Saúde revelam um cenário de queda na mortalidade causada pela doença e crescimento no uso da profilaxia pré-exposição (PrEP), embora os novos casos de HIV estejam em alta. 

  • O número de novas infecções cresceu entre 2020 e 2023 (de 37.454 a 46.495, um aumento de 24,1%), de acordo com o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2024 – dados parciais de 2024 indicavam 19.928 novos casos até junho;
  • Os homens representam 70,7% dos casos, com aumento da incidência neste gênero ao longo dos anos, e as faixas etárias mais afetadas são jovens de 15 a 24 anos (23,2% dos casos) e adultos de 25 a 34 anos (34,9% dos registros);
  • Segundo o Ministério da Saúde, houve 38 mil novos casos de AIDS notificados em 2023 (um aumento de 23,8% em relação a 2020), além de 17.889 casos até junho de 2024;
  • Menor número de mortes por AIDS em uma década: 10.338 óbitos registrados em 2023, queda de aproximadamente 18% em relação a 2013. O coeficiente por 100 mil habitantes também teve queda recorde, de 5,7 para 3,9;
  • O uso de profilaxia pré-exposição (PrEP) dobrou, alcançando 109 mil pessoas, segundo o Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde (Dathi/SVSA);
  • 96% das pessoas com a infecção apresentam carga viral indetectável, ou seja, não transmitem o vírus, de acordo com dados do Painel Integrado de Monitoramento do Cuidado do HIV e da Aids, uma meta global estabelecida pela ONU;
  • No recorte racial, contudo, 65,4% dos novos casos de HIV são detectados em pessoas pretas ou pardas, grupo que responde também por 63% das mortes por AIDS, indicando a prevalência do racismo estrutural.

Os números revelam um avanço no acesso à testagem e ao tratamento para HIV/AIDS, mas também o racismo e a desigualdade social que impactam determinadas populações. A temática internacional do Dia Mundial de Luta contra a AIDS – “Eliminar as barreiras, transformar a resposta à AIDS” – deste ano dialoga justamente com esse aspecto da realidade. 

Neste sentido, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) destaca o papel da Psicologia no atendimento das diferentes populações. Psicólogas e psicólogos ajudam no acolhimento após o diagnóstico, na redução da ansiedade, da tristeza e do medo, e no fortalecimento da adesão ao tratamento

Estes processos são essenciais principalmente em um contexto no qual a tomada de decisões, relações e cuidados diários dos indivíduos podem ser fragilizados e afetados pelo diagnóstico. O trabalho da Psicologia é guiado pela escuta qualificada, pelo respeito, pela ética e pela defesa dos direitos humanos. Esses princípios são essenciais em uma sociedade na qual o estigma e o preconceito ainda produzem sofrimento e afastam muitas pessoas dos serviços de saúde.

Neste Dia Mundial de Luta contra a AIDS, o CRP-PR reafirma seu compromisso com a defesa da vida, dos direitos humanos e da equidade. Reafirmamos a importância de garantir que todas as pessoas tenham acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento com dignidade, segurança e respeito. Eliminando barreiras e fortalecendo direitos, podemos avançar rumo à meta global de acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030.

Quer saber mais? Acesse estas referências técnicas:

 

Legislação Nacional de IST/HIV/AIDS