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Vivenciamos a morte de formas diferentes, e a Psicologia precisa acolher a diversidade do luto

Descrição da imagem: 02 de novembro, Dia de Finados. Imagem de peônias estilizadas em tons frios de azul e rosa. Logo do CRP-PR.

A morte é um processo inevitável para todos os seres vivos e, entre seres humanos, lidamos com ela de formas diferentes conforme nossas raízes culturais. Enquanto ocidentais de um modo geral costumam encarar este momento com tristeza e dor, há regiões que celebram seus mortos de forma mais festiva, como o famoso Dia dos Mortos no México, que já inspirou até obras cinematográficas. Já os povos indígenas, por exemplo, honram seus ancestrais e os cultuam através de cantos e rituais.

Cada religião e povo tem suas crenças e as pessoas, adeptas ou não de alguma religiosidade, forjam maneiras próprias de perceber o fim da vida. Na maioria dos casos, no entanto, o dia 2 de novembro, Dia de Finados, representa um momento de memória, homenagens e, por vezes, tristeza pelos entes que se foram. 

O luto pela morte de alguém pode ser único também a depender da relação estabelecida em vida e a fase etária em que as pessoas envolvidas no luto se encontram. É o caso do luto parental, que pode causar a sensação de inversão da ordem natural da vida. “Vale ressaltar que o luto parental é único para cada pessoa genitora e não possui prazo para terminar. Assim, a compreensão e o apoio contínuo também são etapas necessárias a quem passa por este momento familiar”, destaca o texto publicado pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) por ocasião do Mês de Conscientização do Luto Parental, Julho Âmbar.

A morte que leva uma pessoa da família leva também momentos que se vivenciavam, rotinas, estilos de vida, e tudo isso se perde: são as mortes simbólicas, muito notáveis durante a pandemia da Covid-19, por exemplo, mas presentes também em qualquer processo de perda. O luto ganhou ainda outras significações após a pandemia, que ceifou precocemente a vida de mais de 700 mil pessoas no Brasil, muitas vezes tolhendo as chances da família de elaborar devidamente os ritos fúnebres, em virtude dos protocolos sanitários vigentes à época. Naquele momento, cada grupo encontrou formas únicas de elaborar a dor da perda sem uma despedida apropriada e muitas vezes necessária. 

Desta forma, o luto pode ser vivenciado de formas singulares de acordo com a subjetividade de cada pessoa, cada povo, cada lugar, bem como o contexto histórico que permeia a perda. A Psicologia deve, da mesma forma como nas demais relações humanas, estar atenta para a diversidade de sentimentos, crenças e experiências em relação à morte. É importante que a categoria de Psicologia perceba as nuances que permeiam este dia para oferecer o suporte à sociedade isento de preconceitos e dogmas religiosos ou ideológicos, conforme preconiza o Código de Ética Profissional da Psicologia.

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