Notícia

Violência contra as mulheres

Sempre que uma mulher passa por adversidades, tais como sair de um relacionamento abusivo, ser mãe solo e trabalhar sozinha para educar e cuidar das(os) filhas(os), a sociedade, de modo geral, atribui e ela o termo “mulher guerreira”. Muitas(os) acreditam que é um elogio. O que poucas pessoas percebem é que esse termo está ligado à romantização das diversas vulnerabilidades pelas quais as mulheres passaram e ainda passam. Por isso, é importante compreender: por que uma mulher precisa ser guerreira na sociedade em que vivemos?

  • Até o ano de 1830, o marido tinha, por lei, o direito de matar a esposa se ele apenas desconfiasse de que ela o estava traindo, não sendo necessário comprovar a traição.
  • Provavelmente, sua bisavó não pôde votar: o voto feminino só foi aprovado e estabelecido por lei no Brasil em 1932.
  • Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que, em 2021, uma mulher foi morta no Brasil a cada 7 horas.
  • O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou, ainda, que no ano passado, a cada 10 minutos uma menina ou mulher foi vítima de violência sexual no país.

Essas informações demonstram que a violência contra mulheres pode ser considerada estrutural. Isso quer dizer que ela se repete século após século, e mesmo com a garantia de alguns direitos, como o de votar e ingressar no mercado do trabalho com salários justos e equiparáveis, ainda há muito em que avançar, uma vez que a violência pode ocorrer de diferentes formas.

Como identificar os tipos de violência contra as mulheres

Violência física

Entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher:

  • espancamento;
  • atirar objetos, sacudir e apertar os braços;
  • estrangulamento ou sufocamento;
  • lesões com objetos cortantes ou perfurantes;
  • ferimentos causados por queimaduras ou armas de fogo;
  • tortura.

Violência psicológica

É considerada qualquer conduta que cause danos emocionais e diminuição da autoestima, prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da mulher, ou pretenda degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões:

  • ameaças;
  • constrangimento;
  • humilhação;
  • manipulação;
  • isolamento (proibir de estudar, viajar ou falar com amigos e familiares);
  • vigilância constante;
  • perseguição contumaz;
  • insultos;
  • chantagem;
  • exploração;
  • limitação do direito de ir e vir;
  • ridicularização;
  • tirar a liberdade de crença;
  • distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (gaslighting).

Violência sexual

Trata-se de qualquer conduta que constranja ou obrigue a mulher a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força:

  • estupro;
  • obrigar a mulher a praticar atos sexuais que causam desconforto ou repulsa;
  • impedir o uso de métodos contraceptivos ou forçar a mulher a abortar;
  • forçar matrimônio, gravidez ou prostituição por meio de coação, chantagem, suborno ou manipulação;
  • limitar ou anular o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher.

Violência patrimonial

Entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades:

  • controlar o dinheiro;
  • deixar de pagar pensão alimentícia;
  • destruição de documentos pessoais;
  • furto, extorsão ou dano;
  • estelionato;
  • privar de bens, valores ou recursos econômicos;
  • causar danos propositais a objetos da mulher ou dos quais ela goste.

Violência moral

É considerada qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria:

  • acusar a mulher de traição;
  • emitir juízos morais sobre a sua conduta;
  • fazer críticas mentirosas;
  • expor a vida íntima;
  • rebaixar a mulher por meio de xingamentos que incidem sobre a sua índole;
  • desvalorizá-la pelo seu modo de se vestir.

Como auxiliar mulheres que sofrem violência

Tendo conhecimento de que a violência é algo estrutural, é muito importante apoiar mulheres que passam por essa situação. Abaixo, deixamos algumas dicas sobre como você pode agir nessas situações:

  • seja rede de apoio: ouça sem julgamentos e ofereça a ajuda que estiver ao seu alcance;
  • evite discursos que desencorajem a mulher, como, por exemplo: “você gosta de apanhar” ou “se você quisesse, já teria se separado”;
  • ofereça apoio para realizar a denúncias nas Delegacias da Mulher: você pode acompanhá-la até a delegacia para fazer a denúncia.

Conheça a rede de proteção municipal de violência contra a mulher

Cascavel

  • CREAS Sul – (45) 3902-1750 – rua Riachuelo, 1575, Centro
  • CREAS Leste – (45) 3902-1766 – rua Eduardo Tadeu Melani, 482, Centro
  • CREAS Oeste – (45) 3902-1736 – avenida Tito Muffato, 2315, Santa Cruz
  • Delegacia da Mulher – (45) 3222-3298 – rua Castro Alves, 2518, Centro
  • Central de Atendimento à Mulher – disque 180