Notícia

Vamos falar sobre depressão?

A depressão atinge mais de 300 milhões de pessoas no mundo todo, de acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) . Este transtorno, que afeta mais as mulheres e é a principal causa de incapacidade de pessoas de todas as idades, foi escolhido como tema da campanha da organização para o Dia Mundial da Saúde em 2017, celebrado no dia 7 de abril.

Segundo dados divulgados pela organização, o Brasil é segundo colocado com maior incidência da doença nas Américas e o primeiro quando considerado o percentual da população que sofre com a ansiedade

Com a hashtag #LetsTalk (vamos conversar, em inglês), a OMS pretende chamar a atenção para um transtorno que ainda é visto com preconceito pela população, mesmo com crescente incidência – entre 1990 e 2013, o número de pessoas que sofrem com depressão e/ou ansiedade aumentou 50%.

A depressão é uma condição mais profunda e complexa que as curtas respostas emocionais com as quais lidamos frente aos pequenos e grandes desafios diários; a doença causa à pessoa afetada problemas no meio profissional, acadêmico e familiar. Atrelado à depressão, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre pessoas com a faixa etária de 15 a 29 anos. Cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida a cada ano.

Os prejuízos econômicos também são enormes em função da depressão, que é a maior causa de afastamentos do trabalho em todo o mundo. Juntas, a depressão e a ansiedade custam cerca de US$ 1 trilhão para a economia global todos os anos.

 

Tipos e sintomas

Não há uma causa única para a depressão, que resulta de uma complexidade de fatores como a interação social, questões psicológicas e físicas. No entanto, é possível definir algumas relações como experiências traumáticas e algumas outras doenças.

Entre os principais sintomas da depressão estão: o humor deprimido (tristeza), sentimentos de angústia ou culpa, perda de interesse por atividades que antes eram realizadas com prazer, desânimo, cansaço, irritabilidade, perda de energia e da capacidade de concentração, isolamento, distúrbio do sono e mudanças na alimentação.

A depressão pode ser caracterizada como leve, moderada ou severa, levando em consideração a severidade da doença e os sintomas. Uma pessoa com episódio de depressão leve pode ter, por exemplo, algumas dificuldades para continuar com o trabalho e atividades sociais, mas provavelmente não deixará por completo de realizar essas ações. Durante um episódio severo, no entanto, é muito provável que a pessoa não consiga realizar essas tarefas e até mesmo atividades domésticas e de autocuidado, como tomar banho, por exemplo, ficam prejudicadas.

Há tratamento para a depressão, mas é importante que a pessoa receba o atendimento e o diagnóstico correto, que deve ser realizado por um profissional. A OMS estima que, mesmo entre os países mais ricos, metade das pessoas com depressão ou ansiedade não recebem tratamento adequado.

Geralmente, o tratamento envolve a psicoterapia, muitas vezes combinada com o uso de medicamentos antidepressivos, sobretudo para doenças moderadas e severas. Para episódios leves, a OMS recomenda que o uso de medicamentos não seja a primeira linha de tratamento. A Organização também recomenda cautela na prescrição de antidepressivos para crianças e adolescentes.

 

Grupos Vulneráveis

Para a Psicóloga Semíramis Amorim Vedovatto (CRP-08/06207), falar sobre a depressão no momento em que vivemos é de extrema importância, pois os casos de intolerância têm aumentado consideravelmente, sendo o público LGBT e as mulheres os que mais estão sofrendo com isso – nos primeiros 11 dias de janeiro, cinco casos de feminicídio foram noticiados. Estes casos, para a Psicóloga, são causas sociais despertadoras da depressão. “Precisamos começar a falar sobre a depressão, parar de associá-la apenas ao luto e à perda familiar. A perda de identidade também é causadora dessa condição. Falando mais sobre isso, também damos mais valor à discussão sobre saúde mental, que muitas vezes é deixada de lado. Dessa forma, podemos esclarecer a população e formar profissionais mais preparados para lidar com grupos vulneráveis antes de desencadearem o quadro depressivo”.

 

Prevalência no Brasil

Dados da OMS mostram que o Brasil é o país com a segunda maior prevalência da depressão entre as Américas, com 5,8% da população atingida pela doença, cerca de 11,5 milhões de pessoas. O país fica atrás apenas dos Estados Unidos, com prevalência 5,9% em relação à população do país.

Quando se considera, no entanto, os índices de ansiedade, o país assume o primeiro lugar. Segundo a OMS, cerca de 18,6 milhões de pessoas sofrem de ansiedade no país (9,3% da população). Proporcionalmente, nesta estatística, os Estados Unidos ficam em segundo lugar com 18,7 milhões de ansiosos (6,3 % da população).

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