Notícia

Promover a saúde mental todos os dias e para todas as pessoas é dever da Psicologia

Todos os anos, a mudança no calendário enseja uma recapitulação do ano que passou, uma revisão sobre metas, objetivos, sonhos. Em 2020 não é diferente e muitas pessoas estão aproveitando o mês de janeiro para pensar sobre saúde mental, emoções, sentimentos. Este movimento pode ser muito válido para qualquer pessoa, e a psicoterapia é uma ótima ferramenta de autoconhecimento, que pode ajudar a lidar com problemas de várias naturezas. Aliás, é fundamental lembrar que psicoterapia não é “coisa para louco”, combatendo um preconceito infelizmente ainda presente em nossa sociedade. Além disso, também é imprescindível reivindicarmos permanentemente a oferta de serviços públicos de psicoterapia, para que seja acessível a todas as pessoas.

 

Para falar sobre saúde mental, é preciso ir além: este não é um fenômeno individual, da vida privada. Nós, Psicólogas e Psicólogos, podemos afirmar com base em nossa prática e produção científica que as opressões, desigualdades, exclusões simbólicas e objetivas, bem como a falta de acessos a saúde, educação, moradia e trabalho dignos e de reconhecimento enquanto sujeito comprometem significativamente a saúde mental – que é indissociável da saúde física, relacional e até financeira e material.

 

Nesse sentido, é compromisso social da Psicologia levantar a voz contra a discriminação, o racismo, a violência contra a mulher e contra a população LGBTI, as carências nas políticas públicas. Deve defender a arte, a cultura, o lazer, os esportes como qualidade de vida e promoção de saúde. É nosso papel denunciar injustiças para buscar a transformação social, uma nova forma de relações que promova efetivamente a saúde.

 

Ainda, temos que tomar cuidados para não normatizar e patologizar a vida, não restringir a saúde mental a uma noção individualizada. A saúde mental é diversa, plural, com aspectos subjetivos e coletivos que se inter-relacionam. Não é uma ausência de conflitos, nem um estado de suposta normalidade em oposição ao patológico.

 

Dessa forma, é importante refletirmos que, ao tentarmos promover a Psicologia e os benefícios da psicoterapia, não devemos escolher figuras e representações que reforcem estigmas de individualização e patologização da saúde mental, se as associações que estamos fazendo para ampliar o alcance das nossas ações podem estar atingindo negativamente subjetividades. Ou, ainda, considerar se, no intuito de utilizarmos uma linguagem acessível e atingir o maior número de pessoas, não estaríamos simplificando excessivamente as mensagens, esvaziando seu conteúdo.

 

Os Conselhos Federal e Regionais de Psicologia (CFP e CRPs) defendem a saúde mental permanentemente quando orientam a boa atuação, fiscalizam o exercício profissional, promovem encontros, trocas, angariam espaços na mídia, promovem espaços de fala para Psicólogas(os) e usuárias(os) de nossos serviços. Também fazem isso quando realizam diálogos institucionais, incidência legislativa, defendem a Luta Antimanicomial.

 

Acreditamos que a saúde mental deve ser nossa prioridade todos os dias e em todas as nossas ações, e somente será universalizada quando as políticas públicas garantirem o acesso não somente à psicoterapia, mas também a uma vida com dignidade e sem preconceitos. É para isso que o CRP-PR trabalha e segue aberto ao diálogo com toda a categoria e a sociedade.

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