Pesquisar
Close this search box.

Notícia

SANGUE INDÍGENA, NENHUMA GOTA A MAIS! JUSTIÇA PARA SUSANA KAINGANG!

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), atuando a partir dos compromissos expressos pelo Código de Ética Profissional do Psicólogo, manifesta-se diante do crime bárbaro ocorrido no dia 08 de dezembro de 2022, em Nova Laranjeiras-PR. A onda de violência que atinge os povos indígenas em todo o país ceifou a vida de Susana Mura Bandeira, mulher indígena do Povo Kaingang no Paraná. A Articulação dos Povos Indígenas do Sul (ARPIN-Sul) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) tem sistematicamente denunciado as violações de direitos que atingem de forma particular as mulheres indígenas da região. Susana Kaingang não apenas sofreu uma violência de caráter racista, como também foi vítima de feminicídio, tendo sido estuprada e assassinada dentro do Território Indígena Rio das Cobras.

O CRP-PR, em diálogo com o Art. 3º da Resolução CFP nº 18/2002, que estabelece que “os psicólogos, no exercício profissional, não serão coniventes e nem se omitirão perante o crime do racismo”, repudia mais uma situação que expressa a dimensão psicossocial do racismo nas ocorrências sociais cotidianas. Compreendemos fundamental que profissionais da Psicologia consigam balizar sua atuação profissional em conexão com o urgente desenvolvimento de práticas que enfrentem a violência e estejam a favor do tratamento do sofrimento psíquico que tais ações engendram, valorizando a experiência dos coletivos indígenas em sua alteridade.

Entendemos que a falta de políticas públicas para preservação da vida e de territórios indígenas – orientada por Governos de todas as instâncias – promove o avanço do etnocídio dessa população. Diante de um Estado brasileiro historicamente racista e promotor de políticas anti-indígenas, os assassinatos brutais não são os únicos elementos que marcam a negação do direito à vida e dignidade dos povos indígenas.

Essas comunidades têm tido negados os direitos à saúde – inclusive à atenção psicossocial, com equipamentos e políticas de saúde mental –, assistência social, educação, segurança pública, preservação do meio ambiente, etc. Este retrocesso, associado ao discurso de ódio e discriminação racial proferidos especialmente pelo agronegócio e seus representantes, tem dado uma verdadeira “carta branca” ao extermínio físico e subjetivo de crianças, jovens e adultos indígenas em todo o país.

O CRP-PR entende como fundamental a demarcação imediata destes povos originários, associada a políticas públicas construídas e operacionalizadas pelos próprios povos indígenas – com autonomia e respeito aos seus modos de vida. Reivindicamos, em especial, o fortalecimento dos mecanismos de proteção integral e garantia da vida de meninas e mulheres, ampliando o aparato legal e de Justiça e especialmente investindo em políticas públicas e equipamentos socioassistenciais adequados.

De nossa parte, o CRP-PR compromete-se a ampliar esforços e seguir em luta pela transformação da Psicologia, para que se converta em instrumento útil para a luta dos povos indígenas. Sonhamos e ousamos construir uma profissão promotora de Direitos Humanos, radicalmente comprometida com a defesa do Bem Viver, da natureza e dos territórios dos povos originários, uma vez que a subjetividade desses povos não está dissociada do seu território.

Solidarizamo-nos com a família e comunidade de Susana Kaingang, reivindicando justiça contra este crime brutal, com investigação eficiente e responsabilização do(s) agressor(es).

Sangue indígena, nenhuma gota a mais! Justiça para Susana Kaingang!

Por uma Psicologia pintada de jenipapo e urucum!

Demarcação já!

plugins premium WordPress

Utilizamos cookies e tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse Política de cookies.