Notícia

CFP abre inscrições para o Prêmio Profissional Virgínia Bicudo em setembro

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) abriu, em 20 de setembro, as inscrições para o Prêmio Profissional Virgínia Bicudo. A iniciativa pretende fomentar a divulgação de estudos e ações exitosas no campo da Psicologia e sua interface com as questões raciais. As inscrições podem ser feitas aqui até 19 de outubro de 2021!

O prêmio tem como objetivo identificar, valorizar e divulgar estudos e ações de Psicólogas(os) e coletivos que envolvam a Psicologia e as Relações Étnico-Raciais fundamentadas nos Direitos Humanos e que tenham impacto na saúde mental, na redução das desigualdades sociais e no posicionamento antirracista.

Serão aceitos trabalhos teórico-técnicos inscritos em duas categorias: experiências individuais ou coletivas — desde que contemplem o tema “Práticas para uma Psicologia Antirracista”. Os trabalhos, que deverão ser inéditos e apresentados sob a forma de artigo técnico ou relatos de práticas embasadas na ciência psicológica, precisam, ainda, estar relacionados a um dos seguintes eixos orientadores:

  • Raças e Identidade Étnico-Racial;
  • Violência, Morte e Luto;
  • Modos de resistência antirracista: antimanicomial, cultural, religiosa;
  • Interseccionalidades; ou
  • Geracional: racismo na infância, juventude e envelhecimento.

O julgamento das iniciativas será realizado por uma Comissão constituída por membros ad hoc selecionados pela Comissão de Direitos Humanos do CFP. Este grupo poderá reduzir o número de vencedores, inclusive a zero, caso os trabalhos não atendam aos critérios estabelecidos no regulamento.

As inscrições serão aceitas exclusivamente por meio eletrônico, não sendo aceitas aquelas submetidas por correio convencional. O Conselho Federal de Psicologia informa também que os artigos e textos selecionados irão compor uma publicação (a ser lançada posteriormente).

Homenagem

Virgínia Leone Bicudo foi a primeira mulher a fazer análise na América Latina, a primeira estudiosa a redigir uma tese sobre relações raciais no Brasil e também a primeira psicanalista não médica no país.

Integrou o primeiro Conselho Federal de Psicologia, sendo a ata de sua posse datada de dezembro de 1973.

Em entrevista a dois estudiosos, em outubro de 1983, Virgínia Bicudo disse que foi criada fechada em casa e levou um susto, quando, na escola, a criançada começou a chamá-la de negrinha. Ela foi atrás de defesas. Na Sociologia, buscou a explicação para as questões sociais. Na Psicanálise, proteção para a rejeição.

Ao lançar o edital do Prêmio Profissional com seu nome, o Conselho Federal de Psicologia enaltece a valiosa contribuição de Virgínia Bicudo para a Psicologia brasileira, pioneira de debates ainda hoje extremamente relevantes e necessários.