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Orgulho LGBTQIAPN+: um chamado para a Psicologia

Texto elaborado pela Comissão DIVERGES e Comissão Transcentrada

Descrição da imagem: texto "Dia do Orgulho LGBTQIAPN+". A imagem tem as cores da diversidade (branco, rosa, azul, marrom, preto, roxo, verde, amarelo e vermelho) em fundo cinza claro com pequenas estrelas. Logo do CRP-PR abaixo da imagem.

A celebração do orgulho LGBTQIAPN+ interpela a Psicologia na potencialidade dessa ciência e profissão para colaborar com a busca por uma vida com dignidade, igualdade e respeito. As insistentes tentativas de aniquilamento, discriminação e estigmatização contra essas pessoas impactam profundamente a sua saúde mental e qualidade de vida, ao passo que a Psicologia se vê convocada a atuar diante disso.

Ao longo de mais de meio século após o episódio que ficou conhecido como “A Revolta de Stonewall”, as pessoas LGBTQIAPN+ conquistaram direitos e ocuparam espaços, como é possível observar em produções culturais, no cotidiano social, nas manifestações que celebram o orgulho e mobilizam milhões de pessoas ao redor do mundo, e nas ações afirmativas que visam a garantir o acesso de pessoas a espaços de poder.

É importante observar que esse grupo compartilha demandas, perspectivas e vivências coletivas, mas também individuais. Como aponta Sofia Favero em seu livro Psicologia Suja (2022), é necessário cuidado ao utilizar a terminologia das siglas para se referir a qualquer demanda de sexualidade e gênero instantaneamente. Nós, pessoas psicólogas, precisamos estar atentas as diferentes particularidades com o compromisso de não se render a generalizações, a atitudes pasteurizantes.

As pessoas trans na realidade brasileira, por exemplo, têm alcançado avanços importantes no campo da luta por cidadania, com tímidas, mas relevantes ocupações em espaços legislativos. No entanto, as faces da violência ainda permanecem: em 2022, 3.159 pessoas trans e travestis foram vítimas de violência física, um aumento de 32,1% em relação a 2021. Além disso, foram registrados 1.302 casos de violência psicológica contra essa população, um aumento de 22,3% em comparação ao ano anterior (IPEA, 2024). O estigma associado à identidade de gênero e orientação sexual pode levar à diminuição da autoestima e a problemas como ansiedade, depressão e ideação suicida. A exclusão e o preconceito também se refletem no acesso dificultado a serviços essenciais como saúde, educação e assistência social.

Assim, o trabalho com esse público não pode perder de vista a dimensão da interseccionalidade e da transversalidade, considerando os atravessamentos das dimensões econômicas, étnicas, de diversidade corporal, de gênero e questões raciais. Nossa atuação com a população LGBTQIAPN+ deve ser multidisciplinar, integrando diferentes áreas do saber e dialogando com as demandas específicas da comunidade em diferentes contextos.

Como profissionais, devemos adotar uma postura ativa no combate à discriminação de pessoas LGBTQIAPN+ e na promoção de sua inclusão. É essencial acolher o sofrimento desses sujeitos nos espaços em que atuamos, respeitando suas singularidades, com responsabilidade e sensibilidade para localizar nas relações sociais aspectos que contribuem com o sofrimento e identificar sutilezas que podem caracterizar situações de violência. É necessário ter atenção aos efeitos predatórios da cisheteronormatividade para criarmos oposição a ela.

Para isso, é imprescindível recorrer aos materiais produzidos pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) e pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), levando em conta o princípio da atualização profissional, como as “Referências técnicas para atuação de psicólogas, psicólogos e psicólogues em políticas públicas para população LGBTQIA+” (CFP, 2023). Esses recursos são fundamentais para garantir que nossa prática esteja alinhada com as melhores estratégias e abordagens no atendimento à população LGBTQIAPN+.

Neste Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ (28 de junho), reiteramos nosso compromisso com a promoção de uma sociedade cada vez mais justa, inclusiva e equânime, na qual todas as pessoas possam viver com dignidade e respeito. Sigamos em conjunto na luta contra a discriminação em todas as esferas e na defesa dos direitos de todas as pessoas.

Use nas redes: #OrgulhoLGBTQIAPN+ #Psicologia #Inclusão #Diversidade #CRPPR

Referências:

ANTRA – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS. Dossiê assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2022. Brasília: ANTRA, 2023. Disponível em:   https://antrabrasil.org/wp-content/uploads/2022/01/dossieantra2022-web.pdf. Acesso em: 27 jun. 2024.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Referências técnicas para atuação de psicólogas, psicólogos e psicólogues em políticas públicas para população LGBTQIA+. Brasília: CFP, 2023.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Atlas da violência 2024. Brasília: IPEA, 2024. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/7868-atlas-violencia-2024-v11.pdf. Acesso em: 27 jun. 2024.

FAVERO, Sofia. Psicologia Suja. Salvador, BA: Devires. 2022.

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