O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), no cumprimento de seu papel ético-político e de seu compromisso profissional com a emancipação humana, a transformação social e a defesa dos direitos humanos, que se traduzem em princípios e normas que se pautam pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundamentais, vem a público manifestar seu mais veemente repúdio às declarações proferidas pelo prefeito de Foz do Iguaçu, Joaquim Silva e Luna, durante o lançamento da campanha “Setembro Amarelo”, na última segunda-feira, 1º de setembro de 2025.
Em seu discurso, o prefeito afirmou que “quem se suicida ou tem depressão não tem Deus no coração” e que “o suicídio é um ato de falta de fé”. Tais falas são profundamente desrespeitosas, estigmatizantes e carecem de qualquer fundamento científico ou ético. Ao propagar essa ideia, o prefeito promove o estigma em torno da complexidade do suicídio e desconsidera a gravidade dos desafios emocionais que muitas pessoas enfrentam diariamente. Além disso, esse argumento menospreza o papel fundamental de profissionais da Psicologia, da Psiquiatria e psicoterapeutas, profissionais que possuem formação para oferecer suporte, orientação e cuidado para uma ampla gama de questões psicológicas.
É crucial reconhecer a importância da saúde mental. Ao responsabilizar pessoas em sofrimento psíquico por sua condição, associando o suicídio a uma suposta falta de fé ou espiritualidade, o prefeito incorre em grave violação aos princípios de dignidade humana, além de reforçar preconceitos que apenas agravam o sofrimento de milhares de pessoas e famílias. Da mesma forma, tal argumento simplista não engloba a complexidade dos fatores relacionados ao suicídio, um fenômeno que não envolve apenas uma pessoa e suas questões individuais, mas também deriva de aspectos sociais.
O suicídio é uma questão de saúde pública complexa, multideterminada e que exige políticas públicas intersetoriais, atenção integral em saúde mental e promoção da vida, como pontua a Organização Mundial da Saúde (OMS). Discursos que culpabilizam o sujeito ou desqualificam sua dor podem produzir efeitos devastadores, afastando ainda mais quem necessita de ajuda e cuidado. Ademais, cabe lembrar que a Constituição Federal garante a laicidade do Estado por meio de várias disposições, e cabe às autoridades que o representam zelar por essa condição tanto em seus pronunciamentos quanto em suas ações.
O CRP-PR ressalta que autoridades públicas devem ter responsabilidade social e dever ético e legal de garantir a qualidade das informações que fornecem e gerenciam, as quais devem estar comprometidas com a ciência e com os direitos humanos, sobretudo em campanhas de grande alcance social como o Setembro Amarelo. Lamenta-se que, em vez de contribuir para o enfrentamento do estigma e para a valorização da vida, o prefeito tenha optado por declarações que deseducam e ferem a memória de vítimas e de suas famílias.
Diante da gravidade do ocorrido, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná:
– Exige retratação pública imediata do prefeito Joaquim Silva e Luna;
– Reafirma o compromisso da Psicologia brasileira com a defesa da vida, a promoção da saúde mental e o combate a todas as formas de estigma e preconceito;
– Conclama gestores públicos de todo o país a respeitarem as evidências científicas e a dignidade das pessoas em sofrimento psíquico, especialmente em espaços institucionais.
O CRP-PR se mantém vigilante e à disposição para dialogar com a sociedade, reafirmando que saúde mental é um direito humano e que acolhimento, cuidado e políticas públicas de qualidade salvam vidas.
Curitiba, 01 de setembro de 2025.