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Série “Mulheres Negras e Psicólogas” se encerra com reflexões sobre racismo e representatividade

Após 13 semanas, encerrou-se no último dia 17 de outubro a série “Mulheres Negras e Psicólogas”, idealizada pela Comissão Étnico-Racial e pelo Núcleo de Psicologia e Migrações (NUPSIM) do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR). O projeto se iniciou em 25 de julho, no Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma data fundamental para, conforme traz o texto “A pele que habitamos”, “reivindicar que comecemos a construir nossa própria história e nossos modelos teóricos, enquanto mulheres negras latino-americanas”.

Os depoimentos divididos pelas 13 participantes traziam memórias, seja no âmbito familiar, acadêmico, profissional ou pessoal, de modo a propor reflexões sobre como o racismo se coloca na sociedade e forja a trajetória das pessoas negras e, em especial, das mulheres, que enfrentam ainda violências de gênero. As falas, carregadas de sensibilidade, proporcionaram ainda às(aos) mais de 42 mil expectadoras(es) sorrisos e emoções, uma vez que das famílias, amigas(os), movimentos sociais e outras pessoas próximas muitas vezes se recebe apoio e acolhimento que ficam gravados na memória. O árduo caminho por uma sociedade antirracista também inclui, como aprendemos na série, a liberdade de usar os cabelos naturais, a representatividade de um simples brinquedo infantil ou conto um de fadas, o registro das histórias familiares, a possibilidade de ter o sofrimento causado pelo racismo verdadeiramente ouvido.

A Psicóloga Rosiane Martins de Souza (CRP-08/14328), coordenadora da Comissão Étnico-Racial, faz um balanço positivo da iniciativa. “Revisitar nossas histórias, memórias, exigiu coragem para nos expor, bem como para representar, empoderar uma classe coletiva. Essa experiência nos marcou enquanto mulheres, sobretudo como mulheres negras e Psicólogas, demarcando um espaço representado majoritariamente por pessoas brancas”, avalia. A profissional, que gravou o primeiro vídeo da série e é uma das idealizadoras do projeto, finaliza reafirmando a alegria do grupo pelo resultado obtido e cita a autora Neusa Santos Souza: “Saber-se negra é viver a experiência de ter sido massacrada em sua identidade, confundida em suas perspectivas, submetida e exigências, compelida a expectativas alienadas. Mas é também, e sobretudo, a experiência de comprometer-se a resgatar sua história e recriar-se em suas potencialidades”.

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