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Junho: Mês da(o) Migrante – ressignificando o atendimento a migrantes

Nos dias 19 e 20 de junho, celebram-se o Dia Mundial da(o) Migrante e Dia Mundial da(o) Refugiado. Segundo o Relatório Migração Internacional 2020, da Organização das Nações Unidas (ONU), 281 milhões de pessoas viviam fora de seu país de origem no último ano. Esse dado demonstra a importância de se considerar os fenômenos relativos à mobilidade humana internacional na prática das(os) Psicólogas(os). Por isso, o Núcleo de Psicologia e Migrações (NUPSIM) do CRP-PR convidou algumas profissionais com amplo acúmulo na temática para compartilharem importantes reflexões com a categoria nessa data.

Um acolhimento que possibilite perceber potencialidades

A Psicóloga Rima Awada Zahra (CRP-08/17102) é colaboradora do NUPSIM, conselheira do Conselho Estadual dos Direitos dos Refugiados, Migrantes e Apátridas do Paraná (CERMA) e escritora de livros infanto-juvenis sobre a temática das migrações.

A partir da experiência de atendimento clínico a pessoas migrantes, e também das articulações políticas para efetivação de direitos dessa população, Rima reflete reconhece a persistência de “uma narrativa global que retrata pessoas migrantes e refugiadas como problemas, como uma ameaça à segurança social, à ordem social, à herança cultural do nosso país”. Segundo a Psicóloga, tais narrativas provocam “o fortalecimento de fronteiras e acabam promovendo respostas cada vez mais hostis”.

Contudo, na contramão dessas narrativas, que não se sustentam na realidade, Rima ressalta a importância de nos atentarmos às potencialidades desse público. “Nós encontramos pessoas com histórias inspiradoras, de muita coragem, resiliência, capacitadas e com potencial enorme de contribuir para o desenvolvimento econômico, social e cultural do nosso país”, conta a escritora.

Compreender um entre-lugar

Outra profissional que nos ajuda a refletir especificidades do trabalho com pessoas migrantes é a professora Jorgelina Tallei, que é doutora em Educação e docente na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).

Segundo Jorgelina, “estar em outro pais, estar em outra língua e em outra cultura implica se reconhecer sempre em um lugar liminar, ou em um entre lugar, como chamaria Homi Bhabha” – professor de Harvard, indiano, importante pesquisador e autor no campo dos estudos pós-coloniais contemporâneos.

Ainda de acordo com a professora, estar em um país diferente da sua origem “é um traduzir-se todo o tempo. Para isso é importante ter uma escuta atenta e um olhar afetivo (do verbo afetar). Fundamental pensar espaços de escuta nas comunidades do bairro, trabalhar estrategias interculturais com as crianças migrantes nas escolas, fazendo desse espaço um lugar diverso e intercultural escutando as diversas línguas, culturas e cores.”

Reconhecer o processo de adaptação

Adrienne Sweetwater é consultora na Differänce Intercultural e vice-presidente da Society for Intercultural Education, Training and Research – SIETAR-Brasil. Além disso, é uma mulher migrante, veio dos Estados Unidos para residir no Brasil, e comprtilha algumas de suas experiências:

“Oferecer treinamentos interculturais como voluntária do SIETAR-Brasil para imigrantes e refugiados é uma grande honra e um processo de aprendizado contínuo. Para quem trabalha com pessoas de origens diferentes, lembre-se do poder da escuta ativa e da conexão significativa. Além disso, há muito a ser dito sobre dar linguagem às experiências compartilhadas”, sugere Adrienne.

A consultora ressalta alguns temas de pesquisa importantes para quem atua com populações migrantes: “Por exemplo, o processo de adaptação para quem passa por uma mudança internacional, pode ser representado pela Curva ‘U’ de Ajustamento Cultural, um modelo originalmente publicado em 1955 por Lysgaard. Embora as histórias e circunstâncias de cada pessoa sejam diferentes, pode ser útil saber sobre as fases típicas do processo de adaptação, e saber que você não está sozinho.”

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