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Jornalista Ricardo Boechat questiona a função da Psicologia na saúde e CRP-PR esclarece dúvidas; resposta foi ao ar na rádio Band News

Foi ao ar na manhã desta sexta-feira (12) a resposta dada pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) ao comentário do jornalista Ricardo Boechat, da rádio Band News, de que o apoio psicológico às vítimas de uma infecção hospitalar não seria efetivo. O comentário foi emitido após a veiculação de uma notícia sobre a realização de um mutirão para combate à catarata no qual houve uma infecção disseminada e diversas pessoas perderam parcial ou completamente a visão. Durante a reportagem, a filha de um senhor que perdeu o globo ocular denunciou os responsáveis por não providenciarem as próteses e nem mesmo ofertarem um prometido apoio psicológico, ponto que levou Boechat a questionar a real contribuição que este profissional poderia dar no caso em questão.

O CRP-PR se posicionou para esclarecer a dúvida levantada e o jornalista voltou a citar o tema, descupando-se com a categoria de Psicólogas(os). Boechat afirmou que não foi sua intenção menosprezar a atuação da Psicologia e agradeceu ao posicionamento do Conselho, nas palavras do conselheiro diretor Bruno Jardini Mäder (CRP-08/13323). Confira, abaixo, o áudio do programa de hoje e o texto enviado pelo CRP-PR, mencionado no programa.

 


“É evidente que a Psicologia não tem condições de reverter o dano. Entretanto, a função da(o) Psicóloga(o) não é consolar o paciente ou sua família, como sugeriu Boechat. Em um caso como este, poderíamos citar algumas formas de sofrimento, como o sentimento de impotência por ser afetado por uma ação de outro, o estresse e a sobrecarga que a situação acarreta, a tristeza de ter perdido uma parte do próprio corpo e, neste caso, a impossibilidade de exercer um dos principais sentidos e forma de relação social: a visão.

A Psicologia pode trabalhar algumas questões relacionadas a este caso: lidar com luto, ou seja, encontrar recursos próprios para lidar com esta perda; ajudar a reorganizar a vida cotidiana; reconstruir a própria identidade (a imagem corporal); encontrar (ou reencontrar) prazer nas relações; trabalhar o sistema familiar para que possa haver apoio e suporte ao membro familiar prejudicado, entre outros. Em suma, o trabalho da Psicologia não é reverter o quadro ou consolar, mas ajudar o paciente e sua família a encontrar caminhos para desenvolver seus potenciais e superar esta tragédia pessoal.

Neste sentido, cabe esclarecer que há grande produção científica sobre o tema, mais precisamente sobre Psicologia Hospitalar. Neste mesmo sentido, Psicólogas(os) podem trabalhar em grandes tragédias humanas (como tragédias naturais), em que não se trará de volta as condições materiais, mas é possível procurar caminhos de superação (neste caso, em Psicologia de emergências e desastres).

Com a intenção de esclarecer os jornalistas e toda a população sobre o trabalho da Psicologia, agradecemos a atenção”.

Psicólogo Bruno Jardini Mäder (CRP-08/13323)

Mestre em Psicologia Clínica (UFPR)

Conselheiro diretor do Conselho Regional de Psicologia do Paraná

Psicólogo do Hospital Infantil Pequeno Príncipe (Curitiba)

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