A Psicologia Escolar e estudantes trans

Texto de autoria da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), por meio de seu Núcleo de Diversidade de Gênero e Sexualidades

As pessoas trans convivem cotidianamente com discursos de ódio, práticas de violência e vivenciam casos de não garantia de direitos, especialmente nas escolas. Nesse sentido, é de fundamental importância que a(o) profissional da Psicologia e demais profissionais da educação tornem possível a multiplicidade de maneiras de se apresentar trans e estar na escola, promovam acessos pedagógicos e formativos que auxiliem a comunidade escolar a reconhecer a diferença como pilar para o exercício da democracia e formação de cidadãs e cidadãos.

Porém, como fazer isso com tanta certeza, se nas salas de aulas temos estudantes que se orientam com identidades de gênero opostas ao que foi culturalmente instituído para o gênero oposto ao nascer? A resposta a isso nos impele a assumir um compromisso social enquanto profissionais da educação, porque, se eu não o faço, não tem como fazer um acolhimento efetivo e tornar suas identidades parte do processo de ensino e aprendizagem.

Esse acolhimento perpassa, portanto, ações no ambiente escolar que visem ao enfrentamento do estigma e preconceito direcionado a esse público. É desenvolver práticas que colaborem para que toda a comunidade escolar também faça um acolhimento efetivo de todas(os) as(os) estudantes.

 

É de fundamental importância que a(o) profissional da Psicologia e demais profissionais da educação tornem possível a multiplicidade de maneiras de se apresentar trans e estar na escola, promovam acessos pedagógicos e formativos que auxiliem a comunidade escolar a reconhecer a diferença como pilar para o exercício da democracia e formação de cidadãs e cidadãos.

Acolher ou (des)acolher? Problematizamos este assunto porque a escolarização é um direito e, se segrega, gera quadros de exclusão e contato com situações de riscos e vulnerabilidades àquelas(es) que estão distantes dos padrões socialmente aceitos neste espaço. Então, se você, enquanto professor(a), profissional da Educação que tem um compromisso social, vai para a escola instituir suas crenças, o espaço da escola torna-se individualizante.

Nós, profissionais da educação, temos que construir possibilidades de fazer nossas(os) estudantes sentirem-se pertencentes. Não podemos colocar uma verdade única sobre aquilo que fazemos.

Por fim, sabendo da criatividade das(os) estudantes de se inventarem, é possível a criação de práticas escolares que diminuam vulnerabilidades nos processos formativos de estudantes trans? Vimos que esta possibilidade ressoa positiva quando se compreende que o espaço da escola é público e de todas(os), o que torna esta discussão emergente devido às cenas de transfobias que têm se ampliado na sociedade.

Rolar para cima