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Notícia

Janeiro Lilás

ês da Visibilidade Trans - Janeiro Lilás. Fundo lilás e branco, com símbolos de gêneros ao fundo. Logo do CRP-PR.

Neste janeiro lilás (mês da visibilidade trans), o Núcleo Transcentrado do CRP-PR deseja compartilhar os diálogos de participantes desse grupo no I Encontro Estadual de Psis LGBTQIAPN+, que aconteceu no dia 9 de dezembro de 2023 na sede do CRP-PR em Curitiba. Estavam presentes seis participantes do Núcleo, pessoas trans e não binárias, além da presidenta do CRP-RJ, Céu Cavalcanti, que se identifica como travesti.

Entre os compartilhamentos de suas histórias, evidenciaram-se as dificuldades e as potencialidades de ser profissional ou estudante de Psicologia e ser parte da população trans e não binária. Destacou-se que os espaços ocupados por essas pessoas são de solidão. É ainda comum que a pessoa trans ou não binária seja a primeira a ocupar determinados lugares sociais. Ou seja, é a primeira pessoa trans ou não binária naquela instituição de ensino, naquele curso ou sala. Muitas vezes, é a primeira ou única pessoa com essas identidades que é conhecida por aquelas pessoas cisgêneras com quem compartilha a graduação ou a prática profissional. Ainda mais raro é encontrar pessoas trans e não binárias em lugares de poder. Assim, por conta das discriminações e expulsões sistemáticas que envolvem essa população, a entrada e permanência dessas pessoas em ambientes acadêmicos, profissionais ou políticos continua sendo uma das maiores dificuldades. 

Por muitas vezes representarem a única referência trans ou não binária de pessoas cisgêneras colegas de formação ou de trabalho, profissionais da Psicologia que se identificam como pessoa trans ou não binária são a referência para quem profissionais cis encaminham a população trans para atendimentos com valor social ou gratuitamente, o que resulta na retroalimentação de um sistema de precarização das vidas trans, na medida em que dificulta a manutenção das bases financeiras, das condições dignas de trabalho e de saúde. Isso acontece também porque as pessoas cis-hétero não se sentem confortáveis nesses atendimentos ou mesmo por não sentirem que possuem formação adequada para trabalhar com a população trans e não binária.

De fato, a formação ainda é deficitária, especialmente em relação à diversidade sexual e de gênero, mas também sobre as questões interseccionais de raça, classe, etnia, deficiência e demais marcadores sociais das diferenças. Além disso, alguns conteúdos da formação ainda podem ser patologizantes, além de cisheteronormativos. Por isso, profissionais sem qualificação muitas vezes ignoram especificidades relativas a essas diversidades, e acabam por ser negligentes, invalidar ou mesmo violentar essas pessoas. Desse modo, o grupo questiona: quem a formação em Psicologia está habilitando profissionais a atenderem? Qual(is) perfil(s) de pacientes/clientes é(são) privilegiado(s) na graduação e qual(is) é(são) ignorado(s) ou negligenciado(s)? 

Para além das dificuldades, fica evidente que as experiências de profissionais psi que são pessoas trans e não binárias são potentes, suas identidades são parte importante do reconhecimento profissional e do vínculo com as pessoas atendidas, bem como de familiares. Além disso, são profissionais que produzem saberes que contribuem para a transformação da Psicologia no Brasil, para que essa seja diversa, plural, inclusiva, ética e defenda os Direitos Humanos integralmente.

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