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Pandemia e falta de apoio das universidades afastam indígenas do ensino superior

Não é novidade que a pandemia trouxe muitos desafios e ensejou a adaptação da educação para os meios digitais. A suspensão das aulas presenciais em março de 2020 – com lenta e irregular retomada em algumas escolas e universidades – somada à necessidade de permanecermos em casa para frear a disseminação do vírus levou muitas pessoas a se ausentarem das cidades nas quais frequentavam cursos superiores.

Foi o que aconteceu com diversas(os) estudantes indígenas. Danieli Finhgre Felix, que cursa Psicologia na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) Campus Irati e participa da Comissão de Estudantes do CRP-PR, conta que o retorno às suas aldeias e a ausência de recursos como uma boa conexão à internet foram barreiras adicionais para a adoção do ensino remoto, contribuindo para a evasão entre indígenas.

Mesmo antes da pandemia, frequentar o ensino superior podia se revelar um grande desafio para algumas destas populações. Danieli lista as diferenças culturais, o preconceito, os estereótipos e mesmo dificuldades com o idioma como questões pouco observadas pelas universidades, que muitas vezes não prestam o suporte adequado à(ao) estudante indígena.

Apesar disso, ela afirma que os povos indígenas estão buscando cada vez mais seus direitos – e a educação é um deles – e seu espaço, seja o real (suas terras e as universidades, por exemplo) ou simbólicos, como a representatividade nas profissões, na música, na arte. Este Dia Internacional dos Povos Indígenas (09/08) é um importante momento para reforçar a importância da presença dos povos originários em todos os espaços, bem como a garantia de seus direitos.

Saúde mental

A estudante lembra, no entanto, que a exposição aos preconceitos e julgamentos diariamente, desde a infância, afetam de maneira importante a saúde mental destas pessoas – percepção compartilhada por outras(os) indígenas. Diante da necessidade de promover um cuidado qualificado para estas demandas, o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop) vem trabalhando, em uma equipe multidisciplinar composta por indígenas e não indígenas, nas “Referências Técnicas para atuação de Psicólogas(os) junto aos Povos Indígenas” , atualmente em fase final de produção. Você pode acessar o texto atualmente em consulta pública em: https://bit.ly/3ilMdmV