Importância do diagnóstico precoce é destaque no Dia Mundial de Conscientização do Autismo

 

O Transtorno do Espectro Autista é uma realidade cada vez mais frequente em todo o mundo. Em nove anos, houve um aumento de aproximadamente 30% nos diagnósticos de autismo. A análise feita pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) – órgão do governo estadunidense que se assemelha ao Ministério da Saúde no Brasil – mostra que cerca de 1% da população mundial (uma em cada 68 pessoas) apresenta algum Transtorno do Espectro do Autismo.

Segundo a presidente da Associação União de Pais Pelo Autismo (Uppa), Adriana Czelusniak, estima-se que aproximadamente dois milhões de pessoas no Brasil apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA) – 20 mil apenas em Curitiba.

Não se sabe exatamente qual o motivo desse crescimento. Entretanto, acredita-se que seja devido à forma precoce pela qual se está sendo diagnosticada a condição neurológica. O autismo é caracterizado por diversos graus de deficiência em habilidades de comunicação e interações sociais e por padrões de comportamento restritivos e repetitivos. O único consenso mundial sobre a síndrome é que, quanto mais cedo se trata, melhores são as possibilidades de desenvolvimento do paciente.

“Alterações emocionais e comportamentais, alterações de sono, apetite, consciência, marcha, excesso de agressividade e agitação psicomotora que necessitem de avaliação mais precisa e de intervenções medicamentosas devem ser acompanhadas por especialistas das áreas de neurologia ou psiquiatra, cuja avaliação inclui anamnese e exame físico, exames laboratoriais e de imagem. O ideal é que a pessoa com sinais de autismo possa ser avaliada o mais jovem possível por uma equipe multidisciplinar, que, além dos Médicos, inclui Psicólogo e Fonoaudiólogo, no mínimo. Também é comum atuarem profissionais das áreas da Terapia Ocupacional, Psicopedagogia, Musicoterapia, Psicomotricidade ou Fisioterapia, Equoterapia, entre outros”, diz Adriana.

 

Sinais do autismo

1.    Correr de um lado para o outro, bater palmas ou chacoalhar as mãos para cima e para baixo;

2.     Alinhar brinquedos, observar objetos aproximando-se exageradamente deles;

3.     Hábito de cheirar ou lamber objetos;

4.     Sensibilidade a sons;

5.     Tendência a rotinas ritualizadas e rígidas;

6.     Não desenvolver a fala ou perder tanto a fala como as habilidades sociais já adquiridas;

7.      Entonação e volume de voz que chamam a atenção e dificuldade para expressar diferentes sentimentos, preferências e vontades.

 

Desde 2008 o Dia Mundial de Conscientização do Autismo é comemorado em 02 de abril. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), visa a conscientizar a população sobre o TEA, fazendo com que cada vez mais pessoas estejam atentas e preparadas para o diagnóstico precoce. Isso porque, sendo o autismo uma condição permanente, o acompanhamento de um profissional especializado é fundamental para uma maior qualidade de vida.

A Psicóloga do Ambulatório Enccantar, Clarice Moro Ricobom (CRP-08/07931), afirma que, em alguns casos, os sinais para identificar o transtorno podem ser percebidos desde muito cedo. “São crianças muito isoladas, muito fechadas, tanto que o primeiro sinal de autismo que a gente percebe no bebê é o não olhar nos olhos, evitar o contato visual. São bebês que, quando estão mamando, por exemplo, não olham para o rosto da mãe, mamam olhando para a luz. Algumas terão atrasos na linguagem, podendo até não falar”, diz.

Segundo Clarice, é comum associar o autismo às pessoas, principalmente crianças, que não têm sentimentos ou não criam laços afetivos. No entanto, isso não é verdade. “Às vezes elas não sabem como demonstrar ou como se relacionar, e a gente também às vezes não sabe como interpretar o que elas estão sentindo ou querendo dizer. Depende muito de cada criança, tem criança que vem, beija, abraça, mas tem crianças que não toleram o contato, e aí você forçar isso é muito agressivo para ela. É um olhar para cada criança individualmente”, afirma a Psicóloga. Assim, o trabalho com as crianças é feito no sentido de estimular o prazer da socialização.

 

 

O autismo é caracterizado por diversos graus de deficiência em habilidades de comunicação e interações sociais e por padrões de comportamento restritivos e repetitivos. O único consenso mundial sobre a síndrome é que, quanto mais cedo se trata, melhores são as possibilidades de desenvolvimento do paciente.

Familiares

A família de uma pessoa com TEA também precisa de orientação e de cuidados terapêuticos, pois os extensos e permanentes períodos de dedicação podem prejudicar a vida pessoal de todos os envolvidos. Para Clarice, às vezes o trabalho precisa ser maior com os familiares do que com a própria criança. “Muitas vezes a família não sabe como lidar quando a criança recebe o diagnóstico, parece que não existe mais a criança, existe apenas o autista. Deixam de olhar a criança apenas para olhar a doença. É preciso entender que é uma criança, como todas as outras, e não é isso [o diagnóstico] que vai dizer que ela é incapaz, a gente não tem como saber o futuro. Se a gente não aposta nessa criança, qual a função do nosso trabalho?”, questiona.

O Ambulatório Enccantar, referência do Sistema Único de Saúde (SUS) em atendimento às crianças e adolescentes com autismo, foi criado em 2014; hoje conta com uma equipe fixa de duas Psicólogas, uma Fonoaudióloga, duas Terapeutas Ocupacionais e duas Neurologistas. O ambulatório trabalha com três vertentes: autismo, rede de proteção a crianças em situação de violência e Psicologia geral, que atende pessoas de 0 a 18 anos. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) infantis e os ambulatórios vinculados às Escolas Especiais complementam a rede de atendimento.

 

 

“Muitas vezes a família não sabe como lidar quando a criança recebe o diagnóstico, parece que não existe mais a criança, existe apenas o autista. Deixam de olhar a criança apenas para olhar a doença. É preciso entender que é uma criança, como todas as outras, e não é isso [o diagnóstico] que vai dizer que ela é incapaz, a gente não tem como saber o futuro. Se a gente não aposta nessa criança, qual a função do nosso trabalho?”, questiona a Psicóloga Clarice Moro Ricobom.

 

Eventos da UPPA

Em celebração ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a Uppa organizou uma série de eventos para reforçar a data. Confira abaixo a programação:

 

31/03 – Capacitação de 460 estagiários sobre o TEA para todos os profissionais de apoio

Local: Centro de Capacitação da Secretaria Municipal de Educação – Rua Dr. Faivre, 398 – Centro, Curitiba-PR

 

01/04 | 08h30 – I Seminário UPPA/SME Autismo e Inclusão

Local: Salão de Atos do Parque Barigui

 

01/04 | 13h – Apresentação Uppa Show Talentos do Autismo

Local: Parque Barigui

 

02/04 | das 10h às 17h – Ação recreativa com brinquedos infláveis

Local: Salão de Atos do Parque Barigui

 

02/04 | 14h – Caminhada azul

Local: Parque Barigui

 

06/04 | 19h – Abertura da mostra de fotografias

Local: Shopping Jardim das Américas – Avenida Nossa Senhora de Lourdes, 63 – Jardim das Américas, Curitiba-PR