Notícia

Eventos de Psicologia Escolar, Avaliação Psicológica e Cultura recebem profissionais e estudantes

Nos dias 19 e 20 de maio, quatro eventos promovidos pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) movimentaram a categoria de Psicólogas(os), estudantes e profissionais de áreas afins.

 

Avaliação Psicológica

Na sexta-feira (19) e no sábado (20), dezenas de profissionais se reuniram em Cascavel e em Foz do Iguaçu para aprender mais sobre Avaliação Psicológica com Roberto Moraes Cruz (CRP-12/01418), grande especialista na área. “Os Psicólogos, em geral, não sabem ainda a diferença entre examinar e avaliar ou entre medir e testar, assim como não compreendem que nem todo processo de Avaliação Psicológica produz diagnóstico e que, portanto, avaliar não é testar, pois os instrumentos são recursos do processo de Avaliação Psicológica”, disse o Psicólogo antes do evento, em uma entrevista ao CRP-PR.

Roberto Moraes Cruz esteve em Cascavel no dia 19 de maio e Foz do Iguaçu no dia 20 de maio

 

I Seminário de Psicologia na Educação

A manhã de sábado (20) reuniu mais de 200 pessoas em Curitiba para ouvir profissionais da Psicologia e Neurologia palestrarem sobre a medicalização na educação. Vera Terra, neurologista, trouxe aos presentes algumas práticas adotadas por ela em casos como o diagnóstico de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e Transtorno Desafiador Opositor.  “Às vezes é preciso fazer tratamento medicamentoso, mas ele não pode ser exclusivo”, destacou, lembrando que a terapia e a correta educação também fazem parte das práticas indicadas.

O auditório da Univerisidade Positivo ficou lotado para o evento sobre Psicologia Escolar e da Educação

 

A Psicóloga Soledad Fernandez (CRP-08/07698), que palestrou sobre “A escola e a medicalização”, conversou com o CRP-PR e a entrevista você confere abaixo.

 

Como a senhora vê a questão da medicalização na educação?

O fenômeno da medicalização da educação é efeito de um movimento maior e que também precisa ser questionado que é a medicalização da vida. Resumir a causalidade dos problemas, mal-estares e insatisfações humanas a questões químicas e biológicas que podem ser sanadas com remédios é não levar em consideração a complexidade das relações e os aspectos socioculturais que permeiam e influenciam o comportamento. É muito importante questionar a serviço de quem estão esses processos e quem ganha com a visão de que tudo, ou quase tudo, pode ser resolvido com “pílulas”. Principalmente quando se submetem crianças e adolescentes em pleno desenvolvimento a tratamentos farmacológicos.

 

É muito importante questionar a serviço de quem estão esses processos e quem ganha com a visão de que tudo, ou quase tudo, pode ser resolvido com “pílulas”. Principalmente quando se submetem crianças e adolescentes em pleno desenvolvimento a tratamentos farmacológicos, diz a Psicóloga Soledad Fernandez.

 

Em sua concepção, quais são atualmente os principais desafios nesse tema?

Acredito que o principal desafio é não cair na tentação da solução fácil e rápida dos problemas de aprendizagem que descomprometem o adulto da parte que lhe cabe na questão. Na escola é na relação entre o professor e seu aluno que se abre a possibilidade de aprender algo. E esse processo é de mão dupla, o professor é peça fundamental. Existem muitos “problemas de ensinagem” como nos lembra Rubem Alves e outros tantos estudiosos da questão. Ao patologizar a criança, desconsidera-se o contexto onde surge o problema e se perde a oportunidade de reavaliar os processos educativos fundamentais ao aprendizado.

 

Qual a importância de alertar sobre a crescente onda de medicalização da vida cotidiana no campo da educação escolar?

A escola é um campo importantíssimo de discussão dessa questão. Seus encaminhamentos podem reforçar o entendimento que coloca no corpo da criança e do adolescente o defeito que causa os problemas de aprendizagem. Ou pode colocar em pauta aspectos pedagógicos e relacionais considerando os comportamentos como resultados de processos mais complexos que também precisam ser avaliados e modificados. E a responsabilidade da escola aumenta principalmente por dois motivos: 1) é dela que partem os pedidos de investigação quando os alunos não conseguem aprender; 2) quando a necessidade de investigação é levantada pela família a escola é convocada a participar dos processos de diagnóstico, seja através dos relatórios de comportamento que os clínicos pedem aos professores, seja através de questionários de caráter opinativo que muitas vezes não são adequados à faixa etária que está sendo investigada.

 

Transtornos de aprendizagem como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) são muitas vezes interpretados de formas errôneas no ambiente escolar, fazendo crianças e pré-adolescentes se sentirem incompreendidas. Como atuar para identificar de forma correta cada vez mais cedo esses transtornos?

A ideia de transtorno parte de uma premissa que deve ser questionada, pois se baseia num ideal de comportamento. Quanto tempo de atenção deve ter uma criança numa situação de aprendizagem? Quanto tempo ela deve conseguir ficar quieta ouvindo o outro falar? O quanto ela pode questionar uma situação ou recusar-se a fazer algo que o adulto pede sem que isso seja considerado uma afronta à autoridade do adulto? Há uma “epidemia diagnóstica” na atualidade que patologiza a infância quando a criança não atende aos ideais dos adultos de seu convívio. Mais importante do que identificar de forma mais eficaz e cada vez mais cedo esses transtornos é questionar o ideal impossível a que muitas crianças estão sendo submetidas.

 

Qual a necessidade de uma interdisciplinaridade da educação com demais áreas, como saúde, direitos humanos, etc.?

O desenvolvimento infantil é objeto de estudos de diferentes campos do conhecimento. E cada campo recorta aspectos do desenvolvimento de acordo com a função específica sobre a qual se debruça.  Mas é fundamental destacar o fato de que a criança que vai para a escola não é a criança hipotética dos livros. É um ser humano que tem uma história de vida particular marcada pelas relações entre ela e os outros com quem convive. E ela não deve ser nem “criança-cobaia”, nem objeto de disputa de saberes dos profissionais que eventualmente trabalham com ela quando existem impasses na vida escolar.

 

Há dados disponíveis acerca dos níveis de medicalização na infância e adolescência?

Sim. Em 2015 o Ministério da Saúde publicou diretrizes para prevenção da excessiva medicalização de crianças e adolescentes levando em consideração o fato de que o Brasil é o 2º maior consumidor mundial de remédios à base de metilfenidatos. Existem muitos estudos e pesquisas de diferentes campos alertando para o uso exagerado da medicalização no contexto da infância e da escola.

 

Psicologia e Cultura

O sábado também foi dia de discutir Psicologia e as relações com a arte. No lançamento da Comissão de Psicologia e Cultura, Psicólogos e artistas palestraram e fizeram apresentações de dança e teatro.

Os presentes puderam fazer reflexões com o Psicólogo Robson dos Santos Mello (CRP-08/IS-307), que falou sobre as diversas interfaces entre a Psicologia e a arte, além de assistir ao filme “A teta assustada”, comentado pelo Psicólogo Célio Luiz Pinheiro (CRP-08/05780).

Psicóloga Cecília Baruki (CRP-08/22877), professora e bailarina profissional de dança do ventre, que estuda as novas percepções do corpo de quem dança em um trabalho complementar no processo terapêutico

 

O Psicólogo Robson dos Santos Mello (CRP-08/IS-307) falou sobre as diversas interfaces entre a Psicologia e a arte

 

O Psicólogo Tonio Luna (CRP-08/07258) em seu monólogo “Psicólogo da Silva”

 

 

Veja todas as imagens dos eventos em nosso Flickr clicando aqui.

Rolar para cima