Simpósio de Psicologia e Segurança Pública

25
May
08h
30
Curitiba
CRP-PR
Avenida São José, 699, Cristo Rei

Informações

A Psicologia tem um importante papel no contexto da segurança pública ao promover estratégias de cuidado com a saúde mental dos agentes e seus familiares, em um ambiente de intensa cobrança social e organizacional, e promover o acompanhamento dos processos seletivos e avaliações de desempenho.

Além disso, a sociedade tem se deparado com desafios que se inter-relacionam com a segurança pública, como os ataques armados às escolas e situações de emergências e desastres.   

Este evento colocará as(os) participantes em contato com profissionais que atuam ou atuaram dentro de corporações em diversos Estados, bem como Psicólogas(os) com estudos e experiência na Gestão Integral de Riscos e de Desastres, para discutir desafios e possibilidades nesta área.

* Haverá transmissão online pelo YouTube do CRP-PR.

As vagas presenciais estão esgotadas. Haverá inscrições no local mediante desistências e de acordo com a capacidade do auditório.

Programação

8h30: Credenciamento
9h: Abertura
9h15: Mesa-redonda “Desafios atuais da Psicologia na segurança pública”

  • Desafios atuais da Psicologia na Segurança Pública – Fernando Carvalho Derenusson (CRP-05/25378) – Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ: abordaremos o percurso de estruturação do serviço de Psicologia da PMERJ, a partir da vivência do palestrante em 17 anos como oficial Psicólogo desta corporação, e seis anos como chefe deste serviço. Trataremos do desafio de estabelecimento de metas e prioridades para a atuação deste quadro composto por 93 Psicólogos, em sua missão de promover a saúde mental em uma corporação composta por 43 mil homens da ativa e mais 200 mil dependentes. Abordaremos o percurso deste serviço e a gradual tomada de consciência acerca das implicações, responsabilidades e possibilidades inerentes a este campo. Da atuação prioritária inicial no âmbito da clínica, o direcionamento do serviço se volta para a busca de uma atuação mais marcante no nível institucional, a partir da percepção dos atravessamentos sociais e a intensa cobrança a que o policial está sujeito, bem como da forma pela qual tais elementos incidem sobre a cultura organizacional desta Corporação que “não pode falhar”. São abordados os desafios, estratégias e avanços deste serviço, bem como as dificuldades encontradas ao longo deste percurso
  • Prazer em Conhecer-me! Atuação profissional da(o) Psicóloga(o) junto ao Núcleo de Saúde Mental da Polícia Civil do Rio de Janeiro
    Daniele Amar Buttner (CRP-05/18720) – Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro: promover assistência em Saúde Mental visando ao equilíbrio emocional e à melhoria da qualidade de vida dos policiais civis do Estado do Rio de Janeiro, com o propósito de pesquisar, estudar, analisar, diagnosticar, avaliar, orientar e elucidar os processos de desenvolvimento emocional dos policiais civis, vislumbrando a prevenção, o suporte e acolhimento, fornecendo subsídios para melhor compreensão teórica acerca dos diversos fatores que influenciam o processo saúde-doença mental dos policiais civis e assim, minimizar os fatores que levam ao agravo da saúde física e mental destes profissionais. O atendimento psicoterápico viabiliza transformações emocionais e afetivas, detectando os fatores determinantes do adoecimento, propiciando melhor qualidade de vida e, assim, menor índice de afastamento do trabalho e vislumbrando melhoria, contextualizando fonte de prazer e sofrimento; desestruturação produtiva em organização do processo de trabalho: trabalho prescrito e trabalho real; trabalho e os transtornos mentais; a identidade do trabalhador doente social, familiar e pessoal; construindo caminhos para a formulação da rede de assistência e promoção da Saúde do Policial Civil; quebra de paradigma da busca por tratamento psicológico e psiquiátrico e melhor qualidade de vida, por parte do policial; grupos de atendimento em Drogadição, Transtornos Sexuais e Alcoolismo.
  • Psicologia e os desafios frente às violências e atentados em escolas – Ionara Rabelo (CRP-09/1661) – Comissão de Psicologia na Gestão Integral de Riscos e de Desastres/ CRP Goiás: a Psicologia tem contribuído para o debate sobre enfrentamento às violências em diferentes contextos. Aportes teóricos da Psicologia Escolar e Psicologia na Gestão Integral de Riscos e de Desastres contribuem para a atuação ética e responsável tanto na prevenção como na resposta a incidentes críticos ocorridos em escolas, no Brasil. Repensar as violências que perpassam os ambientes escolares pode apoiar Psicólogas(os) Escolares na construção de projetos que fortaleçam vínculos entre estudantes, professores(as), direção, técnicos(as) e familiares. Ataques violentos a escolas exigem intervenções embasadas em protocolos de resposta a incidentes críticos, que possam dialogar e serem adaptados à Psicologia Escolar, para a construção de cuidados para atenção psicossocial. Os cuidados devem contemplar a elaboração da experiência, rituais de luto conectados com a cultura local e construção de projetos de vida.

10h30: Intervalo

10h45: Mesa-redonda “A pesquisa e intervenção em Psicologia em contextos militares e de segurança pública”

  • A pesquisa no auxílio à tomada de decisão em contextos militares e de segurança Pública – Marcos Aguiar de Souza (CRP-05/19497) – Universidade Federal do Rio de Janeiro: o tema a ser apresentado tratará da questão da pesquisa como auxílio à tomada de decisão no contexto militar e de segurança pública. São discutidos os procedimentos adotados na Academia Militar das Agulhar Negras, no que se refere ao funcionamento do grupo de pesquisa em funcionamento desde setembro de 2012. A sugestão é que os estudos na área envolvam dados relativos à avaliação psicológica em processos seletivos, promovendo o acompanhamento com a inclusão de novas variáveis e um acompanhamento durante a fase de formação (quando existir) ou anos iniciais de atividade. Em tal processo são incluídas coletas adicionais em um processo contínuo de atualização do banco de dados. Todas as informações que venham a surgir de cada indivíduo são adicionadas, de modo a permitir (1) uma melhor compreensão da validade dos instrumentos utilizados no próprio processo seletivo; (2) a identificação de instrumentos não comerciais que possibilitem adequadamente mensurar as variáveis que forem sendo identificadas como de interesse; (3) o desenvolvimento de estudos adicionais com um baixo investimento e, finalmente; e (4) possibilitar o desenvolvimento de instrumentos de medida específicos para a área.
  • O Método dos Incidentes Críticos no Uso de Instrumentos de Medida em Contextos Militares e de Segurança Pública – Maria Auxiliadora Salcedo Giolo (CRP-05/32502) – Universidade Federal do Rio de Janeiro: o método dos incidentes críticos consiste em uma série de procedimentos para a coleta de observações diretas do comportamento humano. Tal técnica tem sido útil em diversas áreas, e comumente tem sido empregada em processos de avaliações do desempenho. No presente estudo o método dos incidentes críticos foi adotado com o objetivo de obtenção adicional de indicativos de validade de instrumentos psicológicos utilizados em processos de seleção, buscando identificar aqueles instrumentos que de fato diferenciavam a conduta de militares. A profissão militar possui características bastante específicas, que se afastam significativamente daquelas encontradas em outras atividades profissionais. E da necessidade em estabelecer parâmetros científicos o estudo dos instrumentos pertinente à seleção de militares foi realizado na Academia Militar das Agulhas Negras, com 490 cadetes, que haviam respondido a 10 instrumentos de uso privativo da(o) Psicóloga(o) avaliando as áreas cognitivas e da personalidade em formato de escalas, inventários e testes objetivos, além de 04 medidas complementares, buscando identificar a relação entre as áreas avaliadas com o desempenho do aluno na formação militar. A partir dos resultados, em cada fator de cada instrumento foram identificados cinco militares em cada extremo (escores mais elevados e menos elevados). Estes escores subsidiaram a realização de entrevistas semiestruturadas com superiores diretos dos cadetes, que foram desenvolvidas a partir dos fatores dos instrumentos selecionados com o objetivo de classificação dos instrumentos em três categorias (correspondem; correspondem parcialmente; e não correspondem). Os resultados indicaram fatores dentro de diferentes instrumentos que precisariam ser revistos ou mesmo desconsiderados, uma vez que os escores obtidos não refletiam o comportamento diários dos cadetes, apontando a necessidade de estudos específicos e a construção de instrumentos adaptados para o contexto militar.
  • Psicologia das Emergências e Desastres no Cenário do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná – Franciane Alves de Siqueira (CRP-08/20829) – Corpo de Bombeiros Militar do Paraná: o tema apresentará o processo de implementação de ações institucionais voltadas à Psicologia das Emergências no cenário corporativo paranaense. A realidade dos atendimentos efetuados diariamente (buscas, salvamentos, combates a incêndios, atendimento pré-hospitalar) pelos bombeiros exigiu uma ação voltada à prática institucional norteada pela preocupação de atendimento diferenciado à população. Compartilhar conhecimentos e técnicas com o efetivo permite a gestão da qualidade do atendimento, além do autocuidado. A profissão de bombeiro militar é circundada diariamente pelo sofrimento, pela dor e pela angústia, muitas vezes desencadeando um estresse contínuo não identificado pelo operador de segurança pública.

12h: Intervalo

13h30: Mesa-redonda “Avaliação psicológica para fins de seleção de pessoal no contexto militar e de segurança pública”

  • Quais são os nossos desafios na avaliação psicológica no contexto de concursos públicos?  – Cristiane Faiad – Universidade de Brasília: a última década foi demarcada por um árduo trabalho no campo da avaliação psicológica no Brasil. Dentre os maiores ganhos, pode-se listar o reconhecimento da cientificidade dos instrumentos e técnicas psicológicas, a busca por estudos sobre evidências de validade em diferentes contextos, a construção de normativas no Conselho Federal de Psicologia como orientadoras de algumas práticas profissionais e uma maior preocupação com as consequências das avaliações. A avaliação psicológica no contexto de concursos públicos, apesar de estar inserida nestes ganhos, enfrenta uma série de desafios que de certa forma ainda não foram combatidos por nossa área. Neste sentido, esta palestra tem como objetivo discutir quais são os maiores desafios desta avaliação compulsória e apresentar possíveis caminhos que podem ser construídos para a continuidade desses processos. Ao apresentar cada uma das fases que compõem a avaliação no contexto de concurso público, serão identificados aspectos sobre forças, fraquezas e necessários investimentos que implicam não apenas os profissionais envolvidos nesta atuação, mas também os conselhos e as instituições demandantes.
  • A judicialização da avaliação psicológica aplicada em concursos públicos implicará o fim do seu emprego nesse contexto? – Andersson Pereira dos Santos – Polícia Federal (Brasília-DF): a jurisprudência brasileira impõe restrições à aplicação da avaliação psicológica nos concursos públicos realizados no país. As cortes superiores consideram ilegal a aplicação de alguns tipos de técnicas comumente empregadas em avaliações psicológicas, apesar de referendadas pelo Conselho Federal de Psicologia e reconhecidas pela comunidade cientifica. A palestra tem como objetivo apresentar o panorama da jurisprudência e discutir o seu impacto na avaliação psicológica dos concursos públicos para provimento de cargos policiais, especialmente nas organizações que adequaram os seus exames a essas restrições, que retiraram do processo de avaliação as técnicas projetivas, expressivas e entrevistas, mantendo apenas os testes considerados “objetivos”. Dados apontam que, nos processos seletivos dessas organizações, o número de candidatos inaptos na avaliação psicológica está reduzindo progressivamente. Tal fato, aliado à ampla difusão dos testes psicológicos, bem como a realização de cursinhos preparatórios ministrados por Psicólogas(os), indica que os candidatos estão se preparando para a avaliação psicológica, o que facilitaria, em tese, o ingresso de pessoas que não teriam condições psicológicas para exercerem a função policial. Diante desse contexto, a avaliação psicológica aplicada em concursos públicos tem efeitos nocivos. Além de não conseguir identificar os candidatos que deveriam ser inaptos, a avaliação psicológica está reputando aptos aqueles que não deveriam ser aprovados no processo seletivo. Essas consequências impulsionam as críticas à própria avaliação psicológica, gerando um ciclo vicioso. Assim, deve ser feita a reflexão pela comunidade científica, pelo Conselho Federal de Psicologia e organizações policiais se a judicialização da avaliação psicológica aplicada em concursos públicos terminará implicando o fim do seu emprego nesse contexto.
  • Na prática, quais as possíveis contribuições para o aprimoramento da avaliação psicológica em concursos públicos? – Cassia Aparecida Rodrigues (CRP-08/12944) – Comissão de Avaliação Psicológica Curitiba-PR: a avaliação psicológica no contexto de concursos públicos apresenta particularidades quanto a outros contextos de atuação profissional e necessita de uma prática respaldada pela técnica e pela ética por parte dos profissionais que atuam nesta área, ao mesmo tempo lidando com a escassez de evidências científicas. Para a(o) profissional da Psicologia os conhecimentos que se fazem necessários vão além da aplicação e correção de instrumentos psicológicos e necessitam ser abordados desde a graduação. Salienta-se que esta prática não ocorre sem a demanda de uma ou mais instituições, Psicólogas(os) e candidatas(os), formando uma relação triangular de responsabilidades, direitos, deveres e consequências sociais para todos os envolvidos. Assim, o objetivo desta apresentação será abordar os aspectos diferenciais deste fazer avaliativo, competências necessárias e ressaltar a necessidade da mudança de cultura dos implicados. Desta forma, ao abordar a temática espera-se promover um diálogo para a sensibilização pela urgência por trabalhos com alta qualidade, aumento de pesquisa na área e o combate de práticas que possam comprometer a ética, almejando a promoção de um aprimoramento desta prática avaliativa

15h20: Intervalo

15h45: Mesa-redonda “O papel das(os) Psicólogas(os) em cenários de desastres”

  • O papel das(os) Psicólogas(os) em cenários de desastres – Olavo Sant’Anna Filho (CRP-06/05386) – Polícia Militar do Estado de São Paulo e Cruz Vermelha Brasileira: o tema a ser apresentado tratará da questão do papel das(os) Psicólogas(os) que integram as organizações militares e de segurança pública no Brasil. No Brasil as Forças Armadas, as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares são partes integrantes do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC (LEI nº 12.608, de 10 de abril de 2012, que institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC; dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil – SINPDEC e o Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil – CONPDEC) e, tendo em vista a estrutura de comando, controle, capacidades de mobilização e logística inerentes a essas instituições, elas têm desempenhado papel importante em episódios de desastres, em especial nas atividades de busca, salvamento, resgate e logística humanitária. A participação de militares em operações humanitárias não é um fenômeno novo, quer no Brasil, quanto no exterior. As pesquisas sobre esta participação, nos diversos sistemas de administração de emergências e desastres, comprovam que o profissional militar, seja ele de que categoria for, tem desempenhado um papel importante, tendo, por isto mesmo, assento permanente em organismos de coordenação e gestão das ações para fazer frente aos desastres. A profissão militar e de operadores de segurança pública cada vez mais presenteia seus integrantes com situações únicas e continuamente estressoras. Tais situações vão desde os estressores diários do seu dia a dia, os quais nem sempre são todos negativos, passando pelo estresse pós-traumático e, em casos extremos, chegando até ao suicídio.
  • Psicologia em Emergências e Desastres no contexto militar: uma prática com equipes de primeira resposta – Eliane Cristine Bezerra de Lima (CRP-05/26769) – Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro: presentaremos as práticas realizadas com equipes de primeira resposta do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro em cenários de emergências e desastres, bem como as ações preventivas realizadas em ambiente interno como forma de contribuir na promoção da saúde mental desses profissionais que desenvolvem atividades essenciais para a manutenção da vida das pessoas e pela natureza do trabalho, que estão expostos continuamente a situações estressantes e/ou potencialmente traumáticas, oferecendo risco psicológico. Abordaremos ainda os desafios e as dificuldades encontradas nessa área relativamente nova e dentro de uma estrutura organizacional que nem sempre favorece a expressão de sentimentos e emoções. Cabe mencionar que o envolvimento da palestrante nessa área se deu de forma gradual, tendo seu início em 2010 com o deslizamento do Morro do Bumba em Niterói, seguido de participações em outras ocorrências de inundações, desastres e desabamentos, como o ocorrido no dia 12 de abril com dois prédios no bairro da Muzema-RJ. E nas situações de emergências, acompanhando as guarnições em eventos nos serviços de 24h. O trabalho desenvolvido junto à tropa destaca a necessidade de escuta, suporte psicológico e intervenções psicossociais. Esta questão sugere que os bombeiros devam ser compreendidos enquanto sujeitos na sua totalidade. Considerando que cuidando do homem que veste a farda estaremos colaborando com a qualidade do seu fazer profissional, refletindo no cumprimento da missão que é salvaguardar a vida alheia.
  • Lições aprendidas na atuação da(o) Psicóloga(o) em situações de desastres – Eveline Favero (CRP-08/22252) – Comissão de Psicologia Ambiental CRP-PR em Curitiba-PR: serão abordadas questões relativas à prática da(o) Psicóloga(o) em situações de desastres, considerando princípios éticos da atuação profissional. Será feito um breve relato da atuação como Psicóloga por ocasião do acidente com o Voo 2933 da LaMia que estava a serviço da Associação Chapecoense, em 28 de novembro de 2016, considerando as lições aprendidas e os desafios para a prática profissional.

17h30: Encerramento