Notícia

Evento sobre política de drogas tem participação do CRP-PR

*com informações de assessoria

 

A Conselheira Semiramis Vedovatto (CRP-08/06207), da gestão Força e Inovação, participou na última sexta-feira (30) de um evento que discutiu política sobre drogas no município de Curitiba. Além da representante do CRP-PR, o evento contou ainda com a presença de funcionários das Secretarias de Saúde, especialistas e representantes de Conselhos de Classe, movimentos sociais (como Movimento da População de Rua), da FioCruz e da UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime).

Na ocasião, foram apresentadas ações voltadas à prevenção do uso de drogas com foco nas pessoas que vivem em situação de rua e que apresentam problemas relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. O Diretor do Departamento de Política sobre Drogas de Curitiba, Marcelo Kimati, falou sobre a ampliação das ações e dos novos serviços, focado em uma política transversal com envolvimento de outras secretarias além da área da Saúde, Saúde Mental, Assistência Social (FAS), Defesa Social, Esporte, etc.

Entre as ações, está a ampliação do atendimento já oferecido a usuários de álcool e outras drogas que vivem nas ruas, como a ampliação das atividades do ônibus Intervidas para cinco dias da semana em pontos diversos da área central de Curitiba. Além disso, programas como a Morada Intervida – casa de acolhimento para população em situação de rua com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas –, e o programa Conexão Jovem – abordagem de jovens que fazem uso de drogas em locais públicos, com oferta de oficinas profissionalizantes como forma de prevenção, são ações que ampliarão o alcance da política sobre drogas.

A concretização das ações será feita com um orçamento de cerca de R$ 3 milhões, financiado através de convênios com o Ministério da Justiça.

 

Redução de Danos

A Psicóloga que representou o CRP-PR destacou que as estratégias coordenadas para atendimento da complexidade do fenômeno de drogas exigem do gestor soluções que vão além do senso comum dentro da lógica higienista e hospitalocêntrica. “Os melhores resultados vêm das estratégias de baixa complexidade, que vão para além das questões da saúde, agregando questões como acesso a moradia, geração de trabalho e renda e cuidado psicossocial ampliado, pois é fato que somente com a redução das inequidades sociais é que poderemos de fato enfrentar a problemática das drogas”, disse, lembrando que a melhor resposta é o cuidado em liberdade.

A Psicóloga Tânia Maris Grigollo, representante da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e da Fundação Oswaldo Cruz, elogiou a experiência curitibana. “Curitiba avançou muito em pouco tempo rumo ao respeito às pessoas com muita criatividade e inovação. São projetos sustentáveis e com resultados evidentes, que estão sendo observados por outras cidades no país e no exterior”.

 

Ônibus Intervidas, que faz o atendimento nas ruas da cidade

 

Confira um pouco mais sobre cada ação proposta no evento:

Intervidas

Unidade móvel (ônibus) que fica em áreas especificas da região central de Curitiba das 18h às 23h, desenvolvendo uma ação na linha de Redução de Danos, com equipe multidisciplinar (Psicólogas(os), Terapeuta Ocupacional, Educador Físico e  Pedagogo).

A equipe realiza abordagens com usuários de álcool e outras drogas em situação de rua que costumam frequentar as praças e são convidados para participar de atividades que envolvem música, esporte, leitura e artes circenses, objetivando a ressocialização, a reinserção e o vínculo.

Ao criar vínculo com estas pessoas, os profissionais da saúde passam a orientá-las sobre Redução de Danos e sensibilizá-las para que sejam encaminhadas a outros equipamentos da prefeitura, como abrigos, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), reforçando um trabalho intersetorial entre várias secretarias.

O projeto, que hoje funciona nas praças Rui Barbosa e Osório, será expandido a partir de outubro: passará a funcionar também nas Praças Ouvidor Pardinho e Santos Andrade e no Largo da Ordem.

Com a expansão, a expectativa é de, em um ano, fazer 7,6 mil atendimentos individuais, 11 mil atendimentos em grupo e 800 encaminhamentos.

 

Morada Intervidas

É uma casa de acolhimento para pessoas em situação de rua com uso problemático de álcool e outras drogas que aderem às propostas de tratamento na rede pública de saúde de Curitiba.  O projeto tem o objetivo de abrigar e contribuir com a recuperação e com a reinserção social de pessoas que tiveram seus vínculos destruídos devido ao uso de drogas. A participação em cursos profissionalizantes ofertados pela Secretaria Municipal do Trabalho e Emprego criará oportunidades para que estes indivíduos estejam aptos a voltar ao mercado de trabalho. A proposta é atuar nos moldes do programa “De Braços Abertos” de São Paulo, que congrega Saúde, Assistência Social, geração de trabalho e renda, acessos a moradia, etc.

A Morada ofertará terá 100 leitos, com vagas para mulheres (inclusive gestantes) e homens. Os hóspedes deverão permanecer na Morada por cerca de quatro meses e deverão estar vinculados a outros serviços, como tratamento no CAPS e cursos de capacitação profissional.

 

Conexão Jovem

Buscará impactar a vida de jovens que não se encontram em situação de rua, mas que fazem uso de drogas em locais públicos próximos a instituições de ensino ou estão em situação de risco para tal. “O consumo de drogas lícitas e ilícitas cria uma situação de vulnerabilidade social. Para evitar que estas pessoas quebrem seus vínculos familiares, escolares e de trabalho, equipes compostas por profissionais de saúde mental intervirão diretamente com elas”, explica Marcelo Kimati. A ação está prevista para começar na primeira quinzena de novembro e ocorrerá durante o dia.

 

Viva Jovem

Para que jovens estejam conscientes e evitem o contato com as drogas, os Portais do Futuro e CAPS ofertarão 2,5 mil vagas em 77 oficinas profissionalizantes relacionadas à cultura jovem, como hip-hop, grafite e fotografia. Os cursos, voltados a jovens a partir de 15 anos de idade, já estão acontecendo em regiões como Cajuru e Tatuquara. “Desta forma, reforçamos os Portais do Futuro como dispositivos de prevenção ao uso de drogas e de empoderamento e protagonismo juvenil”, diz Kimati.

 

Monitoramento

Estima-se implementar, até meados de outubro, um módulo de monitoramento por câmeras em áreas públicas com alta prevalência de uso de drogas. O veículo captará imagens de câmeras instaladas em diferentes pontos da cidade e as informações coletadas ajudarão a direcionar as equipes multiprofissionais para locais de abordagem e também servirão para acompanhar o impacto das ações desenvolvidas.

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