Notícia

Especial “Temas da Psicologia”

Neste m√™s de janeiro, o CRP-PR traz a voc√™ uma s√©rie de textos para falar sobre alguns temas relevantes da Psicologia. Vamos mostrar o perfil de atua√ß√£o de algumas √°reas da profiss√£o, como sa√ļde, escolar e jur√≠dica, como elas surgiram e se desenvolveram, al√©m de relembrar alguns conceitos importantes.

Para abrir a s√©rie, come√ßamos falando sobre Psicologia e sa√ļde. A Psicologia est√° presente em grande parte dos hospitais gerais e psiqui√°tricos, p√ļblicos e particulares. Esta atua√ß√£o pode ser considerada um desdobramento ou uma aplica√ß√£o da Psicologia Cl√≠nica no √Ęmbito m√©dico. O termo Psicologia Hospitalar, no entanto, n√£o √© utilizado em todos os pa√≠ses do mundo, pois remete ao local espec√≠fico de atua√ß√£o, enquanto que a Psicologia da sa√ļde seria uma √°rea de atua√ß√£o mais ampla, al√©m do ambiente institucional. Assim, podemos considerar que a(o) Psic√≥loga(o) Hospitalar realiza um trabalho de Psicologia da Sa√ļde no contexto de uma unidade hospitalar, em que s√£o realizados atendimentos de alta complexidade. 

O principal objetivo da(o) Psic√≥loga(o) no atendimento √© o de promover a sa√ļde em diversos contextos, podendo atuar em Hospitais Gerais e Psiqui√°tricos, Cl√≠nicas e Postos de Sa√ļde Municipais e Estaduais, Programas de Sa√ļde Mental, ONGs e Cl√≠nicas Privadas de Especialidades M√©dicas, desenvolvendo a√ß√Ķes como:

1.      Atendimento psicol√≥gico individual e em grupo nas especialidades, tanto em interna√ß√Ķes como em ambulat√≥rios;

2.      Atendimento em Sa√ļde Mental Comunit√°ria, em grupo e familiar;

3.      Atendimento de acompanhamento no processo de luto p√≥s-√≥bito e ou outras perdas na fam√≠lia;

4.      Atendimento √†s fam√≠lias de pacientes em UTIs;

5.      Atendimento aos pacientes e seus familiares em pronto-atendimento;

6.      Atendimento pr√© e p√≥s operat√≥rio;

7.      Participa√ß√£o em reuni√Ķes clinicas multidisciplinares e interdisciplinares;

8.      Capacita√ß√£o de cuidadores de pacientes cr√īnicos;

9.      Participa√ß√£o na Comiss√£o de √Čtica do Hospital.

Como o por que a Psicologia Hospitalar surgiu?             

A origem da atua√ß√£o da(o) Psic√≥loga(o) nos hospitais brasileiros remonta a Mathilde Neder, a primeira profissional a trabalhar na √°rea no in√≠cio da d√©cada de 1950 ‚Äď um desafio se considerarmos que a Psicologia s√≥ foi regulamentada em 1962.

Entre os anos de 1952 e 1954, ela foi colaboradora da Cl√≠nica Ortop√©dica e Traumatol√≥gica (atualmente Instituto de Ortopedia e Traumatologia) do Hospital das Cl√≠nicas da USP (Universidade de S√£o Paulo), atuando no acompanhamento de crian√ßas submetidas a cirurgias de coluna e seus familiares. De acordo com o artigo ‚ÄúPr√°tica psicol√≥gica em hospitais: Adequa√ß√Ķes ou inova√ß√Ķes?‚ÄĚ, publicado pelo Boletim Academia Paulista de Psicologia, a necessidade de um atendimento psicol√≥gico surgiu quando as equipes perceberam que a agita√ß√£o de algumas crian√ßas ap√≥s a cirurgia ocasionava danos √†s pe√ßas de gesso e prejudicava o trabalho de recupera√ß√£o, sendo que a Psicologia seria importante para melhorar o processo de p√≥s-operat√≥rio destas crian√ßas.

Desde ent√£o, houve um aumento significativo no n√ļmero de Psic√≥logas(os) interessados em seguir nesta √°rea, evidenciada pelo n√ļmero de cursos de especializa√ß√£o e trabalhos sobre o tema. √Č uma √°rea em expans√£o, mas que j√° vem sendo alvo de estudos h√° bastante tempo.

O princípio da inserção da(o) Psicóloga(o) Clínica(o) no hospital geral é a busca da relação entre a mente e o organismo como um todo, sendo este uma união entre a parte biológica e psíquica. Neste sentido, a doença pode estar relacionada tanto ao um ou outro aspecto do ser.

Considerando que a doen√ßa e a interna√ß√£o geram uma ruptura nas vidas pessoal e profissional do paciente, a(o) Psic√≥loga(o) deve avaliar e intervir, atrav√©s de acompanhamento sistem√°tico, sobre os efeitos do adoecer e do tratamento na realidade ps√≠quica, assim como destacar os aspectos psicol√≥gicos e a diversidade de viv√™ncias que podem estar implicadas no processo do adoecer. √Č oferecer a possibilidade da escuta do sujeito, para que ele possa falar, interpretar sua condi√ß√£o de doente a partir da inst√Ęncia ps√≠quica, que √© simb√≥lica, pela via da possibilidade de representa√ß√£o que n√£o se pode calar, uma vez que caracteriza a condi√ß√£o de ser humano.