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Equívocos sobre o sexo na terceira idade: impactos na atuação com o público longevo

A sexualidade é uma parte essencial da vida humana e ultrapassa as barreiras da idade. No entanto, se o sexo por si só é um tema permeado de equívocos e tabus, quando esse assunto é tratado na terceira idade o tabu é ainda maior. Antes de mais nada, é importante frisar que a saúde, e não a idade, é o que realmente impacta a sexualidade das pessoas longevas. Pretende-se, então, discorrer sobre a importância de falar sobre a prática sexual na terceira idade e como os equívocos que permeiam nosso imaginário afetam diretamente o trabalho com os 60+.

Nos últimos anos, a sociedade tem passado por transformações profundas que estão redefinindo nossa maneira de pensar a terceira idade, já que vivemos mais e melhor devido à melhorias na nutrição, nas condições sanitárias, nos avanços da medicina, nos cuidados com a saúde, no ensino e no bem-estar econômico. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2015), cerca de 14% das mulheres brasileiras têm mais de 60 anos, ao passo que 11,9% dos homens estão no mesmo grupo etário. A população de pessoas com mais de 60 anos aumentou de 2% para 12% entre 1960 e 2014 e duplicou em apenas 34 anos – 6% em 1980 e 12% em 2014. O grupo etário que mais cresce no Brasil é o de pessoas com 80 anos ou mais. Assim, é necessário que profissionais de diversos campos se preparem para trabalhar e lidar com os vários temas que permeiam a terceira idade, inclusive a vida sexual.

Por mais que ocorram mudanças fisiológicas com a idade, impactando a frequência e as formas de sexo, pessoas idosas têm uma vida sexual ativa e sua libido continua a mesma. Não é esse, no entanto, o imaginário arraigado na sociedade, e isso leva muitas vezes profissionais a não oferecerem um espaço de abertura para falar nesse assunto, como se sexo e pessoas idosas fossem forças antagônicas.

A primeira forma de combater esse tabu é considerar as várias formas de atividade sexual além do sexo com penetração. Incluir nas discussões com esse público, por exemplo, o sexo oral, beijos, carícias e masturbação, a fim de orientar e apresentar novas formas de prazer. Além disso, pode ser importante discutir sobre as adaptações que venham a ser necessárias no sexo, devido a situações que são comuns neste etapa da vida, como disfunção eréctil, secura vaginal, artrite, limitações de mobilidade, efeitos de medicação ou condições graves de saúde, barreiras que podem ser superadas com um diálogo leve e sem julgamentos.

O segundo tópico a ser apontado é o equívoco de que pessoas idosas não correm o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis e, portanto, não há necessidade de perguntar sobre a sua história sexual ou discutir os seus comportamentos sexuais. Isso ocorre por não haver a oportunização de um espaço no qual esse grupo se sinta à vontade para falar sobre suas práticas e também pela falta de informação, principalmente quando se trata de uso de preservativo, considerando que essa geração aprendeu que este recurso tem apenas papel contraceptivo. Dados do centro de controle e prevenção de doenças dos EUA indicam que a prevalência da gonorreia entre pessoas com 55 anos ou mais aumentou de 3,5 casos por 100.000 pessoas, em 2010, para 17,2 por 100.000, em 2020, e que a sífilis e a clamídia seguem padrões semelhantes.

O caminho mais curto para lidar com essa preocupação é a comunicação aberta e o encorajamento à discussão sobre sexualidade com pessoas idosas. Mesmo que haja uma sensação de desconforto ou mesmo de receio de ofender ou constranger as pessoas mais velhas, profissionais que atuam com essa faixa etária precisam ter proatividade na discussão de preocupações sexuais, tornando a saúde sexual uma parte dos cuidados de saúde e bem-estar desta população. Para profissionais que trabalham no setor público, o trabalho com grupos pode desempenhar um papel fundamental na promoção de uma sexualidade saudável na terceira idade.

Vamos nos unir na luta para a desmistificação do sexo na terceira idade, desafiando mitos e estigmas associados à sexualidade, provando que o desejo e a intimidade não desaparecem com a idade e que é perfeitamente natural desejar uma vida sexual ativa nesta fase da vida.

REFERÊNCIAS:

  • Aging and human sexuality resource guide. https://www.apa.org, [s.d.].
  • MONTE, C. F. do, et al. Idosos frente a infecções sexualmente transmissíveis: uma revisão integrativa. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 3, p. 10804–10814, 17 maio 2021.
  • STECKENRIDER, J. Sexual activity of older adults: let’s talk about it. The Lancet
  • Healthy Longevity, v. 4, n. 3, p. e96–e97, mar. 2023.
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