Dia Mundial da Luta contra a Aids completa 30 anos com redução nos novos casos

Os casos de infecção por HIV no Brasil caíram 12% nos últimos quatro anos, segundo o novo Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS, divulgado pelo Ministério da Saúde em 27 de outubro de 2018. A mortalidade em consequência do HIV e Aids caiu, no mesmo período, quase 16%.

Esses resultados demonstram a eficiência das políticas de prevenção e tratamento em relação ao vírus, que incluem Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para qualquer adulto com teste positivo para HIV, mesmo sem apresentar sintomas (o medicamento dolutegravir, disponibilizado pelo SUS, é considerado um dos melhores do mundo para esse tratamento) e a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para população em alto risco de infecção.

Além disso, testes rápidos para a detecção do vírus podem ser realizados nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de janeiro de 2019 também serão disponibilizados autotestes para populações-chave em alguns municípios para um projeto-piloto.

30 anos do Dia Mundial da Luta contra a Aids

Foto de www.diamundial30anos.com.br

Todos os avanços se devem, em parte, a 30 anos de luta de diversos ativistas e entidades. A data teve início quando, durante a Macha Nacional pelos Direitos dos Gays e Lésbicas de 1987, em Washington, nos EUA, uma colcha de retalhos com nomes de pessoas que morreram por causas relacionas à Aids cobriu um espaço maior do que um campo de futebol no parque National Mall. Esse memorial deu origem ao NAMES Project Foundation, buscando prestar homenagens às pessoas que faleciam por causa do vírus e que não recebiam um funeral devido ao estigma.

Em 2018, para comemorar três décadas deste movimento, o Ministério da Saúde montou um mosaico formado por colchas de retalhos sobre a Esplanada dos Ministérios em Brasília. Qualquer pessoa interessada poderia participar e escolher uma arte no site da campanha (www.diamundial30anos.com.br), escrevendo uma mensagem ou fazendo uma dedicatória para alguém. As produções foram impressas em tecidos para compor o memorial, com o objetivo de marcar a data de lutas e conquistas em relação à Aids, mas também enfrentar o preconceito e a desinformação em relação a ela.

Conheça o HIV para não ter HIV

O 1º de dezembro para mim representa um dia de reflexão sobre a epidemia e seus desdobramentos. As questões mais importantes são a solidariedade em relação às pessoas vivendo com HIV e Aids e a prevenção. A prevenção ainda é um grande tabu em nossa sociedade. O que nós precisamos é ter um amplo conhecimento sobre o que é o HIV e como ele age em nossa sociedade, para nós procurarmos mecanismos de defesa mais eficazes que não seja somente o preservativo. Conheça o HIV para não ter HIV.

Paulo Wesley Faccio, 47 anos, vive há 22 anos com HIV

Sozinho a gente não faz nada

Neste ano de 2018, refletindo sobre os 30 anos do laço vermelho e da luta contra a Aids no mundo e no Brasil, eu estou com muito pesar porque nós estamos vivendo uma situação de banalização do impacto da epidemia sobre a vida humana e sobre as condições de qualidade de vida do planeta. A gente precisa que as autoridades e os segmentos profissionais retomem esta luta, porque novamente estamos sob grande ameaça. Tomara que consigamos porque sozinho a gente não faz nada.

Roni Lima, da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (ALIA)

Estigma e medo

Eu tenho dois filhos, estou separada há três anos e sou médica. Tive um problema numa relação eventual, fui fazer o meu teste para pegar uma PEP (Profilaxia Pós-Exposição) e descobri neste teste que eu estava infectada. Foi um impacto muito grande porque eu jamais imaginei que fosse. Eu nunca consegui falar com a minha família. Eu pego a medicação através de uma outra pessoa porque, como médica numa cidade menor, eu seria facilmente identificada. Eu troco os comprimidos de frasco para que ninguém descubra a minha sorologia. Eu sofro imensamente com isso. Estou tomando remédio há quase um ano, a minha carga viral é indetectável e a minha saúde física é muito boa. Mas, eu tenho muita vontade de morrer, de medo que as pessoas descubram que eu estou infectada com esse vírus.

A., 40 anos