Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres | Pelo fim da cultura do estupro

O dia 25 de novembro, lembrado como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, marca o início da campanha anual e internacional dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que segue até o dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. No Brasil, a mobilização começa um pouco antes, no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro.

A data foi criada por ativistas no Instituto de Liderança Global das Mulheres, em 1991. Atualmente, continua a ser coordenada todos os anos pelo Centro para Liderança Global das Mulheres, buscando engajamento na prevenção e na eliminação da violência contra as mulheres e meninas.

O dia 25 de cada mês é proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o “Dia Laranja”, um momento dedicado à conscientização e ações para o fim da violência contra mulheres e meninas. Neste ano, o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, com o apoio da campanha do Secretário-Geral da ONU “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres até 2030”, apresenta o tema: “Pinte o mundo de laranja: Geração Igualdade contra o estupro!”. Segundo a organização, a cor laranja é vibrante e otimista, representa um futuro livre de violência.

A escolha da temática da campanha chama atenção para o fato de que em diferentes contextos ao redor do mundo, em tempos de paz ou guerra, as mulheres e meninas sofrem com o estupro, a violência sexual e o abuso.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 53.726 mulheres foram estupradas no Brasil em 2018. De acordo com o mesmo estudo, 180 mulheres são estupradas por dia no Brasil, ou seja, uma mulher é estuprada a cada 8 minutos. Além disso, ressalta-se que 71,8% das vítimas de estupro eram menores de 18 anos e 53,6% eram menores de 13 anos.

 

Enraizada num complexo conjunto de crenças patriarcais, a cultura do estupro continua a ser generalizada e normalizada. Por isso, é preciso combater a impunidade frequente para os estupradores e o estigma em relação às sobreviventes, que muitas vezes não falam sobre o assunto com medo de que sejam julgadas e de que a justiça não seja feita.

 

É nesse contexto que nos últimos anos diversas vozes começaram a quebrar o silêncio. Sobreviventes e ativistas se mobilizaram ao redor do mundo em campanhas como #MeToo, #TimesUp, #Niunamenos, #NotOneMore, #BalanceTonPorc e outras, destacando que a violência sexual não pode ser abafada ou ignorada.  

 

A campanha do o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres pede para que a população mundial se informe e se posicione em relação à cultura do estupro que impacta de forma tão devastadora a vida das meninas e mulheres. Nas redes sociais, a hashtag utilizada é #NossaVozSeraMaior.

 

Para conferir relatos de sobreviventes, histórias de mudança, vídeos e conteúdos interativos, acesse (em inglês): https://www.unwomen.org/en/news/in-focus/end-violence-against-women