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Dia Mundial Justiça Social, comemorado em 20 de fevereiro, suscita discussão sobre desafios para a equidade

 

Erradicar todas as formas de pobreza é um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas até 2030. A agenda inclui, ainda, acabar com a fome, garantir igualdade de gênero e reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles, entre outros.

No entanto, alcançar esta meta é um desafio que já levantou diversos debates teóricos e tentativas práticas. “Sem dúvida, este conceito é um dos mais controversos que existem. Após muitos anos, a teoria marxista se mostrou uma visão utópica para superação das desigualdades. Nunca houve uma real experiência comunista baseada nos pressupostos de Marx. O que vimos foram alguns países que se autodenominaram comunistas e acabaram se tornando ditaduras”, pontua o Psicólogo Valter da Mata (CRP-03/001990), que se dedica a estudos na área social.

Não é novidade que, se o mundo ainda não alcançou a justiça social, o Brasil é dos países mais desiguais. O que vemos atualmente é uma combinação de fatores como a história de exploração colonial e a corrupção, que até hoje assola a política brasileira. “Alguns economistas classificam o capitalismo brasileiro como ‘selvagem’, remetendo às práticas violadoras dos direitos humanos e exploração dos recursos naturais sem promover sua sustentabilidade. Nesta definição, o acesso das pessoas aos bens e serviços produzidos na e para a sociedade é seletivo, mesmo que garantido na Constituição Federal, como é no Brasil. O Estado brasileiro não é redistribuidor de renda, pois o capital nacional nunca, efetivamente, apoiou esse propósito”, explica Carla Andrea Ribeiro (CRP-04/17713), Psicóloga que conduziu estudos sobre exclusão social e tem experiência na área de assistência social.

 

O que é Justiça Social?

O conceito de Justiça Social é bastante amplo e pode variar de acordo com a linha teórica adotada por cada profissional. “Falar de Justiça Social é falar, minimamente, de um projeto de país para todos, em todo o território nacional e garantindo que as desigualdades decorrentes do capitalismo não ultrapassem os limites dos direitos humanos. Esse seria o acordo básico de manutenção do capitalismo em um patamar suportável pela população”, define Carla Ribeiro.

 

“Justiça social seria o estado perfeito no qual as pessoas e nações se relacionassem em laços de fraternidade e equidade, em que a exploração e iniquidade seriam completamente banidas e inaceitáveis”. Vater da Mata, Psicólogo. 

Já Valter da Mata acredita que a Justiça Social deve ser isenta de exploração e iniquidades. “Qualquer relação baseada nesses dois pilares é marcada pela injustiça social. Enfim, justiça social seria o estado perfeito no qual as pessoas e nações se relacionassem em laços de fraternidade e equidade, em que a exploração e iniquidade seriam completamente banidas e inaceitáveis”, define.

 

A Justiça Social é possível?

Alcançar as metas definidas pela ONU parece uma tarefa impossível. Segundo os especialistas ouvidos nesta reportagem, o caminho para que o país atinja este patamar não é único. “Várias experiências foram realizadas ao longo dos últimos dois séculos, algumas bem-sucedidas e outras não. Mas, os caminhos devem considerar a história de cada lugar, por isso não existe caminho ideal”, opina a Psicóloga Carla Andrea Ribeiro. “O caminho como menos consequências nocivas, que é a democracia, no caso do Brasil não tem sido eficaz no processo de acomodação dos interesses e delimitação dos limites da exploração capitalista e da desigualdade social”.

 

 

“O caminho como menos consequências nocivas, que é a democracia, no caso do Brasil não tem sido eficaz no processo de acomodação dos interesses e delimitação dos limites da exploração capitalista e da desigualdade social”. Carla Andrea Ribeiro, Psicóloga.

Para Valter da Mata, o individualismo é uma das razões que nos impedem de alcançar a justiça plena, pois cada um pensa mais em si do que nos outros. “Ninguém abre mão de privilégios, então é preciso que grupos ‘minoritários’ se organizem para essa equidade se torne cada vez mais possível. A denúncia e as discussões acerca das discriminações que se tornam privilégios para determinados grupos é o ponto de partida para se alcançar a justiça social”.

 

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