Notícia

Dia Mundial da Luta Contra a Aids

 

Transmissão ao vivo do evento Psicologia, Memória Social e Direitos Humanos em HIV/AIDS aqui.

 

No dia 1¬į de dezembro, data que marca o Dia Mundial da Luta Contra a Aids, o Conselho Regional de Psicologia do Paran√° (CRP-PR) conversou com Remom Matheus Bortolozzi (CRP-01/17820) sobre os aspectos psicol√≥gicos envolvidos em situa√ß√Ķes de HIV/AIDS. ‚ÄúO compartilhamento sobre as viv√™ncias da doen√ßa e do preconceito, bem como respostas tanto coletivas como pessoais e singulares presentes na ampla produ√ß√£o cultural, especialmente nas artes, s√£o formas de n√£o apenas quebrar o isolamento e vergonha da viv√™ncia com o HIV, mas de novas vias de constru√ß√£o de si‚ÄĚ, explica.

 

Veja também: Psicologia, Memória Social e Direitos Humanos em HIV/AIDS acontece nesta sexta-feira (01)

 

A data, escolhida pela Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde (OMS) e desde 1988 lembrada no Brasil, refor√ßa a necessidade da¬†conscientiza√ß√£o da doen√ßa, com um esp√≠rito de toler√Ęncia social e menos preconceito.

O HIV, que vem da sigla ‚Äď em ingl√™s ‚Äď para V√≠rus da Imunodefici√™ncia Humana, ataca o sistema imunol√≥gico, respons√°vel por defender o organismo de doen√ßas, alterando o DNA de c√©lulas do corpo humano. Ao se multiplicar, rompe os linf√≥citos em busca de outros para continuar a infec√ß√£o.

√Č importante esclarecer que ter o v√≠rus HIV n√£o √© a mesma coisa que ter AIDS. Existem muitas pessoas que s√£o portadoras do v√≠rus e vivem anos sem apresentar sintomas e desenvolver a doen√ßa. Entretanto, podem transmitir o v√≠rus a outros por meio da rela√ß√£o sexual desprotegida, por transfus√£o de sangue, pelo compartilhamento de seringas contaminadas e/ou de m√£e para filho, durante a gravidez e a amamenta√ß√£o.

√Č sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as rela√ß√Ķes sexuais. Normalmente, grande parte das pessoas acredita que esse risco n√£o existe em suas vidas, e √© a√≠ que come√ßa a vulnerabilidade.

Dados da UNAids, √≥rg√£o das Na√ß√Ķes Unidas,¬†mostram que o v√≠rus continua se propagando e que a melhor defesa √© a informa√ß√£o e preven√ß√£o. Entre 2010 e 2016, o total de novas infec√ß√Ķes a cada ano no Brasil aumentou em 3%. No mundo, essa taxa sofreu redu√ß√£o de 11%.

Para o Psicólogo Remom Matheus Bortolozzi, a abordagem psicológica deve ser voltada para o compartilhamento sobre as vivências da doença e do preconceito, pois assim serão quebrados o isolamento e o preconceito.

 

Confira a entrevista completa abaixo:

 

CRP-PR: O que os participantes podem esperar da mesa-redonda Psicologia, Memória Social e Direitos Humanos em HIV/AIDS? Sua fala será voltada para quais aspectos?

Remom: Relembrar a epidemia √© acessar e trazer a pot√™ncia dessas produ√ß√Ķes. S√£o diversos os grupo e comunidades que protagonizaram essas respostas. Em minha fala trarei em especial a mem√≥ria de uma das comunidades que mais foi impactada pela epidemia e que trouxe in√ļmeras respostas. Centrado na mem√≥ria das comunidades LGBT brasileiras, a proposta de minha fala √© ressaltar o protagonismo das comunidades LGBT na constru√ß√£o desse novo olhar para a sa√ļde, para a Psicologia e para os pr√≥prios direitos humanos. Embora ainda pouco ressaltado na hist√≥ria da sa√ļde, os LGBT tem especial papel proativo na constru√ß√£o do pr√≥prio Sistema √önico de Sa√ļde (SUS), relembrando que a epidemia eclode no Brasil em tempos de final de ditadura, debate da Constituinte e nascimento do SUS. O legado dessas comunidades √© diverso, dentre as no√ß√Ķes de sexo seguro, de solidariedade, da arte do cuidado, do ativismo cultural e de teorias e est√©ticas do corpo, g√™nero e sexualidade.

 

O compartilhamento sobre as viv√™ncias da doen√ßa e do preconceito, bem como respostas tanto coletivas como pessoais e singulares presentes na ampla produ√ß√£o cultural, especialmente nas artes, s√£o formas de n√£o apenas quebrar o isolamento e vergonha da viv√™ncia com o HIV, mas de novas vias de constru√ß√£o de si. As respostas a AIDS assim configuraram uma gram√°tica pr√≥pria e o desenvolvimento de um novo olhar para a sa√ļde e para a pr√≥pria Psicologia.
Por que é importante discutir com a sociedade sobre a prevenção e a testagem para o vírus HIV?

O primeiro impacto da AIDS no Brasil ocorreu, sobretudo, no imagin√°rio social. Rememorar uma epidemia que transformou comunidades, pessoas e seus corpos na pr√≥pria doen√ßa √© antes de tudo um exerc√≠cio de inseri-la no campo pol√≠tico social e enfrentar os estigmas e discrimina√ß√Ķes para efetiva√ß√£o dos direitos humanos. A inefic√°cia de respostas unicamente biom√©dicas pra redu√ß√£o da epidemia demarcou a necessidade de um olhar complexo sobre as vulnerabilidades ao HIV/AIDS, sejam sociais, pessoais ou program√°ticas. O debate sobre como a opress√£o, discrimina√ß√£o e estigmatiza√ß√£o s√£o barreiras para a sa√ļde e para efetiva√ß√£o dos direitos humanos √© quest√£o estrat√©gica especialmente hoje, em tempos de ascens√£o de um forte conservadorismo. Essas barreiras s√£o vistas em censuras sistem√°ticas a campanhas de preven√ß√£o (como a campanha de carnaval de 2012 e campanha voltada a profissionais do sexo em 2013); impedimento da circula√ß√£o de informa√ß√Ķes sobre a doen√ßa nas escolas (expresso na mobiliza√ß√£o conservadora nos Planos Municipais de Educa√ß√£o em todo o pa√≠s, no impedimento de acesso de crian√ßas e adolescente a obras art√≠sticas e exposi√ß√Ķes que abordem g√™nero e sexualidade e no debate da ‚Äúescola sem partido‚ÄĚ), a enorme dificuldade de garantir o acesso a insumos de preven√ß√£o dentro das escolas e processos e a volta de debates sobre a criminaliza√ß√£o da transmiss√£o do HIV.

 

Como pode ser feita a atuação da(o) profissional de Psicologia no contexto do HIV/Aids?

A mem√≥ria LGBT √© uma das possibilidades de itiner√°rios de abordagem que a Psicologia social e Comunit√°ria pode trabalhar para preven√ß√£o e enfrentamento ao estigma. Essas mem√≥rias s√£o pot√™ncias em especial para o fortalecimento indenit√°rio, do acolhimento e pertencimento comunit√°rio. S√£o formas de viver processos de sa√ļde e doen√ßa coletivamente e de expandir diversidade de vias de subjetiva√ß√Ķes. O compartilhamento sobre as viv√™ncias da doen√ßa e do preconceito, bem como respostas tanto coletivas como pessoais e singulares presentes na ampla produ√ß√£o cultural, especialmente nas artes, s√£o formas de n√£o apenas quebrar o isolamento e vergonha da viv√™ncia com o HIV, mas de novas vias de constru√ß√£o de si. As respostas a AIDS assim configuraram uma gram√°tica pr√≥pria e o desenvolvimento de um novo olhar para a sa√ļde e para a pr√≥pria Psicologia.