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Dia Internacional da Língua Materna traz à tona importância da identidade dos povos

 

Atualmente, segundo a publicação Ethnologue, existem aproximadamente sete mil línguas faladas no mundo; entretanto, um terço destes idiomas corre risco de extinção. A língua, além de ser a identidade de um povo, transmite herança cultural, aumentando a nossa diversidade criativa. A perda dessas línguas empobrece a realidade. Pensando nisso, a UNESCO celebra, desde 1999, o dia 21 de fevereiro como Dia Internacional da Língua Materna.

A data, que pretende promover a diversidade cultural linguística e a recuperação das línguas ameaçadas, trata-se de mais uma estratégia para fomentar o respeito e a solidariedade entre as diferentes nações. Não se deve pensar nas línguas apenas como meio de comunicação, pois elas carregam também valores e concepções de mundo.

A Psicóloga e coordenadora do Núcleo de Psicologia e Migrações do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (NUPSIM/CRP-PR), Rima Awada (CRP-08/17102), considera que a diversidade cultural é tão importante quanto à diversidade biológica na natureza. “As duas estão intimamente ligadas. Algumas línguas de povos indígenas, por exemplo, carregam consigo conhecimentos sobre biodiversidade e gestão de ecossistemas”.

 

A importância da língua materna

A língua materna faz parte de nossa estrutura. Aprendemos já na infância e vamos, a cada dia, entendendo sobre seu funcionamento. É por meio dela que nos comunicamos, pensamos, sentimos, criamos e vivemos, sendo que ela é nosso sinônimo de identidade cultural.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), atualmente são faladas mais de 250 línguas no Brasil, consolidando-se assim como o oitavo país com o maior número de línguas em uso. A maioria delas – aproximadamente 180 – vêm de comunidades indígenas.

 

Como preservar a língua?

As ações feitas para disseminar os idiomas maternos podem propagar as tradições culturais através do mundo. Para Rima, algumas iniciativas são importantes para ajudar na preservação das línguas, como projetos escolares com o tema norteador do multiculturalismo e programas de intercâmbio com âmbitos da cultura e arte, por exemplo. “O Brasil tem recebido pessoas de diversos lugares, com diferentes culturas, línguas e tradições. Os desafios da convivência em um mundo cada vez mais multicultural dependem, em grande medida, das competências interculturais. Isso implica estar disposto a desenvolver diversas atitudes e comportamentos necessários para um relacionamento adequado com os que são diferentes de nós: o respeito, a tolerância, a empatia, a compreensão, hospitalidade, humildade, flexibilidade”, diz a Psicóloga.

 

NUPSIM e o atendimento aos migrantes

Criado pela Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CDH/CRP-PR), o Núcleo de Psicologia e Migrações (NUPSIM) busca articular parcerias, trocar experiências, aprofundar conhecimentos e sensibilizar a categoria e a população em geral para a temática da migração. O núcleo integra os serviços realizados por diversas frentes e faz encaminhamentos para atendimentos individuais e em grupo.

Alguns integrantes do núcleo fazem intervenção com populações de refugiados e imigrantes que tenham sido expostos a situações extremas por meio de atendimentos voluntários em ONGs ou clínicas. Pensando nestas realidades sociais complexas, um grupo de Psicólogas(os) se oferece para atendimento em língua materna com o objetivo de oferecer um atendimento especializado e satisfatório.

 

 

É importante favorecer a expressão da experiência vivida e dos afetos na língua materna; ao ser atendido em uma língua diferente da sua, certa distância pode se instalar entre o profissional e o paciente, visto que este expressa seu sofrimento por meio de representações e significações pertencentes a sua cultura.

A mediação entre os integrantes do NUPSIM com o meio externo (diversas instituições de saúde, como hospitais, centros de saúde, clínicas, etc.) e com os serviços sociais (ONGs, associações, serviços de proteção da juventude, etc.) dá-se com os contatos permanentes com os profissionais dessas instituições e das participações em comitês institucionais.

Segundo Rima, muitos refugiados apresentam uma sintomatologia estreitamente ligada à codificação cultural. “É importante favorecer a expressão da experiência vivida e dos afetos na língua materna; ao ser atendido em uma língua diferente da sua, certa distância pode se instalar entre o profissional e o paciente, visto que este expressa seu sofrimento por meio de representações e significações pertencentes a sua cultura”.

 

A Psicóloga Rima Awada, em parceria com mais duas autoras, está desenvolvendo o projeto de literatura infanto-juvenil “Crianças Migrantes”. Trata-se de uma coleção composta por quatro livros, destinados a alunos do 5º ao 7º ano, que abordam o tema das migrações recentes de estrangeiros para o Brasil a partir do olhar de crianças. Os livros poderão ser utilizados como fonte de informação e referência para as escolas e a sociedade sobre os recentes movimentos migratórios no país e no mundo, bem como sobre o multiculturalismo e o multilinguismo.

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