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Notícia

Dia do(a/e) Professor(a/ie) – 15 de outubro

Texto escrito por Sonia Mari Shima Barroco (CRP-08/02852) e Marilda Gonçalves Dias Facci (CRP-08/02619), psicólogas representantes da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e da Educação (ABRAPEE).

[…] “que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem com barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós”.

Manoel de Barros

Neste dia 15 de outubro celebramos profissionais essenciais não somente à sociedade, mas ao processo civilizatório: professoras(es/ies). Sem essas pessoas, as infinitas conquistas acumuladas pela humanidade, nas mais diversas áreas da vida, não seriam mantidas e levadas adiante; não seria possível às novas gerações seguir os rumos do desenvolvimento partindo do já acervado, tendo que assumir uma contínua pré-história.

Diante desse reconhecimento, queremos destacar quanto a Psicologia, como uma área da ciência e campo profissional, vem se atentando em produzir contribuições para o trabalho docente. Em sua busca para explicar como os sujeitos se constituem e se desenvolvem como humanizados, a Psicologia logo identifica o papel fundante do(a/e) professor(a/ie) como agente de mediação que atua nessa direção cotidianamente, nas mais diferentes circunstâncias. Isso leva a ciência psicológica a respeitar a autonomia e o protagonismo docente, que deve estar sempre colaborando com a aprendizagem, por meio do seu ensino.

Lembramos que a Psicologia vai sendo organizada e adentra formalmente no Brasil por meio da educação e da medicina em torno de 1900 e 1920; e em agosto de 2022, a sua regulamentação como ciência e profissão no Brasil completou 60 anos: é em um período de tempo relativamente curto que ela vai avançando sobre novas áreas do conhecimento e ocupando importantes espaços de atuação. Os conhecimentos sobre ensino e aprendizagem produzidos pela Psicologia subsidiaram e fundamentaram o trabalho de docentes.

A disciplina e área de estudos “Psicologia da Educação” se constituiu como um dos fundamentos para a formação de docentes e profissionais de pedagogia, visto que agrega as diferentes teorias da aprendizagem e do desenvolvimento humano, e busca subsídios para compreensão e intervenção na escola. Certo é que, desde o século passado, muito já foi pesquisado e consolidado sobre diferentes aspectos do fenômeno educacional: a própria aprendizagem, a relação docente-estudante, a atividade de ensino, políticas públicas da educação e seus impactos na escolarização, e, mais recentemente, a violência na escola, o adoecimento de docentes, entre outras temáticas. Mas, de tudo isso, o que ressaltamos aqui é a importância do reconhecimento da docência na formação humana.

Vivemos em uma época de desvalorização dos conhecimentos, de “recuo da teoria” (MORAES, 2001), e, consequentemente, de desvalorização do trabalho de docentes. A categoria vem sendo expropriada dos seus direitos trabalhistas, está sofrendo violência de toda ordem, seja pelo pouco investimento à educação e pela precarização do trabalho, como também pelos contratempos diários que sofre no cotidiano da escola. Aparentemente, essa profissão e as pessoas que a integram podem ser substituídas por plataformas digitais, programas midiáticos, apostilas, e mesmo por youtubers… Mas quem vai formar a concepção de pertencimento ao todo, à sociedade, à civilização, quando a monetarização das ações é abertamente buscada por essas opções substitutivas?

Manoel de Barros afirma, na epígrafe deste texto, que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica. O mesmo podemos dizer do trabalho da categoria celebrada no dia de hoje. Como podemos medir o valor da atividade pedagógica? Docentes, no processo de transmissão e apropriação dos conhecimentos, contribuem para a formação humana, para a humanização de estudantes, como afirmam o conhecido psicólogo L. S. Vigotski (2000) – que também ensinava – e o professor Dermeval Saviani (2003). A aprendizagem promove o desenvolvimento. A apropriação dos conhecimentos pode transformar a consciência de estudantes, pode levar à analise da realidade de forma ampla, e docentes são protagonistas nessa transformação dos indivíduos em direção à compreensão da essência das relações sociais.

Como usar uma balança para pesar a importância que docentes tiveram em nossas vidas? Se recordarmos nossa trajetória escolar, vamos encontrar mestres que nos inspiraram, que nos levaram a gostar de determinadas disciplinas, que nos deram suporte nas dificuldades que a realidade nos apresenta. Pessoas inesquecíveis que, com sensibilidade, conduziram-nos pelo caminho profissional, identificaram em nós aquilo de bom que nem sabíamos que tínhamos. Esses são os mestres inesquecíveis.

Como usar um barômetro para medir a pressão que tais profissionais vivem na defesa do direito de aprender? Formação aligeirada, avaliações de toda ordem e cobranças por métricas de aprendizagem são algumas das dificuldades enfrentadas por profissionais no espaço escolar. Mas o grupo resiste e se emociona com o desenvolvimento estudantil.

As contradições da sociedade permeiam o processo pedagógico, e nessa turbulência, na qual muitas vezes a escola se encontra, a Psicologia precisa estar presente no estabelecimento de parceria com docentes, para contribuir com a defesa de melhores condições de trabalho e para que, na coletividade, conjuntamente, busquem reafirmar a função da escola em uma sociedade de classes. A valorização do trabalho de ensino é fundamental.

A Psicologia se coloca como parceira de docentes não somente nesta data tão importante, mas também no dia a dia da escola, para que possam produzir o encantamento em cada estudante em relação à apropriação dos conhecimentos científicos. A alegria na escola precisa ser cultivada cotidianamente. Como afirma Paulo Freire (1996), a alegria “não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”.

Vamos comemorar a alegria na escola e o trabalho de docentes! O CRP-PR parabeniza todas essas pessoas pela dedicação e seriedade com que desempenham sua função, mediando o conhecimento em prol da transformação da sociedade.

E como já dizia Paulo Freire: é tempo de esperançar! Neste 15 de outubro seguimos na esperança pelo reconhecimento e valorização do trabalho docente, bem como na luta por uma educação pública, democrática e de qualidade para todas as pessoas.

Referências

BARROS, Manoel. Memórias inventadas – a Infância. São Paulo: Planeta Editorial, 2003.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

MORAES, Maria Célia. Recuo da teoria: dilemas na pesquisa em educação. Revista Portuguesa de Educação, vol. 14, núm. 1, 2001, pp. 7-25.

SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 8. ed. Campinas: Autores Associados, 2003.

VIGOTSKI, Lev Semioniovich. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

SOARES, Antonio Rodrigues.  A Psicologia no Brasil. Psicologia: Ciência E Profissão, 2010, 30 (núm. esp.), 8-41. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pcp/i/2010.v30nspe/. Acesso em 27 set 2023.

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