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Desigualdades sociais geram impactos psicológicos e Psicologia pode contribuir para minimizar problemas

 

Viver em condições de miséria, não ter atendimento em saúde e educação, trabalhar por salários muito baixos ou não ter emprego. Estas situações são muito comuns para milhares de brasileiros, mas pouco se fala sobre o impacto que as desigualdades sociais causam na saúde mental das pessoas. Estes cidadãos acabam desenvolvendo problemas de autoestima e complexo de inferioridade em virtude da invisibilidade social a que são submetidos. “A imposição de determinados padrões do que é certo ou errado, do que é bonito ou feio, do que é sagrado ou profano vai cristalizando expressividades de valores que colocam o jeito de ser e estar de determinados grupos como ‘coisas menores’, ‘coisas piores’. Como ter uma autoestima positiva frente ao fato de que a minha forma de ser e estar do mundo é algo visto como inadequado?”, questiona o Psicólogo Valter da Mata (CRP-03/001990), complementando que viver com este estigma de ‘errado’ compromete a saúde mental.

A Psicóloga Carla Ribeiro explica que o fato de as pessoas viverem em condições menos dignas as leva para um ao sofrimento mental e a uma constituição subjetiva de si, do outro e do coletivo marcada pelos registros das violências e violações de direitos. “A inércia e a resignação é presente nesse público, podendo produzir, por meio de processos subjetivos, comportamentos de autoextermínio e de reprodução da assimilação do sofrimento na condição de reprodutor”, explica.

 

A Psicologia entra em cena

Com este cenário em que as desigualdades sociais estão presentes – e acabar com elas é um processo longo e difícil – a Psicologia passa a ter um papel importante para lidar com os sujeitos. “A contribuição principal da Psicologia é o compartilhamento de conhecimento para analisar necessidades e demandas e operar atividades que oportunizam aos sujeitos, individual ou coletivamente, a elaboração sobre suas vivências e seus registros subjetivos, permitindo a identificação da reprodução ‘automática’ e do empoderamento do sujeito nas escolhas possíveis para as mudanças”, descreve Carla Ribeiro.

Mas, a Psicóloga ressalta que há certos cuidados a serem tomados pela(o) profissional. “Não cabe encaixar o usuário do SUAS em uma atuação profissional engessada e sem conexão com a finalidade da Política Pública. O que se espera da e do profissional do SUAS é o compartilhamento de conhecimentos psicológicos para apoiar a compreensão dos fenômenos e aspectos subjetivos presentes nas vivências familiares e no território, assim como o emprego de técnicas facilitadoras da realização de atividades que podem apoiar o estabelecimento de processos emancipatórios dos sujeitos e coletivos”.

Outro cuidado é o de não reproduzir preconceitos, como alerta Valter da Mata. “Em maior ou menor grau, aderimos a postulados machistas, teses racistas, manifestos homofóbicos e tantos outros, simplesmente porque estamos mergulhados num oceano de preconceito e é impossível não sairmos molhados”. Além disso, ele explica que a atuação da(o) Psicóloga(o) deve ser pautada na garantia de direitos à população. “É sempre bom lembrar que nosso Código de Ética se fundamenta na Declaração Universal dos Direitos Humanos e nossa prática deve ter como fim último a dignidade humana. É preciso que os profissionais que se dispõem a trabalhar nas Políticas Públicas se instrumentalizem teórica e tecnicamente para lidar com a população de baixa renda. Determinadas teorias estão muito distantes dessa população, uma vez que se basearam na burguesia europeia”, opina o Psicólogo.

 

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