A Semana do Desarmamento (24 a 30 de outubro) nos convida a refletir sobre o impacto da violência sobre a vida, a dignidade e a saúde de toda a sociedade. A Psicologia tem compromisso com a cultura de paz e com a defesa dos direitos humanos, e por isso se engaja nesta campanha que tem por objetivo “promover a conscientização e a melhor compreensão das questões de desarmamento e sua importância transversal”, segundo a Organização das Nações Unidas.
Embora o Brasil tenha registrado, segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, uma redução de 5,4% nas mortes violentas intencionais, os números são alarmantes: mais de 44 mil pessoas perderam suas vidas para a violência, sendo que quase três quartos desses assassinatos foram cometidos por armas de fogo e 79% das vítimas eram negras. Os dados revelam ainda um aumento dos casos de feminicídio, cujas vítimas são, em 63,6% dos casos, mulheres negras.
Segundo a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), conselheira Semiramis Maria Amorim Vedovatto (CRP-08/06207), desarmar é cuidar, e cuidar é também resistir à lógica da violência. “Antes de falarmos sobre desarmar o outro, precisamos reconhecer o que em nós se arma diante do medo, da dor e da diferença. Sabemos que as desigualdades sociais provocam profundas marcas de violência”, reflete.
Ainda nas palavras de Semiramis, a Psicologia ajuda a transformar afetos em diálogo e impulsos em consciência. “Desarmar o olhar é abrir espaço para o cuidado e o compromisso da Psicologia com a vida e a paz continua todos os dias.”