Documentário mostra prejuízos das práticas de (re)orientação sexual e de identidade de gênero

Nesse dia 29 de agosto, em que se marca o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) disponibiliza o vídeo-documentário “Cura para quem? O meu sofrimento vem de você”, produzido pelo Núcleo de Diversidade de Gênero e Sexualidades (Diverges). O vídeo, que foi lançado em junho em evento realizado em Curitiba, apresenta depoimentos de pessoas que passaram por tentativas de “cura” de suas orientações sexuais e identidades de gênero.

Já em 1990, a Organização Mundial de Saúde reconheceu que a homo e a bissexualidade não são consideradas doenças. Mais recentemente, em 2018, a OMS também anunciou a retirada da transexualidade e da travestilidade da lista de transtornos mentais do CID-11, que entrará em vigor a partir de 2022. Porém, com base em crenças pessoais e religiosas, na prática ainda é possível encontrar profissionais que oferecem atendimentos que buscam a (re)orientação sexual de pessoas lésbicas, gays e bissexuais e a (re)orientação da identidade de gênero de travestis e transexuais, visando a uma suposta “cura”. 

Os relatos são impactantes e mostram os diversos malefícios psicológicos causados por supostas terapias de (re)orientação sexual e de identidade de gênero, que também contribuem para a produção e reprodução de processos de estigmatização e discriminação dessa população.

Confira abaixo o vídeo-documentário “Cura para quem? O meu sofrimento vem de você”:

Dia Nacional da Visibilidade Lésbica: garantia dos direitos sexuais de lésbicas para a garantia de Direitos Humanos

*Texto elaborado em parceria com o Núcleo de Diversidade de Gênero e Sexualidades (Diverges) em 2018

Desde 1996, no dia 29 de agosto, comemoramos o Dia da Visibilidade Lésbica no Brasil. Esse dia passou a ser um marco das lutas e reivindicações do movimento social de lésbicas pelo fim das violações de direitos em decorrência da sua orientação sexual e das violências diárias. Além destas situações, as mulheres lésbicas ainda enfrentam a misoginia e o machismo em nossa sociedade. Isso mostra as especificidades das violências e demandas das mulheres lésbicas, que não são englobadas e, muitas vezes, são até mesmo apagadas das lutas contra a homofobia.

 

As invisibilidades, ou seja, as violências que lésbicas sofrem cotidianamente em nossa sociedade perpassam diversos âmbitos da sua vida. Ocorre quando as lésbicas são questionadas se não são homens transexuais, se não deveriam “assumir” a sua transexualidade. A sua identidade de gênero é questionada e há uma busca por adequá-las aos padrões heteronormativos, em que o “normal” é um homem e uma mulher se relacionarem. Com isso, as lésbicas que têm uma expressão de gênero mais próxima do que socialmente é considerado como masculino sofrem um apagamento social e do próprio movimento LGBT. A deslegitimação da sua orientação sexual ocorre também quando são vítimas de estupros corretivos, uma das violências mais cruéis que uma mulher lésbica pode sofrer e que é muito comum no Brasil e em outros países.

 

A violência também acontece quando as suas práticas sexuais não são consideradas nos programas e políticas de prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Com isso, há um aumento da sua vulnerabilidade às ISTs e à Aids, expondo-as a riscos que poderiam ser evitados se as vivências lésbicas tivessem visibilidade.

 

Estes são apenas alguns dos exemplos de invisibilidade e violências que as mulheres lésbicas sofrem ao longo de suas vidas e que causam sofrimentos mentais, tais como ansiedade, depressão, solidão, isolamento, baixa autoestima, consumo prejudicial de álcool e outras drogas, ideação suicida e suicídio.

 

Nesse sentido, as(os) profissionais da Psicologia devem estar atentas(os) para ter uma prática que não produza mais violência e sofrimento. É preciso que haja práticas afirmativas que considerem as lesbianidades como normais e mais uma expressão das sexualidades humanas; que a estigmatização e discriminação trazem efeitos negativos na vida de uma mulher lésbica; que lésbicas têm os mesmos direitos que outras pessoas e que para isso seus direitos sexuais devem ser garantidos; e que ser lésbica não decorre de alguma disfunção ou trauma familiar. Não tem causa! Portanto não é uma doença que precisa ser tratada, conforme entendimento da Organização Mundial de Saúde desde 1990 e do Conselho Federal de Psicologia desde 1999.