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CRP-PR participa de evento que debate o suícidio em famílias atípicas

Na última segunda-feira, 3 de novembro, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) marcou presença no evento “Do silêncio ao acolhimento: a complexidade da ideação suicida em famílias de pessoas autistas”, organizado pela clínica Crisálida com apoio e cessão do local pelo Centro Universitário UGV em União da Vitória-PR. A psicóloga Lara Helena de Souza Frasson (CRP-08/33121), conselheira do CRP-PR, foi uma das palestrantes e representou a instituição.

A presença do Conselho neste debate é uma importante ferramenta para articulação e formulação de práticas multidisciplinares de acolhimento, cuidado e atenção a essa população. “O Conselho se fez presente articulando formas de atuação e construção de atendimento específico para essa população, buscando fortalecer as práticas interdisciplinares ao cuidado das famílias autistas”, afirma Lara. 

Ela acrescenta que uma das etapas indispensáveis nesse processo, com a qual o CRP-PR pode contribuir, é a inclusão do tema no currículo dos cursos superiores de Psicologia. “Trazer essa temática para debate ainda na formação dos estudantes de Psicologia é essencial para que tenhamos profissionais capacitados e uma quebra dos estereótipos que envolvem o autismo e sua realidade”, explica.

Segundo uma pesquisa realizada por Caitlin M. Conner, Amy Ionadi e Carla A. Mazefsky, da universidade de Pitsburgh, 42% dos adultos autistas relataram ideação suicida e 18% tentaram tirar a própria vida. Quando se fala das(os) cuidadoras(es), o panorama é também preocupante: muito além de dificuldades financeiras, a sobrecarga emocional é expressiva – 79% relatam preocupações com o futuro de seus entes queridos autistas e 68% relatam não ter tempo para si mesmos. Estes números incluem também uma série de desafios e violências estruturais que se interseccionam com o capacitismo, uma vez que a maioria das(os) cuidadoras(as) (65%) são mulheres, com 24,5% delas também sendo neurodivergentes. 

“O capacitismo é um determinante social de sofrimento psíquico. Quando a sociedade exige que o autista ‘funcione’, mas não o acolhe como ele é, o mundo se torna inabitável para nós”, afirma a profissional, que traz ao evento e ao Conselho sua experiência pessoal como autista. “A ideia de ‘ser menos diferente’ é uma das formas mais sutis de violência emocional.”