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CRP-PR leva para todo o Estado o debate sobre a luta antimanicomial

Em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18/05), o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) realizou por todo o mês de maio a campanha Nós da Luta Antimanicomial no Paraná – 18M: vidas que (r)existem”. Entre os diversos eventos realizados, o foco se manteve no diálogo com a categoria profissional do Estado sobre questões de cunho histórico e racial das instituições manicomiais do país, reivindicando a defesa dos direitos humanos, em especial o acesso à saúde pública de qualidade e o atendimento humanizado. 

Segundo o conselheiro do CRP-PR Sérgio Bezerra Pinto Junior (CRP-08/26037), esses eventos relembram como toda a sociedade tem o direito à liberdade e a tratamentos de forma digna e gratuita: “Lembramos que o movimento da luta antimanicomial se caracteriza pela luta dos direitos das pessoas com sofrimento mental. Dentro deste escopo, está o combate à ideia de que se deve isolar a pessoa com sofrimento mental em nome de pretensos tratamentos baseados apenas nos preconceitos que cercam a doença mental”, conclui ele.

Para além da construção conjunta com a categoria profissional, o CRP-PR buscou levantar nesse 18 de maio seu posicionamento frente ao desmonte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e o Sistema Único de Saúde (SUS). Anos do reforço financeiro às comunidades terapêuticas – por vezes organizações partidárias à federações e associações – atualizaram a necessidade da luta pelo acesso de toda a sociedade ao tratamento de saúde mental gratuito e digno.

Do ensino à profissão: a Psicologia antimanicomial que queremos

Neste ano, a temática da luta antimanicomial, antirracista e antiproibicionista ganhou ainda o destaque de acontecimentos que ameçam os avanços já conquistados pela Psicologia brasileira. A Roda de Conversa “Luta antimanicomial: vidas que existem, reexistem e resistem”, em Cianorte, realçou a importância da luta em prol das equipes profissionais atuantes nas redes de atenção à saúde mental. O evento debateu, ainda, sobre a exclusão de pessoas em sofrimento mental decorrente do abuso de drogas ou que se encontram em processo de tratamento terapêutico, pensando na eliminação de estigmas já enraizados na sociedade. 

Segundo a conselheira presidenta do CRP-PR, psicóloga Griziele Martins Feitosa (CRP-08/09153), entender a reforma e a contrarreforma psiquiátrica é fundamental para toda a categoria profissional: Não podemos perder de perspectiva que [a] liberdade é uma luta constante, e foi com muita mobilização social que se alcançou os avanços [atuais] do atendimento à saúde mental”, afirma ela. 

Os esforços da campanha também se estenderam para a categoria estudantil. A roda de conversa que contou com o apoio da Comissão de Estudantes do CRP-PR abordou os principais desafios  enfrentados em ações coletivas na defesa dos direitos de pessoas com sofrimento mental, analisando os fatores políticos, econômicos e sociais. A atividade também contou com a proposição de ações que possam vir a contribuir na implementação de políticas públicas voltadas a essa parcela da população.

Olhar para o passado para entendermos o futuro

Por todo o Estado, foram realizados encontros, palestras e rodas de conversa abordando a temática antimanicomial e suas nuances, analisando em paralelo os acontecimentos gravados na história psiquiátrica. A palestra 18M: Nós da luta antimanicomial: vidas que (r)existem” contou com a presença do jornalista e escritor Daniel Navarro, conhecido pelos livros “Cinzas do Juquery” e “O Capa-Branca” – obras que narram as vivências do Hospital Psiquiátrico do Juquery -, e buscou partir de uma análise cronológica dos antigos hospícios do país, perpassando até os dias atuais com o movimento da reforma psiquiátrica brasileira.

Pensando em conjunto com essa abordagem, a Comissão Setorial Centro Ocidental trouxe, no evento em Campo Mourão, uma crítica sobre a realidade velada nas primeiras instituições manicomiais do país. A conversa teve como ponto principal o filme lançado em 2000, “Bicho de Sete Cabeças”, que narra as violências cometidas nos antigos hospitais psiquiátricos, e analisou junto a categoria profissional, estudantes e pessoas externas da comunidade o caminho já percorrido na esfera da saúde mental brasileira, além de apontar mudanças necessárias que precisam ser feitas para que o alcance ao tratamento psiquiátrico humanizado deixe de ser um privilégio a uma parcela da sociedade.

Ao retornarmos ao passado dos antigos manicômios, temos a possibilidade de reconstituir toda a luta do movimento antimanicomial, continua o cons. Sérgio: “Esses tipos de eventos nos tiram de uma prática profissional rotineira e nos colocam diante de um movimento crítico, evitando a reprodução de práticas que historicamente violam direitos. Discutir essa questão lembra que, independente da forma do tratamento, podemos reproduzir elementos manicomiais. Não repetir a barbárie acontecida nos grandes hospitais é o mínimo que podemos fazer”.

Leia o manifesto produzido pelo CRP-PR, reforçando seu posicionamento em defesa do SUS e da lógica da atenção psicossocial.

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