Notícia

CRP-PR divulga nota de apoio à “Parada Gaúcha do Orgulho Louco”

Crédito da imagem: página da Parada Gaúcha do Orgulho Louco no Facebook

Manifestantes na 5ª Parada Gaúcha do Orgulho Louco, em Alegrete (RS)

A 5ª Parada Gaúcha do Orgulho Louco, manifestação organizada na cidade de Alegrete, no Rio Grande do Sul, causou uma reação negativa por parte de entidades da área médica. A manifestação ocorrida em 23 de outubro contou com a presença de pacientes com transtornos mentais entre cerca de 4 mil pessoas e tinha por objetivo defender o tratamento em liberdade em detrimento dos manicômios, movimento conhecido como Luta Antimanicomial.

Uma nota de repúdio ao ato foi publicada pelos Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS), Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (CREMERS), Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), Sociedade de Apoio ao Doente Mental (SADOM) e Associação Brasileira em Defesa dos Usuários de Sistemas de Saúde (ABRASUS). A nota alega que os enfermos, que deveriam ser protegidos, foram expostos durante a Parada com roupas de palhaços (informação negada pela organização, que disse serem as cartolas uma alusão a José Joaquim de Campos Leão, dramaturgo gaúcho tomado por louco no século 19). A nota redigida pelas entidades médicas chama os portadores de transtornos de ingênuos e diz, ainda, que uma ação como esta é uma forma de políticos oportunistas alcançarem os holofotes às custas do sofrimento das famílias.

Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), juntamente com outros Regionais, manifestou-se contra esta postura dos médicos, uma vez que “A ideia de que qualquer pessoa com transtornos mentais não seja capaz de falar sobre si e por si atinge diretamente uma sociedade que busca pela plenitude de direitos (…). Ora, a judicialização da vida é uma questão tão grave quanto a patologização e a medicalização”. A nota de apoio da Psicologia cita ainda que os espaços públicos são legítimos para o debate de questões que envolvem a loucura e a atenção à saúde mental.  

Leia a nota na íntegra abaixo:

NOTA DE APOIO À “PARADA GAÚCHA DO ORGULHO LOUCO”

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) e os demais Conselhos Regionais de Psicologia abaixo assinados vêm a público expressar apoio aos organizadores da “Parada Gaúcha do Orgulho Louco”, entre eles o CRP-RS, realizada no estado do Rio Grande do Sul.

Tomamos ciência, em matéria vinculada pelo jornal Zero Hora, de uma nota de repúdio à Parada assinada por entidades médicas e da psiquiatria. A manifestação nos soa despropositada e um tanto ultrapassada. Se, por um lado, é legítimo manifestar-se, por outro, seus motivos e justificativas são alarmantes.

A ideia de que qualquer pessoa com transtornos mentais não seja capaz de falar sobre si e por si atinge diretamente uma sociedade que busca pela plenitude de direitos. É uma ideia envelhecida.

O fato contemporâneo é o tom de ameaça de ir à justiça. Ora, a judicialização da vida é uma questão tão grave quanto a patologização e a medicalização. O poder judiciário é apenas uma parte das forças e interesses que compõem a sociedade.

As questões que envolvem a loucura e a atenção à saúde mental (seja de pessoas que tem ou não transtorno mental) podem e devem ser debatidas em eventos científicos, mas também em fóruns populares, em espaços públicos e democráticos.

A protestação contida no repúdio desqualifica a medicina e a psiquiatria. A medicina, disciplina milenar, tem muito mais qualidade e conteúdo a contribuir neste debate e não esperamos outra postura das entidades médicas. A democracia brasileira precisa de diálogo, que se caracteriza pela transformação de todos que dele participam.

O Brasil também precisa aproveitar-se de forma desavergonhada às mais variadas formas de liberdade de expressão. A Parada, bastante conhecida pela comunidade LGBTT, mostra-se um dispositivo potente para afirmar identidades e direitos.

Que possamos criar outras mais!

Curitiba, 30 de outubro de 2015.

Conselho Regional de Psicologia – 01ª Região (Distrito Federal)

Conselho Regional de Psicologia – 03ª Região (Bahia)

Conselho Regional de Psicologia – 04ª Região (Minas Gerais)

Conselho Regional de Psicologia – 05ª Região (Rio de Janeiro)

Conselho Regional de Psicologia – 06ª Região (São Paulo)

Conselho Regional de Psicologia – 08ª Região (Paraná)

Conselho Regional de Psicologia – 10ª Região (Pará e Amapá)

Conselho Regional de Psicologia – 12ª Região (Santa Catarina)

Conselho Regional de Psicologia – 14ª Região (Mato Grosso do Sul)

Conselho Regional de Psicologia – 16ª Região (Espírito Santo)

Conselho Regional de Psicologia – 17ª Região (Rio Grande do Norte)

Conselho Regional de Psicologia – 19ª Região (Sergipe)

Conselho Regional de Psicologia – 20ª Região (Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima)

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