Notícia

CRP-PR contesta nota do CFP sobre Psicologia do Esporte e coaching

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) é contrário à nota de esclarecimento publicada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) sobre a Psicologia do Esporte e coaching em agosto de 2016. Nesta nota, o CFP afirma que o profissional intitulado Psicólogo tem seus métodos e técnicas fundamentados em conhecimento teóricos e metodológicos sistematizados e reconhecidamente advindos de reflexões e pesquisas referenciadas. Portanto, a prática de técnicas aplicadas pelo profissional que se denomina coach não é um conhecimento da Psicologia ou pertencente a qualquer uma das suas especialidades. Assim, profissionais da Psicologia que atuam com essa formação não devem associar suas ações às práticas psicológicas. Esta diferenciação se faz necessária, para que a categoria e a sociedade civil estejam informadas sobre a efetividade da Psicologia como fundamento na formação de seus profissionais.

 

Tem-se clareza de que o coaching é uma profissão não regulamentada, o que significa que qualquer pessoa com formação superior ou mesmo sem nenhuma formação pode se tornar um coach. Entretanto, o coaching se utiliza de conhecimentos científicos produzidos pelas mais diversas áreas de conhecimento e ciências, especialmente a Psicologia. As atividades do coaching são direcionadas às potencialidades do indivíduo, possibilitando que estas se revelem e se desenvolvam. Guarda, portanto, relações óbvias com a Psicologia, sendo usado por profissionais de diversas áreas e com diferentes objetivos.

coach não precisa ser um especialista na área de atuação de seu cliente. Um profissional de coaching deve ter, primeiramente, uma formação de capacitação que contenha carga horária mínima de 80 horas, além de reconhecimento e certificação de credibilidade. No entanto, o que o CRP-PR questiona é que os profissionais de coach são especializados em ferramentas de coaching e muitas vezes com uma formação acadêmica não sólida e visão parcial, diferentemente da formação da(o) Psicóloga(o) que, além de sua graduação, busca especializações para obter uma visão mais sistêmica.

Psicólogas(os) têm se especializado cada vez mais nesta ferramenta, integrando os seus conhecimentos sobre o ser humano a fim de desenvolver formas de intervenções que promovam o bem-estar e o desempenho, tanto individual quanto de grupos e organizações.

Cabe ressaltar que há um aumento no número de universidades renomadas (especialmente nos EUA, Canadá, Inglaterra e Austrália) oferecendo disciplinas e programas de Pós-Graduação em Coaching Psychology. Ou seja, há estudos que apontam a efetividade, assim como a cientificidade da prática.

O Código de Ética Profissional do Psicólogo determina que a(o) Psicóloga(o) utilize técnicas, procedimentos e teorias que estejam reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica. Neste sentido, o CRP-PR orienta a(o) profissional de Psicologia que decidir trabalhar com coaching a usá-lo de forma a complementar o seu trabalho. Compreende-se que, em vez de dissociarmos a Psicologia do coaching, é necessário fortalecer a Psicologia como profissão. Simplesmente desconsiderar o avanço científico e o reconhecimento da sociedade das estratégias e benefícios do coaching alegando que não se trata de um método vinculado aos princípios, procedimentos, métodos e técnicas da Psicologia é contribuir para a desregulamentação da profissão e desconsiderar a preparação da(o) Psicóloga(o) para trabalhar com o comportamento humano.

A diferenciação entre os campos reconhecido, conhecido e regulamentado demonstra que o reconhecimento é feito antes pela sociedade e categoria do que pela autarquia da Psicologia. Um campo estável não demanda regulamentação, e é o que se vê quando falamos de Psicanálise ou Psicologia Cognitivo-Comportamental. Como campo estável, não é preciso intervir com regulamentações. Testes psicológicos são regulamentados pelo SATEPSI, e obedecem a um funcionamento dinâmico e não estanque, sendo que uma técnica não regulamentada hoje, pode ser amanhã. A polêmica parece ser gerada especialmente por práticas pouco conhecidas e não regulamentadas, como é o caso da Psicologia Transpessoal, da Programação Neurolinguística (PNL) e, neste caso, do coaching.

A gestão “É Tempo de Diálogo” defende e sustenta uma postura de abertura e diálogo. E é neste sentido que compreendemos que as práticas psicológicas são dinâmicas e acompanham o desenvolvimento da história. Mais importante que a palavra usada para denominá-la é a forma com que esta prática é executada. Aquelas práticas que não possuem regulamentação precisam ser encaradas com base no Código de Ética, como conjunto de normas e valores éticos que traz como baliza a proteção aos Direitos Humanos essenciais, por meio de valores de liberdade, igualdade e respeito. O profissional que se debruça sobre práticas pouco conhecidas deve atentar-se ao respeito ao usuário que procura seus serviços e na execução de uma prática que seja constantemente refletida, construída e repensada. Para que a ciência se desenvolva, é preciso construir tecnicamente, e os profissionais precisam ocupar os lugares de construção.

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