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CRP Comenta: Socorristas choram após morte de criança de 6 anos em grave acidente em Curitiba

Na última quarta-feira (15), o vídeo que mostra uma equipe de socorristas chorando pela morte de uma criança de 6 anos em um grave acidente em Curitiba comoveu muitas pessoas. Afinal, quem trabalha salvando vidas também sente o impacto de perdas como esta? 

 Este é o assunto do CRP Comenta, novo espaço no qual vamos repercutir temas de interesse social ligados à Psicologia.

Convidamos a psicóloga e doutora Marly Perrelli (CRP-08/04561), especialista em emergências e desastres e conselheira do CRP-PR, para comentar as formas de cuidar da saúde mental de quem atua em situações extremas para a vida humana. Confira!

Como a saúde mental de equipes que atuam em atendimentos de acidentes ou desastres pode ser afetada quando salvar a vida não é possível?

A atuação de profissionais em contextos de crise, emergência e desastres os expõe a intenso sofrimento emocional, especialmente diante de situações em que salvar vidas não é possível. O confronto com a morte, sobretudo de crianças, mobiliza sentimentos profundos de impotência, tristeza e culpa, comprometendo o sentido de eficácia e propósito que sustenta o trabalho em campo. 

A repetição dessas vivências, sem suporte adequado, pode desencadear estresse agudo, fadiga por compaixão e, a longo prazo, sintomas compatíveis com o transtorno de estresse pós-traumático. A preservação da saúde mental dessas equipes requer não apenas formação técnica, mas também acolhimento psicológico sistemático após as ocorrências.

Como a Psicologia pode auxiliar profissionais que lidam frequentemente com situações em que pessoas perdem suas vidas ou são gravemente feridas?

A Psicologia desempenha papel central nesse processo, por meio de ações preventivas, preparo psicológico prévio, espaços de escuta qualificada, debriefing pós-ocorrência, acompanhamento psicoterapêutico e incentivo a práticas de autorregulação e autocuidado. 

Instituições que incorporam políticas de apoio psicossocial e promovem uma cultura organizacional de cuidado fortalecem a resiliência coletiva e reafirmam a dimensão ética e humana do socorro: cuidar de vidas implica também cuidar de quem cuida.