Nesta edição do CRP Comenta, vamos falar sobre um vídeo publicado pelo perfil do Instagram @jogosolimpicos, a página oficial em português do Comitê Olímpico Internacional, que repercutiu pelas redes sociais nas últimas semanas. No vídeo, a atleta Rayssa Leal – que é medalhista olímpica, tetracampeã da Liga Mundial de Skate Street e bicampeã do Mundial de Skate Street – fala da importância da terapia em sua trajetória: “Foi a melhor coisa que eu fiz da minha vida”.
Rayssa relata que tudo começou muito cedo porque, quando tinha apenas 7 anos, um vídeo seu fazendo manobras de skate viralizou nas redes sociais. Na ocasião, ela estava fantasiada de fada, o que levou ao seu apelido de “Fadinha do Skate”. A atleta conta que não sabia como lidar com as pessoas pedindo fotos, autógrafos e abraços na rua, pois, com aquela idade, ela não entendia. Após a sua primeira participação nos Jogos Olímpicos, ela começou a fazer terapia com uma psicóloga, o que definiu como um processo “maravilhoso”, que a ajudou, principalmente, com o nervosismo durante as competições.
O psicólogo Rafael Sfreddo (CRP-08/22359), conselheiro do CRP-PR, explica que, muitas vezes, por conseguirem feitos extraordinários, costumamos ver os atletas como se fossem máquinas, que não são afetadas por nada. Por isso, ressalta a importância do depoimento de Rayssa: “ela mostra que a psicoterapia é primordial no desempenho esportivo, pois os atletas têm sim emoções e sentimentos e, durante vários momentos, eles acabam sendo embotados e pouco respeitados no contexto esportivo.”
Nesse cenário, o psicólogo cita, ainda, como exemplo, o caso da ginasta Simone Biles, que desistiu da final individual da Ginástica Artística nas Olimpíadas de Tóquio, em 2020, por questões emocionais. “A Psicologia Esportiva não auxilia apenas no desempenho do atleta, muitas vezes, é primordial para suportar a carga emocional da vida de um atleta profissional,” conclui Rafael Sfreddo.