Notícia

COREP-PR define propostas trienais e elege delegadas(os) para 11º CNP

O 11º Congresso Regional da Psicologia do Paraná (COREP-PR), realizado nos dias 9 e 10 de abril na cidade de Curitiba-PR, reuniu as(os) 73 delegadas(os) eleitas(os) nos Pré-COREPs regionais para debater as propostas de diretrizes para a próxima gestão do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR).

O evento foi dividido em duas etapas. No primeiro dia, além da eleição da mesa diretora, foram definidos os grupos de trabalho, que analisaram as propostas enviadas pelos Pré-COREPs. Já no segundo dia, a plenária final aprovou um total de 125 propostas nos três eixos do Congresso (“Organização democrática e participativa do Sistema Conselhos no enfrentamento da pandemia”; “Defesa do Estado Democrático e dos Direitos Humanos via políticas públicas”; e “O fazer ético e científico da Psicologia no trabalho em saúde mental”).

11º CNP

Em dois dias de trabalho, foram elencadas também 30 propostas que serão remetidas ao 11º Congresso Nacional da Psicologia (11º CNP) – a etapa nacional será realizada entre 2 e 6 de junho em Brasília-DF. A delegação paranaense, composta por 20 Psicólogas(os) titulares e 10 suplentes, além de duas estudantes titulares e um suplente, foi eleita também neste último final de semana, respeitando os critérios regimentais previstos. Consulte a lista completa aqui.

 

Moções

As(Os) delegadas(os) reunidas(os) no 11º COREP-PR assinaram seis moções – entre apoio e repúdio –, as quais foram aprovadas plenária. São elas:

  1. Moção de apoio em “Defesa da Psicologia na Educação”, destinada à Assembleia Legislativa do Paraná;
  2. Moção de apoio à “Comissão Permanente Étnico-Racial”, fruto de debate construído junto ao CFP;
  3. Moção de repúdio à “Divulgação pública sobre inscrições de comunidades terapêuticas nos Conselhos de Assistência Social”, destinada à SEJUF, CEAS-PR, FETSUAS-PR, CMAS e CAOPAS-MP-PR;
  4. Moção de congratulações aos profissionais Cesar Fernandes e Prof. Marilda Facci, em funções de “trabalho e os esforços empregados durante anos para a aprovação da Lei 13935/2019, que ‘dispõe sobre a prestação de serviços de Psicologia e de Serviço Social nas redes públicas de educação básica’”;
  5. Moção de repúdio ao “financiamento de instituições asilares de atenção em saúde mental”, destinada à Coordenação Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas;
  6. Moção de apoio à “rede de atenção psicossocial – RAPS”, destinada à Coordenação Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas.

 

Psicologia antirracista

Entre as moções aprovadas, destaca-se o pedido ao Conselho Federal de Psicologia (CFP) para que a Comissão Étnico-Racial (CER) seja permanente. O texto tem a seguinte redação:

“É extemporâneo que o Sistema Conselhos continue desconsiderando a centralidade do racismo na construção da realidade subjetiva brasileira, entendendo este fenômeno como colateral aos Direitos Humanos, diluindo o debate das questões étnico-raciais nas Comissões de Direitos Humanos. Por isso, urge refletir com as(os,es) Conselheiras(os,es) do CFP qual o compromisso social da Psicologia e sua postura ético-política para a efetiva reparação histórica com a população negra e indígena. Indagamo-nos se o CFP mantiver a postura neutra do parecer diante dos efeitos psicossociais do racismo na própria estrutura do Sistema Conselhos, se será suficiente para inspirar e mobilizar a sociedade brasileira para serem antirracistas, como iniciou em 2002. Nesse sentido, apresentamos a Moção de Apoio para que a Comissão Étnico-Racial possa ser permanente no Sistema Conselhos.”

Chapas pré-inscritas

A Comissão Regional Eleitoral recebeu a pré-inscrição das chapas que concorrem ao pleito no CRP-PR até às 17h do dia 10 de abril, conforme prazos regimentais. As três chapas que manifestaram interesse em concorrer à gestão 2022-2025 foram apresentadas ao final do evento e agora seguem para homologação, que inclui apresentação de documentos e validação por Comissão competente das(os) candidatas(os) autoidentificadas(os) como negras(os), indígenas, travestis e transexuais, com deficiência ou pertencente a povos originários.

Na perspectiva de democracia participativa, somos nós quem constituímos o CRP-PR com o próprio registro e anuidade. Temos que priorizar a participação nesses espaços, pois é daí que virá a representatividade que tanto esperamos.

Psic. Simone Cristina Gomes (CRP-08/14224), trabalhadora do SUAS e delegada do 11º COREP-PR Tweet

Participação democrática

Os espaços de debate promovidos pelos Pré-COREPs, COREPs e CNPs são totalmente democráticos. Qualquer Psicóloga(o) que atenda aos requisitos regimentais pode participar das primeiras etapas e se candidatar às etapas seguintes.

Com larga experiência em COREPs e representante do CRP-PR em instâncias do Controle Social, a Psicóloga Social Simone Cristina Gomes (CRP-08/14224) – trabalhadora do SUAS da região de Maringá – destaca que o COREP é um momento imprescindível para a categoria, pois é onde as diretrizes da Psicologia são definidas. “Vemos algumas pessoas dizendo que o CRP-PR não as representa, mas não podemos esquecer que, na perspectiva de democracia participativa, somos nós quem constituímos o CRP-PR com o próprio registro e anuidade. Temos que priorizar a participação nesses espaços, pois é daí que virá a representatividade que tanto esperamos.” 

A Psicóloga Andressa Luiza Linhares (CRP-08/15009), que atua na Psicologia do Trânsito em Curitiba, também avaliou positivamente a experiência. “O evento é uma oportunidade que temos para discutir os interesses da categoria. Acho que o COREP tem sido produtivo e estou muito feliz porque todas as pessoas presentes estão interessadas em agregar as ideias para chegar mais próximo do que idealizamos.”

Já o Psicólogo Clínico e professor universitário Felipe Bini (CRP-08/23242), de Guarapuava, estava participando pela primeira vez do COREP e aprendendo sobre sua estrutura. “Percebi que [as discussões] são muito bem sistematizadas, e isso é importante para o debate de temas como a saúde mental e o ensino da Psicologia, áreas com as quais me identifico, pois atuo na clínica e também sou professor.”