Em celebração ao Dia da Consciência Negra (20 de novembro), a Comissão Étnico-Racial (CER) do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) promoveu na última segunda-feira (17) o evento “Entre Crenças e Feridas: o racismo sob a lente da TCC”, que contou com a presença do psicólogo Bruno Reis (CRP-06/93277), referência na aplicação da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) a partir de uma perspectiva antirracista.
A atividade, que aconteceu em Curitiba, foi aberta com falas do presidente da CER, conselheiro Geison David da Silva (CRP-08/28047), além da também conselheira e membro da comissão, psicóloga Érika Ribeiro da Silva (CRP-08/28557). Ambos destacaram a importância do evento ser realizado durante o mês que celebra a vida de Zumbi dos Palmares e a consciência negra, com público diverso e engajado nas discussões.
O psicólogo Bruno Reis iniciou, então, sua palestra com um convite à “meditação musicada”, cantando o samba que representa um dos repositórios de saber da cultura afro-brasileira, juntamente com as religiões de matriz africana, a capoeira e a culinária, por exemplo. Estas expressões culturais guardam a filosofia africana, uma forma de pensar que, tal como outras perspectivas, traz conhecimentos úteis para a produção de ciência.
Após este momento, que serviu também para aproximar público e palestrante, o psicólogo apresentou as ideias centrais do seu livro “Terapia Cognitivo-Comportamental para a população negra: contribuições para a prática clínica sensível às questões étnico-raciais”, publicado pela editora Senac em 2025.
Passando por conceitos-chave como o deslocamento do eixo civilizatório causado pela escravidão, a desumanização e o desenraizamento, Bruno explica como a violência institucional e estrutural coloca a população negra em um lugar de sofrimento e opressão internalizada, do qual a Psicologia tem o dever de ajudá-la a sair.
“Tudo que a população negra vive produz dor e sofrimento”, explica o autor. “Cabe a nós entender esse sofrimento com seriedade e profundidade, e então caminhar para além. O objetivo da clínica deve ser o de tornar as pessoas negras felizes. Parece simples e ingênuo, mas eu acredito que as pessoas negras não merecem o destino de ficar lutando para sempre.”
Isso passa, segundo o pesquisador, por um enraizamento cultural que reconheça a negritude como potência. A Psicologia Clínica, ele afirma, deve acolher a dor causada pelo racismo, mas ir além, atuando a partir dos repositórios de saber da cultura ancestral e entendendo que o conhecimento não está apenas nos livros. “É preciso sentir para encontrar a ancestralidade. Primeiro a experiência, depois a oralidade e por fim a escrita.”
O samba retornou, ao final da fala, como ferramenta para debater os diversos aspectos relacionados às questões étnico-raciais e como elas perpassam o atendimento clínico na Psicologia. Após o evento, Bruno atendeu o público para distribuir autógrafos e responder a dúvidas.
O recado final que o profissional deixa para a categoria do Paraná é: “Há muitas coisas a serem ditas, mas a gente precisa começar de algum lugar. Esse começo é ter disponibilidade para conversar sobre as questões étnico-raciais. E que as conversas sejam produtivas, que a gente fale de dor, mas que saia com propostas e ideias para fazer algo pelas pessoas negras.”
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Bruno Reis concedeu entrevista exclusiva ao CRP-PR, que será publicada em uma série de quatro vídeos, ao longo do mês de novembro, no Instagram do CRP-PR: @crp_pr