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Com participação do CRP-PR, I Congresso Nacional de Saúde Mental LGBTI+ promove debates multidisciplinares em Curitiba

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) esteve presente no I Congresso Nacional de Saúde Mental LGBTI+, que ocorreu de 9 a 11 de outubro de 2025 em Curitiba-PR. O evento, organizado pela Aliança Nacional LGBTI+, reuniu especialistas, profissionais e estudantes para discutir saúde mental, acolhimento e inclusão para a comunidade LGBTQIA+. 

A mesa de abertura contou com a presença da conselheira Semiramis Maria Amorim Vedovatto (CRP-08/06207), presidente da Comissão de Direitos Humanos do CRP-PR, além de autoridades e demais pessoas convidadas. 

“O I Congresso Nacional de Saúde Mental LGBTI+ reafirma algo que a Psicologia há muito reconhece: não há saúde mental sem direitos humanos, sem dignidade e sem diversidade. Falar sobre a saúde mental da população LGBTI+ é enfrentar desigualdades estruturais, é promover políticas públicas e práticas de cuidado que respeitem a pluralidade das existências”, afirmou Semiramis Vedovatto.

A conselheira reforçou o convite para que a categoria faça parte da Comissão de Direitos Humanos, especialmente nos núcleos que tratam desta pauta: o Núcleo de Diversidade de Gêneros e Sexualidade (Diverges) e o Núcleo TransVidas, dedicado às pautas transcentradas (femininas, masculinas e não binárias), bem como as Comissões de Estudantes. 

“Como integrante do XVI Plenário do CRP-PR, reforçamos nosso compromisso com uma Psicologia plural, ética, acolhedora e interseccional, que defende a vida e o direito de ser e existir em sua integralidade. Que este Congresso fortaleça nossas redes de apoio, multiplique saberes e reafirme que a Psicologia está — e sempre estará — ao lado das lutas da população LGBTI+.”

A representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP), conselheira Carla Isadora Barbosa Canto (CRP-10/03378), reforçou a importância do tema para Psicologia e destacou as orientações técnicas do Sistema Conselhos, em especial a Resolução CFP nº 01/1999, que estabelece que homossexualidades não são doenças ou distúrbios e veda a terapia de suposta “reversão sexual”, a Resolução CFP nº 01/2018, que orienta profissionais da Psicologia a combater a transfobia e a patologização das identidades trans, e a Resolução CFP nº 8/2022, que regulamenta a atuação profissional em relação às bissexualidades e outras orientações não monossexuais. 

A conselheira Semíramis também explica que o CRP-PR e o CFP trouxeram ao palco o posicionamento da Psicologia brasileira contrário ao recente movimento que pretende isolar a letra T (transexuais) do restante da sigla, promovendo apenas um movimento “LGB”. A ideia, segundo ela, é prejudicial pois, embora tenha uma “aparência da pauta identitária, cai numa armadilha e isola populações historicamente marginalizadas”. “A inclusão de questões trans no movimento LGBT+ é histórica, com o debate sobre identidade de gênero sendo incorporado ao vocabulário militante no final dos anos 90 e início dos 2000”, explica.

Mais sobre o evento

O I Congresso Nacional de Saúde Mental LGBTI+ ocorreu de 9 a 11 de outubro de 2025 na UniCuritiba. É uma realização da Aliança Nacional LGBTI+ e conta com o apoio de diversas entidades não governamentais e governamentais, como o CFP, o governo do Estado do Paraná e o Ministério da Saúde.

Com programação diversa e multidisciplinar, o evento serviu como um “espaço inédito de diálogo, construção coletiva e fortalecimento de políticas, práticas e saberes voltados para a saúde mental da população LGBTI+”, de acordo com a organização. Reuniu ao longo de três dias profissionais da saúde, pesquisadores, estudantes, ativistas e pessoas LGBTI+ de todo o Brasil para “debater os desafios contemporâneos enfrentados por nossa comunidade, bem como promover estratégias de cuidado, acolhimento e enfrentamento das violências estruturais”.

Todo conteúdo do evento está disponível na transmissão pelo YouTube da Aliança Nacional LGBTI+.