Psicologia Hospitalar

CRP-PR envia ofícios a gestores da área hospitalar sobre as especificidades da atuação da Psicologia Hospitalar no contexto da Covid-19

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) enviou, nesta semana, ofícios a gestores da área hospitalar. O documento elaborado pela Comissão de Psicologia Hospitalar do CRP-PR contém informações voltadas à atuação de profissionais da área no contexto da Covid-19. As considerações trazidas pela Comissão têm como objetivo auxiliar a Gestão Hospitalar na implementação ou reestruturação de serviços de Psicologia Hospitalar para atendimento à doença causada pelo novo coronavírus.

Entre as instituições e os órgãos que receberam o ofício, estão a Secretaria de Estado da Saúde, secretarias municipais de Saúde, Conselhos Estadual e Municipais de Saúde, Sindicato dos Psicólogos do Paraná, Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná e SindiSaúde (Sindicato das trabalhadoras e trabalhadores do serviço público da Saúde e da Previdência estado do Paraná) —, além da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (FEAS), hospitais e das Prefeituras Municipais.

Orientações

O ofício possui caráter orientativo e consultivo considerando, por sua vez, a autonomia das instituições, suas particularidades e o contexto econômico no qual se encontram. As recomendações levam em conta características da Psicologia Hospitalar como, por exemplo: a formação da(o) Psicóloga(o) para atuar no contexto hospitalar, a estruturação de Serviços de Psicologia Hospitalar no contexto da pandemia e o acompanhamento em saúde mental às(aos) profissionais de saúde.

Para conferir o documento completo e as orientações detalhadas, clique aqui.

Mais orientações

Mais informações em relação à atuação da Psicologia e das especificidades da Psicologia Hospitalar podem ser acessadas pelos sites do Conselho Federal de Psicologia e do Conselho Regional de Psicologia do Paraná. Ambos os sites possuem seção específica destinada a conteúdos referentes à pandemia da Covid-19 de forma a facilitar o acesso à informação.

Orientações às(aos) gestoras(es) sobre as especificidades da atuação da Psicologia Hospitalar no contexto da Covid-19

Desde março de 2020 o Brasil tem vivenciado os impactos da pandemia da Covid-19, fato este que exigiu adaptações no dia a dia da população, bem como na organização e estruturação dos serviços de saúde em todo território brasileiro. Diante do aumento do número de casos e a possibilidade de sobrecarga do sistema de saúde, as instituições hospitalares têm elaborado planos de contingência para enfrentar o aumento da demanda por internações de média e alta complexidade. Neste contexto, é inegável que, além do aporte estrutural e tecnológico, o enfrentamento da crise requer profissionais de saúde qualificadas(os) e disponíveis para a assistência integral aos pacientes e seus familiares. Compreende-se ainda que os impactos do novo coronavírus vão além da saúde física, afetando também a saúde mental e emocional de todos os envolvidos.

 

Assim, a presença da Psicologia Hospitalar junto à equipe multiprofissional pode contribuir tanto na assistência ao paciente e seus familiares, quanto no apoio à equipe, buscando minimizar o sofrimento psíquico diante do adoecimento ou do risco de contaminação. Com vistas a auxiliar a Gestão Hospitalar na implementação ou reestruturação de Serviços de Psicologia Hospitalar para atendimento à Covid-19, a Comissão de Psicologia Hospitalar do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) traz considerações quanto às especificidades de atuação e as atribuições da(o) profissional Psicóloga(o) para execução de serviços de qualidade.

 

Ressalta-se que o presente documento considera a autonomia das instituições e suas particularidades, bem como o contexto econômico complexo no qual estão inseridas, sendo as considerações de caráter orientativo e consultivo.

Sobre a Psicologia Hospitalar

A Psicologia Hospitalar é uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) desde 2000 e, atualmente, é regulamentada pela Resolução CFP nº 13/2007. Tem como principal objetivo o acolhimento a pacientes e familiares em sofrimento psíquico decorrente de suas patologias, internações e tratamentos (LAZARETTI et al., 2007). A atuação deve estar pautada no rigor ético e científico que a profissão exige e abrange as seguintes atribuições:

 

· Atendimento a pacientes, familiares e assessoramento às(aos) profissionais da equipe de saúde no que concerne ao cuidado com as(os) pacientes;

· Realização de avaliações e intervenções psicológicas para a(o) paciente e/ou familiar;

· Estabelecimento, operacionalização e gerenciamento de programas de saúde;

· Participação em reuniões interdisciplinares e atualização das informações psicológicas com as(os) demais profissionais da equipe;

· Facilitação dos processos de comunicação na interface paciente-família-equipe, inclusive no suporte à equipe na transmissão de notícias difíceis;

· Gerenciamento de atividades administrativas, como formulação de protocolos de atendimento, registro em prontuário e distribuição das demandas de trabalho.

Sobre a formação da(o) Psicóloga(o) para atuar no contexto hospitalar

Pensar na formação da(o) Psicóloga(o) Hospitalar remete a pensar na formação em Psicologia. Embora algumas universidades tenham um foco maior nas disciplinas que envolvem a Psicologia da Saúde, incluindo a atuação nos hospitais, essa ainda não é uma realidade unânime (MÄDER et al., 2016). Assim, é desejável que a(o) profissional que irá atuar nessas instituições tenha formação específica para sustentar essa prática, tais como:

 

· Pós-graduação Latu Sensu nível de Especialização ou Residência Multiprofissional em Saúde;

· Título de Especialista em Psicologia Hospitalar concedido pelo Conselho Federal de Psicologia.

 

Portanto, dada a relevância da capacidade teórica e técnica exigida no desempenho da função, é alvo de preocupação o fato de que muitas(os) profissionais da Psicologia que atuarão na linha de frente dos serviços hospitalares para atendimento à Covid-19 podem não ter especialização na área. Desta forma, sugere-se a implementação de ações de capacitação e educação permanente, promovendo formação breve e específica em ações de saúde mental e atenção psicossocial neste contexto de pandemia. Destaca-se também que outro viés de formação muito importante e utilizado em Psicologia é a supervisão com profissionais mais experientes.

Sobre a inserção da(o) Psicóloga(o) na instituição hospitalar

Considerando a(o) profissional Psicóloga(o) como integrante da equipe multiprofissional, parte-se do fato de que receba, diante do atual momento, todos os treinamentos necessários quanto ao uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), bem como orientações gerais acerca das medidas de biossegurança e controle de infecção na instituição hospitalar, medidas habitualmente realizadas pelos Serviços de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) e Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) ou equivalentes.

 

É fundamental que o Serviço de Psicologia Hospitalar se articule com os demais gestores da instituição de forma a construir um posicionamento técnico a respeito da prestação do trabalho neste contexto de pandemia.

Sobre a estruturação de Serviços de Psicologia Hospitalar no contexto da pandemia

Ao estruturar o Serviço de Psicologia Hospitalar no contexto da Covid-19, a Fiocruz sugere que as(os) Psicólogas(os) Hospitalares (BRASIL, 2020):

 

· Tenham conhecimento das características do cenário antes do planejamento das suas ações;

· Fundamentem suas ações em evidências de outras experiências;

· Mantenham propostas de ações alinhadas com o Sistema Único de Saúde.

 

Os atendimentos podem ocorrer tanto de forma presencial quanto a distância. Conforme Notas Técnicas CRP-PR nº 001 e 002/2020, cabe às(aos) Psicólogas(os) a adequação dos métodos e técnicas para prestação de serviços em cada contexto de trabalho. O uso das Tecnologias de Informação e Comunicação tornam-se uma possibilidade para realização do cuidado, porém, muitas vezes, especialmente no contexto hospitalar, a atuação presencial da Psicologia ainda é demandada.

 

Para escolha da modalidade de atendimento mais adequada, cabe às(aos) profissionais analisar as complexidades das demandas de seus serviços. Ressalta-se que os casos de urgência e emergência, preferencialmente, devem ser atendidos presencialmente.

 

No que se refere aos atendimentos virtuais, ressaltam-se as diretrizes fornecidas pelas Resoluções CFP nº 11/2018 e nº 04/2020, principalmente quanto ao cadastro prévio na plataforma E-Psi.

 

Quanto ao contingente necessário de profissionais para a prestação dos serviços de Psicologia Hospitalar, compreendem-se os desafios e a especificidade deste momento de pandemia, inclusive no âmbito econômico e alocação de recursos financeiros. Ainda assim, objetivando a qualidade da assistência, a Fiocruz (BRASIL, 2020) recomenda o seguinte dimensionamento da equipe de Psicologia Hospitalar:

 

· Presença de um(a) Psicóloga(o) a cada 15 leitos ou fração na Unidade de Internação Adulto;

· Presença de um(a) Psicóloga(o) a cada 12 leitos ou fração na Unidade de Internação Pediátrica.

Obs: nas unidades de internação, adulto ou pediátrica, sugere-se a cobertura mínima de seis horas diárias e jornada de trabalho de seis horas/dia.

· Presença de um(a) Psicóloga(o) exclusiva(o) e presencial para cada 10 leitos ou fração na Unidade de Terapia Intensiva.

Obs: nas unidades de terapia intensiva sugere-se cobertura de 12 horas diárias e jornada de trabalho de seis horas/dia.

 

Para distribuição da carga de trabalho sugere-se ainda que seja utilizado o conceito de hora-assistencial. No contexto hospitalar, este conceito abrange o tempo destinado para preparação para o atendimento, realização de procedimentos e/ou técnicas psicológicas, discussão de caso e reuniões de equipe, registro dos atendimentos em prontuário e elaboração de documentos (BRASIL, 2020).

 

Na estruturação das equipes de Psicologia Hospitalar, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020) para manutenção da saúde mental no ambiente de trabalho, reitera-se a recomendação de compor equipes com profissionais que possuam diferentes tempos de experiência na área, de forma a mesclar colaboradores mais e menos experientes. Além de promover apoio e minimizar o estresse laboral (OMS, 2020), esta estratégia vai de encontro às estratégias de capacitação e supervisão em serviço, possibilitando a execução de um serviço de Psicologia de alta qualidade.

Sobre o acompanhamento em saúde mental às(aos) profissionais de saúde

Sabe-se da relevância da assistência em saúde mental às(aos) profissionais da saúde. Importante destacar, entretanto, que a(o) Psicóloga(o) Hospitalar atua dentro de uma equipe interdisciplinar e é, portanto, parte integrante dela. Ao zelar pela posição de integrante da equipe, muitas vezes faz-se necessário que o trabalho de escuta às(aos) colaboradoras(es) seja realizado por um(a) profissional externa(o) a ela (MÄDER et al., 2016; BRASIL, 2020).

 

Cabe à(ao) profissional de Psicologia a delimitação de seu campo de atuação, com autonomia para avaliar se o vínculo favorece ou interfere negativamente na realização de um trabalho de suporte emocional à equipe, visando à prestação de um trabalho de qualidade e conforme ao Código de Ética Profissional do Psicólogo.

Outras orientações

Mais informações e orientações quanto à atuação da Psicologia e das especificidades da Psicologia Hospitalar podem ser acessadas pelos sites do Conselho Federal de Psicologia (site.cfp.org.br) e do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (www.crppr.org.br). Ambos os sites possuem seção específica destinada a conteúdos referentes à pandemia da Covid-19 de forma a facilitar o acesso à informação.

 

Acesse: Especial Covid-19 CRP-PR

 

A Comissão de Psicologia Hospitalar permanece à disposição para maiores elucidações, assim como aberta a receber Psicólogas(os) e gestoras(es) para aproximação e discussão de temas convergentes. Para contato, enviar e-mail para milena.poletto@crppr.org.br.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. FIOCRUZ. Orientações às/aos psicólogas/os hospitalares. Disponível em: https://www.fiocruzbrasilia.fiocruz.br/wp-content/uploads/2020/04/cartilha_psicologos_hospitalares.pdf Acesso em 15 de junho de 2020.

 

LAZARETTI, C. et al. Manual de Psicologia Hospitalar, CRP-PR. Coletânea ConexãoPsi. Curitiba: Unificado, 2007.

 

MÄDER, B.J. et al. Caderno de psicologia hospitalar: considerações sobre assistência, ensino, pesquisa e gestão. Curitiba: CRP-PR, 2016.

 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE et al. Mental health and psychosocial considerations during the COVID-19 outbreak, 18 March 2020. World Health Organization, 2020.

CRP-PR assina Manifesto Leito para Todos + Vidas Iguais

O “Manifesto Leito para Todos + Vidas Iguais” propõe uma série de ações que visam à redução de desigualdades sociais existentes em nosso país. A partir deste ponto, considerando os impactos causados pela pandemia do novo coronavírus, faz-se necessário o asseguramento do direito à saúde de todos os cidadãos, promovendo o acesso igualitário a leitos de internação e UTI, sem distinção de classe social, raça e etnia, faixa etária, orientação sexual, gênero ou qualquer outro marcador social.


Diante da proposição de que sejam disponibilizados os recursos financeiros e assistenciais necessários para a construção de capacidade hospitalar para todos, a Comissão de Psicologia Hospitalar do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) ressalta a importância de reforçar estratégias que busquem um olhar para a Saúde Mental em tempos de pandemia, destacando a importância da adequada atuação de Psicólogas e Psicólogos nas unidades hospitalares de referência para Covid-19.


Constituída desde 2001, a Comissão traz em seu histórico discussões sobre uma prática ética e de qualidade, discutindo aspectos como equipe mínima para oferta equitativa de atendimentos psicológicos em ambiente hospitalar. Mais do que em qualquer outro momento, essa questão se escancara enquanto uma necessidade, na medida em que equipes estão sendo reestruturadas ou constituídas para atendimento a unidades de isolamento respiratório e hospitais de campanha.


Assim, a Comissão aponta para a garantia de atendimento humanizado, a partir da oferta de um cuidado integral, também promovendo o acesso à informação, ações que só são possíveis mediante a disponibilização de recursos humanos e técnicos adequados para sua devida execução. Para que isso aconteça, é necessária a defesa da prática de Psicólogas e Psicólogos hospitalares em quantitativo suficiente, uma vez que são essas(es) as(os) profissionais devidamente capacitadas(os) que irão realizar acolhimento a pacientes e seus familiares, bem como o indispensável apoio às equipes que se encontram fragilizadas por conta do contexto atual que enfrentamos.


Portanto, a assinatura do Manifesto Leito para Todos + Vidas Iguais endossa as discussões realizadas pela Comissão de Psicologia Hospitalar e subsidia um espaço para a defesa da práxis digna e necessária da Psicologia em contextos hospitalares.

CRP-PR apoia mobilização das Residências Multiprofissionais em Saúde

As(os) residentes dos programas Multiprofissionais em Saúde farão uma paralisação no dia 03 de março, em protesto contra mudanças realizadas pelo Governo Federal na alíquota do recolhimento da previdência paga por residentes – que passou de 11% para 14% ao incorporar as novas regras da Reforma da Previdência. Também está na pauta das reivindicações o combate aos desmontes do sistema de saúde pública que atinge toda a população.

 

O aumento no recolhimento agrava ainda mais a situação vivenciada por residentes que trabalham 60 horas por semana em regime de exclusividade, recebendo bolsas defasadas pela inflação acumulada desde o último reajuste, realizado em março de 2016, como afirma a carta do Fórum Nacional de Residentes em Saúde (FNRS). (Leia o documento na íntegra abaixo)

 

O Conselho compreende que a oferta de serviços de qualidade à população não está dissociada das condições básicas de trabalho das(os) profissionais. Ao apoiar as(os) residentes, o CRP-PR reafirma seu compromisso com a defesa intransigente das políticas públicas de saúde, sobretudo do Sistema Único de Saúde – público, universal e gratuito – e dos avanços em Saúde Mental garantidos pela Reforma Psiquiátrica, que estão sob constante ataque.

 

Leia a seguir a carta aberta do Fórum Nacional de Residentes em Saúde (FNRS):

 

Às Entidades Representativas, Conselhos de Categoria Profissional, comunidade acadêmica, parlamentares, usuários do Sistema Único de Saúde e à sociedade brasileira sobre as novas alíquotas de contribuição do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que passarão a valer a partir de 1º de março do corrente ano, e a defasagem da bolsa-salário das Residências Multiprofissionais em Saúde.

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O Fórum Nacional de Residentes em Saúde (FNRS) é uma instância organizativa e de articulação política dos residentes em saúde do Brasil na luta em defesa dos programas de pós-graduação lato sensu , na modalidade de ensino em serviço, que articula os setores da educação e da saúde, em consonância com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Caracteriza-se como um espaço de encontro de trabalhadores da saúde em formação que possibilita compartilhar experiências, discutir ideários, propor ações em defesa de um SUS público (estatal), gratuito e socialmente referenciado. Organiza-se e atua de forma aberta e descentralizada, por meio dos Coletivos Estaduais, Regionais, Locais e participações individuais.

 

As Residências Multiprofissionais e em Área Profissional da Saúde foram criadas a partir da promulgação da Lei N° 11.129/2005, e são orientadas pelos princípios e diretrizes do SUS, a partir das necessidades e realidades locais e regionais, considerando e incluindo suas especificidades. Segundo a Portaria Interministerial MEC/MS Nº 16/2014, podem ser incluídos nos Programas de Residência Multiprofissional em Saúde (PRMS) os egressos das seguintes graduações: Biomedicina, Ciências Biológicas, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social, Terapia Ocupacional, Saúde Coletiva e Física Médica. Desta forma, tais programas apostam num modelo de trabalho em saúde pautado na multiprofissionalidade e interdisciplinaridade, composto por todas as categorias profissionais, incluindo a médica — mesmo que esta esteja apartada das demais residências por força de Lei —, em contraposição ao paradigma da saúde médico-centrada.

 

Para tanto, a Portaria Interministerial N°1.077/2009 instituiu a Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS), coordenada conjuntamente pelo Ministério da Saúde (MS), Ministério da Educação (MEC) e representantes dos segmentos que constroem as Residências, tendo como principais atribuições: avaliar e acreditar os PRMS e Residência em Área Profissional da Saúde, visando atender às necessidades socioepidemiológicas da população brasileira; credenciar os programas, bem como as instituições habilitadas para oferecê-los. Sendo assim um importante canal de diálogo e participação democrática para construção coletiva dos Programas de Residência. Vale lembrar que, atualmente, a CNRMS encontra-se inativa, restringindo o principal acesso a reivindicação de direitos dos residentes de todo o país. E, mesmo inativa, tem publicado editais e bolsas irregularmente!

A maioria das bolsas-salário concedidas aos residentes (médicos, multiprofissionais e uniprofissionais) são financiadas pelo MS, cujo valor definido pelo Governo Federal, através da Portaria Interministerial MEC/MS Nº 3/2016, foi de R$ 3.330,43 (três mil trezentos e trinta reais e quarenta e três centavos). Os residentes são considerados pelo INSS como contribuintes individuais, sendo retido na fonte, até então, 11% do valor da bolsa a título de contribuição previdenciária compulsória.

Assim, com a nova Portaria do Ministério da Economia (Nº 914/2020), que atualiza as faixas de cálculo e alíquotas incorporando as novas regras da Reforma da Previdência Social, o recolhimento previdenciário sobre as bolsas dos residentes passará de 11% para 14%. Vale ressaltar que tais bolsas já se encontram defasadas pela inflação acumulada desde março de 2016 (cerca de 15%). Isso tudo tratando-se de uma carga horária de trabalho de 60 horas semanais — muito acima do permitido pela CLT, por exemplo —, em regime de dedicação exclusiva, divididas entre atividades acadêmicas teóricas e práticas. Ademais, via de regra, os residentes não contam com nenhum tipo de benefício extra como o vale alimentação ou transporte, por exemplo.

O FNRS entende que, na conjuntura atual de desmonte dos direitos e seguridade social, o aumento da cobrança do INSS é um ataque ao conjunto da classe trabalhadora: fazendo com que o brasileiro trabalhe por mais tempo, contribua mais e receba um benefício menor! Portanto, somamos à luta das trabalhadoras e trabalhadores do Brasil contra a reforma previdenciária.

Nesse sentido, o Fórum Nacional de Residentes em Saúde, conforme deliberado em Assembleia com mais de 250 residentes de todo país no dia 10 de Fevereiro de 2020, vem por meio desta carta manifestar nosso apoio a um Dia Nacional de Mobilizações e Paralisações no dia 03 de Março , reivindicando dentre outra pautas: reajuste da bolsa-salário; redução e requalificação da carga horária sem redução da bolsa-salário; retomada imediata da CNRMS; retomada da realização dos Seminários Nacionais e Regionais; criação da Política Nacional de Residências em Saúde, de forma descentralizada e participativa.

Além disso, frente às recentes movimentações pela desvinculação, quebra da isonomia entre as residências médicas e as multi e uniprofissionais, o FNRS se posiciona contrário a tal proposta. A isonomia entre esses Programas e categorias profissionais é um marco importante para a construção de um cuidado em saúde multiprofissional e interdisciplinar, conforme os preceitos do Sistema Único de Saúde.

Assim, através deste informe, buscamos o apoio do conjunto de atores das Residências em Saúde, dos Conselhos de Categoria Profissional, sindicatos, COREMUs e demais trabalhadores da saúde para o fortalecimento e valorização das Residências em Saúde. Além disso, solidarizamo-nos com todas as brasileiras e brasileiros que lutam por melhores condições de renda e trabalho.

#ReajustedeBolsaJá #GreveGeralResidentesEmSaúde #ParalisaçãoGeral3demarço #VoltaCNRMS!

FÓRUM NACIONAL DE RESIDÊNCIAS EM SAÚDE

14 de fevereiro de 2020

CRP-PR lança Nota Orientativa sobre interrupção voluntária da gravidez em evento em Curitiba

Aos 40 anos, quase uma em cada cinco mulheres realizou um aborto, segundo dados da Pesquisa Nacional do Aborto, elaborada por Débora Diniz, Marcelo Medeiros e Alberto Madeiro, três dos mais importantes pesquisadores do tema. Se esse é um número de mulheres que chegaram a interromper a gravidez, certamente o volume de pessoas que pensaram sobre o assunto é imensamente maior, o que indica que muito provavelmente a(o) profissional de Psicologia irá se deparar com essa questão durante a carreira nas mais diversas áreas de atuação, mas, sobretudo, aquelas(es) que atuam na área clínica e de saúde pública.

 

Nesse contexto, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná elaborou uma nota técnica de orientação para atuação dos profissionais no tema e irá lançar o documento durante o evento “Minha paciente fez/quer fazer um aborto. E agora?”. O evento trará informações sobre como devem se posicionar as(os) Psicólogas(os), bioética e ética profissional nesse contexto, sigilo profissional e objeção da consciência e acolhimento e clínica psicológica no contexto hospitalar, além de um espaço destinado ao debate.

 

Acesse a Nota Técnica CRP-PR 004/2018 na íntegra.

 

Confirma as informações e programação do evento:

Data: 29/03/2019

Horário: 19h

Local: Sede CRP-PR (Av. São José, 699, Cristo Rei)

Investimento:  As inscrições são gratuitas e serão realizadas no dia e local do evento. 

 

Programação:

19h – Abertura

19h15 – Mesa-redonda: “Minha paciente fez/quer fazer um aborto. E agora?”

  • Direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, o aborto legal e o aborto ilegal: como a Psicologia deve se posicionar? – Psic. Fernanda Rafaela Cabral Bonato – colaboradora da Comissão de Direitos Humanos do CRP-PR e membro do DIVERGES (Núcleo de Diversidade de Gênero e Sexualidades) do CRP-PR.
  • Interrupção voluntária da gravidez e Psicologia: bioética e ética profissional no contexto da NT CRP-08 n° 004/2018  – Psic. Deisy Maria Rodrigues Joppert (CRP-08/01803) – conselheira do CRP-PR e Presidente da Comissão de Ética
  • Sigilo profissional e objeção de consciência no contexto do atendimento clínico de mulheres que desejam ou realizaram abortos – Psic. Elisandra Mirandola Krause (CRP-PR 08/10853)
  • Acolhimento e clínica psicológica à mulher que aborta no contexto da Psicologia Hospitalar – Psic. Giovana Cristina Angioletti (CRP 08/09620), coordenadora da Comissão de Psicologia Hospitalar

20h45 – Debate

21h15 – Encerramento

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