Psicologia Clínica

Reflexões sobre atendimento psicológico em situações de crise no contexto da pandemia

Diante da pandemia da COVID-19 e necessidade de isolamento social muitas(os) Psicólogas(os) têm se deparado com questionamentos referente à continuidade do atendimento clínico a pacientes/clientes em crise. Sejam situações referentes a demandas de atendimento devido a transtornos mentais, sejam situações referentes ao agravamento de quadros de saúde mental devido ao atual contexto.

 

A crise pode ser compreendida como um momento de sofrimento muito intenso, no qual há uma desestruturação da vida psíquica e social da pessoa. Em geral, as crises são caracterizadas por distúrbios do pensamento, emoções e comportamentos.

Visando a contribuir com as(os) Psicólogas(os) que se deparem com essas dificuldades no contexto do atendimento clínico, a Comissão de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) busca proporcionar algumas reflexões:

Modalidades de atendimento

Atendimento online 

 

Muitas(os) Psicólogas(os) da área clínica que atuavam com atendimentos presenciais estão migrando para a modalidade de atendimento online (Resoluções CFP 011/2018 e CFP 004/2020) durante o período de distanciamento social, imposto pela pandemia da COVID-19. Nos casos de pacientes em crise é preciso que a(o) profissional avalie as condições para a realização dessa modalidade de atendimento, dentre elas: 

Condições da(o) Psicóloga(o):

  • Estar capacitada(o) para atender a demanda, de acordo com o Código de Ética Profissional;
  • Analise/fundamentação técnica da viabilidade do atendimento ser feito à distância;
  • Disponibilidade de recursos tecnológicos adequados à prestação de serviço: acesso à internet, computador, tablet, celular.
  • Cadastro na plataforma e-psi (hiper link para plataforma);
  • Conhecimento de plataformas/aplicativos adequados para o atendimento online. É importante verificar as condições de sigilo e criptografia do recurso utilizado para o atendimento.
  • Condições ambientais adequadas: a(o) profissional precisa avaliar se dispõe de local adequado para a prestação de serviço online, onde possa garantir o sigilo do atendimento (conforme art. 9º do Código de Ética) e se dedicar exclusivamente a essa tarefa durante o período de atendimento. Recomenda-se a utilização de fones de ouvido e estar em local privado, sem circulação ou acesso de outras pessoas, sejam elas conhecidas, familiares ou não.

As condições citadas acima são essenciais para a execução do trabalho. É necessário especial atenção ao contexto do atendimento a situações de crise, considerando que podem interferir diretamente no atendimento e, até mesmo, agravar o quadro.

Condições da(o) paciente/cliente: 

  • Disponibilidade de recursos tecnológicos adequados ao acesso ao atendimento online: acesso à internet, computador, tablet, celular.
  • Habilidade para acessar as plataformas/aplicativos para acesso ao atendimento on-line escolhidas/disponibilizadas pela(o) Psicóloga(o).
  • Condições ambientais adequadas: local para acesso ao serviço online, considerando aqui que a manutenção do sigilo também depende da(o) paciente/cliente. Recomenda-se a utilização de fones de ouvido.
  • Nas situações de atendimento online a pacientes em crise, a(o) profissional de Psicologia deverá avaliar as suas próprias condições para oferecer esse serviço, bem como as condições da(o) paciente/cliente, além de questões técnicas específicas de cada caso, que podem ser discutidas em supervisão técnica.

Atendimento domiciliar 

 

Para a realização de atendimento na modalidade domiciliar a(o) Psicóloga(o) deve considerar as orientações sanitárias, tanto no que se refere ao deslocamento até a residência da(o) paciente/cliente, quanto à assepsia, utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) como máscaras e distanciamento físico entre as pessoas.

 

Outro ponto a ser destacado é novamente o ambiente onde o atendimento ocorrerá, que deve apresentar tanto as condições necessárias à manutenção do sigilo profissional, quanto condições de atendimento às recomendações sanitárias.

 

Também se ressalta a importância de que Psicólogas(os) avaliem se estão capacitados para atender nesta modalidade, pois requer manejo técnico específico. É importante ainda que profissionais de Psicologia reflitam acerca do vínculo com pacientes/clientes neste contexto e estabeleçam uma delimitação dos objetivos, acordos e características do trabalho realizado no ambiente domiciliar.

 

Outra avaliação preponderante está relacionada às demais pessoas presentes no ambiente no qual a(o) paciente/cliente se encontra, como a presença de familiares e/ou demais pessoas que residem ou estejam no domicílio.

 

Além disto, outro aspecto que pode interferir na possibilidade de manutenção de atendimento psicológico na modalidade presencial é o fato de a(o) Psicóloga(o) ou paciente/cliente pertencer a algum grupo considerado de risco em relação ao coronavírus.

Manutenção do atendimento presencial em consultório

 

Cabe à(ao) profissional a definição sobre a necessidade ou possibilidade de manutenção do atendimento presencial, compreendendo que, “se por um lado está autonomia constitui liberdade à(ao) profissional, por outro exige a responsabilização pelo serviço oferecido/prestado”, conforme explicita a Nota Técnica CRP-PR 005/2018.

 

Nesse caso é necessário a avaliação técnica do caso, além de observar as orientações das autoridades sanitárias e legislações locais (decretos municipais, estaduais e federais). É preciso estar atenta(o) às determinações no que se refere: ao deslocamento tanto da(o) Psicóloga(o) quanto da(o) paciente/cliente; quanto à assepsia; à utilização de EPIs e ao distanciamento físico entre as pessoas.

 

Outra condição que pode interferir na possibilidade de manutenção de atendimento psicológico na modalidade presencial é o fato de a(o) Psicóloga(o) ou paciente/cliente pertencer a algum grupo considerado de risco em relação ao coronavírus.

Encaminhamento

Nas situações em que a(o) Psicóloga(o) não consiga manter o atendimento à(ao) paciente/cliente, seja na modalidade online, domiciliar ou presencial – considerando as condições para a realização de cada modalidade de atendimento -, é seu dever realizar o encaminhamento para outra(o) profissional ou serviço que consiga realizar esse atendimento. Neste caso, cabe à(ao) Psicóloga(o) prestar informações à(ao) profissional que dará a continuidade do atendimento. Lembramos também que é obrigação da(o) profissional realizar a guarda dos registros e documentos relativos ao atendimento por, no mínimo, cinco anos.

 

É responsabilidade também da(o) profissional da Psicologia estruturar a metodologia adequada para cada situação, de acordo com a sua avaliação técnica frente a cada caso atendido. Sendo assim, o desligamento dos pacientes não deve ser pensado de forma alheia ao processo terapêutico de cada usuário atendido e manejo clínico da(o) Psicóloga(o), visto que o vínculo é uma variável importante na prestação dos atendimentos psicológicos.

Contato com demais profissionais de saúde

A(O) Psicóloga(o) poderá intensificar o contato com demais profissionais de saúde que atendam a(o) paciente/cliente neste momento. O contato entre profissionais de saúde contribui para a organização de estratégias para o atendimento e contenção da crise. Ressalta-se que, conforme o art. 6º do Código de Ética, neste contato a(o) profissional compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço prestado, resguardando o caráter confidencial das comunicações, assinalando a responsabilidade, de quem as receber, de preservar o sigilo.

Caso não existam outros profissionais de saúde acompanhando o caso, a(o) Psicóloga(o) poderá realizar encaminhamentos que julgar necessários.

Rede de apoio

A(O) Psicóloga(o) poderá avaliar e considerar novas e diferente redes de apoio diante desse novo contexto, que poderão auxiliar na contenção da crise. Entendendo que possivelmente a rotina da(o) paciente/cliente em atendimento sofreu mudanças, seja pela situação de isolamento, convívio frequente com familiares e demais pessoas no domicílio, pelo teletrabalho, pela manutenção do trabalho, entre outras alterações, a rede de apoio também pode sofrer alterações. Assim um(a) colega de trabalho ou um familiar que antes não fazia parte da rede de apoio da(o) paciente/cliente, pode agora passar a compô-la.

 

É importante que a(o) profissional pondere também a necessidade de suporte e orientação à rede de apoio, que possivelmente também está se adaptando às novas contingências. Ao manter o contato com a rede de apoio a(o) Psicóloga(o) deverá considerar o sigilo profissional, transmitindo à rede de apoio apenas as informações necessárias para o bom andamento do trabalho.

Supervisão

Estamos vivendo um momento inédito de mudanças significativas e rápidas que impactam a vida pessoal e profissional da(o) Psicóloga(o). Essa nova demanda emergencial que se apresenta à(ao) profissional pode exigir reflexões, estratégias e encaminhamentos novos, por isso salientamos a importância da supervisão técnica, especialmente nesse momento.

“Pessoas com Síndrome de Down são pessoas e não a síndrome”

Com muitos anos de experiência – primeiro como voluntária e depois como Psicóloga no ambulatório da Síndrome de Down do Hospital de Clínicas da UFRP (HC), Maria Gislene de Araújo Pessoa Gouvea (CRP-08/14158) – Gislene, como gosta de ser chamada, conta que o preconceito é o principal fator de sofrimento para as pessoas que ela atende.

A desconfiança em relação à capacidade e potencialidade das pessoas com a Síndrome aparece com vários formatos: muitas vezes é a superproteção que visa protegê-las, mas que em excesso pode limitar e prejudicar; a falta de inclusão real no mercado de trabalho – sim, em cargos que não sejam figurativos, com trabalho efetivo e mesmo com regras; a educação que seja adaptada às necessidades de desenvolvimento singulares, mas que não as afaste da convivência e brincadeira normais da infância; e a falta de compreensão com a vivência do afeto e da sexualidade como naturais em cada fase da vida, como ocorre com qualquer outra pessoa, são exemplos de experiências que podem ser dolorosas ou dificultar o desenvolvimento.

A Psicóloga Gislene e sua filha Karina.

Neste dia Dia Internacional de Síndrome de Down, lembrado em 21 de março, o CRP-PR conversou com a Psicóloga sobre diversas questões que afetam seu trabalho:

 

CRP-PR – Como você começou a trabalhar com pessoas com Síndrome de Down?

Gislene – Para falar sobre essa temática, vou contar um pouco da minha experiência pessoal, o que me levou a fazer Psicologia para poder entender mais desse universo. Eu tenho uma filha de quarenta anos com Síndrome de Down. Há quatro décadas não se sabia absolutamente nada sobre a Síndrome. Eram chamados “mongoloides” e afastados da sociedade.

 

Foi assim que um médico me deu a notícia, aos 19 anos, quando fui mãe. Ela nasceu com os pezinhos para dentro e eu a levei a um ortopedista para o uso de bota engessada. Ele olhou pra mim e falou: “Você sabe que sua filha é mongoloide?”. Eu nunca tinha escutado nem o termo. “Se eu fosse você, eu a deixava aqui para adoção porque ela vai vegetar. Ela não vai fazer nada. Ela não vai andar, não vai falar”. Saí de lá desesperada, chorando, porque, pra mim, era meu bebê que estava nascendo e que estava nos meus braços. Minha primeira filha e eu estava sozinha, porque meu marido estava trabalhando em Curitiba. Depois que passou aquela revolta de um médico ter me falado isso, procurei um outro profissional em São Paulo e esse foi categórico: “Não, ela não tem nada. Sua filha é absolutamente normal. Ela só tem os pezinhos tortinhos que precisam tratar com bota engessada, talvez uma cirurgia e vai resolver”.

 

No entanto, eu tinha dois sobrinhos e acompanhei a evolução deles, então com o passar do tempo eu percebia que minha filha, Karina era muito molinha, ela não parava a cabeça. Ela não estava se desenvolvendo no mesmo ritmo que eu estava acostumada. Quando voltei para Curitiba, ela tinha cinco meses e fui procurar aqui atendimento no HC. Lá, eu encontrei profissionais maravilhosos e que realizaram a investigação do caso. Apesar de hoje sabermos que o diagnóstico é clínico, naquela época não era tão simples assim. Foi só aos três anos e meio que eu soube, definitivamente, que a Karina tinha Síndrome de Down. Quando ela já tinha 25 anos, minha sobrinha e meu filho Felipe começaram fazer cursinho para prestarem vestibular, me convidaram e eu aceitei o desafio. Eu não havia ainda tido a oportunidade de fazer faculdade e, com essa convivência no Associação Reviver Down, onde eu já atuava como voluntária, tive muita vontade de fazer Psicologia. Ingressei no curso já com o propósito de trabalhar com pessoas com necessidades especiais.

 

CRP-PR – Deve ter sido bastante difícil…

Gislene – Foi. Só aos três anos e meio que eu tive o diagnóstico e precisei lidar com esse atraso. Afinal, ela já havia perdido toda essa primeira fase da primeira infância que, para qualquer criança, sendo neurotípica ou não, é o melhor momento para aprendizado, para a estimulação. O que nos auxiliou foi que tive outro filho, com um ano e dois meses de diferença, e a Karina evoluiu com ele, aprendeu a andar e saiu das fraldas com ele, começou a falar e andou de bicicleta acompanhando o irmão. A única coisa boa do diagnóstico tardio é que a Karina teve exatamente o mesmo tratamento que o Thiago, nunca a tratei como diferente, quando ela estava com cinco anos veio o Felipe, que também contribuiu muito com o desenvolvimento dela. Os médicos do HC sempre me orientaram: o melhor, para qualquer criança, é estimular. “Coloca móbile, dá papel barulhento para ela pegar, bichinhos de pelúcia de várias texturas, coloca ela no chão e deixa ela ir buscar”. E foi esse processo que eu fiz e minha filha teve muitos ganhos por causa disso. Hoje em dia, sabemos que é isso o necessário e orientamos os pais a fazerem quando os bebês nascem: estimulação precoce.

 

CRP-PR – Como foi o desenvolvimento e período escolar para vocês?

Gislene – Como toda criança daquela época, a Karina teve algumas dificuldades. Ela nunca foi para uma escola especial, sempre esteve em escola regular, participando de uma “sala especial”. No recreio, ela ficava com os irmãos. Eu percebi depois que, no caso da Síndrome de Down, as escolas especiais podem tirar, segregar e até dificultar alguns aspectos em função da ausência de convivência social com a diversidade. Isso é importante porque eles aprendem por imitação, pela convivência, com a busca por se comunicar para falar com o amiguinho, então eles vão ter mais um esforço quando eles estão no ensino regular.

 

CRP-PR – Esse afastamento também não favorece a compreensão pelas demais pessoas…

Gislene – A questão é não rotular nosso filho, não é porque ele tem Síndrome de Down que vou tratar ele como uma Síndrome. São filhos, não são uma síndrome. É preciso se afastar da síndrome, apesar de ela estar presente na aparência, diante dos nossos olhos, mas é preciso ir além. E, hoje em dia, a gente bate muito nesse ponto, sobretudo com os pais: “Não, eles não podem tudo. Eles precisam de limites”. Eles não são tão especiais assim, ou melhor, são crianças, jovens, pessoas adultas e idosos tão especiais quanto qualquer outra pessoa. Têm os ciclos de vida e seus momentos específicos, como todos nós e, nesse ciclo, a gente tem que respeitar e vê-los como realmente são.

 

O que estudei durante a graduação me fez perceber que algumas dificuldades que minha filha teve não foram em função da Síndrome e sim por deficiências minhas. Por exemplo: o fato de ir e vir sozinha. Como eu ficava sempre muito preocupada sobre ela pegar ônibus sozinha, ir aos lugares. Por isso a Karina por muito tempo, tinha medo de entrar em um ônibus e eu só a levava para os lugares de carro. Nós não a treinamos para ter essa autonomia. Por outro lado, ela é totalmente autônoma, em ficar em casa e fazer as coisas dela e ela também sempre trabalhou fora, no início em empresas da família e depois em outras agências e até mesmo em multinacionais.

 

Neste aspecto, uma dificuldade que ela teve foi a falta de regras em uma das empresas que trabalhou. Ela podia tudo no início, sem ter as regras explicadas e sem ter uma rotina estabelecida. Só que, com o tempo, a equipe já não conseguia lidar com essa questão e ela passou a entender que algo havia mudado e que as pessoas “não gostavam mais dela”. Hoje, quando eu faço a integração de pessoas que acompanho em empresas, sempre explico que as regras e a rotina devem ser as mesmas que as aplicadas aos outros profissionais. Há, obviamente, adaptações necessárias ao trabalho, mas as regras são regras.

 

CRP-PR – Há uma compreensão equivocada de que haveria níveis de Síndrome de Down?

Gislene – Sim, mas isso não é verdade. Há tipos diferentes de trissomia: simples (ou livre), translocação e mosaico. Mas isso não significa um nível, como se alguém tivesse menos ou mais Síndrome de Down. Uma pessoa com Síndrome de Down a tem, ponto. Embora possamos ter desenvolvimentos diferentes em função da estimulação e da socialização e de não deixar que elas sejam isoladas ou acomodadas. Importante mesmo é não as tratar como uma síndrome, mas como pessoa. E uma pessoa que se desenvolve, necessita de estímulos e investimentos durante toda a vida.

 

CRP-PR – O adulto, em geral, passa por uma queda no investimento e na estimulação?

Gislene – Muito. No adolescente já há uma queda no investimento e nesse caso o que acontece? Aquele adolescente não sabe porque está tendo transformações no corpo e nem o que está acontecendo com ele. Como ele não compreende, é provável que tenha comportamentos inadequados em público, porque não se fala sobre isso. E essa é uma fase na qual eles têm muitas dúvidas. “O que eu posso? Eu só posso beijar? Ou eu posso fazer mais alguma coisa? E o que eu posso fazer?” Estão cheios de dúvidas. Muitas vezes, essas dúvidas chegam um pouco mais tarde, lá pelos 15, 16 anos. Mas essa hora chega e é preciso conversar sobre os temas, como ocorreria – ou deveria ocorrer – com qualquer outro adolescente.

 

CRP-PR – As pessoas com Síndrome de Down vão ter uma percepção mais tardia da sexualidade?

Gislene – Um pouco mais tardia, mas vão ter. Você percebe nitidamente quando eles passam daquela fase de criança para essa fase adolescente. Depois, você também percebe quando eles passam da fase da adolescência para a fase adulta, que é quando eles querem se colocar mais. Aí eles começam a questionar e aí começa também a dificuldade em deixá-los crescer. Eles querem falar sobre sexo e sobre desejo e algumas famílias dizem “ah, não, ela é só uma criança”. No geral, o trabalho é apresentar aos familiares que se você está trabalhando a questão da autonomia, do que ela quer, o que ela sente, isso perpassa todas as áreas da vida. Efetivamente, essa pessoa não é uma criança. É uma mulher ou um homem adulto com Síndrome de Down e quem tem desejos, vontades, questionamentos interiores e ela(e) quer falar sobre isso. E cabe a nós ouvi-los. Dentro dos limites éticos e técnicos da profissão, obviamente, mas cabe ouvir e acolher esses assuntos.

 

E não só sobre isso. Eles questionam a própria condição: “Por que eu tenho a Síndrome de Down? E se eu não tivesse? Como seria? Eu gostaria de não ter?”. O que trabalhamos geralmente na clínica é o que eles imaginam que seria diferente se não tivessem. E a resposta é que eles não conseguem se ver sem a síndrome. Ela faz parte de quem eles são. No geral, eles passam a responder a quem pergunta: “Eu tenho a Síndrome de Down, mas não é uma doença. É minha condição genética. Eu posso trabalhar, fazer as coisas, tenho meu tempo, mas vou aprender. Vou fazer”.

 

Isso também não é romantizar. Pessoas com Síndrome de Down têm uma desorganização neurofisiológica que afeta a cognição, a linguagem, a regulação das emoções e da memória a longo prazo, por exemplo. E essa desorganização que eles têm, por mais que a gente faça estimulação, dê medicamento (tem gente procurando “cura” para a Síndrome de Down), dê suplemento (em fase experimental e ainda sem qualquer indício comprovado de eficiência), por mais que você faça isso, essa desorganização permanece e essa pessoa nunca vai ter uma percepção como uma pessoa neurotípica. Ela vai ter autonomia sim, mas com apoio em algumas situações como, por exemplo, a venda de bens. Por isso é tão importante a estimulação e o treinamento para a autonomia, possibilitando que eles tenham regras e responsabilidades. Adaptar é diferente de privar a pessoa de desenvolver suas potencialidades, ainda que com mais dificuldade.

 

Também é discriminação não aproveitar a potencialidade. Na escola, por exemplo, não é necessário que, na aula de educação física, o professor deixe a pessoa com Síndrome de Down fazendo o movimento errado. No geral, o que os pacientes dizem é “eu quero aprender o certo. Não quero aprender o errado porque tenho Síndrome de Down”. Então a gente sabe que existe, ainda, esse tipo de mentalidade: “deixa ele lá, deixa ele fazer qualquer coisa de qualquer jeito”. E não é isso que eles querem ou precisam.

CRP-PR lança Nota Orientativa sobre interrupção voluntária da gravidez em evento em Curitiba

Aos 40 anos, quase uma em cada cinco mulheres realizou um aborto, segundo dados da Pesquisa Nacional do Aborto, elaborada por Débora Diniz, Marcelo Medeiros e Alberto Madeiro, três dos mais importantes pesquisadores do tema. Se esse é um número de mulheres que chegaram a interromper a gravidez, certamente o volume de pessoas que pensaram sobre o assunto é imensamente maior, o que indica que muito provavelmente a(o) profissional de Psicologia irá se deparar com essa questão durante a carreira nas mais diversas áreas de atuação, mas, sobretudo, aquelas(es) que atuam na área clínica e de saúde pública.

 

Nesse contexto, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná elaborou uma nota técnica de orientação para atuação dos profissionais no tema e irá lançar o documento durante o evento “Minha paciente fez/quer fazer um aborto. E agora?”. O evento trará informações sobre como devem se posicionar as(os) Psicólogas(os), bioética e ética profissional nesse contexto, sigilo profissional e objeção da consciência e acolhimento e clínica psicológica no contexto hospitalar, além de um espaço destinado ao debate.

 

Acesse a Nota Técnica CRP-PR 004/2018 na íntegra.

 

Confirma as informações e programação do evento:

Data: 29/03/2019

Horário: 19h

Local: Sede CRP-PR (Av. São José, 699, Cristo Rei)

Investimento:  As inscrições são gratuitas e serão realizadas no dia e local do evento. 

 

Programação:

19h – Abertura

19h15 – Mesa-redonda: “Minha paciente fez/quer fazer um aborto. E agora?”

  • Direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, o aborto legal e o aborto ilegal: como a Psicologia deve se posicionar? – Psic. Fernanda Rafaela Cabral Bonato – colaboradora da Comissão de Direitos Humanos do CRP-PR e membro do DIVERGES (Núcleo de Diversidade de Gênero e Sexualidades) do CRP-PR.
  • Interrupção voluntária da gravidez e Psicologia: bioética e ética profissional no contexto da NT CRP-08 n° 004/2018  – Psic. Deisy Maria Rodrigues Joppert (CRP-08/01803) – conselheira do CRP-PR e Presidente da Comissão de Ética
  • Sigilo profissional e objeção de consciência no contexto do atendimento clínico de mulheres que desejam ou realizaram abortos – Psic. Elisandra Mirandola Krause (CRP-PR 08/10853)
  • Acolhimento e clínica psicológica à mulher que aborta no contexto da Psicologia Hospitalar – Psic. Giovana Cristina Angioletti (CRP 08/09620), coordenadora da Comissão de Psicologia Hospitalar

20h45 – Debate

21h15 – Encerramento

XVI EPP e II CIPTF | Análise de contos de fada na Psicologia Analítica será tema de minicurso

O XVI Encontro Paranaense de Psicologia (EPP) e o II Congresso Internacional de Psicologia da Tríplice Fronteira (CIPTF) acontecerão na cidade de Foz do Iguaçu, durante os dias 22 e 25 de agosto. Entre as atividades que tratam das diversas áreas de atuação da Psicologia, o Instituto Junguiano do Paraná realizará a mesa-redonda “Um olhar analítico para o fracasso e as diferenças”, no dia 24, e um minicurso, entre os dias 23 e 25.

O minicurso tem como tema a análise simbólica dos contos de fada através da perspectiva junguiana, e será conduzido pela Psicóloga e candidata a membro do Instituto, Rafaela Boiczuk de Toledo (CRP-08/14632). De acordo com ela, a análise de contos de fada é uma técnica rica e complexa que lida com o inconsciente coletivo.

O conteúdo dos contos trabalha com questões que continuam existindo mesmo com o passar do tempo. Rafaela explica que o conto de fada pode dizer muito a respeito daquele que lê e interpreta a história, o que é benéfico para a construção de um diálogo interno. As imagens, sejam visuais ou psíquicas, podem refletir o que o individuo está passando em sua vida, e assim, amplificar a consciência daquilo que ele sente e traz para a terapia.

O minicurso não irá apenas transmitir aspectos fundamentais da teoria junguiana na análise de contos, mas também pretende estimular um espaço de discussão e criação. Serão analisados contos brasileiros e da região sul, e cada participante poderá fazer paralelos dentro de suas abordagens e áreas de atuação.

Serviço

XVI Encontro Paranaense de Psicologia (EPP) e o II Congresso Internacional de Psicologia da Tríplice Fronteira (CIPTF)

Quando: 22 a 25 de agosto

Local: Rafain Palace Hotel & Convention Center (Av. Olímpio Rafagnin, 2357, Parque Imperatriz, Foz do Iguaçu)

XVI EPP e II CIPTF | Terapia Relacional Sistêmica e equilíbrio entre vida profissional e pessoal serão temas de atividades

O XVI Encontro Paranaense de Psicologia (EPP) e o II Congresso Internacional de Psicologia da Tríplice Fronteira (CIPTF) acontecerão entre os dias 22 e 25 de agosto deste ano na cidade de Foz do Iguaçu. Os eventos contam com uma programação diversificada sobre as teorias e práticas na Psicologia. Entre os temas a serem discutidos, a terapia de família e de casal estará presente em um minicurso e em uma oficina.

No minicurso “Terapia de família e de casal na Terapia Relacional Sistêmica”, a Psicóloga Solange Maria Rosset (CRP-08/00204) apresentará o histórico e a teoria da abordagem, além de trazer exemplos e as posturas específicas no atendimento clínico.

O tema será aprofundado na oficina vivencial “Famílias e casais – desafios para o terapeuta”. Os participantes serão convidados a pensar quais questões precisam ser trabalhadas em si mesmos para aprimorar suas práticas enquanto terapeutas. Solange explica que “quanto mais consciência eu tenho com as minhas questões de origem, mais hábil serei como terapeuta, e melhor enxergarei as aprendizagens necessárias de cada família ou casal em terapia”. Ela complementa que é importante combinar o trabalho pessoal com a bagagem técnica.

Na Terapia Relacional Sistêmica, os padrões de funcionamento acontecem em três pilares: consciência, aprendizagem e mudança. Segundo a Psicóloga, esse processo aplicado na terapia deve ser o mesmo realizado pelo próprio terapeuta com as suas questões. Para Solange, se há consciência, terapia, supervisão e formação da(o) profissional, mais preparado ele estará para atuar.

A Psicóloga afirma que, frente às novas configurações e situações familiares, as(os) terapeutas são colocadas(os) em cheque sobre os seus valores e seus próprios assuntos familiares. Por isso, ela enfatiza a necessidade de a(o) profissional se livrar de preconceitos e dificuldades pessoais com os temas de seus pacientes.

Palestra

Solange também apresentará uma palestra no dia 23 de agosto, aberta à comunidade, sobre o “Equilíbrio entre profissional, pessoal e familiar”. Ela irá propor uma reflexão sobre como é possível integrar essas áreas da vida, de maneira a encontrar um equilíbrio e aprimorar uma área a partir da outra.

XVI Encontro Paranaense de Psicologia (EPP) e o II Congresso Internacional de Psicologia da Tríplice Fronteira (CIPTF)

Quando: 22 a 25 de agosto

Local: Rafain Palace Hotel & Convention Center (Av. Olímpio Rafagnin, 2357, Parque Imperatriz, Foz do Iguaçu)

CRP-PR constitui Comissão de Psicologia Clínica em Ponta Grossa

Para fortalecer a Psicologia Clínica na sociedade dos Campos Gerais e integrar as(os) profissionais, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) passa a contar com uma nova Comissão de Psicologia Clínica na região.

Segundo a Psicóloga Fernanda Lopes (CRP-08/22254), que assumirá a coordenação do grupo, o objetivo é trabalhar de forma coletiva e integrada com as demais áreas de atuação. “Ainda vemos um preconceito muito grande em relação à Psicologia, de que é algo para pessoas com alguma condição psiquiátrica. Mas, a Psicologia ajuda a formar melhores seres humanos como um todo, e nosso objetivo é trabalhar unidos para promover um conceito de clínica ampliada, que vai além do consultório”, explicou. “Há muita competitividade entre os profissionais, mas, se trabalharmos juntos, trabalhamos melhor. Há espaço para todos.”

Cronograma de atividades

Além de Fernanda, compõem a Comissão as Psicólogas Andressa Furquim de Souza (CRP-08/14268) e Anna Maria Crivoi (CRP-08/22323). Para atingir os dois objetivos centrais, o grupo planeja atuar por meio de palestras, workshops e representações nos conselhos municipais, além de contribuir com a mídia – levando conhecimentos para a sociedade. Você também pode participar. Envie um e-mail para comissoes08@crppr.org.br e conheça o cronograma de reuniões de 2018!

Rolar para cima