migrações

Construir a paz exige compromisso e participação de todas e todos

O dia 21 de setembro é considerado o dia da Paz. A data foi instituída em Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas – ONU em 1981, com o objetivo de promover o cessar fogo em áreas de guerra e incentivar a não-violência. O tema escolhido pela ONU para marcar esta data em 2020 é “Definindo o futuro juntas(os)”, a fim de se ressaltar a necessidade do envolvimento de todas(os) para a promoção da paz.

 

Para o Conselho Regional de Psicologia do Paraná – CRP-PR, por meio do Núcleo de Psicologia e Migrações – NUPSIM, esta é uma oportunidade para lembrar da importância do entendimento mútuo entre as nações e pessoas. Por conta de conflitos armados, diversas pessoas em todo o mundo são obrigadas a se deslocarem. No último relatório da Agência da ONU para Refugiados – Acnur (2019), 1% de toda população mundial (79,5 milhões de pessoas) está deslocada de seus lugares de nascimento, e entre os países de origem com maior número de refugiadas(os) estão regiões de conflito, como Síria e Afeganistão.

Além da letalidade provocada pelo uso de armas, da pauperização provocada pelas guerras, os conflitos também geram grandes tensões para as populações, tornando-se um agravo potencial à saúde de todas(os). Sendo assim, existem milhões de pessoas migrantes, refugiadas e apátridas que buscam reconstruir suas vidas sob alicerces de respeito, segurança e dignidade. Tais alicerces são fundamentais para a reprodução da vida dos sujeitos e coletividades. Identificar-se como parte de uma cultura e de um território é um fator de extrema importância para se viver de forma plena e saudável.

Por isso, a paz global é um assunto urgente e uma aspiração profunda em acabar com os conflitos globais em todas suas formas, através da luta por justiça e união na defesa dos direitos humanos. Nas palavras de António Guterres, secretário-geral da ONU, é preciso “construir pontes, combater discriminação, lutar por justiça e direitos humanos para todos, fazer com que as pessoas se respeitem e vejam suas identidades respeitadas, mas, ao mesmo tempo, sintam que pertencem a uma comunidade maior onde estão integradas”.

Acreditar na possibilidade de paz é o primeiro caminho para obtê-la. E, ainda segundo Guterres, “alcançar a paz é mais do que depor as armas”, porque “a paz verdadeira exige defender os direitos humanos de todas as pessoas do mundo”.

CRP-PR produz material informativo em seis idiomas sobre saúde mental para crianças em parceria com o programa Português Brasileiro para Migração Humanitária

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), em parceira com o programa Português Brasileiro para Migração Humanitária (PBMIH), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), elaborou materiais que têm como objetivo levar informações para populações migrantes sobre saúde mental para crianças.

 

Segundo relatório da Acnur (Agência das Nações Unidas para Refugiados) o ano passado atingiu um número recorde no número de refugiados — estimado em 79.5 milhões. Pensando neste contexto, o NUPSIM escreveu um texto explicitando as questões referentes a população migrante que devem ser levadas em conta no contexto da Covid-19

Acolhimento psicológico no Paraná

Se você está no Paraná e deseja acessar um serviço de acolhimento psicológico, pode procurar:

 

Conversa Solidária (PUCPR): aldeiasolidaria.wixsite.com/pucpr/conversa-solidaria – parte do Grupo de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos, Saúde Mental e Políticas Públicas da universidade, o projeto oferece acolhimento psicológico para a comunidade em português e espanhol.

 

Migração e Processos de Subjetivação (UFPR): facebook.com/move.ufpr – conhecido como Movimentos Migratórios e Psicologia, o projeto oferece atendimento clínico e psicossocial remoto para migrantes, estando vinculado à UFPR e à Cátedra Sérgio Vieira da ONU/ACNUR.

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25 de julho – Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha

O dia 25 de julho marca o dia Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Para celebrar a data a Comissão Étnico-Racial e o Núcleo de Psicologia e Migrações (NUPSIM) do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) lançam, hoje, a série “Mulheres Negras e Psicólogas” que tem como objetivo trazer depoimentos de Profissionais negras da Psicologia. 

 

Para a data também, a Comissão Étnico-Racial elaborou o artigo “A pele que habitamos!”. Confira abaixo os materiais:

A pele que habitamos!

Artigo da Comissão Étnico-Racial do Conselho Regional de Psicologia do Paraná

Atualmente a população negra corresponde a 54% da população do Brasil e 24,5% da população do estado do Paraná é negra. Esse fato torna o Paraná o estado com a maior população negra da região Sul do país. Essa porcentagem reflete também na quantidade de mulheres, e sobretudo mulheres negras, suas vivências, lutas e conquistas ao longo da história. Ter uma data de reconhecimento, que memorize a vida de um povo é dar significado, é valorar, tornar visível historicamente a existência de uma população e humanizar suas trajetórias.

 

A identidade de um povo, o direito à memória está no campo da justiça, pois através do resgate memorial pode se reconhecer e compreender as ações do futuro. Trazer à visibilidade o debate sobre a memória da mulher negra no estado do Paraná implica romper com a hegemonia e desvelar o silenciamento que impera no estado mediante os esforços do Movimento Paranista para a manutenção do ideário de uma região branca europeia, como aponta Wilson Martins (1989) em Um Brasil diferente. A narrativa de mulheres negras na construção desse país, preservada na memória coletiva, revela a ancestralidade, segundo Conceição Evaristo, que se projeta no presente e prepara o futuro. Michael Pollak (1992) aponta que a memória coletiva é em parte herdada, e não se refere apenas à vida física da pessoa, a memória remete tanto aos mecanismos de acumulação vinculando-se às formas de conservação, atualização e reconhecimento de uma lembrança, quanto aos processos de compartilhamento de representações sociais.

 

Em 1992, um grupo de mulheres realizou o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingos, na República Dominicana, com o objetivo de realizar um debate internacional sobre a situação das mulheres negras na América Latina. Foi a partir desse encontro que nasceu a Rede de mulheres Afro-Latino-americanas e Afro-Caribenhas. Com isso, o dia 25 de julho passou a ser conhecido como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha – um marco internacional da luta e da resistência da mulher negra, que a coloca no centro de sua história. E no Brasil, a data começa a criar forma após a Lei nº 12.987/2014, que foi sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza de Benguela foi uma importante liderança quilombola, que viveu durante o século XVIII. Sua história narra a saga de muitas mulheres negras que perderam seus companheiros e tornaram-se protagonistas na liderança de suas comunidades, suas famílias resistindo, juntamente com as populações indígenas a escravidão.

Compreender os aspectos sociais que envolvem a mulher negra, latino-americana e caribenha, submetida aos aspectos do racismo estrutural engendrados ao cisheteropatriarcado, classismo e outros desdobramentos coloniais possibilita entender a complexidade das desigualdades, os efeitos do sofrimento histórico reatualizados pela singularidade de cada vivência e também as potencialidades e legados, dessas mulheres. Esse processo é fundamental para pensar e repensar a forma do fazer a Psicologia, o setting e os demais espaços de atenção à saúde mental e global dessas mulheres.

E como isso se relaciona à Psicologia? O primeiro princípio fundamental do Código de Ética Profissional do Psicólogo (Res. CFP 010/2005) aponta que o trabalho da Psicologia deve ser baseado “no respeito e na promoção de liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano”. Já o princípio segundo coloca como dever contribuir “para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

 

Dessa forma, compreende-se que o fazer da Psicologia está atrelado à reflexão dos modelos construídos sócio historicamente, portanto, questionar os modos sociais vigentes, que estruturam subjetividades, leia-se aqui com ideário branco, exige atentar aos efeitos psicossociais nas subjetividades não-brancas, como a de mulheres negras. Quais seriam, então, as estratégias para tal manejo, já que o racismo ocorre o tempo todo, afetando as mulheres nos diversos segmentos e estados condicionantes?

 

Para além do questionamento do ideário branco, a Psicologia precisa reconhecer a existência de subjetividades diversas, negras, latino-americanas, caribenhas, e outras subjetividades não brancas. Reconhecer essas existências e suas singularidades traz à tona questões que muitas vezes não são abordadas durante a formação em cursos de psicologia, majoritariamente planejadas com bases em produções brancas e eurocêntricas. Sem esse reconhecimento, não é possível transformar os condicionantes racistas que estruturam a nossa sociedade atual e contribuem para a produção de sofrimento.

 

Também é importante entender que as relações de poder existentes nos contextos de vida das mulheres negras latino-americanas e caribenhas são diversas das existentes em outros contextos, atuando de forma crítica diante dos efeitos psicossociais causados por elas, conforme mais uma vez enfatiza o Código de Ética.

 

Entendemos que a construção de uma Psicologia racializada e decolonial é recente. Ainda utilizamos muitos referenciais e modelos teóricos europeus ou estadunidenses. Dessa forma, não avançamos do debate sobre construções subjetivas de nosso país e região enquanto colonizados. Marcar dentro da Psicologia e da sociedade civil o dia 25 de julho é reivindicar que comecemos a construir nossa própria história e nossos modelos teóricos, enquanto mulheres negras latino-americanas.

Confira todos os vídeos da série em celebração à data:

CRP-PR produz material informativo sobre saúde mental para migrantes em parceria com o programa Português Brasileiro para Migração Humanitária

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), em parceira com o programa Português Brasileiro para Migração Humanitária (PBMIH), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), elaborou materiais que têm como objetivo levar informações sobre saúde mental para populações migrantes.

Segundo relatório da Acnur (Agência das Nações Unidas para Refugiados) o ano passado atingiu um número recorde no número de refugiados — estimado em 79.5 milhões. Pensando neste contexto, o NUPSIM escreveu um texto explicitando as questões referentes a população migrante que devem ser levadas em conta no contexto da Covid-19

Acolhimento psicológico no Paraná

Se você está no Paraná e deseja acessar um serviço de acolhimento psicológico, pode procurar:

 

Conversa Solidária (PUCPR): aldeiasolidaria.wixsite.com/pucpr/conversa-solidaria – parte do Grupo de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos, Saúde Mental e Políticas Públicas da universidade, o projeto oferece acolhimento psicológico para a comunidade em português e espanhol.

 

Migração e Processos de Subjetivação (UFPR): facebook.com/move.ufpr – conhecido como Movimentos Migratórios e Psicologia, o projeto oferece atendimento clínico e psicossocial remoto para migrantes, estando vinculado à UFPR e à Cátedra Sérgio Vieira da ONU/ACNUR.

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No Dia Mundial do Refugiado, NUPSIM lança orientações para contexto da pandemia

O mundo terminou 2019 com mais um recorde no número de refugiados. Em dezembro havia 79,5 milhões de pessoas na condição de deslocamento forçado, sendo 40% desse contingente formado por crianças, muitas desacompanhadas. Em uma década, o total de pessoas que saíram de seus países em função de guerras, conflitos, perseguições ou graves violações de direitos humanos – condições que dão direito ao refúgio – quase dobrou, puxados especialmente pelos êxodos da Síria e recentemente da Venezuela. Com a pandemia do novo coronavírus, a situação destas pessoas tende a se agravar, especialmente levando em consideração que 85% delas se encontram em países em desenvolvimento.

 

Todos estes dados estão no último relatório da Acnur (Agência das Nações Unidas para Refugiados), e reforçam a necessidade de um olhar para as necessidades que vão desde as mais básicas, como abrigo, alimentação e saúde, até os cuidados com a saúde mental. Este objetivo foi o que motivou o Núcleo de Psicologia e Migrações do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (NUPSIM) a elaborar um texto sobre “Atenção à população migrante no contexto da pandemia”.

 

O material faz um apanhado da situação de refugiados e da legislação brasileira sobre o tema, apontando possíveis riscos como o fechamento temporário das fronteiras, as violações de direitos já conquistados (como a deportação só poder ser realizada após audiência) e o acirramento do racismo e da xenofobia. Além disso, traz apontamentos sobre os principais impactos de toda essa situação sobre a saúde mental e como a Psicologia deve atuar: “No que diz respeito à população migrante, cabe às(aos) profissionais localizar as práticas que promovem a intensificação de vulnerabilidades em contexto de pandemia e suas consequências no bem-estar psicológico dos indivíduos e suas comunidades, sendo profissionais habilitadas(os) a produzir uma resposta adequada às demandas de cuidado, amparo e acolhimento”.

 

As Psicólogas Isabela Cim Fabricio de Melo (CRP-08/30839) e Luana Lubke de Oliveira (CRP-08/31102) coordenam o NUPSIM e participaram da redação do documento. Elas também colaboram no Projeto de Extensão Migração e Processos de Subjetivação da UFPR e apontam que uma das principais questões que afetam refugiados é a barreira linguística, que dificulta o acesso a informações, desde a compreensão do contexto atual até a busca pelo auxílio emergencial, por exemplo. Tudo isso, aliado à falta de instituições que ofereçam atendimento psicológico e à ausência de condições para o acolhimento online agravam a situação de vulnerabilidade desta população – por exemplo, o Centro de Informação para Migrantes, Refugiados e Apátridas do Paraná (CEIM), que é uma referência na área, não provê assistência psicológica.

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milhões de refugiados no mundo

Impactos da pandemia na subjetividade

Alguns desafios que perpassam a vida de refugiados durante a pandemia são comuns a diversas comunidades vulneráveis: dificuldade de encontrar recursos como água e sabão (ou álcool em gel) para higienização das mãos, falta de moradia ou abrigos superlotados – que dificultam ou inviabilizam o distanciamento social – e redução na renda familiar devido à desaceleração econômica. No caso de refugiados ou comunidades que vivem em zonas de conflito ou com grave violações dos direitos humanos, no entanto, a memória de eventos recentes pode afetar a resposta à pandemia.

 

É o que explica Mariana Duarte, Psicóloga que coordena equipes de saúde mental em uma organização humanitária internacional e foi uma das fundadoras do NUPSIM. Na Libéria, país onde esteve em sua última missão, ela conta que a recente epidemia do ebola fez com que muitas pessoas se cuidassem mais agora, mas outras não se atinham às recomendações por se preocuparem mais com o provimento de alimentos para os filhos, por exemplo. Além disso, a perda recente de familiares pode potencializar a sensação de ansiedade e insegurança.

 

Algo, no entanto, é certo: populações muito vulneráveis se tornam ainda mais invisibilizadas, e os fechamentos de fronteiras e transportes vêm afetando até mesmo o fornecimento de medicamentos. Ainda assim, para o futuro Mariana imagina que também possa haver uma consequência positiva. “Na crise o ser humano produz mais arte e ciência. Acredito também que as pessoas possam se abrir para o diferente, com mais solidariedade e respeito”, pondera.

“Não somos números, somos realidades”
Yilmary de Perdomo
Refugiada venezuelana

A frase foi dita pela venezuelana Yilmary de Perdomo quase ao fim de seu depoimento durante a última conferência da Acnur, realizada no dia 18 de junho, na qual ela contou como chegou ao Brasil há quatro anos portando um diploma de terapeuta ocupacional, mas precisando recomeçar a vida do zero. Acabou encontrando a oportunidade de que precisava para se estabelecer financeiramente na venda de quitutes típicos de seu país, mas, com a crise trazida pela pandemia, precisou outra vez recomeçar, desta vez com entregas e aulas de culinária online. Ela destaca que imigrantes e refugiados trazem na bagagem sua cultura e conhecimentos, e que o único desejo é agregar ao país que os recebem. Seu sonho para o futuro é um “mundo onde se possa viver sem fugir”.

CRP-PR assume Mesa Diretora de Conselho Estadual de Migrantes e se destaca no Controle Social

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) conquistou a vaga de Secretaria-Geral do Conselho Estadual dos Direitos dos Refugiados, Migrantes e Apátridas do Paraná (CERMA-PR), único com esta temática no país e com o qual o CRP-PR contribui desde a fundação. Com mais esta conquista do CRP-PR – que já conta com representação em 103 fóruns estaduais e municipais – a Psicologia paranaense assume papel de destaque no Controle Social de políticas públicas para este segmento. “Essa vaga do CRP-PR é uma conquista importante para todo mundo. Acho que se trata de um momento muito particular e a gente pretende estar à disposição do Estado e da sociedade civil para cobrar a garantia de direitos desses migrantes que têm tantos direitos quanto qualquer brasileiro que aqui resida”, afirmou a titular da vaga, Psicóloga Ana Sofia dos Santos Lima Guerra (CRP-08/27532).

E a garantia de direitos e políticas públicas para migrantes e refugiados é parte fundamental no cuidado em saúde mental. “Um sujeito que migra, migra porque não teve condições de permanecer no seu país. Eles deixaram suas vidas, suas relações, seus pertences e partiram para uma travessia que muitas vezes é muito perigosa e incerta, e que pode promover fragilidades substanciais na saúde mental”, destaca a Psicóloga. “No momento em que o migrante chega ao Brasil, nós também somos responsáveis pela sua saúde mental, porque muitas vezes somos promotores de debilidades e fragilidades da saúde mental desses sujeitos.”

Estamos dispostos com a comunidade do Conselho, nossos parceiros de categoria, e também com a sociedade civil como um todo, para pensarmos juntos como conquistar novos direitos e a permanência de direitos adquiridos.

Ana Sofia dos Santos Lima Guerra (CRP-08/27532)

O mundo em movimento: dados sobre migrantes, refugiados e apátridas

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), em 2017 mais de 68 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar de seus países devido a guerras, outras formas de violência e perseguições. O número vem crescendo ao longo dos anos e este é o quinto recorde consecutivo. Dos cerca de 20 milhões de refugiados no mundo, metade tem menos de 18 anos de idade.

No Brasil, cerca de 80 mil pessoas solicitaram refúgio apenas em 2018, a maioria vindos de países como a Venezuela, Haiti e Síria. No entanto, o tempo de espera para que o Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) analise os pedidos costuma ser longo. Em média, os refugiados passam dois anos com documentos provisórios e, muitas vezes, veem seus pedidos negados. “Fico pensando que no ano passado houve cerca de 80 mil solicitações de refúgio para o Brasil e apenas cerca de mil foram reconhecidas pelo Conare, a grande maioria de sírios. É um número muito diferente”, observa Ana Sofia Guerra. “Penso que nesse sentido a fiscalização e monitoramento de políticas públicas que garantam os direitos dos migrantes e refugiados é fundamental”, analisa.

A Psicóloga também destaca que não são apenas os números de entrada que precisam ser estudados, uma vez que o país não está conseguindo dar condições de vida digna a estas pessoas que chegam em busca de segurança: “Segundo o Conare, em 2018, existiam cerca de 10 mil refugiados no Brasil, mas permaneciam no Brasil cerca de 5 mil, ou seja, metade deles vão embora. Isso mostra uma impossibilidade do Estado de acolher essas que pessoas que, como eu já disse, vêm com um fundado temor de perseguição”.

O Brasil tem condições de receber migrantes e refugiados?

Esta é uma pergunta bastante comum, especialmente com o recente aumento no fluxo de migrantes vindos da Venezuela, o que chamou a atenção pela intensa cobertura midiática. A nova representante do CRP-PR na Secretaria-Geral do CERMA lembra que não são os países ricos que mais recebem refugiados, mas sim Turquia, Paquistão, Uganda, Líbano e Irã (a Alemanha vem na sequência e figura como único país rico entre os que mais recebem refugiados): “É compreensível que o Brasil viva certos desafios políticos e econômicos no momento. Mas, é plenamente possível a gente pensar em políticas mais eficientes e dignas para acolhimento dessa população aqui no Brasil”.

E, embora o trabalho de organizações não governamentais seja fundamental para o acolhimento de refugiados, a garantia de políticas públicas assegura uma atuação permanente. “Nesse sentido o trabalho do CERMA, e do CRP-PR, passa muito por aí, tanto na fiscalização, monitoramento e garantia de políticas públicas, como também na parceria e apoio com as instituições não-governamentais para seguirem atuando, inclusive com o Estado”, explica Ana Sofia Guerra.

Controle social em diversas áreas

O Assessor Técnico de Políticas Públicas do CRP-PR, Psicólogo César Rosário Fernandes (CRP-08/16715), destaca que a instituição também está presente em instâncias do controle social de outras áreas, como saúde, políticas sobre drogas, direitos de populações como crianças e jovens, mulheres, pessoas com deficiência e idosos, assistência social, políticas para população LGBTI, socioeducação, entre outras. “Além da vaga para o CERMA, fomos eleitos para a Vice-Presidência do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas, ocupando o espaço em defesa da nossa concepção de saúde mental, contra a Nova Política de Saúde Mental e de Drogas, em defesa da Luta Antimanicomial e da Redução de Danos”, conta o Psicólogo. “Fomos também reeleitos para o Conselho Estadual de Assistência Social, um importante espaço de controle social das políticas públicas neste contexto de desmonte do SUAS e de retrocessos na política de seguridade social. Agora estamos movendo todos os esforços para reconquistarmos uma representação no Conselho Estadual de Saúde”, elenca o Psicólogo ao falar das principais conquistas do CRP-PR.

Para saber mais sobre as instâncias do Controle Social em que o CRP-PR está presente e saber como fazer parte desta luta, acesse www.crppr.org.br/politicaspublicas

Dia Internacional dos Migrantes: você sabe como ajudar as pessoas que vêm de outros países?

A Psicologia possui papel importante no acolhimento e garantia de direitos humanos e saúde mental a migrantes, refugiados e apátridas. No entanto, muitas vezes as(os) Psicólogas(os) não sabem como ajudar as pessoas que chegam ao Brasil em busca de um lugar melhor e mais seguro para viver.

O Brasil recebe migrantes de diversas partes do mundo, como Síria, Haiti e Angola, mas, mais recentemente, quase 80% dos pedidos de refúgio são de venezuelanos, número impulsionado pela grave crise enfrentada pela nação.

De acordo com Ana Sofia dos Santos Lima Guerra (CRP-08/27532), coordenadora do Núcleo de Psicologia e Migrações (NUPSIM) do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), o maior problema enfrentado pelos venezuelanos é a dificuldade em se socializar na nova comunidade. “Nos abrigos que visitamos aqui no Paraná, eles estão mantendo os vínculos entre eles, mas estão muito isolados da comunidade”, conta.

A atuação de Psicólogas(os), segundo Ana Sofia, é fundamental para trabalhar o resgate da identidade destas pessoas, respeitando sua cultura. Além disso, “é preciso resgatar e estabelecer vínculos e promover sentido na vida destas pessoas, trabalhando para diminuir a sua vulnerabilidade psíquica”.

Sou Psicóloga(o) e quero ajudar. Como faço?

O Psicólogo Marcos Vinícius Regazzo (CRP-08/20709), que atua na Cáritas em Curitiba – que é parceira do CRP-PR em diversas ações –, explica que o atendimento nos abrigos de migrantes e refugiados venezuelanos acontece em grupos, como rodas de conversa. “Trabalhamos questões como a solidão e os desafios da migração. Durante este processo, muitas vezes as pessoas são silenciadas, e a nossa função é criar espaços de fala para eles”, explica o Psicólogo de referência da instituição. 

Já o atendimento clínico individual não pode ser realizado nestes espaços que agregam vários migrantes, em virtude da estrutura física e do caráter transitório destes abrigos. Quando surge uma demanda específica, as pessoas são encaminhadas para as redes de proteção governamentais, como os CRAS (Centros de Referência em Assistência Social).

Marcos explica que toda ajuda é bem-vinda: “Podemos formar uma rede de profissionais que se dispõem a fazer tanto as atividades em grupo, nos abrigos, como atendimentos individuais a preços reduzidos ou mesmo de forma voluntária”, explica ele, acrescentando que estes atendimentos individuais poderiam ser realizados nas dependências da Cáritas ou mesmo nos consultórios de cada Psicóloga(o).

O único pré-requisito para ajudar é ter um bom nível de compreensão do espanhol, já que os migrantes e refugiados não teriam condições de falar em português – especialmente sobre suas questões emocionais. “É possível trabalhar com a pessoa falando em espanhol e a Psicóloga ou Psicólogo respondendo em português, então não é necessário ser fluente”, completa Marcos Vinícius.

Mais informações podem ser obtidas diretamente na Cáritas Regional Paraná pessoalmente (Rua Paula Gomes, 703, ap. 01, São Francisco, Curitiba-PR), por telefone (41-3039-7869) ou e-mail (marcos@caritas.org.br).

Principal dificuldade enfrentada por refugiados no Brasil é acolhimento

Deixar seu país de origem, cultura, casa, trabalho, amigos e familiares é uma situação, por si, capaz de gerar sofrimento mental e prejuízos à saúde psicológica. A situação, no entanto, fica ainda pior quando, ao chegar no país de destino, com uma língua diferente, o refugiado ou migrante não encontra o mínimo acolhimento necessário. Essa é a realidade enfrentada por milhares de pessoas que buscaram no Brasil e no Paraná um lugar para sua nova morada, apesar de o Estado ser pioneiro em estabelecer, em 2014, um Plano Estadual de Políticas Públicas para Promoção e Defesa dos Direitos de Refugiados, Migrantes e Apátridas do Paraná – o documento, que esteve vigente até 2016, passa agora por uma revisão para adaptar as políticas públicas à realidade. O Estado também foi pioneiro na construção do Conselho Estadual para a defesa dos direitos desta população, mas um item essencial ainda não foi superado: oferecer aos recém-chegados um local adequado para começar a reestruturação da vida.

De acordo com o Psicólogo Douglas Marques de Oliveira (CRP-08/19792), que é especialista no tema e membro do Núcleo de Psicologia e Migrações (NUPSIM) da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), a lacuna de atenção aos direitos deixada pelo Estado é suprida por instituições, ONGs e membros da organização civil, que se mobilizam para receber as pessoas. Além disto, comunidades que já estão mais estabelecidas, como a dos migrantes provenientes do Haiti, por exemplo, acabam acolhendo novos haitianos que chegam ao Brasil.  “Essa é uma preocupação que vem inclusive antes do trabalho, porque quem chega tem como primeira necessidade um local para se abrigar e dormir”, explica o Psicólogo. Mas, nem todos conseguem ser atendidos pela sociedade civil e acabando buscando abrigos destinados à população de rua ou mesmo ficando ao relento quando essas unidades estão lotadas.

Crescimento

De acordo com dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, de 2011 a 2017 o Brasil recebeu 126.102 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado O maior número de requerimentos vem da Venezuela, Haiti, Senegal e Síria. É considerada refugiada a pessoa que deixou seu país de origem por causa de perseguição por motivo de raça, religião, por pertencer a um determinado grupo social ou por suas posições políticas. Nesse contexto, o Paraná é um dos principais destinos de quem chega ao Brasil. Segundo levantamento do Conare, 8% dos 5.134 refugiados que se encontram em situação regular no Brasil (com registro ativo) residem em cidades paranaenses, a terceira maior população entre os Estados.

Psicologia

Para os migrantes e refugiados, além do acolhimento prático com a oferta de abrigo e alimentação emergencial e de políticas de colocação no mercado do trabalho e habitacionais, o acesso à saúde, em especial à saúde mental, é essencial. Neste aspecto também o Paraná se destaca, sendo considerado referência nacional, sobretudo pelos programas desenvolvidos pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) que incluem, além do atendimento psicológico por meio do Centro de Psicologia Aplicada da UFPR, o ensino da língua portuguesa, capacitação em informática, apoio jurídico e História do Brasil.

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