Famílias e casais

Orientações para profissionais de Psicologia na atenção a pessoas com deficiência e suas famílias durante a pandemia

Em função do distanciamento social necessário como forma de conter a crise mundial causada pela pandemia de Covid-19, grande número de Psicólogas(os) está aderindo à modalidade de atendimento online. Nestas situações, é importante seguir as orientações emitidas pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) quanto ao atendimento psicológico em situações de crise no contexto da pandemia, conforme Nota Técnica n.º 01/2020. É importante também estar atenta(o) às especificidades da condição de sua(seu) paciente ou cliente com deficiência, sobretudo no que tange ao uso da tecnologia, de forma que sejam escolhidos canais ou plataformas para acesso compatíveis com os recursos de acessibilidade que ela(e) utiliza. Faz-se necessário dispensar atenção também às questões de sigilo, em especial quando sua(seu) paciente necessitar de auxílio constante para atividades de vida autônoma. 

Além disto, o contato mais intenso com a família no ambiente domiciliar, durante período de distanciamento social, pode enfatizar os extremos: relações familiares superprotetoras e/ou relações familiares violentas que, cada uma a sua maneira, afastam a pessoa com deficiência do exercício de seus direitos. A superproteção reforça o isolamento e prejudica a dinâmica da vida social e afetiva, silenciando o sujeito e interferindo no desenvolvimento de suas potencialidades. Já para as pessoas com deficiência com quadros de alta complexidade, vivenciar situações de violência familiar traz o agravante da dependência que possui de seu cuidador-agressor.

No balanço geral da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos – Disque 100, as formas de violação de direitos de pessoas com deficiência mais denunciadas foram a negligência – na qual predomina a omissão de amparo/responsabilidade – e a violência psicológica.

Ao atender uma pessoa com deficiência, é necessário que a(o) Psicóloga(o) esteja atenta(o) à complexidade de sua realidade, de forma a compreender o sofrimento ético-político desses sujeitos. O período de quarentena também pode proporcionar um afastamento das pessoas com deficiências das instituições, grupos e serviços que oferecem suporte e proteção em suas vidas. Desta maneira, cabe a reflexão de como a(o) Psicóloga(o) – sendo profissional de referência para estes sujeitos – pode sustentar o cuidado para esse público neste período.

Ter um posicionamento alinhado aos direitos humanos das pessoas com deficiência é prerrogativa fundamental para uma Psicologia com compromisso social. As barreiras vivenciadas pelas pessoas com deficiência são oriundas não de sua condição individual, mas de uma realidade social excludente. Para agir de maneira transformadora em seu exercício profissional, você pode adotar comportamentos inclusivos, firmados no Modelo Social da deficiência:

• Trate a pessoa com deficiência de acordo com sua idade cronológica, ainda que respeitando as especificidades de seu quadro, de maneira a não a colocar numa posição infantilizada;


• Permita que ela participe das decisões sobre seu tratamento/atendimento, e busque estratégias para incentivar que as pessoas com deficiência intelectual, deficiências motoras que afetem a fala e transtornos do espectro autista possam expressar suas decisões;


• Assuma atendimentos de pessoas surdas que utilizam Língua Brasileira de Sinais (Libras) somente se você possuir fluência nesta língua. Ter conhecimentos básicos em Libras não significa estar capacitado para atender pessoas que a utilizam. Assumir responsabilidade profissional para algo que não se está capacitado configura falta ética;


• Valorize a deficiência enquanto marcador social de diferença quando do atendimento a pessoas em situação de rua, mulheres em situação de violência doméstica ou familiar e pessoas acolhidas institucionalmente, considerando que vivenciam uma maior vulnerabilidade, especialmente no contexto de pandemia.

Como denunciar uma possível violação de direitos de pessoas com deficiência?

 

As denúncias de suspeitas de violação de direitos de crianças ou adolescentes com deficiência devem ser encaminhadas aos Conselhos Tutelares.

 

No caso de pessoas adultas e idosas com deficiência, as denúncias devem ser dirigidas aos Centros de Referência Especializados da Assistência Social (CREAS) e às Promotorias de Justiça do Ministério Público do Paraná.

 

Também pode ser utilizada a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, pelo telefone 100, que permite manter anônima a identidade da(o) denunciante.

Dia Nacional da Adoção | Baixa procura por adoção tardia e Estatuto da Adoção causam preocupação para Psicólogas(os)

Neste sábado (25), Dia Nacional da Adoção, o Grupo de Apoio Adoção Consciente promove em Curitiba uma festa diferente: famílias habilitadas encontram crianças fora do perfil inicialmente procurado para uma tarde descontraída de brincadeiras e lanches. A iniciativa acontece também em outras regiões do país e tem por objetivo minimizar um hiato que os números do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) mostram: cerca de 9 mil crianças esperam ser adotadas por uma das 46 mil famílias habilitadas.

 

Isso porque, segundo dados mais recentes do CNA, quase 90% dos candidatos a pais aceitam crianças com no máximo 7 anos, enquanto 63,16% das crianças e adolescentes que aguardam adoção já passaram desta idade. Segundo a Psicóloga Angela Sanson Zewe (CRP-08/06216), que atua na Vara da Infância e da Juventude de Pinhais, este assunto é comentado abertamente pelas próprias crianças: “elas sabem que suas chances de encontrar uma família diminuem à medida que crescem”.

 

Os impactos negativos desta situação podem ser agravados quando o processo de aproximação entre família e criança não culmina na adoção. “Normalmente este estágio de convivência, que começa com visitas na instituição e evoluem para visitas na casa na família para estabelecimento de vínculos e rotinas, é bem-sucedido. Mas, há casos em que as famílias desistem, que é o que chamamos de devolução, geralmente com crianças maiores ou adolescentes, que já possuem características de personalidade e de rotina mais estabelecidas”, conta Ângela.Ela salienta, no entanto, que a devolução só é possível no estágio de convivência e guarda, nunca após a adoção consolidada. “Se a família adota e quer desistir, é preciso um processo de destituição do poder familiar tal qual aconteceu quando a criança foi retirada de sua família biológica”, explica.

 

Ao voltar para a instituição de acolhimento, as crianças contam com acompanhamento psicológico de uma equipe especializada, e também possuem prioridade na rede pública de saúde para um atendimento individualizado, quando necessário. “Quando acontece uma aproximação malsucedida, a criança fica mais restritiva, mais receosa para o próximo encontro. As crianças também idealizam sua família ideal”, explica a Psicóloga. Ela ressalta que a equipe deve sempre se concentrar em buscar uma família para as crianças, em vez de procurar a criança com o perfil que alguma família deseja: “É muito importante dar atenção às expectativas que as crianças criam em relação à família substituta, pois a adoção somente ocorrerá quando os vínculos se constituírem de maneira recíproca e verdadeira”.

Estatuto da adoção

Um projeto de lei em tramitação no Senado Federal vem despertando preocupação de profissionais que atuam no contexto da adoção e, também, do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR). Conhecido como “Estatuto da Adoção”, o PLS 394/2017 propões algumas alterações no processo de destituição familiar, tornando-o mais rápido.

Segundo Angela Sanson Zewe (CRP-08/06216), é importante que as(os) Psicólogas(os) participem destas discussões porque, se o projeto for aprovado, haverá situações que conflitam com o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente. “Há a garantia de convivência familiar e comunitária e também a previsão do trabalho das equipes para a reinserção das crianças que estão acolhidas em uma situação provisória”, analisa a Psicóloga. “Às vezes esse processo acaba demorando muito e a gente entende que existe uma preocupação de que as crianças não percam tempo para conseguir uma família substituta. Mas, por outro lado, a gente também tem preocupação com este trâmite, se ele não seria abreviado, se não seria prematuro”, pondera.

 

Ela conta, como exemplo, a história de uma criança que foi acolhida temporariamente e, após algum tempo, conseguiu voltar a viver com a mãe, que realizou alterações em sua rotina familiar para reconquistar a guarda do filho. “Se aquela criança tivesse ido para a adoção neste período, não teríamos esta reinserção”.

 

A Psicóloga gravou um vídeo em 2018 falando sobre esta questão e destaca que é fundamental que algumas questões sejam revistas e que o projeto não seja aprovado na maneira como está. “A gente entende que o Conselho deve centralizar algumas ações, até para dar mais corpo a elas. A gente tem abertura para receber a contribuição destas pessoas [as(os) profissionais que atuam no contexto da adoção] para que elas nos ajudem a construir isso.”

Atualmente o PLS está aguardando entrar na pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Acompanhe aqui a tramitação do Estatuto da Adoção.

XVI EPP e II CIPTF | Terapia Relacional Sistêmica e equilíbrio entre vida profissional e pessoal serão temas de atividades

O XVI Encontro Paranaense de Psicologia (EPP) e o II Congresso Internacional de Psicologia da Tríplice Fronteira (CIPTF) acontecerão entre os dias 22 e 25 de agosto deste ano na cidade de Foz do Iguaçu. Os eventos contam com uma programação diversificada sobre as teorias e práticas na Psicologia. Entre os temas a serem discutidos, a terapia de família e de casal estará presente em um minicurso e em uma oficina.

No minicurso “Terapia de família e de casal na Terapia Relacional Sistêmica”, a Psicóloga Solange Maria Rosset (CRP-08/00204) apresentará o histórico e a teoria da abordagem, além de trazer exemplos e as posturas específicas no atendimento clínico.

O tema será aprofundado na oficina vivencial “Famílias e casais – desafios para o terapeuta”. Os participantes serão convidados a pensar quais questões precisam ser trabalhadas em si mesmos para aprimorar suas práticas enquanto terapeutas. Solange explica que “quanto mais consciência eu tenho com as minhas questões de origem, mais hábil serei como terapeuta, e melhor enxergarei as aprendizagens necessárias de cada família ou casal em terapia”. Ela complementa que é importante combinar o trabalho pessoal com a bagagem técnica.

Na Terapia Relacional Sistêmica, os padrões de funcionamento acontecem em três pilares: consciência, aprendizagem e mudança. Segundo a Psicóloga, esse processo aplicado na terapia deve ser o mesmo realizado pelo próprio terapeuta com as suas questões. Para Solange, se há consciência, terapia, supervisão e formação da(o) profissional, mais preparado ele estará para atuar.

A Psicóloga afirma que, frente às novas configurações e situações familiares, as(os) terapeutas são colocadas(os) em cheque sobre os seus valores e seus próprios assuntos familiares. Por isso, ela enfatiza a necessidade de a(o) profissional se livrar de preconceitos e dificuldades pessoais com os temas de seus pacientes.

Palestra

Solange também apresentará uma palestra no dia 23 de agosto, aberta à comunidade, sobre o “Equilíbrio entre profissional, pessoal e familiar”. Ela irá propor uma reflexão sobre como é possível integrar essas áreas da vida, de maneira a encontrar um equilíbrio e aprimorar uma área a partir da outra.

XVI Encontro Paranaense de Psicologia (EPP) e o II Congresso Internacional de Psicologia da Tríplice Fronteira (CIPTF)

Quando: 22 a 25 de agosto

Local: Rafain Palace Hotel & Convention Center (Av. Olímpio Rafagnin, 2357, Parque Imperatriz, Foz do Iguaçu)

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