Ensino a distância

CFP e ABEP realizam Seminário Nacional: Formação em Psicologia no Contexto da Covid-19

A Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP) e o Conselho Federal de Psicologia (CFP) promoverão, em 23 julho, às 17h, o Seminário Nacional: Formação em Psicologia no Contexto da Covid-19, com transmissão ao vivo nos canais do Youtube e Facebook do CFP.

O evento tem por objetivo debater os impactos da Portaria MEC nº 544, de 16 de junho de 2020 sobre a formação da(o) Psicóloga(o). A flexibilização de atividades remotas durante a pandemia, apontada pela Portaria, preocupa a comunidade educativa e as instituições da Psicologia, uma vez que as Diretrizes Nacionais Curriculares (DCN) do curso salientam a imprescindibilidade dos estágios presenciais – conforme Nota da ABEP, CFP e Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi) publicada em 24 de março deste ano.

Desde a publicação da referida Portaria Ministerial, o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicologia têm se articulado junto à categoria para dialogar sobre a prática de estágios durante a pandemia, defendendo sempre a qualidade da formação e os pressupostos fundamentais do processo de ensino-aprendizagem expressos na campanha “Psicologia se aprende com presença”.

 

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), realizou três etapas preparatórias para o Seminário Nacional – reuniões virtuais com estudantes, coordenadoras(es) de cursos de Psicologia e supervisoras(es) de estágio, que ocorreram em 03 e 04 de julho de 2020. Agora, a etapa nacional será o momento de sistematização dos acúmulos realizados em cada regional.

Saiba mais sobre o assunto assistindo ao vídeo de orientação da ABEP e CFP:

CRP-PR oficia instituição de ensino sobre curso de Psicologia a distância

O Conselho Regional Psicologia do Paraná (CRP-PR) tomou conhecimento nesta sexta-feira (01) de que o Centro Universitário Uningá, em Maringá, vem utilizando as redes sociais para veicular anúncio sobre um curso de Psicologia a ser oferecido na modalidade a distância (EaD). Diante disto, o CRP-PR solicitou por ofício informações sobre a carga horária total e o percentual de disciplinas que estariam previstas na modalidade EaD, o início previsto para o curso, a grade curricular, projeto pedagógico, tecnologias e infraestrutura, relação de docentes, entre outras.

 

O CRP-PR também está em contato com outras instituições competentes como o Ministério da Educação e o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e se posicionará sobre o fato assim que obtiver as informações necessárias.

Psicologia se aprende com presença

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o CRP-PR vêm atuando sistematicamente na articulação política para garantir a qualidade do ensino e da formação em Psicologia. No último dia 24 de outubro, o CFP publicou uma nota conjunta com a Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP) e Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi) em que explicam os motivos para o posicionamento contrário à graduação em Psicologia na modalidade EaD.

 

Segundo o documento, não existem cursos de Psicologia com carga horária EaD superior a 20% do total autorizados no país, em virtude da recomendação do Conselho Nacional de Saúde. Além desse limite percentual, é preciso considerar que atividades como avaliações, estágios, práticas profissionais e de laboratório e defesa de trabalhos devem ser obrigatoriamente realizadas de forma presencial, conforme o Decreto nº 9.057 de 2017.

Por que devemos defender a educação presencial?

O documento do CFP, ABEP e Fenapsi explica que está havendo, no Brasil, um grande aumento na oferta de cursos privados “em que a educação se transformou em um negócio e não em um direito social, a despeito do empenho e seriedade das coordenações de curso e corpo docente”. A formação em Psicologia, no entanto, requer o aprendizado de habilidades que só podem ser ensinadas presencialmente, como “a empatia com o sofrimento e os dilemas da vida vivida, pela capacidade de compreender e dialogar com as muitas formas de pensar e ser, contidas em nossa cultura e diversidade nacional”.

 

As instituições ainda defendem que “a recusa da oferta de cursos de graduação em Psicologia não se constitui em resistência ao uso das tecnologias nos processos ensino-aprendizagem”, mas sim “nos requisitos essenciais à constituição de uma identidade profissional comprometida, competente e ética”.

Em audiência pública, CRP-PR defende carga horária máxima de 20% em EAD na graduação em Psicologia

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) participou nesta terça-feira (25) de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná, manifestando sua preocupação com a ampliação da oferta de cursos na modalidade Ensino a Distância (EAD) para cursos de graduação na área de Saúde. A audiência foi convoca pelos deputados Michele Caputo e Anibelli Neto, que propuseram um projeto de Lei n.° 100/2019, prevendo a proibição do funcionamento no Paraná de cursos de nível médio, técnico e superior na área da saúde que desrespeitem o limite máximo de 20% das aulas nessa modalidade. O PL 100/2019 recebe o apoio do CRP-PR.

 

 

A instituição foi representada no evento pela conselheira Carolina Walger (CRP-08/11381) que explicou, em sua manifestação, as preocupações do CRP-PR com essa modalidade de ensino na graduação. A Psicóloga ponderou que essa modalidade de ensino na graduação de cursos de saúde – essencialmente práticos – não permitiria garantir a qualidade da formação dos profissionais e, consequentemente, a garantia de serviços de qualidade para a população. Carolina falou também acerca da falta de fiscalização e de estrutura nos polos de ensino que possibilitem assegurar condições mínimas de formação. Outro fator relevante apresentado pela profissional é a exploração do trabalho intelectual dos professores e a defasagem de atualização pela qual passam vários desses materiais. A profissional manifestou ainda preocupação com a saúde mental e com a falta de suporte aos estudantes na modalidade à distância.

A posição contrária a qualquer tentativa de ampliação da carga horária máxima de 20% na modalidade EAD para os cursos de Psicologia adotada pelo CRP-PR é fruto de um debate que já soma três anos nas reuniões plenárias e das comissões da instituição. Embora não existam cursos autorizados nesta modalidade, a instituição vem acompanhando com preocupação pressões para que essa ampliação ocorra, a exemplo do que já vem acontecendo em outros cursos da área da saúde.

O posicionamento é também resultado do acúmulo de debates realizados pelos Fóruns de Coordenadores de Cursos, de Professores de Ética e de Responsáveis-técnicos pelos Serviços-Escola que reúne as instituições de ensino superior do Paraná que ofertam o curso de Psicologia. O posicionamento contrário ficou evidente ainda na discussão da revisão das diretrizes curriculares para os cursos de Psicologia que foi realizado no ano passado pelo Conselho Federal de Psicologia, em parceria com a Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi) e a Associação Brasileira de Ensino em Psicologia (Abep) e contou com  ampla participação de profissionais, docentes e discentes da área no Paraná. A posição está alinhada ao que foi debatido também por profissionais de Conselhos Regionais de Psicologia de outros estados e constou do documento final entregue ao Conselho Nacional de Educação.

Além disto, a posição contrária à ampliação do Ensino à Distância na graduação em Psicologia é uma diretriz defendida pelas(os) Psicólogas(os) durante o 10º Congresso Regional de Psicologia do Paraná (COREP) e 10º Congresso Nacional da Psicologia (CNP), realizados respectivamente nos dias 06 e 07 de abril e 31 de maio a 02 de junho deste ano. Os congressos são instâncias máximas de deliberação da categoria nos quais as(os) profissionais definem as diretrizes que orientam as ações dos Conselhos Regionais e Federal de Psicologia.

O CRP-PR soma-se também aos outros Conselhos Regionais das profissões da área de saúde, participando de um Fórum que tem debatido constantemente o tema. No Fórum, a instituição é representada pelo Psicólogo Milton Magnabosco (CRP-08/06900). As opiniões dos diversos conselhos profissionais estão alinhadas e são desfavoráveis ao ensino a distância na graduação, em percentual superior a 20%.

O Conselho Nacional de Saúde já se manifestou contrário a cursos ministrados totalmente na modalidade de Ensino a Distância, alegando os “prejuízos que tais cursos podem oferecer à qualidade da formação de seus profissionais, bem como pelos riscos que estes profissionais possam causar à sociedade, imediato, a médio e a longo prazos, refletindo uma formação inadequada e sem integração ensino/serviço/comunidade”.

 

Audiência Pública

 

Durante a audiência, a doutora Ester Massae Okamoto Dalla Costa, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e representante do Conselho Regional de Farmácia, ofereceu um panorama da situação. “Entre 2016 e 2018 começamos a ver um aumento da oferta. Foi quando se iniciou a discussão profunda sobre o impacto do EAD. Muitos dos polos não têm estrutura; existem ofertas de dois cursos pelo preço de um ou cursos realizados totalmente à distância. Como vamos monitorar isso? Não somos contra a educação a distância. Nossa preocupação é com uma formação de qualidade”. defendeu.

 

Além dela e da conselheira Carolina Walger, participaram ainda da audiência o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Rodrigo Távora Mira, o presidente do sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná, Cezar Pasqualin, a presidente do Conselho Regional de Enfermagem, Simone Peruzzo, a presidente do Conselho Regional de Nutricionistas, Deise Baptista, o coordenador do Fórum de Entidades de Classe da Medicina Veterinária, Masahiko Ohi, o conselheiro do Conselho Regional de Medicina, José Knopfholz, a Conselheira do Conselho Regional de Fonoaudiologia, Solange Coletti, o representante do Instituto Federal do Paraná (IFPR), Marcos Antônio Barbosa, Elisandro Frigo, representante da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado Paraná, e o juiz Carlos Ritzmann, diretor executivo da Escola Judiciária Eleitoral do Paraná.  

 

com informações da Assembleia Legislativa

 

CRP-PR demonstra preocupação com ensino a distância na área de saúde

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) se une aos demais conselhos regionais da área de saúde do Estado e acompanha com preocupação o crescimento na abertura de vagas para a realização de cursos de graduação em saúde na modalidade a distância na maior parte da carga horária. Apesar de não ocorrer na Psicologia, essa já é a realidade de cursos como Serviço Social, com 150 mil vagas em EAD pelo país; Nutrição, com 80 mil vagas; e até Medicina Veterinária, que já tem 11 mil vagas de graduação na modalidade. No total, de acordo com levantamento do Conselho Federal de Farmácia (CFF), existiriam, em março deste ano, 616,5 mil vagas autorizadas em EAD na área de saúde, um aumento de 124% na comparação com dados de fevereiro de 2017.

O assunto também é visto com preocupação por parlamentares e foi debatido em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família realizada na Câmera Federal no dia 15 de maio. Na Casa, a proibição do ensino a distância em cursos de saúde é tema de uma série de projetos de lei, sendo o principal o PL 5414/16. Em âmbito estadual, o assunto também já havia sido discutido na Assembleia Legislativa do Paraná no último dia 8, oportunidade que contou com a presença de representantes de diversos conselhos regionais, entre eles o CRP-PR.

Para a conselheira do CRP-PR e professora universitária Mari Angela Calderari Oliveira, o ensino totalmente a distância é inviável na área de saúde, sobretudo na Psicologia. “A graduação prepara o profissional justamente para atuar nos relacionamentos e comportamentos humanos e o contato é imprescindível para a formação. As disciplinas técnicas como a avaliação psicológica, estágios e disciplinas aplicadas também não têm possibilidade de realização com qualidade mínima nessa modalidade”, avalia. “Nosso posicionamento é de manutenção dos 20% da carga horária total que já estão previstos para o curso de Psicologia. A ampliação desse percentual pode prejudicar a qualidade de formação dos profissionais”, afirma.

Para o coordenador de curso de Psicologia e colaborador do CRP-PR, Milton Magnabosco, a(o) Psicóloga(o) é a(o) profissional que trabalha justamente as questões relacionadas às dificuldades de relacionamento, de vínculo, de avaliação, de dificuldades no aprendizado, e tantas outras possibilidades, enfim, mas sempre será um trabalho que envolve pessoas, uma ou mais, e a afetividade envolvida. “Falar de emoção, falar de encontro, falar de acolhimento, falar de calor humano sem a presença deste nos parece difícil. A Psicologia não é uma ciência que lida bem com o distanciamento. Aliás, as pessoas buscam este profissional por se sentirem cada vez mais distanciadas, sem quem as ouça, sem quem as acolha, sem afeto. Experimentar e viver isto na formação deste profissional é primordial, porque que não se pode admitir que um profissional da Psicologia seja emocionalmente ‘frio’. Frio basta o mundo”, complementa.

O tema está sendo também tratado nos Fóruns de Coordenadores de Curso de Psicologia, Professores de Ética, Responsáveis Técnicos de Serviços-Escola e Professores de Avaliação Psicológica, mantidos com o apoio do CRP-PR.

Estrutura adequada

Outra preocupação dos Conselhos Regionais é com a infraestrutura mínima requerida pelas resoluções e decretos em vigor. A coordenadora da Comissão de Educação do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, Ester Dalla Costa, que representou os CRs na audiência pública realizada no Paraná, comenta que a estruturação dos cursos é um ponto que demanda análise. “Um relatório elaborado pelo Conselho de Enfermagem nos deu uma demonstração de que os polos de ensino, mesmo os que têm regimentos mais rígidos, estão desestruturados, sem pessoal qualificado e estruturas de laboratórios desconsideradas”, explicou.

Segundo ela, as estruturas físicas são obrigatórias para todos os cursos a distância semipresenciais. No entanto, a instalação de novos polos de EAD tem crescido consideravelmente. “Mais sob um viés econômico de mercado de educação, com a proposta de levar condição às pessoas que não têm acesso, porém sem a preocupação de qualificar os profissionais que neles atuam”, conta. Segundo Ester, um decreto de 2005 flexibiliza, por exemplo, a presença obrigatória de professores como responsáveis pelo conteúdo repassado aos alunos na educação a distância, listando para tal, por exemplo, a figura de tutores.

Outra questão é a própria vivência acadêmica, como pondera o professor Milton. “A vivência na graduação nos permite ver a dificuldade atual do aluno em trabalhar de forma cooperativa, no compartilhamento grupal, na produção de consenso e na aceitação do outro ou do diferente. Numa graduação EAD podemos supor que haveria uma tendência à maximização disto, que representa tudo o que não se quer neste profissional. Os cursos já têm uma carga de disciplinas mediadas a distância suficientes. O ser humano é social. A frieza e o distanciamento do contato humano são, justamente, fatores desencadeantes de muitos sofrimentos de que se queixam quem nos procura”, avalia.

Com informações das agências Câmara e Alep

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