2020

Referências Técnicas do CREPOP abordam a atuação de psicólogas(os) na política de Segurança Pública

*Com informações do CFP

O Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) lançou em novembro as “Referências Técnicas para atuação de psicólogas(os) na política de Segurança Pública”. O documento tem como objetivo discutir a situação da política de segurança pública no Brasil, ao traçar uma crítica à política criminal vigente e aos fenômenos de militarização e judicialização da vida.

Para isso, a publicação versa sobre temas como letalidade, genocídio da população negra, hipertrofia do aprisionamento e discursos de ódio, procurando destacar princípios importantes para a atuação da Psicologia, como a defesa da democracia, dos Direitos Humanos e a participação popular, tomando-os como itens importantes que demarcam o compromisso social da Psicologia.

Inserção da(o) Psicóloga(o)

As Referências Técnicas ressaltam ainda que, por se tratar de uma política pública relacionada a aspectos controversos da sociedade, Psicólogas(os) precisam buscar uma postura ético-política ao serem convocadas(os) a posicionamentos críticos frente às relações de poder que incidem no seu trabalho — assim como para as demandas da população, promovendo os enfrentamentos necessários para a superação das situações de vulnerabilidade aos processos que retificam a seletividade contida em diferentes formas de violência.

Por que o racismo ainda é naturalizado?

Por Jefferson Olivatto da Silva (CRP-08/13918), Rosiane Martins de Souza (CRP-08/14328) e Ramon Andrade Ferreira (CRP-08/28114), da Comissão Étnico-Racial do CRP-PR

Toda data comemorativa faz menção a um fato, situação ou reconhecimento. Podemos considerar que a comemoração ao Dia da Consciência Negra e Dia Nacional de Zumbi dos Palmares é um caminho fundamental e necessário para reconhecer a importância da vida negra na sociedade brasileira, bem como no desenvolvimento de seus afetos e processos cognitivos. No entanto, desde que o Dia da Consciência foi criado enquanto data comemorativa, vem sendo relativizado em muitos municípios no Estado do Paraná, denotando mais uma vez o descaso histórico com a população negra, uma vez que os demais feriados históricos são tratados com a devida relevância.

 

 

Podemos traçar essa breve reflexão pela conjunção entre a constatação do imaginário social brasileiro de evitar esse reconhecimento e a importância de um marco social como o é o dia 20 de Novembro. Para tanto é preciso ter em mente a complexidade psicossocial do racismo em termos de contingenciamento psíquico que foi produzido por processos sócio-históricos de longa duração e em larga escala de violência, a ponto de acompanharmos similaridades de manifestações racistas em diferentes regiões brasileiras, como ocorreu no dia 10 de novembro do corrente ano em Maringá-PR contra estudantes haitianos. Nesse caso, aponta a nossa frente o desprezo contra negros e negras como um complexo em que converge frustrações, fragilidades individuais e ignorância na forma de um embotamento emocional, que busca na violência sua resolução prática. 

 

Aprendemos, infelizmente, com a contínua historicidade da violência racial, que o caminho é nos debruçarmos cada vez mais nos mecanismos psíquicos promotores do racismo. Isso significa dizer, perscrutar os processos psicológicos que operaram naqueles que praticam o racismo.

Nesse sentido, esse tipo de reação é patológica e precisa ser tratada como tal, ou seja, aqueles que persistem agindo por meio desse embotamento devem ser analisados tão seriamente quanto aqueles que cometem crimes hediondos, posto que esse tipo de resolução, se não interrompido, metaboliza-se continuamente em novos alvos para ser externalizado, tanto no interior da própria família quanto nas ruas, bares, boates, campo de futebol etc. 

 

 

Aprendemos, infelizmente, com a contínua historicidade da violência racial, que o caminho é nos debruçarmos cada vez mais nos mecanismos psíquicos promotores do racismo. Isso significa dizer, perscrutar os processos psicológicos que operaram naqueles que praticam o racismo: desde as aprendizagens emocionais mais tênues como risadas de piadas racistas até a difusão do ódio e da violência explícita contra as diferentes manifestações negras culturais ou religiosas.

 

 

De outra forma, urge compreender que as narrativas das mais diferentes autoridades (midiáticas, escolares, políticas ou religiosas) têm alimentado o imaginário social com discursos, imagens ou músicas sobre desemprego, não entrada da universidade ou em cargo público, traições ou, simplesmente, o mal no mundo causados pela existência do negro e da negra. Daí para os atos de violência racistas rotineiros (piadas, xingamentos, socos, estupros ou homicídios) tornou-se somente uma questão de tempo – isto é, fomentar o racismo é um dos elementos da própria violência que acompanha o soco ou a paulada contra negros e negras.

 

Se em outros países os eventos de violência e extermínio são reconhecidos por monumentos ou museus, podemos nos reeducar para que o Dia da Consciência Negra e Dia Nacional de Zumbi dos Palmares seja um emblema nacional do alerta da violência sistemática contra negros e negras?

A pergunta que precisa ser acesa no Dia da Consciência Negra e Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e ser mantida é: quais são os motivos para que no Brasil ainda haja pessoas naturalizando o racismo? Se em outros países os eventos de violência e extermínio são reconhecidos por monumentos ou museus, podemos nos reeducar para que o Dia da Consciência Negra e Dia Nacional de Zumbi dos Palmares seja um emblema nacional do alerta da violência sistemática contra negros e negras?

 

Por fim, insistir em celebrar o 20 de novembro de Zumbi, Dandara, Tereza, Carolina, Conceição, Marias e Joãos, homens e mulheres negras, nossos ancestrais que lutaram para que nossa história fosse reescrita por mãos negras, faz com que resgatemos nossa ancestralidade que segue  driblando os novos algozes e açoites da contemporaneidade. Por tudo e por todos, resistimos!

Nota de pesar pelo falecimento do Psicólogo Aluízio Lopes de Brito

A Psicologia brasileira está em luto pelo falecimento, em 18/11, do Psicólogo Aluízio Lopes de Brito, professor universitário e membro ad hoc da Secretaria de Orientação e Ética do Conselho Federal de Psicologia (CFP) por duas gestões.


Natural da Paraíba, Aluízio foi presidente do CRP-13 de 1998 a 2001. Já havia sido conselheiro regional de 1995 a 1998, quando atuou para a criação da Comissão de Direitos Humanos. Também foi conselheiro federal em três plenários (2001-2004, 2007-2010 e 2010-2013), tendo participado, em 2002, da equipe que elaborou a minuta do Novo Código de Ética da Psicologia – fato que ilustra sua enorme contribuição ao Sistema Conselhos.


Para homenagear tão importante profissional e prestar solidariedade a familiares e amigas(os), o Conselho Regional de Psicologia do Paraná pediu ao Professor Adriano Furtado Holanda, que teve a oportunidade de conviver com Aluízio, para que registrasse algumas palavras:

“Aluízio nos deixou. Tive a grata satisfação de conhecê-lo e de poder compartilhar ideias, atividades e discussões com ele. Sua presença praticamente se confunde, para mim, com a própria ideia de Conselho de Psicologia.

 

Posso dizer que fomos companheiros, parceiros, e mesmo adversários em inúmeras ocasiões e reuniões dos Conselhos (eu, à época, por Brasília; e ele, pela Paraíba).

 

Compartilhamos nossa nordestinidade, sempre acompanhada por um sotaque gostoso de uma fala mansa e tranquila, mesmo quando o assunto era denso, complexo ou mesmo polêmico.

 

Do meu trânsito por atividades pelos Conselhos de Psicologia – de 1995 a 2011 – em todas as ocasiões sua presença se fez, de modo ativo, concreto, objetivo; e, ao mesmo tempo, carinhoso, acolhedor e amigável.

 

Vai ficar a imagem do seu sorriso e de suas colocações, que sempre me ajudaram a pensar e repensar a profissão. Aluizio encarnou o sentido ‘humanista’ da psicologia humanista que acompanhava, sempre se mostrando solícito, presente e afável. Muito além de todo o legado que certamente deixará, tanto para a Psicologia da Paraíba, do Nordeste e do Brasil, Aluízio deixará saudades”.

Aos 53 anos de idade, Aluízio enfrentou uma longa batalha contra a Covid-19, sendo uma das suas mais de 167 mil vítimas fatais no Brasil, uma perda muito sentida a todas(os) nós.

 

*Com informações do CFP: www.site.cfp.org.br/aluizio-lopes-de-brito-presente

Nota de pesar pelo falecimento da Psicóloga Raimunda Assunção Sena de Jesus

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) lamenta profundamente o falecimento da Psicóloga Raimunda Assunção Sena de Jesus (CRP-08-18155) na manhã de hoje, 18 de novembro, aos 63 anos, vítima da Covid-19.

 

Raimunda trabalhava nas áreas clínica e organizacional em Foz do Iguaçu. Era uma pessoa bastante atuante e reconhecida na cidade, e as(os) Psicólogas(os) da região encontram-se muito entristecidas(os) com a perda.

 

O corpo será cremado na data de hoje, no Crematório de Campo Largo-PR.

 

O CRP-PR, por meio da Comissão Gestora da Sede de Foz do Iguaçu, presta sua solidariedade às amigas(os) e familiares.

Saiba como atualizar seu cadastro no CRP-PR!

Para que o CRP-PR possa entrar em contato com as(os) Psicólogas(os) cadastradas(os), é essencial manter seu cadastro atualizado, com telefone e endereços físicos e eletrônicos em dia.

Além de enviar documentos e comunicações importantes para o exercício profissional da Psicologia, a instituição visa a manter um canal de comunicação direta com suas(seus) inscritas(os) para envio de avisos importantes para cada Psicóloga(o).

Se você deseja atualizar alguma informação de seu cadastro clique no botão abaixo e selecione a opção “Atualização Cadastral”!

CREPOP abre consulta sobre Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) no Sistema Prisional

*com informações do CFP

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), por meio do Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP), abriu nova consulta pública para que as(os) Psicólogas(os) possam contribuir com a futura publicação “Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) no Sistema Prisional”.

 

 

A versão preliminar está disponível aqui e poderá receber contribuições até o dia 30 de novembro por meio de formulário abaixo.

A consulta pública é uma das etapas da metodologia do CREPOP antes do lançamento de uma referência. A ideia desta fase é que as(os) Psicólogas(os) possam fazer contribuições antes da finalização do documento, tornando o processo de elaboração mais democrático e participativo.

 

Saiba mais sobre o processo de elaboração de referências técnicas do CREPOP e sobre como participar da consulta em: www.site.cfp.org.br/consulta-publica-do-crepop-sistema-prisional

CRP-PR divulga quarta cartilha de série sobre pandemia e esportes

A última cartilha da série produzida pela Comissão de Psicologia do Esporte do CRP-PR, que já abordou os impactos da pandemia da Covid-19 sobre as(os) Psicólogas(os) do Esporte, Treinadoras(es) e Atletas profissionais, chega ao seu último volume com dicas para as(os) praticantes amadoras(es) de atividades físicas.

 

O material, produzido, em parceria com o Conselho Regional de Educação Física do Paraná (CREF-PR), traz orientações e dicas para manter a rotina de exercícios físicos sem comprometer a saúde, tanto das(os) praticantes como de suas famílias. A cartilha digital contém também uma seção especialmente dedicada às pessoas idosas, ainda mais vulneráveis neste cenário.

CRP-PR se une a pedido de ajuda para população do Amapá

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) se solidariza com toda a população amapaense que sofre, há uma semana, com as consequências do incêndio que atingiu uma subestação de energia do Estado.

A falta prolongada de energia elétrica provocou o encadeamento de prejuízos em diversos setores da sociedade amapaense. Dentre as consequências sentidas pela população estão o desabastecimento de comércios, perdas econômicas, insegurança alimentar, irregularidades no fornecimento de água, conflitos por bens de primeira necessidade, entre outros problemas.

O cenário atual submete as(os) 765 mil habitantes do Estado a condições degradantes, o que pode agravar a já existente crise sanitária provocada pela Covid-19. Neste contexto, destaca-se também a lentidão na resolução das adversidades geradas pelo incidente na subestação.

O CRP-PR une esforços e reitera o pedido de ajuda feito pelo Conselho Regional de Psicologia do Pará e Amapá (CRP-10), que representa uma categoria profissional profundamente afetada pela crise, bem como a sociedade como um todo. Como pontuado pelo CRP-10, a situação caótica em que o Estado está imerso “influencia diretamente nas condições de saúde física e psicológica do povo do Amapá”.

Pelo fim da violência contra as mulheres: CFP e diversas entidades da Psicologia destacam que julgamento do caso de Mariana Ferrer foi marcado por machismo e misoginia

“Ser mulher no Brasil é ser sobrevivente”, destaca o posicionamento do Sistema Conselhos de Psicologia e do Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENPB)

Em posicionamento, o Sistema Conselhos de Psicologia e o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENPB) criticam o julgamento do caso de Mariana Ferrer. “Mariana foi humilhada publicamente pelos “homens da lei”, sendo submetida a mais um tipo de violência – a psicológica – como mostram as imagens e áudios da defesa do acusado”.

 

Confira a íntegra do posicionamento das entidades:

 

No Brasil o movimento de mulheres vem lutando e denunciando a violência doméstica e sexual ao longo da história na tentativa de desmantelar a tese arraigada na cultura nacional que justificava a violência como “legítima defesa da honra” do homem. Essa tradição sempre esteve presente no contexto brasileiro e ainda hoje se manifesta, inclusive no Poder Judiciário, cujas decisões podem acabar inocentando autores de violência ao considerar que a mulher tem papel ativo na própria violência sofrida. 

 

Embora essa visão persista no imaginário cultural de muitas sociedades, vários avanços nas legislações internacionais, nacionais e nas políticas públicas têm sido empreendidos a fim de assegurar os direitos às mulheres. Essas transformações procuraram acompanhar as complexas mudanças sociais decorrentes dos esforços da própria sociedade civil. Entretanto, antes de focar nas mudanças jurídico-legais ocorridas especificamente no campo da violência contra a mulher, é importante ressaltar algumas balizas que definiram os direitos fundamentais na história das sociedades contemporâneas, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada em 1948 pela ONU; o Código Penal brasileiro, de 1940, que garantiu o atendimento a mulheres e meninas vítimas de estupro e direito a interrupção de gravidez não desejada; e a Constituição Federal de 1988, que declara em seu texto a igualdade entre homens e mulheres como valor supremo da ordem jurídica, assim como na vida pública e privada e, em particular, na vida conjugal.  

 

Apesar de avanços nos arcabouços legais e políticas públicas, como a criação da da Lei Maria da Penha, ser mulher no Brasil é ser sobrevivente. Como se não bastasse enfrentar os casos diários de violência doméstica, feminicídio e estupro, a Justiça brasileira parece criar novos mecanismos para justificar a absolvição de um estuprador. Em uma decisão sem precedentes, o Judiciário catarinense acatou um recurso que transforma “estupro de vulnerável” em algo que poderia ser nomeado “estupro culposo” – ou seja, estupro sem intenção, que não existe formalmente no ordenamento jurídico brasileiro. 

 

É isso mesmo. Essa foi a decisão da Justiça de Santa Catarina em relação ao julgamento do caso de Mariana Ferrer, blogueira que foi dopada e estuprada em um beach club, onde foi convidada para ser embaixadora, em Florianópolis. O julgamento do caso foi marcado por atos de machismo e misoginia em relação à vítima – que há meses lutava sozinha pela condenação do acusado. Mariana foi humilhada publicamente pelos “homens da lei”, sendo submetida a mais um tipo de violência – a psicológica – como mostram as imagens e áudios da defesa do acusado.

 

Essa excrescência compõe um quadro que inclui diariamente cenas de violência contra mulheres, naturalizadas e legitimadas por uma sociedade marcada por valores conservadores, machistas e sexistas. Longe de proteger mulheres – sejam elas meninas, jovens, adultas, idosas, com deficiência, cis ou trans – essa sociedade e suas instituições culpabilizam e condenam as vítimas por meio de processos que as violentam duplamente. Como em outros casos, responsabiliza-se a mulher vítima, e não o agressor. A decisão é grave e pode abrir precedentes ao inocentar o réu em um flagrante desrespeito às evidências apresentadas.   

 

Por séculos, o domínio sobre os corpos vem sendo aplicado, em especial, aos corpos das mulheres numa perspectiva dos interesses dos homens em desqualificar suas capacidades nos inúmeros espaços sociais, no trabalho, na expressão da sexualidade e em reduzir sua função aos saberes domésticos, à gestação, ao exercício da maternidade, à força de trabalho.

 

As condutas e comportamentos vão se construindo por meio de disputas políticas, econômicas, sociais e culturais, nas quais os estereótipos e as hierarquias de valores fortalecem as desigualdades de gênero. A tentativa de aniquilamento das subjetividades das mulheres reforça o estigma e causa profundo sofrimento emocional às vítimas das diversas violências de gênero. O estupro não acaba no ato sofrido. Ele é recorrentemente reproduzido nas diversas instâncias que deveriam acolher, cuidar e proteger nossos corpos.

 

Até quando as mulheres terão seus corpos violados e gritarão por justiça? Até quando a mulher vítima de violência será julgada por seus algozes? Por que não são julgados os estupradores mas sim as vítimas? Até quando homens seguirão livres para usar de poder político e econômico para isentar-se de suas violências e injustiças? Até quando mulheres serão vitimadas pela impunidade?

 

O Sistema Conselhos de Psicologia, reiterando o compromisso firmado a partir da Resolução nº 008/2020 e das demais produções técnicas produzidas ao longo dos anos, se soma às entidades e vozes que denunciam esse caso para que ele não seja acobertado e para que os órgãos competentes, como o Ministério Público de Santa Catarina, Tribunal de Justiça de Santa Catarina e Conselho Nacional de Justiça, tomem providências cabíveis contra essa arbitrariedade.

 

Que a repercussão de mais essa brutal injustiça seja combustível para nos provocar indignação e que possamos nos organizar para exigir que o Sistema de Justiça brasileiro responsabilize os agressores e assassinos de mulheres. 

 

Às vésperas do 25 de Novembro, Dia Internacional da não-violência contra a Mulher, seguimos vigilantes pelo compromisso da Psicologia brasileira com a transformação social e com o enfrentamento da violência institucional e de todas as formas de violência contra as mulheres. 

 


ABECIPSI – Associação Brasileira de Editores Científicos de Psicologia

ABEP – Associação Brasileira de Ensino de Psicologia

ABOP – Associação Brasileira de Orientação Profissional

ABPD – Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento

ABP+ – Associação Brasileira de Psicologia Positiva

ABPJ – Associação Brasileira de Psicologia Jurídica

ABPP – Associação Brasileira de Psicologia Política

ABPSA – Associação Brasileira de Psicologia da Saúde

ABRANEP – Associação Brasileira de Neuropsicologia

ABRAP – Associação Brasileira de Psicoterapia

ABRAPAV – Associação Brasileira de Psicologia da Aviação

ABRAPEE – Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional

ABRAPESP – Associação Brasileira de Psicologia do Esporte

ABRAPSIT – Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego

ABRAPSO – Associação Brasileira de Psicologia Social

ANPEPP – Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia

CFP – Conselho Federal de Psicologia

CONEP – Coordenação Nacional dos Estudantes de Psicologia

FENAPSI – Federação Nacional dos Psicólogos

FLAAB – Federação Latino Americana de Análise Bioenergética

IBAP – Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica

IBNeC – Instituto Brasileiro de Neuropsicologia e Comportamento

SBHP – Sociedade Brasileira de História da Psicologia

SBPH – Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar

SBPOT – Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho

 

Nota de pesar pelo falecimento da Psicóloga Ângela Maria Pires Caniato

É com grande pesar que nos despedimos ontem, 5/11, da Prof.ª Dr.ª Ângela Maria Pires Caniato, Psicóloga (CRP-08/00336), Professora Titular e Convidada de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Estadual de Maringá, pesquisadora, ex-conselheira do Conselho Federal de Psicologia (2010-2013), representante do Núcleo de Maringá da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO).

 

Reconhecida e homenageada internacionalmente por seu pioneirismo, pela qualidade de suas produções e pela firmeza de seu compromisso social, muita gente sabe que a Professora Ângela Caniato foi – e continuará sendo – uma grande referência da Psicologia na América Latina. Seus 11 livros, mais 50 capítulos e 62 artigos completos publicados também são do conhecimento de muitas(os), bem como seus vários prêmios recebidos – tal como a medalha da Associação Latino-Americana de Treinamento e Ensino de Psicologia (ALFEPSI) em 2015.

 

Mas o que muita gente não sabe, e que um grupo de ex-alunas(os) gostaria de partilhar, é que “como a força de um fenômeno da natureza, com a coragem de enfrentar cobras venenosas, com a resistência de renascer como a Phenix*, Ângela Maria Pires Caniato deixa como legado a mensagem de que a Psicologia se faz junto, para todas(os).

 

Que em seu QG, o famoso quarto de guerra, na sua casa sempre aberta para alunas(os), estagiárias(os) e amigas(os), fez um trajeto na história da Psicologia valorizando saberes de diferente idades, sempre disposta a partilhar o que sabia e ansiando por desfrutar da sagacidade e do desejo de aprender que as(os) jovens tinham para oferecer.

 

Que ensinou a muitas(os) que a rebeldia e a revolta podiam ser feitas não só em papéis e que Psicólogas(os) são fundamentais para a mudança do mundo.

 

Que lutou por um mundo mais justo para que os sujeitos pudessem ser mais felizes. Que Ângela era resistência”.

 

E, sendo assim, concluem:

 

“O que dizer nessa hora que tudo o que o coração pede é silêncio?
 Como pronunciar uma palavra de resistência se o que se quer é chorar? Tristeza, é esse o sentimento, mas também é carinho – uma palavra que Ângela sempre usava para se despedir. Um carinho tão grande que sentimos por ela, mesmo nos momentos mais duros. Aliás, estes não faltavam, porque o que ela parecia querer de nós era sempre alteridade. Carinhos nossos, eterna professora”.

 

*Ângela Caniato era responsável pelo Projeto Phenix, projeto social responsável pela inserção de muitas(os) estagiárias(os) nas periferias, com a comunidade mais empobrecida de Maringá.

 

Confira a homenagem prestada pelo CRP-PR à Professora Ângela Caniato em 2019:

*O enterro será realizado hoje, 6/11, às 12h30, no Cemitério Municipal de Maringá (capela do Prever), aberto ao público mediante o uso de máscara.

Evento Smart Mobility Digital Forum discute a mobilidade e qualidade de vida nas cidades

Entre os dias 3 e 5 de novembro, o evento Smart Mobility Digital Forum reúne profissionais para “compartilhar experiências e propor soluções para a melhoria da mobilidade e desenvolvimento das cidades”, segundo a organização do evento. O fórum, realizado de forma totalmente online, abrange temas como: Mobilidade inteligente para o desenvolvimento urbano sustentável; Tecnologias e inovação em sistemas de transporte coletivo; Desafios e perspectivas de infraestrutura para sistemas inteligentes de mobilidade sustentável; Sistemas inteligentes como suporte à governança da mobilidade nas cidades; Tecnologias e inovação para promoção da mobilidade ativa; e O uso de sistemas de mobilidade inteligente na promoção da nova agenda urbana.

A participação de Psicólogas(os) do Trânsito em espaços de debate como o Smart Mobility Digital Forum é fundamental para englobar diferentes perspectivas sobre o assunto, diversificar as temáticas discutidas e aprimorar soluções propostas para problemas de mobilidade nas cidades. Para o coordenador da Comissão de Mobilidade Humana e Trânsito de Curitiba, Fabiano Xisto Correia (CRP-08/12158), a Psicologia pode contribuir em especial com fatores de comportamento humano, uma vez que “estão diretamente relacionados não somente à violência viária como o principal fator contributivo, mas também no que tange a fatores como o próprio ambiente sendo influenciador do comportamento humano e como essa interrelação e o entendimento é fundamental para um melhor e adequado planejamento urbano”.

Apesar de ser peça importante nas discussões que compreendem a resolução de problemas e a implementação de melhorias na mobilidade urbana, a área da Psicologia está sub-representada nas discussões. “A Psicologia necessita ocupar o seu devido espaço, caso contrário outras áreas do conhecimento ocuparão”, explica Fabiano Correia. O coordenador complementa ainda que é essencial a participação de profissionais da Psicologia do Trânsito em eventos como o Smart Mobility Digital Forum para que a categoria esteja conectada com as temáticas de mobilidade e tecnologias inteligentes para cidades.

Cenário de debate sobre mobilidade humana e trânsito

A partir de metas, programas e agendas estabelecidas nacional e internacionalmente —como o projeto Road Safety in Ten Countries (Segurança Viária em Dez Países, em tradução livre) e o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito — diversos eventos, nacionais e internacionais, promovem debates que favorecem a deliberação sobre temas que concernem à mobilidade humana e trânsito.

Na Semana Nacional de Trânsito deste ano, por exemplo, o DETRAN-PR promoveu o 1º Fórum Digital. O evento paranaense debateu questões que envolvem o comportamento humano, mobilidade e tecnologia em alinhamento com o Programa Vida no Trânsito.

Outro conceito norteador para a promoção de uma mobilidade humana mais segura é a Visão Zero. O conceito originário e adotado na Suécia se baseia na premissa de que nenhuma morte prematura é aceitável e entende que a vida humana é prioridade sobre a eficiência da mobilidade e quaisquer outros objetivos dos sistemas viários e de transporte.

O que o CRP-PR defende para as eleições municipais em 2020?

Contribuições da Psicologia para a Gestão Municipal nos eixos: Saúde, Assistência Social, Educação, Direitos Humanos e Cidadania, Combate ao Racismo, Meio Ambiente, Esporte, Poder Público e Controle Social.

A pandemia da Covid-19 chegou e, com ela, imensos desafios para toda a sociedade e para a Psicologia. Estamos atravessando uma das maiores crises sanitárias da história recente da humanidade. As consequências da pandemia aprofundam uma crise social e econômica nas cidades do Paraná, muitas delas já marcadas por imensas desigualdades sociais. Além disso, enfrentamos uma emergência ambiental e climática de escala global, que afeta de forma mais contundente as parcelas mais empobrecidas da sociedade e sua condição de terem uma vida digna.

As periferias das cidades são as que mais sentem os impactos destas crises, do ponto de vista material e subjetivo. A falta de perspectivas de uma vida com direitos aumenta o sofrimento e a precarização da saúde mental. Tal situação explicita a urgência de que a Psicologia coloque a defesa de políticas públicas em primeiro plano.

Compreendemos que a superação deste momento passa por repensar a vida e os caminhos que todas(os) nós estamos trilhando, em sociedade. A Psicologia, a partir de seu compromisso social, está implicada na construção do bem viver e na promoção da saúde integral para todas as pessoas. E entendemos que esse compromisso deve orientar as candidaturas à Prefeituras e às Câmaras de Vereadoras(es) de todo o Paraná. Queremos dialogar com candidatas e candidatos aos cargos do Poder Executivo e Legislativo, mas não apenas isso: nossa intenção é promover uma agenda propositiva de defesa de direitos muito além dos pleitos eleitorais, que coopere para o monitoramento e fiscalização de políticas públicas e, consequentemente, para a interlocução fundamental do poder público com a sociedade civil e os movimentos sociais.

Com isso, também nas Eleições 2020 nos colocamos em diálogo para a construção de novas saídas que transformem nossas cidades em espaços promotores de direitos e dignidade. Apresentamos, então, as contribuições de Psicólogas(os) do Paraná, reunidas pelo Conselho Regional de Psicologia – PR, autarquia pública de orientação e fiscalização da categoria no estado, organizadas em nove áreas de atuação e pesquisa destas(es) profissionais.

Diálogos sobre saúde

O novo marco fiscal e econômico expresso na Emenda Constitucional n.º 95/2016 (conhecida como “lei do teto de gastos”) descaracteriza o Pacto Constitucional de 1988, que definia o Estado como garantidor de direitos, e já mostra seus efeitos: redução de investimentos e, consequentemente, do acesso da população a direitos sociais. Com ela, o Sistema Único de Saúde (SUS) é prejudicado, a Educação é sucateada e a Assistência Social – política pública fundamental para dirimir desigualdades – é descontinuada. É preciso que as Prefeituras Municipais e Câmaras de Vereadoras(es) se posicionem contrariamente ao sucateamento da seguridade social e das políticas públicas sob o pretexto da austeridade, que amplia ainda mais a distância entre mais ricos e mais pobres. Queremos Prefeitas(os) e Vereadoras(es) que protejam o SUS e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), complementando investimentos e garantindo a continuidade dos serviços com qualidade e segurança.

Da mesma forma, a presença das(os) Psicólogas(os) na Atenção Básica, nas equipes de Saúde da Família e de Vigilância em Saúde deve ser ampliada. Estas(es) profissionais podem contribuir não só com a atenção aos casos individuais de sofrimento mental, mas também no trabalho com as comunidades, de modo a potencializar autonomia, protagonismo e desenvolvimento, sobretudo das populações mais vulneráveis. As estratégias de promoção de saúde mental devem estar também na Atenção Primária, com envolvimento de toda a equipe multiprofissional e inclusão de Psicólogas(os) nas Unidades Básicas de Saúde.

É fundamental fortalecer a defesa do caráter público, universal e integral do SUS, em contraposição à privatização dos serviços, à desestruturação da atenção básica e à fragilização do acesso à saúde. Defendemos contratação de pessoal por meio de concursos públicos, com salários justos e valorização profissional. Lembramos que os residentes de Programas de Residência Multiprofissional em Saúde são caracterizados como estudantes em processo de formação, não devendo ser confundidas(os) como força de trabalho mais barata.

Entendemos como essencial a valorização de Psicólogas(os) Hospitalares, sobretudo neste momento de atuação nos rebatimentos da crise sanitária do novo coronavírus. Profissionais desta área têm cotidianamente comprovado a importância da atuação psicológica no contexto das emergências em saúde, tanto junto de pacientes hospitalizados e seus familiares, quanto junto às equipes. A pandemia também demonstrou a necessidade da regulação unificada dos leitos hospitalares pelo SUS para superação de desigualdades e garantia do acesso a leitos para todas(os).

Também, é importante posicionar-se contrariamente aos retrocessos na política de Saúde Mental. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) deve ser revigorada por meio de financiamento público sistemático, para que os horrores das instituições manicomiais sejam superados de uma vez por todas. É fundamental ampliar as estruturas dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para as modalidades tipo III com acesso 24h e em regime de portas abertas – mesmo que, para isso, seja necessária suplementação de recursos por parte do Município. Além disso, é importante aprimorar fluxos e processos de trabalho para que as intervenções privilegiem o cuidado em território ao invés de primar por encaminhamentos externos à RAPS.

Ainda no âmbito da Saúde Mental, defendemos a construção e consolidação de Centros de Convivência e de estratégias cooperativas de geração de renda, com apoio dos poderes públicos. Destacamos a necessidade de fortalecimento das equipes de Consultório na Rua, fundamentais para garantia do acesso à saúde por grupos vulnerabilizados, além das Unidades de Acolhimento Transitórias, para acolhimento e cuidados contínuos em saúde. Também defendemos redes de formação e supervisão técnico-institucional em Saúde Mental, com diálogos constantes entre trabalhadoras(es) e gestão, seguindo os princípios da Reforma Psiquiátrica Antimanicomial.

Além disso, compreendemos como central a construção de campanhas municipais de prevenção às ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), tais como HIV e hepatites virais. Tais campanhas devem dialogar com a diversidade e a pluralidade entre as pessoas. Também defendemos a ampliação de centros de testagem, de orientação e acolhimento a pessoas que vivem com ISTs.

É preciso fomentar a Política de Redução de Danos como tecnologia crítica de abordagem ao fenômeno das drogas. À luz dos Direitos Humanos, é central compreender a(o) usuária(o) de substâncias psicoativas como sujeito de direitos. Sendo assim, compreende-se a chamada “guerra às drogas” como um projeto equivocado, que viola direitos fundamentais constituídos e demonstra-se ineficiente na superação desse grave problema social, promovendo o encarceramento e a matança massivas especialmente da juventude negra, pobre e periférica. Reivindicamos o compromisso contra na revisão das políticas proibicionistas e criminalizadoras, pois a promoção da responsabilidade, autonomia e respeito já se provou uma estratégia de atuação mais digna e efetiva.

Por fim, somos contrárias(os) a políticas que privilegiem o internamento compulsório em hospitais psiquiátricos e Comunidades Terapêuticas como os primeiros recursos de tratamento. Também rejeitamos a lógica punitivista que coloca a política de drogas sob a responsabilidade das forças armadas e de segurança pública, pois tanto já se demonstraram ineficazes. Defendemos ações intersetoriais, que articulem Saúde, Trabalho, Esporte, Lazer e Cultura. Estas são tarefas não apenas dos Governos Federal e Estadual, mas também de gestoras(es) municipais comprometidas(os) com a dignidade humana.

Diálogos sobre assistência social

Nunca foi tão fundamental defender o SUAS! E não apenas o Sistema Único de Assistência Social, mas todas as políticas do campo da seguridade social. Queremos contar com o compromisso de Prefeitas(os) e Vereadoras(es) para o enfrentamento das múltiplas expressões da questão social, que se aprofundam no contexto de crise neoliberal que vivemos.

O SUAS deve garantir direitos e acesso aos serviços da rede socioassistencial por meio de gestões participativas, democráticas, alinhadas às demandas da sociedade e com financiamento público. É fundamental valorizar o trabalho de Psicólogas(os) no Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) e no Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) ,realizados em Centros de Referência e Centros de Referência Especializada da Assistência Social (CRAS e CREAS); nos Centros-Pop, nos serviços de Acolhimento Institucional, de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, na gestão e concessão de benefícios, entre outros.

Sendo assim, as Prefeituras devem garantir contratação de quadro funcional, infraestrutura adequada e segura e respeito à atuação das equipes, além de comando único do SUAS por parte do Poder Executivo. Além disso, gestores(as) municipais precisam atuar junto ao Sistema de Justiça para evitar a pressão e o assédio sobre as equipes de trabalhadoras(es) para realização de práticas indevidas. Por fim, entendemos que nenhum reordenamento de serviço socioassistencial deve ser feito sem acompanhamento da população, como forma de proteção contra a restrição e precarização de seu atendimento.

Ainda, destacamos que a Psicologia tem importantes contribuições para o atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica. Além disso, temos atenção especial a pessoas e famílias em contexto de risco ou violência decorrentes da negligência, abandono e/ ou discriminação. É importante que Câmaras Legislativas e Prefeituras atuem junto às(aos) Psicólogas(os) para a defesa de direitos e dignidade humana por meio do investimento concreto em ações de acolhida, convivência familiar, fortalecimento de vínculos e desenvolvimento da autonomia, conforme preconizado pela Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), ordenadora dessa importante política.

Por fim, defendemos a profissionalização do SUAS para superarmos práticas assistencialistas, fragmentadas, tuteladoras ou voluntaristas na política pública de Assistência Social, bem como a conhecida tendência ao “primeiro-damismo”. Defendemos que as gestões municipais sejam coordenadas por técnicas(os) de carreira dos Municípios, com experiência e autonomia.

Diálogos sobre educação

Lugar de Psicóloga(o) também é na Educação! A realidade escolar dos municípios do Paraná foi fortemente impactada pela pandemia da Covid-19, mas desde antes já apresentava imensos desafios. A escola é um espaço de contradições, uma vez que a potência criativa de estudantes e professoras(es) muitas vezes esbarra na precarização das estruturas e na violência do contexto social onde está inserida. A(o) Psicóloga(o) Escolar/Educacional pode ajudar a compreender o cenário e desenvolver atividades específicas que possibilitem uma relação mais potente entre a comunidade educativa (mães, pais e responsáveis, alunas(os), professoras(es), equipe multiprofissional, administrativa, de coordenação e direção) por meio da perspectiva da educação para todas(os) e de uma sociedade democrática. Por isso, agentes públicas(os) municipais que pretendam avanços na educação não podem prescindir da presença destas(es) profissionais nas redes de ensino.

Reivindicamos portanto a regulamentação da Lei nº 13.935/2019, que dispõe sobre a prestação de serviços de Psicologia e de Serviço Social nas redes públicas de educação básica. Prefeituras e Câmaras Municipais devem empreender esforços para implementar a legislação e possibilitar que Psicólogas(os) e Assistentes Sociais contribuam para a promoção das relações de respeito e enfrentamento às diversas manifestações de violência na escola.

As(os) gestoras(es) municipais e vereadoras(es) podem contar com as contribuições de Psicólogas(os) para o alinhamento da Educação com um projeto de transformação social, com a cultura de paz e a mitigação das desigualdades que estruturam nossa sociedade. Entendemos a Educação como ferramenta indispensável para o enfrentamento a toda forma de preconceito e discriminação e a Psicologia deve trabalhar para que a escola seja um ambiente de respeito às diferenças. Como Psicólogas(os), compreendemos a relação entre a implementação de conteúdos escolares críticos e transformadores, comprometidos com a diversidade e a promoção da igualdade de gênero, e a produção de subjetividades menos violentas e com menos sofrimento.

Neste sentido, entendemos a importância central do cumprimento da Lei n.º 10.639/2003, que trata da obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira, transversalizando o combate ao racismo em todas as ações pedagógicas no município.

Na interface entre a política de educação e as políticas para as pessoas com deficiência (PcD), queremos uma escola inclusiva, que respeite todas(os) as(os) estudantes em suas singularidades e potencialidades. Por isso, entendemos que a mudança na Política de Educação Especial promovida pelo Governo Federal é um retrocesso e amplia a segregação. As políticas públicas para pessoas com deficiência (PcD) devem ser construídas junto a especialistas e movimentos representativos. Reivindicamos a máxima do movimento: “nada sobre nós sem nós”.

Diálogos sobre Direitos Humanos e Cidadania

O respeito à diversidade e aos Direitos Humanos está na base de toda a atuação das(os) Psicólogas(os). Portanto, é extremamente relevante que Prefeituras contratem essas(es) profissionais para que possam atuar no acolhimento e no atendimento de pessoas e grupos vulnerabilizados, implementando cuidados que respeitem a autonomia e o protagonismo dessas populações. A atenção prestada por estas(es) profissionais às pessoas LGBTI+, pessoas com deficiência, pessoas negras, migrantes e refugiadas(os), indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua e outras minorias políticas é essencial para garantir acolhimento e direitos a esses grupos.

A Psicologia também tem papel fundamental no acolhimento de crianças, adolescentes, pessoas idosas e mulheres vítimas de violência ou em situação de abuso. Os equipamentos públicos municipais que acolhem estes segmentos devem promover proteção social e garantia de direitos, e Psicólogas(os) fazem parte das equipes multiprofissionais que podem contribuir para esta finalidade.

Também temos contribuições imensas ao campo da Segurança Pública, por exemplo, para a capacitação de suas(seus) agentes em uma perspectiva antidiscriminatória e não violenta. Da mesma forma, a(o) Psicóloga(o) também pode contribuir para a reinserção social de pessoas que estiveram em conflito com a lei, uma vez que infrações e crimes, quando praticados, decorrem de uma complexa cadeia de fatores subjetivos, coletivos e sociais e a Psicologia pode contribuir com uma perspectiva sensível e antipunitivista.

Sabemos que as unidades de reinserção de pessoas em conflito com a lei e de medidas socioeducativas restritivas de liberdade são de responsabilidade estadual, mas contamos com o apoio das Câmaras e Prefeituras para reivindicar e incentivar a presença de Psicólogas(os) em suas equipes, privilegiando experiências intersetoriais e possibilitar o trabalho real de reintegração para uma sociedade mais justa e livre da lógica do encarceramento. O exercício profissional de Psicólogas(os) pode contribuir para programas de redução da violência e dos homicídios, com políticas setoriais que não incentivem ações de justiçamento e o armamento da população como saída para a os conflitos sociais com os quais convivemos.

Reivindicamos também um compromisso especial com a luta pelos direitos de todas as mulheres e com o combate à violência de gênero. As Psicólogas(os) do Paraná defendem, portanto, a criação e/ou fortalecimento de Secretarias de Políticas para Mulheres e Igualdade de Gênero, com orçamento próprio e autonomia. O feminicídio e a misoginia não podem ser as marcas de nossas cidades. Psicólogas(os) podem contribuir imensamente para a promoção dos direitos das mulheres e o enfrentamento às violências cometidas contra elas.

No campo das políticas para a população LGBTI+, queremos cidades que respeitem a todas as pessoas! Para isso, é necessário construir políticas públicas que garantam direitos e combatam o preconceito, as opressões e violências que são cometidas cotidianamente contra essa população. A Psicologia pode contribuir tanto com a formação técnica de agentes públicas(os) quanto no próprio atendimento especializado voltando a esse segmento. Nossa intervenção no campo da Psicologia Organizacional e do Trabalho pode contribuir com o enfrentamento à LGBTIfobia e a patologização das identidades trans através de programas de promoção de pessoas sexodiversas nos campos de trabalho. É papel de Prefeitas(os) e Vereadoras(es) comprometidas(os) com a diversidade a promoção de ações de acesso igualitário às pessoas LGBTI+ a todas as políticas públicas dos municípios. Contem com o saber da Psicologia, enquanto ciência e profissão, para esse desafio!

Fazemos menção especial às políticas para pessoas em situação de rua defendendo a ampliação dos Centros-Pop nos municípios, com infraestrutura e equipe multiprofissional composta também por Psicólogas(os). Compreendemos a centralidade das estratégias como o modelo “Moradia Primeiro” e outras políticas de habitação específicas para este segmento, que podem contribuir para estruturação de outros projetos de vida e resgate da autonomia.

Gostaríamos também do compromisso em proibir que pertences da população em situação de rua (entre eles produtos de higiene básica, remédios e documentos) sejam retirados por agentes de segurança ou da assistência social. A autonomia e o direito de ir e vir são direitos básico de qualquer cidadã(o), que devem ser respeitados pelo Poder Público. A atenção à população em situação de rua exige diálogo e não deve ser feita tendo as forças de segurança pública e defesa social como ordenadoras.

Também é fundamental entender que migrar é um direito humano. Sendo assim, pedimos o comprometimento das Prefeituras e Câmaras Municipais para a criação e/ou ampliação estratégias de acolhimento e promoção de direitos à migrantes, refugiadas(os) e apátridas. A Psicologia paranaense sonha com um mundo sem fronteiras, onde ninguém seja considerada(o) ilegal. Nossa atuação pode contribuir para consolidação de políticas de acolhimento institucional e promoção de saúde mental destas pessoas, que geralmente se encontram em situação de vulnerabilidade social.

Além disso, é importante potencializar as políticas de acessibilidade e autonomia a pessoas com deficiência, adequando os levantamentos censitários para se conhecer a realidade em números e na diversidade de necessidades destas pessoas. Isso permite desenhar políticas públicas mais efetivas. Psicólogas(os) podem auxiliar, por exemplo, na implementação de programas de proteção públicos e inclusivos, voltados principalmente às pessoas com deficiência que não tenham suporte familiar ou independência pessoal e social.

Diálogos sobre o Combate ao Racismo

O racismo é uma das estruturas fundantes e potencializadoras das desigualdades sociais nos municípios do Paraná e do Brasil. Pessoas negras, via de regra, se concentram nas periferias das cidades e é perceptível a concentração de investimentos em equipamentos e políticas públicas nas áreas centrais (em especial no que se refere a trabalho, educação, cultura e lazer). Além disso, também encontramos populações indígenas em territórios urbanos, o que exige atenção especial para suas singularidades. Às periferias é imposta uma lógica de apartheid social onde gravíssimas violações de direitos humanos acontecem. Ações políticas truculentas, genocídio da população jovem, acesso precário a trabalho e renda são alguns dos exemplos.

A atuação de Psicólogas(os) nos mais diversos equipamentos públicos pode contribuir para dirimir os efeitos nefastos do racismo. O compromisso ético e político da nossa profissão nos conecta com a defesa intransigente da vida. A escuta promovida por Psicólogas(os) pode dar atenção a efeitos do racismo na produção de sofrimento emocional, já que suas consequências muitas vezes são subestimadas. Por isso a importância da atenção especializada à saúde de populações quilombolas, indígenas, caiçaras, entre outros povos originários e comunidades tradicionais.

Além disso, a Psicologia Social e Comunitária pode contribuir imensamente em equipamentos públicos para o desenho de novos projetos de vida e perspectivas a jovens negras(os) e indígenas. Deste modo, fazemos coro com os movimentos sociais que dizem: a juventude quer viver! Chega de genocídio! Dizemos não à redução da maioridade penal! Lugar de jovem é na escola, não na prisão!

Diálogos sobre Meio Ambiente

Estamos em uma crise climática sem precedentes na nossa história recente. Os efeitos do desmatamento, da exploração predatória, da poluição das águas e do ar são sentidos na pele. Só é possível garantir qualidade de vida para a população cuidando do meio ambiente.

Estamos bem quando estamos em equilíbrio com a natureza. Por isso a Psicologia se relaciona com políticas públicas socioambientais transversais, ecológicas e participativas e que considerem os saberes e a defesa da vida de comunidades tradicionais.

Nossa profissão também atua nos efeitos subjetivos da ocupação das cidades, podendo colaborar com o poder público em diversas áreas, como o planejamento urbano e a elaboração de planos de prevenção de emergências e desastres. É importante que o poder público municipal reconheça a importância dessa atuação e inclua Psicólogas(os) nestas áreas para o desenvolvimento de espaços urbanos e rurais mais seguros e sustentáveis.

Além disso, a Psicologia do Trânsito tem contribuições importantes para a mobilidade humana, dos municípios de pequeno porte aos grandes centros urbanos. Assim, é fundamental reconhecer o trabalho de Psicólogas(os) na educação para o trânsito e nos processos de avaliação psicológica neste contexto, buscando a redução da violência e dos acidentes, que causam de milhares de mortes anualmente em todo país.

Diálogos sobre o Esporte

Prefeitas(os) e vereadoras(es) também devem apresentar projetos de desenvolvimento do esporte. E é importante saber que a Psicologia do Esporte é uma das áreas que mais têm crescido e apresentado impactos positivos, já que o esporte é um importante espaço de sociabilidade e integração para as pessoas. Investir no esporte é também investir no bem-estar e na saúde mental, e Psicólogas(os) podem elaborar estratégias de fortalecimento de vínculos e suporte emocional a atletas, independentemente de competições.

Por isso, solicitamos atenção especial a políticas de democratização e acesso ao esporte, lazer e cultura, compreendendo que estas são formas de produção de qualidade de vida e cidadania.

Diálogos entre Psicologia e Poder Público

A integração entre Poder Público e sociedade civil (na qual se inclui este CRP) deve ser uma prioridade para as Prefeituras na elaboração democrática e participativa de Políticas Públicas. Sendo assim, entendemos que é muito importante que as Câmaras de Vereadoras(es) possam acompanhar e incentivar projetos de lei que promovam interlocuções com o trabalho de Psicólogas(os).

Ressaltamos a necessidade de se garantir a estas(es) profissionais condições adequadas de trabalho e de desempenho de suas funções. Por isso, o respeito à autonomia profissional, a regulamentação de uma jornada de trabalho condizente com as exigências da profissão, com carga horária de 30 horas semanais e remuneração adequada são condições básicas para garantir a qualidade dos serviços prestados à sociedade. Afinal, preservar a saúde física e mental de quem atende e de quem é atendida(o) são ações de agentes políticas(os) comprometidas(os) com a população.

Diálogos sobre Controle Social

O Controle Social compreende uma série de mecanismos de participação social na gestão, monitoramento, fiscalização e proposição de políticas públicas. Uma das formas mais comuns de envolvimento da sociedade civil neste processo se dá na composição de Conselhos de Direitos e das Conferências de Políticas Públicas específicas, indicadas na Constituição de 1988.

Como forma de ampliar a participação de Psicólogas(os) no processo de consolidação de políticas públicas do Paraná, o CRP-PR incentiva e subsidia a participação destas(es) profissionais em diversos Conselhos em vários municípios do estado. Também valorizamos as contribuições dos movimentos sociais, fóruns legítimos de articulação da sociedade civil na mobilização popular pela ampliação de direitos sociais.

Entendemos que a população deve participar ativamente das decisões empreendidas pelo Poder Executivo e propostas pelos parlamentares. Por isso, concluímos este posicionamento reivindicando posturas democráticas e dialógicas para ampliar direitos e garantir cidades mais inclusivas a todas as pessoas.

Esperamos que os novos mandatos sejam muito exitosos na promoção de Direitos Humanos e melhor qualidade de vida para toda população e desejamos sucesso às(aos) Prefeitas(os) e Vereadoras(es) na gestão das cidades para a inclusão, a promoção de saúde e bem-estar. Contem com as(os) Psicólogas(os) neste desafio.

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