2020

Questionário do Núcleo de Pessoas com Deficiência do CRP-PR busca informações sobre deficiência e acessibilidade

Por iniciativa do Núcleo de Pessoas com Deficiência da Comissão de Direitos Humanos, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) inicia uma pesquisa sobre deficiência e acessibilidade com a categoria e o público que utilizam os serviços, tantos nos espaços físicos como digitais da instituição.

 

A iniciativa tem como objetivo principal identificar as necessidades específicas das(os) profissionais de Psicologia por meio de um questionário e tornar o Conselho um espaço plenamente inclusivo e acessível, com espaço para sugestões de pontos de melhoria.

 

“A ideia surgiu da necessidade de conhecer quem são as Psicólogas e os Psicólogos com deficiência, tendo então um recorte mais preciso dessa realidade. Com estas informações a gente vai poder gerar estratégias para tornar o CRP-PR uma instituição cada vez mais acessível, com práticas inclusivas, possibilitando que as(os) profissionais com deficiência exerçam seus direitos em igualdade de oportunidades”, explica a Psicóloga Fernanda Costa Peixoto Primo (CRP-08/12328), que coordena o núcleo.

CRP-PR se torna signatário do “Manifesto em Defesa de uma Psicologia Comprometida com a Saúde Mental da População Negra”

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), como instituição comprometida com a luta antirracista, aderiu ao “Manifesto em defesa de uma Psicologia comprometida com a saúde mental da população negra” da Articulação Nacional de Psicólogas(os) Negras(os) e Pesquisadoras(es) (ANPSINEP).

O documento ressalta as circunstâncias adversas nas quais a sociedade brasileira se encontra — “[…] a crise econômica e social, política e democrática, as precárias condições de trabalho e atuação diante da pandemia e suas consequências” — e reivindica “que os saberes psicológicos estejam a serviço do povo brasileiro”. Além disso, o manifesto entende necessário que o Sistema Conselhos de Psicologia atue no resguardo do fazer profissional, mas, igualmente, “no amparo aos atendidos diante de possíveis negligência desses profissionais”.

Neste contexto, o manifesto destaca como estas adversidades atingem, com mais hostilidade, a população negra, sujeita ao racismo e à violência cotidiana, e o papel da Psicologia em defender as vidas negras intransigentemente e promover a saúde mental desta população — “é imperativo que o tema da saúde mental da população negra não ganhe só visibilidade a partir das reivindicações e proposições do Movimento Social Negro, mas também que as diferentes entidades do campo da psicologia e da sociedade civil contribua concretamente para que o lema Vidas Negras Importam ganhe materialidade”.

 

Campanha “Saúde Mental da População Negra – Importa!”

O manifesto fala ainda sobre a campanha “Saúde Mental da População Negra – Importa!”, que “[…] é um chamado a todos os setores da sociedade brasileira para fazer adesão”. A campanha pode ser encontrada no YouTube.

 

 

Orientações para profissionais de Psicologia na atenção a pessoas com deficiência e suas famílias durante a pandemia

Em função do distanciamento social necessário como forma de conter a crise mundial causada pela pandemia de Covid-19, grande número de Psicólogas(os) está aderindo à modalidade de atendimento online. Nestas situações, é importante seguir as orientações emitidas pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) quanto ao atendimento psicológico em situações de crise no contexto da pandemia, conforme Nota Técnica n.º 01/2020. É importante também estar atenta(o) às especificidades da condição de sua(seu) paciente ou cliente com deficiência, sobretudo no que tange ao uso da tecnologia, de forma que sejam escolhidos canais ou plataformas para acesso compatíveis com os recursos de acessibilidade que ela(e) utiliza. Faz-se necessário dispensar atenção também às questões de sigilo, em especial quando sua(seu) paciente necessitar de auxílio constante para atividades de vida autônoma. 

Além disto, o contato mais intenso com a família no ambiente domiciliar, durante período de distanciamento social, pode enfatizar os extremos: relações familiares superprotetoras e/ou relações familiares violentas que, cada uma a sua maneira, afastam a pessoa com deficiência do exercício de seus direitos. A superproteção reforça o isolamento e prejudica a dinâmica da vida social e afetiva, silenciando o sujeito e interferindo no desenvolvimento de suas potencialidades. Já para as pessoas com deficiência com quadros de alta complexidade, vivenciar situações de violência familiar traz o agravante da dependência que possui de seu cuidador-agressor.

No balanço geral da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos – Disque 100, as formas de violação de direitos de pessoas com deficiência mais denunciadas foram a negligência – na qual predomina a omissão de amparo/responsabilidade – e a violência psicológica.

Ao atender uma pessoa com deficiência, é necessário que a(o) Psicóloga(o) esteja atenta(o) à complexidade de sua realidade, de forma a compreender o sofrimento ético-político desses sujeitos. O período de quarentena também pode proporcionar um afastamento das pessoas com deficiências das instituições, grupos e serviços que oferecem suporte e proteção em suas vidas. Desta maneira, cabe a reflexão de como a(o) Psicóloga(o) – sendo profissional de referência para estes sujeitos – pode sustentar o cuidado para esse público neste período.

Ter um posicionamento alinhado aos direitos humanos das pessoas com deficiência é prerrogativa fundamental para uma Psicologia com compromisso social. As barreiras vivenciadas pelas pessoas com deficiência são oriundas não de sua condição individual, mas de uma realidade social excludente. Para agir de maneira transformadora em seu exercício profissional, você pode adotar comportamentos inclusivos, firmados no Modelo Social da deficiência:

• Trate a pessoa com deficiência de acordo com sua idade cronológica, ainda que respeitando as especificidades de seu quadro, de maneira a não a colocar numa posição infantilizada;


• Permita que ela participe das decisões sobre seu tratamento/atendimento, e busque estratégias para incentivar que as pessoas com deficiência intelectual, deficiências motoras que afetem a fala e transtornos do espectro autista possam expressar suas decisões;


• Assuma atendimentos de pessoas surdas que utilizam Língua Brasileira de Sinais (Libras) somente se você possuir fluência nesta língua. Ter conhecimentos básicos em Libras não significa estar capacitado para atender pessoas que a utilizam. Assumir responsabilidade profissional para algo que não se está capacitado configura falta ética;


• Valorize a deficiência enquanto marcador social de diferença quando do atendimento a pessoas em situação de rua, mulheres em situação de violência doméstica ou familiar e pessoas acolhidas institucionalmente, considerando que vivenciam uma maior vulnerabilidade, especialmente no contexto de pandemia.

Como denunciar uma possível violação de direitos de pessoas com deficiência?

 

As denúncias de suspeitas de violação de direitos de crianças ou adolescentes com deficiência devem ser encaminhadas aos Conselhos Tutelares.

 

No caso de pessoas adultas e idosas com deficiência, as denúncias devem ser dirigidas aos Centros de Referência Especializados da Assistência Social (CREAS) e às Promotorias de Justiça do Ministério Público do Paraná.

 

Também pode ser utilizada a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, pelo telefone 100, que permite manter anônima a identidade da(o) denunciante.

A Lei de Alienação Parental (LAP) completa 10 anos em meio à divergência de opiniões e críticas

A ideia de Síndrome de Alienação Parental, que subsidia a Lei da Alienação Parental (Lei nº 12.318/2010), foi proposta por Richard Gardner na década de 1980. Para este autor, tal síndrome se caracteriza como um distúrbio infantil que se desenvolveria em crianças cujos pais se encontravam em litígio conjugal, e seria induzida pela(o) genitora ou genitor que detém a guarda da criança ou do adolescente. O autor justifica que, movidas(os) por vingança e outros sentimentos desencadeados com a separação do casal, estas(es) genitoras(es) induziriam os filhos a rejeitar ou mesmo odiar o outro genitor.

No Brasil, a Lei nº 12.318/2010 – conhecida Lei da Alienação Parental – foi promulgada em 26 de agosto de 2010 e, desde então, sua constitucionalidade, seus efeitos práticos sobre as vidas das pessoas e sobre a atuação da(o) Psicóloga(o) vêm sendo motivo de debates e controvérsias.

A lei afeta diretamente a atuação de profissionais da Psicologia

A Alienação Parental (AP) é um conceito sobre o qual não se tem consenso e nem evidência científica, isto é, até o momento, as pesquisas que foram feitas sobre a temática não foram capazes de estabelecer uma diferença entre alienação parental de outros conceitos como, por exemplo, o de violência psicológica. De acordo com a Lei nº 12.318/2010, que dispõe sobre a Alienação Parental, o conceito faz referência à “interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este”.

Que condutas denotam alienação parental?

Segundo a Lei nº 12.318/2010, as seguintes ações são indicativos de alienação parental: “(1) realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; (2) dificultar o exercício da autoridade parental; (3) dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; (4) dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; (5) omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço; (6) apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente; (7) mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós”.

Impactos da lei no trabalho das(os) Psicólogas(os)

Por causar danos no relacionamento de crianças e adolescentes com suas(seus) genitoras(es), as(os) Psicólogas(os) possuem papel fundamental na avaliação desses casos — que são assunto recorrente em processos de disputa pela guarda de filhas(os) nas Varas de Família.


Para a Psicóloga Ana Lúcia Moura Henriques (CRP-08/28997) a lei é permeada de conceitos concernentes à Psicologia – entre eles, “interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente”, “exercício da maternidade ou paternidade”, “integridade psicológica da criança ou do adolescente”, “perícia psicológica”, “avaliação psicológica”, “avaliação da personalidade” e “acompanhamento psicológico” — e “portanto produz impacto na atuação das(os) Psicólogas(os)”, explica.


O impacto na atuação das(os) profissionais também aparece na forma de expectativa por parte de quem solicita a avaliação, sensação que Ana Lúcia descreve: “costumo observar que, na maioria das vezes, o pedido vem pronto, quase como uma ‘encomenda’, no sentido de que é preciso avaliar, apenas para que obtenham um resultado que eles já antecipam”.


A Psicóloga Angela Maria Zechim Luziano da Silva (CRP-08/19199) nota, de maneira similar, que a lei afeta negativamente o trabalho das(os) profissionais da Psicologia: “percebe-se a existência de algumas situações em que o processo de judicialização interfere na autonomia da(o) Psicóloga(o), fazendo com que a(o) profissional se sinta limitado ou até mesmo direcionado na execução das suas práticas”, comenta.


Para Ana Lúcia, que também é advogada, desde que a lei foi sancionada, o conceito foi apropriado por uma lógica de mercado como um produto e o fenômeno da AP gerou uma demanda para a Psicologia: “desde a promulgação da Lei de AP houve uma disseminação desse conceito entre os operadores do direito que acabam usando-o como “estratégia” nos processos e também por Psicólogas(os), que passaram a produzir documentos comprobatórios de alienação parental”, explica.

Alienação Parental e a falta de respaldo científico

“A Alienação Parental é apenas um conceito descritivo que ainda não alcançou o status de um construto psicológico, e que, portanto, não é reconhecido cientificamente”, explica Ana Lúcia, que se baseia nas classificações da Organização Mundial da Saúde (OMS) — que, por sua vez, não reconhece a Alienação Parental como distúrbio, transtorno ou categoria diagnóstica.

 

A falta de amparo científico também prejudica a averiguação desses casos. A dificuldade em avaliar se uma criança ou adolescente está em uma situação que se enquadra no conceito de AP demanda atenção redobrada por parte da(o) Psicóloga(o) que examina o caso.

 

Na visão de Rosali Terezinha Fedrigo (CRP-08/25754) – profissional credenciada pelo TJPR como perita psicológica – a falta de cientificidade para confirmar as alegações nos processos dificulta a atuação das(os) profissionais que analisam os casos. Segundo a Psicóloga, essa falta exige diferentes maneiras de avaliar os casos e “faz com que (a)o profissional de Psicologia busque indícios de conduta alienadora através de relatos verbalizados ou não de todas as pessoas envolvidas para avaliar a veracidade”, explica. Na análise desses casos, destaca-se, por exemplo, a atenção especial à linguagem que a criança utiliza ao falar sobre os pais – o que permite identificar se a maneira de se expressar condiz com a idade da criança ou se ela reproduz um discurso alheio.

Movimentos contrários à lei

No Brasil, há movimentos organizados que clamam pela revogação da lei por entenderem que o objetivo que deveria cumprir – a proteção da criança e/ou do adolescente – foi deturpado. Um dos movimentos mais ativos nessa causa é o coletivo Mães nas Lutas que alega, em seu site, que a aplicação da lei pelo judiciário tende a punir a mãe, constituindo assim uma violência institucional contra as mulheres — que, por vezes, sofrem com medidas como reversão da guarda, suspensão da autoridade parental e até perda do poder familiar.

 

A Lei de Alienação Parental (LAP) também divide opiniões no poder Legislativo. Entre os deputados e senadores, não há consenso e existe, hoje, um movimento, no Congresso, que pede a revogação da lei por entender que ela pode ser usada de maneira a subverter o que tenta assegurar.

 

O Projeto de Lei do Senado n° 498, de 2018, proposto após a CPI dos Maus Tratos, prevê a revogação da lei “por considerar que (a lei) tem propiciado o desvirtuamento do propósito protetivo da criança ou adolescente, submetendo-os a abusadores”. No entanto, a Senadora Leila Barros (PSB/DF) — relatora do projeto de lei — propôs, neste ano, um substitutivo a esse projeto, pedindo a correção de brechas da lei em vez de sua revogação. No site do Senado, é possível opinar sobre o projeto que, até o momento, possui mais opiniões favoráveis à revogação do que contra — no entanto, a vantagem é pequena, fato que reforça a falta de consenso em torno da lei.

As várias mortes da pandemia

O número de óbitos decorrentes da pandemia da Covid-19 que não para de crescer é apenas uma das terríveis facetas desta crise. É a morte visível. São as vidas perdidas que o noticiário mostra e as estatísticas contam. Mas, em cada canto do Brasil, em cada município, em cada casa, em cada família, as perdas se avolumam. São mortes silenciosas, mortes simbólicas, lutos não elaborados, dores não escutadas, vidas não valorizadas. No meio disso tudo, de tantas e tão profundas mudanças vivenciadas por cada brasileira(o), chegamos ao emblemático Setembro Amarelo, o mês de prevenção do suicídio, sendo conclamadas(os) a pensar, enquanto categoria, sobre as outras mortes da pandemia.

Ainda não é possível dizer com certeza que as crises de ansiedade, os quadros de depressão e outros sofrimentos se tornaram ou se tornarão mais frequentes e profundos por conta da pandemia. Mas, algumas observações já foram feitas por pesquisadores tanto no Brasil como em outros países e a tendência verificada é justamente essa. O desemprego que aumentou, os pequenos negócios que balançaram (e outros fecharam definitivamente), o medo de ser contaminado ou de perder um ente próximo, a sobrecarga de trabalho, as crianças que passaram a demandar atenção em tempo integral da família, o próprio distanciamento social. Tudo isso e muito mais impactou e vai continuar impactando a vida das pessoas.


Um destes estudos está sendo liderado por pesquisadoras(es) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e vai monitorar cerca de 4 mil pessoas com idades entre 35 e 74 anos, tanto saudáveis como grupos que já apresentavam ansiedade e depressão, até dezembro de 2020, para entender a dimensão das consequências do isolamento social e de todas as incertezas deste período na nossa saúde mental. Ainda, uma pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) realizada entre março e abril em 23 Estados mostrou um aumento de 80% na ocorrência de ansiedade e estresse. As principais afetadas são as mulheres, uma questão de gênero que exacerba o ainda presente desequilíbrio na divisão de cuidados domésticos. Desde a limpeza e a organização da casa até cuidados com crianças e idosos, por exemplo, as demandas ficam ainda mais concentradas quando se perde a rede de apoio – avós, babás e escolas, por exemplo – e o trabalho de “fora” passa a acontecer em concomitância, no que já é chamado por especialistas de “jornada contínua”.


A Psicóloga Dafne Drumond Boni (CRP-08/19750), trabalhadora do SUS que desde o início da pandemia atua em um Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) com pessoas recuperadas da Covid-19 e suas cuidadoras (a maioria mulheres), percebeu isso na prática: “Ser cuidadora já te coloca em uma condição de isolamento social porque a maioria das cuidadoras acabam tendo isso como atividade principal e solitária. A gente tenta contribuir para qualificar o cotidiano e resgatar a pessoa enquanto pessoa, não só enquanto cuidadora. Mas, com a pandemia, precisamos firmar a biossegurança e ela implica restrição do suporte de pessoas que passavam na casa e com quem ela desabafava… ou da vizinha que ficava um tempo ‘dando uma olhada’ enquanto ela ia à Unidade de Saúde, ao grupo X , à padaria Y”, relata.


Além do gênero, outros fatores presentes são etnia e classe social, já que a maioria das mulheres em situação de maior vulnerabilidade são negras e periféricas. “Além disso estou me deparando com muitas situações de violência. E que a pessoa não percebe diretamente ou sozinha. É durante a conversa sobre a sobrecarga do cuidado que ela vai desenrolando sua história, suas relações e começa a falar sobre a violência. E daí a partir daí consegue refletir sobre isso e sobre uma atitude possível”, conta a Psicóloga.


Alguns outros quesitos também podem afetar a tendência de maior sofrimento mental e possível aumento nos índices de suicídio, como a atividade profissional exercida, as condições de vida de cada pessoa antes e depois da pandemia e questões culturais (por exemplo, no Japão, onde a cobrança nos ambientes escolares e laborais é extrema, a quarentena fez cair em 20% o número de suicídios em abril comparado ao ano anterior, segundo reportagem publicada pelo jornal The Guardian). Assim, estudos como o “Preparing Michigan for the Behavioral Health Impact of COVID-19”, realizado pela Pine Rest Christian Mental Health Services indicando um possível aumento de 15 a 32% nos índices de suicídio no Estado Americano, podem ser bons referenciais, mas as pesquisas e dados precisam ter em conta características regionais.


O Psicólogo Paulo Vitor Palma Navasconi (CRP-08/25820) lembra que a literatura já aponta, há bastante tempo, uma tendência de aumento do suicídio em situações de crise que “levam a uma desestruturação e falta de coesão social que fragiliza a saúde mental”. Não é que crise traga, por si só, a ideia da morte como saída para o sofrimento. Na realidade, aquelas pessoas que já vinham enfrentando alguma condição potencialmente adoecedora – lembrando que o suicídio geralmente é multifatorial, ou seja, não é causado por uma única razão – podem encontrar neste momento uma dificuldade ainda mais evidenciada para lidar com o sofrimento.


“A Covid-19 é uma doença que atinge teoricamente a todos de forma igual, sem distinção de gênero ou condição social. Mas, na prática, nós percebemos que isso não é verdade, já que a pandemia intensifica vulnerabilidade e expõe as diferenças sociais”, destaca o profissional, autor do livro “Vida, adoecimento e suicídio”, com recorte sobre jovens negros(as) e LGBTTIs.


Suas palavras são ancoradas em dados. Quase 70% das pessoas que acessam exclusivamente o Sistema Único de Saúde no Brasil são negras, e a mortalidade por Covid-19 em UTIs, de acordo com estatísticas, é o dobro da registrada na rede privada. Além disso, mulheres (especialmente as negras) são as que recebem menores salários, vivem em regiões mais precarizadas – sem acesso a bens básicos como água encanada e saneamento básico – e precisam frequentemente sustentar suas residências sozinhas. São pessoas esquecidas pelo Estado e ainda mais fragilizadas pela pandemia.


A Psicóloga Dafne Boni lembra do período em que trabalhava em um CAPS, em 2016, e do impacto que a crise econômica daquela época teve no que chamou de “boom de ideação suicida”. “Muita gente que não tinha condição de retornar ao trabalho e estava sem nenhum amparo nos seus direitos acabava reagindo pela via da autoagressão. Então imagino que estamos no caminho disso acontecer”, diz. Ela ainda relata que, devido à Covid-19, muitas pessoas enfrentam dificuldade de retornar ao trabalho por sequelas, como alterações importantes na respiração, fadiga, dificuldade motora e mesmo alterações cognitivas; parte dessas(es) trabalhadoras(os), que já vinham de atividades precarizadas, ainda enfrentam barreiras para acessar auxílios no INSS.

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PodPsi “Morte, Luto e Suicídio”

E como podemos prevenir o suicídio?

Não existe um guia para impedir que alguém interrompa sua própria vida porque, como já vimos, as realidades são diferentes. Paulo Navasconi alerta que listas com dicas para enfrentar a quarentena ou para melhorar a saúde mental podem ser válidas, mas é preciso olhar com atenção já que uma dica impossível de ser colocada em prática pode até mesmo instigar a sensação de culpa por não se enquadrar. Então, o que fazer? “O primeiro passo é reconhecer o sofrimento e identificar com quem se pode contar, de que modo é possível buscar ajuda”, explica o Psicólogo.

 

Para quem está do outro lado, escutando e acolhendo, Navasconi fez um alerta durante a live “Morte, Luto e Suicídio”, promovida pelo CRP-PR. “A gente precisa pensar e repensar, por exemplo, quem são essas pessoas que estão gritando, almejando pelo olhar do outro, mas que muitas vezes não conseguem receber esse olhar do outro porque sequer é visto como um sujeito, sequer é visto como um indivíduo”, explicou ao concluir a fala sobre o apagamento das vivências negras e periféricas. Ele ainda destacou que, muitas vezes, Psicólogas(os) não sabem como agir diante desta população e seus sofrimentos porque a formação é pouco plural.

 

Independente do contexto em que acontece e se manifesta, um comportamento suicida não é um ato individual. Ele é, ao mesmo tempo, sintoma de uma sociedade com profundas chagas e denúncia de que a solução deve ser coletiva. Para Paulo, “o suicida denuncia para a nossa sociedade que nós não estamos bem, que o sofrimento é político”; Dafne propõe que a tentativa ou ideação suicida “é uma reação ou uma saída individual para saídas, reações e resistências que necessitam ser coletivas: a luta por melhores condições de vida”.

O suicídio na RAPS

Quando a Rede de Atenção Psicossocial foi pensada, no início dos anos 2000, ainda não se discutia a prevenção do suicídio como hoje, como explica o Psicólogo Altieres Edemar Frei (CRP-08/20211). De lá para cá, a sociedade mudou, e outras demandas emergiram. Ainda que o suicídio em si não seja um fenômeno novo, o manejo ainda pode ser um tabu em muitos equipamentos. “O tema ainda é permeado por capas e mitos, e ainda é presente nos discursos crenças como ‘quem quer faz’ ou ‘faz para chamar a atenção’”, conta o profissional, que durante cerca de um ano percorreu mais de 40 municípios do Paraná na pesquisa chamada “Cartografia da RAPS”.

 

A Psicóloga Dafne, com larga experiência na ponta da rede de atenção, relata que os protocolos vigentes não se adequavam à realidade. Os problemas eram muitos, incluindo dificuldade de acolher cada demanda em seu devido grau de complexidade, acolher e escutar o sofrimento de cada paciente, grande foco na medicalização e contenção dos sintomas, além da dificuldade de dar coesão e continuidade ao trabalho devido à sobrecarga da equipe. Além disso, divergências na equipe multiprofissional, falta de estímulo à capacitação contínua e adoecimento da equipe eram fatores que desafiavam a resposta dos equipamentos. “A gente perdeu várias situações para o internamento em hospital psiquiátrico, o tal circuito manicomial e a consequentemente cronificação, estigma e patologização”, relembra a Psicóloga.

 

A pandemia, como em outras instâncias, pode ser um agravante, já que comportamentos como o uso abusivo de álcool e outras drogas e transtornos de saúde mental ficam mais densos. Além disso, a resposta que as(os) brasileiras(os) como um todo estão tendo em relação ao luto pode ser um desafio. A negação e a aparente falta de empatia podem ser uma forma de lidar com o trauma excessivo, na opinião de Paulo. Já Altieres supõe que uma explicação possa estar na vulnerabilidade de grande parte da população. “Com o auxílio emergencial, o real impacto econômico ainda não foi sentido”, conjectura.

 

Já entre aquelas(es) que passaram pela experiência da internação em uma UTI, Dafne acredita que não há, atualmente, condições emocionais de assimilar: “Parece que para conseguir viver um luto precisam estar em um grau de consciência que a vida não tem permitido”.

Autocuidado

Toda(o) Psicóloga(o) sabe que cuidar da saúde mental de outras pessoas é, por si só, uma sobrecarga à própria. Além disso, para garantir aptidão à escuta, ao acolhimento, é preciso providenciar adequados processos terapêuticos e de supervisão técnica, quando necessário. Mas, e quando a(o) Psicóloga(o) adoece?

 

Por diversos fatores, como sobrecarga de trabalho e falta de condições adequadas para atuação, a categoria pode ser um grupo vulnerável aos transtornos de humor e ao próprio suicídio, ainda que estes sejam temas tabus. Em sua pesquisa de mestrado, a Psicóloga Fabiane da Fontoura Messias de Melo (CRP-20/2028) estudou as condições de saúde mental de um grupo de Psicólogas(os) lotadas em um hospital na região norte do Brasil. “Não esperava encontrar um sofrimento tão intenso”, relata. A falta de um lugar (físico e também simbólico) para o trabalho era um dos fatores observados, bem como a ausência de apoio e reconhecimento ao trabalho da(o) Psicóloga(o). “A longo prazo, o sofrimento pode levar ao adoecimento”, explica a hoje professora da Universidade Federal do Acre.

 

O impacto da Covid-19 veio a se somar aos problemas: medo de perder renda ou o emprego, incertezas no atendimento online ou medo de se contaminar com o vírus no atendimento presencial, além da já mencionada sobrecarga de trabalho, especialmente para as mulheres, quando em casa. As desigualdades do país também contribuem para que cada pessoa viva a experiência de uma forma diferente, e o atendimento psicológico pode não estar disponível para todos. “O Acre é um Estado pobre, e a maioria não tem condições de fazer o atendimento online, ou por não ter internet, ou por não ter condições físicas como um cômodo privado. Mesmo quando consegue, o setting está modificado, a rede cai, o sigilo fica comprometido. Vivemos uma situação nova e é preciso produzir novos conhecimentos”, conclui Fabiane.

CRP-PR assina manifesto contra intervenção no Consepir

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) tornou-se signatário de um manifesto da sociedade civil em repúdio à intervenção do Governo do Paraná no Conselho Estadual da Igualdade Racial (Consepir). A situação ocorreu após pedido de licença do então presidente, Saul Dorval, quando membros da entidade haviam elegido José Luiz Teixeira para ocupar o posto. No entanto, o conselheiro vice-presidente Isaac Ramos foi nomeado de forma que está sendo considerada arbitrária. De acordo com o manifesto, a decisão “fere frontalmente o que diz o artigo 4º da Lei que cria o Consepir, ou seja, o ‘Consepir não ficará sujeito a qualquer subordinação hierárquica ou político partidária, de forma a preservar sua autonomia e o regular exercício de suas atribuições'”.

José Luiz conta que, desde 2018, o Governo paranaense vem fazendo intervenções no Consepir e afirma que a decisão da Justiça de conceder uma liminar em prol da nomeação foi equivocada. Segundo ele, os movimentos sociais estão se articulando para tentar derrubar a liminar, “por acreditar que o cargo é da sociedade civil e não do governo”.

“Este conflito interno repercute em toda a sociedade. Nós temos várias metas a serem cumpridas, várias ações para serem votadas como, por exemplo, os editais do Neab que nós abrimos para sete universidades do Estado do Paraná para fazer um trabalho voltado ao povo negro e cigano, além de outros projetos alternativos, que nós não conseguimos discutir porque há esse impasse judicial. É necessário que o Consepir esteja funcionando para que tenhamos a realização daquilo que a sociedade precisa”, afirma José Luiz, complementando que todas as políticas para estas populações são idealizadas e executadas via Consepir.

A ação governamental se alinha, de certa forma, a uma tendência no país, uma vez que membros da Coalizão Negra por Direitos que compunham o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial foram demitidos após assinarem pedido de impeachment contra o presidente da República. “A sociedade perdeu como um todo. O governo não sabe ainda discutir o povo negro, não sabe as desigualdades e as alternativas para a gente suprir estas dificuldades. Ele [o governo] tem que aprender a discutir, conhecer e reconhecer o que o povo negro trouxe de beleza, de cultura para este país”, analisa o conselheiro estadual, que também representa o Paraná na instância nacional.

Ao assinar o manifesto, o CRP-PR se coloca ao lado das populações negras e quilombolas do Paraná e de todo o país, na defesa de condições de igualdade. “Nós não aguentamos mais. É necessário que a gente faça uma sociedade de iguais”, conclui José Luiz Teixeira.

Para saber mais:

Assembleia orçamentária traz inovações e define congelamento da anuidade para 2021

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná realizou no último dia 29 de agosto a assembleia orçamentária para a definição dos valores de anuidade que serão praticados em 2021. Pela primeira vez na história do CRP-PR e do Sistema Conselhos de Psicologia, a assembleia foi realizada de forma totalmente online, medida que foi tomada em função das restrições e da necessidade de distanciamento social impostas pela Covid-19. A inovação facilitou a participação de profissionais de todo o Estado, diferente do que ocorria na modalidade exclusivamente presencial, para a qual havia necessidade de deslocamento à capital do Estado.

Para possibilitar o diálogo, a autarquia utilizou uma plataforma especializada pela qual as(os) Psicólogas(os) paranaenses puderam se inscrever para participar do evento e tecer comentários e dúvidas em relação ao conteúdo. A plataforma contabilizou também, com total transparência, o voto das(os) participantes. Além disto, a apresentação foi transmitida pelo Youtube em sua maior parte e está disponível integralmente para acesso no canal do CRP-PR na rede social. Outra forma de ampliar a participação e acessibilidade foi ofertar a interpretação em tempo real das discussões em LIBRAS.

Ao todo, tivemos a inscrição de 114 Psicólogas(os). Na data e horário de início da Assembleia, entraram para participar da discussão 56 Psicólogas(os) em condições de voto. Por maioria, foi aprovada a proposta realizada pelo XIV Plenário, que defendeu a manutenção dos valores praticados em 2020 para 2021.

Confira a seguir os valores definidos para o próximo ano:

Pessoa Física:

– Anuidade de R$ 513,79 (quinhentos e treze reais e setenta e nove centavos);
– Desconto de 15% (quinze por cento) para pagamento à vista até 31 de janeiro de 2021;
– Desconto de 20% para recém-formadas(os) até 24 meses (para a primeira anuidade do registro);


Pessoa Jurídica

– R$ 260,29 para empresa com capital social até R$ 50.000,00
– R$ 513,79 para empresas com capital social acima de R$ 50.000,01

Relatório Integrado

Durante a assembleia orçamentária foi apresentado o Relatório Integrado de Gestão 2019, relatando as ações e resultados da organização que são possíveis com o investimento realizado pelas(os) profissionais, além de todos os dados financeiros do exercício. O documento já está disponível para acesso de toda a sociedade no Portal da Transparência. Essa foi a primeira vez que a instituição apresentou seu resultado por meio de relatório integrado para o Tribunal de Contas da União.

Um dos objetivos do formato foi apresentar os dados em linguagem mais acessível, possibilitando aprofundar os processos de transparência aos quais o CRP-PR já vem se dedicando. Pedimos que conheça o documento no link: https://transparencia.cfp.org.br/wp-content/uploads/sites/9/2020/08/Relatorio-integrado-de-gestao-compactado.pdf

Serviço digital

Outra definição apresentada na reunião é que a emissão dos boletos para 2021 será totalmente digital. A mudança cumpre diversos objetivos, entre eles: reduzir custos com a postagem dos documentos, minimizar impactos ambientais com o uso desnecessário de papel e ampliar a praticidade para a categoria. Desta forma, as(os) profissionais receberão os boletos no e-mail cadastrado na autarquia e poderão também realizar a emissão da segunda via das guias no site do CRP-PR.

Aliás, atualizar o e-mail também ficou mais fácil neste ano com a implantação dos serviços online. Confira e mantenha atualizado seu cadastro, clicando neste link.

Participação e divulgação

O empenho do CRP-PR começou pela divulgação antecipada da assembleia orçamentária, que ganhou espaço nas últimas edições da Revista Contato, informativo impresso que é entregue diretamente a todas(os) Psicólogas(os) ativos da instituição. A convocação para a assembleia foi também publicada no Diário Oficial da União n.º 126 – Seção 3 do dia 03 de julho de 2020 como também no dia 26/08/2020 n.º 164 – Seção 3, e em jornais de grande circulação, além de textos no site e nas redes sociais do Conselho.

A preparação para o evento passou ainda pela contratação da plataforma para a atividade – a Cisco Webex – para possibilitar a realização das assembleias. A plataforma passou por inúmeros testes por parte de conselheiras(os) e funcionárias(os) do CRP-PR, visando a ofertar a melhor experiência possível à categoria durante o evento. Ao todo se inscreveram para participar da assembleia 114 profissionais, com comparecimento de 49,12%. Link para acesso a Ata da Assembleia Orçamentária: https://transparencia.cfp.org.br/crp08/ata/ata-da-assembleia-orcamentaria-relativa-ao-exercicio-do-ano-2021/

Campanha “Que Psi você quer?” reúne anseios da categoria para a profissão

Durante todo o mês de agosto, a categoria e a sociedade participaram da campanha “Que Psi você quer?”, uma iniciativa do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) para dialogar e conhecer mais sobre os anseios em relação à Psicologia neste momento de tantas incertezas em nosso país e no mundo. Além dos posts nas redes sociais e da Revista Contato, promovemos uma live e uma reunião aberta sobre o tema. As respostas chegaram das mais variadas formas e revelaram que as(os) Psicólogas(os) desejam uma profissão comprometida com os direitos humanos, com a universalização do acesso e com a saúde mental de todas e todos, pautando-se por lutas essenciais como o antirracismo.

Todo este exercício de diálogo é coletivo, está sendo construído por conselheiras(os), colaboradoras(es), funcionárias(os) e vocês, Psicólogas e Psicólogos que atuam todos os dias em prol de uma sociedade mais justa e liberta de opressões.

 

O CRP-PR agradece a participação de cada uma e cada um que dedicou algum tempo a esta proposta. Agora, vamos analisar qualitativamente todo o material reunido para, então, construirmos lado a lado estas Psicologias que queremos.  

Revista CadernoS de PsicologiaS encerra recebimentos de trabalhos com grande adesão da categoria

Encerrou-se no último domingo (30) o recebimento de artigos, resenhas e relatos de experiência para a primeira edição da revista CadernoS de PsicologiaS. A nova publicação do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) é uma iniciativa para dar visibilidade às produções de Psicólogas(os) paranaenses e traz como tema inaugural os “Atravessamentos da Covid-19 nas práticas e saberes em Psicologia”.


A Comissão Editorial, composta por membros do XIV Plenário, colaboradoras(es), profissionais do corpo técnico e pareceristas, comemorou a grande adesão por parte da categoria. Ao todo foram 41 trabalhos enviados, que serão avaliados com base em uma linha editorial pautada no compromisso ético da Psicologia, em busca de refletir a pluralidade da práxis.

“Ficamos muito contentes quando soubemos que a revista CadernoS de PsicologiaS recebeu 41 submissões, distribuídas entre as ‘Inquietações Teóricas’ e ‘Relato de Experiência’. Isto nos indica a importância deste veículo para a troca de experiências e sua consequente reflexão teórica, e o acerto do CRP-PR em garantir esse espaço”, analisa o Conselheiro João Batista Martins (CRP-08/07111).

A publicação dos textos aceitos está prevista para acontecer ainda em 2020, após a avaliação dos manuscritos. Vale lembrar que todas(os) as(os) autoras(es) receberão um contato da Comissão Editorial com um retorno sobre a produção.

CRP-PR publica Relatório Integrado de Gestão

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) publicou em agosto o novo Relatório Integrado de Gestão, um documento que reúne as informações técnicas, administrativas e financeiras da instituição ao longo de 2019.

 

Apesar de ser uma exigência do Tribunal de Contas da União, o relatório é elaborado para ser uma ferramenta de transparência para a categoria e a sociedade. Nele constam ações e atividades dos diferentes setores do CRP-PR – como as Comissões Temáticas e Gestoras, Assessorias de Políticas Públicas e Pesquisas, Comunicação Social, etc. –, além de demonstrativos financeiros detalhados, o que permite o acompanhamento da gestão (que em 2019 foi dividida entre dois grupos devido às eleições realizadas em agosto).

 

“Este relatório demonstra o nosso compromisso e preocupação com informações mais acessíveis e nítidas, favorecendo a participação da categoria no Conselho. Foi um longo processo de elaboração, que contou com o corpo funcional do CRP-PR, para aproximar as Psicólogas e os Psicólogos deste controle social da instituição”, explica Renata Campos Mendonça (CRP-08/09371), Conselheira Tesoureira do CRP-PR.

Como participar do CRP-PR?

Para além das informações prestadas neste Relatório, convidamos a todas e a todos a conferir o Portal da Transparência, comparecer às Assembleias, Plenárias, compor as Comissões Especiais e Temáticas, enfim, participar ativamente da construção diária do Conselho e do cumprimento de suas funções. Desta forma, ampliaremos o diálogo com a categoria e com a sociedade para a defesa de uma Psicologia ética, transformadora, implicada na promoção de direitos humanos e no combate às opressões.

Dia das Psicólogas e dos Psicólogos

Há 58 anos, em 27 de agosto de 1962, foi promulgada a Lei nº 4199, que regulamentou a profissão de Psicóloga(o) no Brasil. Mais tarde, esta data foi oficialmente instituída no calendário nacional como Dia da(o) Psicológa(o) pela Lei nº 13.407/2016. Ou, como preferimos, Dia das Psicólogas e Psicólogos, para evidenciar a pluralidade, marca essencial de nossa ciência e profissão.


Este é um dia, portanto, que nos convida a rememorar histórias – individuais e coletivas – sobre nossa relação com a Psicologia. É tempo de celebrar avanços, conquistas, lembrar da nossa formação e de todos os encontros que a Psicologia nos proporcionou.


Também é tempo de refletir sobre a prática, sobre que Psicologias estamos construindo, lado a lado. Como nossos fazeres em Psicologia estão contribuindo para a transformação da sociedade, a promoção dos direitos humanos, a valorização da diversidade, a emancipação dos sujeitos e coletividades, e o enfrentamento a todos os tipos de opressão? Quais os desafios que ainda precisamos encarar, e que caminhos devemos ousar trilhar, enquanto categoria, para superá-los?


É nesse sentido que o Conselho Regional de Psicologia do Paraná, neste 27 de agosto, pergunta a toda categoria e sociedade: Que Psi Você Quer? Diante de um cenário de tantas turbulências, em um momento social tão delicado, qual é o nosso horizonte para a profissão que construímos e que é parte de nós?


Em um exercício amplo de diálogo, já descobrimos algumas pistas. A categoria quer uma Psicologia valorizada, efetivamente acessível a todas as pessoas, capaz de cuidar da saúde mental das próprias Psicólogas e Psicólogos, que defenda a democracia e os direitos humanos, esteja presente nas políticas públicas e, especialmente neste momento, consiga atuar em contextos conturbados – como o que estamos vivendo pela crise da pandemia.


Que esta data nos permita a reflexão sobre o futuro da Psicologia que queremos, e que nos ajude a confirmar a alegria pela nossa escolha profissional. Que possamos conquistar cada vez mais espaços para fazermos a diferença nos meios em que nos inserimos. As conquistas da Psicologia são também avanços para toda sociedade.


Parabéns a todas as Psicólogas e Psicólogos pelo seu compromisso social diariamente reafirmado. Estamos juntas(os) nessa caminhada, com muito afeto e dedicação.

Como fazer uma denúncia ao CRP-PR?

Os Conselhos Regionais de Psicologia têm entre suas atribuições a fiscalização do exercício profissional de Psicólogas(os), a fim de orientar estas(es) profissionais sobre os parâmetros éticos de atuação e garantir a qualidade dos serviços prestados à sociedade.

Desta forma, fatos referentes ao descumprimento do Código de Ética e das demais normativas profissionais vigentes por parte de Psicólogas(os) podem ser encaminhados ao CRP do estado onde tais situações ocorreram. Qualquer pessoa ou usuária(o) de serviços psicológicos que tenha se sentido prejudicada(o) por má conduta profissional pode realizar uma notícia/queixa para que os fatos sejam apurados ou uma representação formalizada.

Mas, você sabe como fazer isso?

Existem duas formas de denúncia ao Conselho quanto ao descumprimento de normativas do exercício profissional da(o) Psicóloga(o):

 

1) Por meio de notícia/queixa à Comissão de Orientação e Fiscalização (COF) para que verifique a pertinência e promova inspeções, orientações ou mesmo representações quando for o caso. Nesta modalidade, a(o) interessada(o) que encaminhou a notícia/queixa à COF não será informada(o) sobre os encaminhamentos, uma vez que os procedimentos tramitam em sigilo. O repasse das informações à COF pode se dar de forma anônima e a comunicação pode ser feita pelo formulário disponível em: www.crppr.org.br/guia-de-orientacao ou pelo e-mail crp08@crppr.org.br

 

2) Por meio de uma representação formalizada, na qual a(o) interessada(o) protocola uma denúncia por escrito, endereçada à Presidência do CRP-PR, que a encaminhará para a Comissão de Ética (COE). Após a análise da representação, o Conselho poderá instaurado um processo disciplinar ético e, neste caso, a(o) interessada(o) deverá se identificar, pois figurará como parte denunciante e acompanhará toda a tramitação do processo.

 

Devido às medidas de distanciamento social impostas pela pandemia da Covid-19, em abril, o CRP-PR regulamentou o recebimento destas denúncias via e-mail. Desde então, tem recebido denúncias pelo endereço:  presidente@crppr.org.br

Confira mais informações sobre denúncias em https://crppr.org.br/fazer-denuncia/

Posso denunciar pelas redes sociais?

Cada vez mais nos expressamos e comunicamos pelas redes sociais, e o CRP-PR se faz presente nesses espaços para promover orientações, diálogos com a categoria e a sociedade, e informar sobre as atividades do Conselho.

Também é crescente o número de Psicólogas(os) que as utilizam para divulgação de seus serviços. Sendo assim, é comum nos depararmos com situações que podem gerar dúvida quanto à regularidade destas publicações.

Porém, não é ideal realizar denúncias por esses canais, ou mesmo marcar a instituição em postagens de páginas ou perfis do Facebook, Instagram, Twitter ou outros. A simples marcação não garante as condições éticas para a tramitação dos processos e, em grande parte dos casos, não há informações suficientes para que as equipes da COE e da COF possam apurar as denúncias. Por isso, pedimos que as denúncias sejam feiras por e-mail ou formulário no site.

Limites da atuação

De acordo com a Lei n.º 5766/1971, a instituição tem atribuição de fiscalizar apenas profissionais da Psicologia. Assim, não temos jurisdição para fiscalizar perfis e páginas com frases motivacionais, dicas de comportamento, entre outras reflexões que não competem ao exercício profissional de Psicólogas(os).

Sendo assim, ressalta-se que o Ministério Público tem como atribuição constitucional a defesa dos interesses sociais e individuais. Deste modo, eventuais denúncias sobre exercício ilegal da profissão ou outras matérias sobre as quais o CRP-PR não possa atuar, podem ser endereçadas ao MP-PR. São os canais de contato: https://mppr.mp.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=7915

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