2018

Revista Contato: última edição de 2018 fala de resiliência, saúde mental e muito mais

Os ditados populares costumam transcrever para a linguagem corriqueira os mais sábios conhecimentos. E está na “boca do povo”, como dizem, que “depois da tempestade vem a bonança”. Na última edição de 2018, queremos falar sobre como enfrentar a tempestade com mais resiliência e como buscar uma bonança que pode ou não ser aquela almejada antes da tormenta.

Você vai conhecer histórias de pessoas que venceram grandes dificuldades e entender, a partir de entrevistas com profissionais da Psicologia, os mecanismos cerebrais e subjetivos que nos levam a encontrar felicidade mesmo antes do fim do túnel.

A revista também reproduz na íntegra uma reportagem publicada pelo portal AzMina sobre a maneira como a loucura foi atribuída às mulheres ao longo da história “da histeria na antiguidade, passando pelas bruxas e as vítimas de eletrochoque, e chegando às esposas indesejadas internadas por maridos nos dias de hoje”. Um texto profundo e que instiga reflexões.

A edição ainda traz orientações sobre o atendimento online diante da nova Resolução CFP nº 011/2018, além do debate sobre a elaboração dos construtos da avaliação psicológica no contexto do trânsito e sobre as boas práticas em avaliação psicológica no âmbito educacional.

Desejamos a você, Psicóloga e Psicólogo, um excelente final de ano. Em 2019, estaremos juntos em nossa caminhada por uma Psicologia cada vez mais presente na sociedade!

Boa leitura!

Apaf traz alterações na avaliação psicológica, nota técnica sobre coaching, novo Código de Processamento Disciplinar e nova Carteira de Identidade Profissional

A Assembleia das Políticas, da Administração e das Finanças (Apaf), realizada nos dias 14, 15 e 16 dezembro de 2018, trouxe diversas novidades para o exercício profissional da(o) Psicóloga(o) e para os processos internos de gestão dos Conselhos Regionais de Psicologia. “Esta foi uma Apaf bem produtiva e o Paraná teve um papel de destaque em discussões de temáticas que vão melhorar a prestação de serviços do CRP e vão possibilitar uma atuação profissional com mais qualidade técnica e rigor ético”, explica Carolina de Souza Walger (CRP-08/11381), conselheira-secretária do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), que esteve na Apaf representando o Estado.

A avaliação psicológica, que está presente em diversas áreas de atuação das(os) Psicólogas(os), passará a ser uma especialidade. Isso porque a avaliação psicológica envolve uma série de métodos e técnicas e a especialização poderá possibilitar maior competência para a realização desta atividade. A conselheira Iara Lais Raittz Baratieri (CRP-08/18399), que participou da Apaf, destacou a importância de o Paraná participar deste momento e disse que esta alteração aponta para a sociedade a importância da avaliação psicológica.

A alteração ainda não está valendo e a minuta da nova resolução será redigida por um Grupo de Trabalho, do qual o Paraná fará parte, sendo que a aprovação deverá ser realizada em Apaf de 2019. No entanto, a consolidação da avaliação psicológica como especialidade não impedirá que outras(os) Psicólogas(os), sem o título, exerçam a atividade, tal como já acontece com as demais especialidades.

A atuação de Psicólogas(os) também sofrerá alterações em virtude da revisão das Resoluções CFP nº 007/2009 – sobre avaliação psicológica para concessão de Carteira Nacional de Habilitação, que mudará para atender a novas regras do Contran – e a nº 007/2003 – sobre produção de documentos. “Esta é uma demanda da categoria porque a resolução [nº 007/2003] é antiga, tinha seus problemas. A gente precisa lembrar que a emissão de documentos é o principal motivo de processos éticos, então foi um grande avanço, a resolução passou por muitas modificações”, destaca Carolina de Souza Walger (CRP-08/11381), conselheira-secretária do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR). As novas resoluções ainda não foram divulgadas.

A prática do coaching não é privativa da(o) Psicóloga(o), mas muitas(os) profissionais optam por ofertar este serviço. Por esta razão, a Apaf deliberou pela publicação de uma nota técnica orientando que a(o) profissional pode atrelar esta prática à Psicologia, mas elencando uma série de critérios para garantir o rigor ético e técnico.

A nota reúne diversos artigos do Código de Ética Profissional do Psicólogo (CEPP) que devem ser levados em consideração para que o coaching seja exercido de forma ética, técnica e científica, visando à proteção da população atendida.

O Paraná também participou do Grupo de Trabalho (GT) sobre a Política de Orientação e Fiscalização. Um dos resultados apresentados é o novo Código de Processamento Disciplinar (CPD), que traz diversas alterações e vai melhorar os fluxos de processos éticos. A conselheira Iara Lais Raittz Baratieri (CRP-08/18399), que participou do GT, explica que o CPD foi atualizado para dar conta das novas normativas e demandas, como os atendimentos online. “Além disso, ele elimina diversos casos omissos e traz mais celeridade aos processos”, complementa.

O novo CPD ainda não está em vigor e, quando for publicado, contemplará uma regra de transição para os processos em andamento.

Após diversos estudos técnicos e financeiros, a Apaf aprovou a nova Carteira de Identidade Profissional (CIP), que passará a ser confeccionada em cartão mais durável feito de policarbonato – semelhante aos cartões de crédito – e com chip de identificação. Também será possível emitir uma e-CIP, disponível em meios eletrônicos como o celular por meio de aplicativo, o qual também trará serviços como a emissão de boletos.

A troca da carteira antiga pela nova não será obrigatória e as(os) Psicólogas(os) poderão realizá-la à medida que necessitarem realizar o pedido de segunda via. Os novos documentos, no entanto, ainda não estão sendo emitidos, uma vez que dependem da aquisição dos materiais necessários, e não há data prevista para que a medida entre em vigor.

O Grupo de Trabalho de Gestão da Informação levou à Apaf dois novos sistemas. Um deles se propõe a integrar os sistemas de informações cadastrais, financeiro, de fiscalização e orientação e de gestão de processos. O sistema, a ser contratado por licitação, deve ser totalmente ligado à rede web, responsivo e atender aos requisitos de acessibilidade.  

Já o SEI! (Sistema Eletrônico de Informações) pretende gerir documentos em um ambiente de nuvem, de forma a eliminar o uso de processos em papel e firmar um compromisso com a sustentabilidade. O SEI! já é usado desde 2017 pelo Conselho Federal de Psicologia e foi testado em um projeto-piloto pelo CRP-DF. Em janeiro será disponibilizado um calendário com as datas de implantação em cada Regional do país, o que possibilitará a integração das informações.

O Grupo de Trabalho de Políticas sobre Álcool e outras Drogas levou à Apaf uma Resolução que trata do credenciamento de instituições e serviços residenciais de caráter transitório para pessoas em uso abusivo de álcool e outras drogas. O documento vai nortear os processos administrativos relacionados ao registro das empresas, levando em consideração o compromisso dos Conselhos de Psicologia com o respeito aos Direitos Humanos e à Luta Antimanicomial.

Psicólogas(os) de Rondônia e Acre passarão a contar com um novo Regional, o CRP-24, com sede em Porto Velho (RO), que se desmembra do CRP-20 (Amazonas e Roraima). Para a conselheira-secretária do Paraná, Carolina de Souza Walger (CRP-08/11381), a mudança representa um ganho para a sociedade da região e para a(o) profissional, que passa a ter um CRP mais próximo.

A mudança levou em consideração as peculiaridades da região, a cultura e as dimensões dos Estados.

Nota de pesar pelo falecimento do vice-presidente do CRP-15, José Félix Vilanova Barros

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) lamenta informar o falecimento do Psicólogo José Félix Vilanova Barros, conselheiro vice-presidente do Conselho Regional de Psicologia da 15ª Região – Alagoas.

 

Ele era professor universitário há 25 anos e servidor público, com especialização em Saúde Pública e em Psicologia Educacional.  Fez parte do CRP-15 desde sua fundação, sendo presidente da instituição em três gestões. Ao todo, foram 22 anos de dedicação ao desenvolvimento e fortalecimento da Psicologia em Alagoas.

 

José Felix deixou esposa e dois filhos. Neste momento, o CRP-PR presta condolências à família e estende a solidariedade aos amigos e colegas de profissão.

Dia Internacional dos Migrantes: você sabe como ajudar as pessoas que vêm de outros países?

A Psicologia possui papel importante no acolhimento e garantia de direitos humanos e saúde mental a migrantes, refugiados e apátridas. No entanto, muitas vezes as(os) Psicólogas(os) não sabem como ajudar as pessoas que chegam ao Brasil em busca de um lugar melhor e mais seguro para viver.

O Brasil recebe migrantes de diversas partes do mundo, como Síria, Haiti e Angola, mas, mais recentemente, quase 80% dos pedidos de refúgio são de venezuelanos, número impulsionado pela grave crise enfrentada pela nação.

De acordo com Ana Sofia dos Santos Lima Guerra (CRP-08/27532), coordenadora do Núcleo de Psicologia e Migrações (NUPSIM) do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), o maior problema enfrentado pelos venezuelanos é a dificuldade em se socializar na nova comunidade. “Nos abrigos que visitamos aqui no Paraná, eles estão mantendo os vínculos entre eles, mas estão muito isolados da comunidade”, conta.

A atuação de Psicólogas(os), segundo Ana Sofia, é fundamental para trabalhar o resgate da identidade destas pessoas, respeitando sua cultura. Além disso, “é preciso resgatar e estabelecer vínculos e promover sentido na vida destas pessoas, trabalhando para diminuir a sua vulnerabilidade psíquica”.

Sou Psicóloga(o) e quero ajudar. Como faço?

O Psicólogo Marcos Vinícius Regazzo (CRP-08/20709), que atua na Cáritas em Curitiba – que é parceira do CRP-PR em diversas ações –, explica que o atendimento nos abrigos de migrantes e refugiados venezuelanos acontece em grupos, como rodas de conversa. “Trabalhamos questões como a solidão e os desafios da migração. Durante este processo, muitas vezes as pessoas são silenciadas, e a nossa função é criar espaços de fala para eles”, explica o Psicólogo de referência da instituição. 

Já o atendimento clínico individual não pode ser realizado nestes espaços que agregam vários migrantes, em virtude da estrutura física e do caráter transitório destes abrigos. Quando surge uma demanda específica, as pessoas são encaminhadas para as redes de proteção governamentais, como os CRAS (Centros de Referência em Assistência Social).

Marcos explica que toda ajuda é bem-vinda: “Podemos formar uma rede de profissionais que se dispõem a fazer tanto as atividades em grupo, nos abrigos, como atendimentos individuais a preços reduzidos ou mesmo de forma voluntária”, explica ele, acrescentando que estes atendimentos individuais poderiam ser realizados nas dependências da Cáritas ou mesmo nos consultórios de cada Psicóloga(o).

O único pré-requisito para ajudar é ter um bom nível de compreensão do espanhol, já que os migrantes e refugiados não teriam condições de falar em português – especialmente sobre suas questões emocionais. “É possível trabalhar com a pessoa falando em espanhol e a Psicóloga ou Psicólogo respondendo em português, então não é necessário ser fluente”, completa Marcos Vinícius.

Mais informações podem ser obtidas diretamente na Cáritas Regional Paraná pessoalmente (Rua Paula Gomes, 703, ap. 01, São Francisco, Curitiba-PR), por telefone (41-3039-7869) ou e-mail (marcos@caritas.org.br).

Câmara de Vereadores debate permanência de crianças com necessidades especiais na Educação Infantil

A retenção de crianças com necessidades educacionais especiais na Educação Infantil, por até um ano, antes de passarem para o Ensino Fundamental, foi rejeitada ontem (12) na Câmara Municipal de Vereadores de Curitiba. O Projeto de Lei nº 031.00035.2018 autorizaria a prática, que hoje não é prevista legalmente e fica a cargo de processos judiciais individuais.

O Psicólogo Nelson Fernandes Junior (CRP-08/07298), coordenador da Comissão de Psicologia Escolar e da Educação do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), esteve em uma reunião com a Secretaria Municipal de Educação (SME) e outros Conselhos Regionais em novembro para contribuir com o debate, já que Psicólogas(os) estão sendo demandadas(os) a emitir laudos que digam se a criança pode ou não progredir.

O ideal, segundo ele, é que a(o) Psicóloga(o) avalie as características da criança e emita um documento que embase a decisão de equipes especializadas do Departamento de Inclusão e Atendimento Educacional Especializado da SME (DIAEE), que seguem procedimentos em conjunto com outros profissionais do Departamento de Inclusão, Núcleos Regionais de Ensino, Centros de Educação Infantil, CMEIs e Escolas Municipais que ofertam Educação Infantil e acompanham o desenvolvimento de cada criança para o ingresso no Ensino Fundamental, mediante registro do acompanhamento, das orientações e do desenvolvimento, bem como do relatório dos profissionais que atuam com a criança.

A orientação é compartilhada pela coordenadora da Comissão de Avaliação Psicológica do CRP-PR, Mari Angela Calderari Oliveira (CRP-08/01374). “Eu entendo que uma avaliação psicológica é fundamental não para definir se a criança deve ou não permanecer na educação infantil por mais um ano, mas sim para auxiliar no entendimento sobre os potenciais e as fragilidades do seu funcionamento afetivo, cognitivo e social. Assim, uma equipe multiprofissional pode tomar a decisão sobre a permanência ou não”, afirma. Ela complementa que o “problema é que a avaliação fica sempre condicionada a um laudo no qual se prioriza o resultado de um teste de inteligência”.

Entenda

Não há consenso entre a Secretaria Municipal de Educação e associações que reúnem os pais destas crianças sobre os benefícios da retenção de crianças por até um ano na Educação Infantil. De um lado, os defensores do projeto advogam que a retenção dos estudantes por mais um ano é benéfica para o desenvolvimento cognitivo e social. Já a SME se preocupa com a permanência e defende que o sistema público de ensino tem condições de dar assistência a todos os alunos em suas peculiaridades.

A legislação atual prevê que todas as crianças têm direito à permanência na escola e ao atendimento especializado aos educandos com qualquer tipo de transtornos de desenvolvimento em todas as etapas do ensino. Além disso, a progressão do Educação Infantil para o Ensino Fundamental é obrigatória e não há previsão de retenção. A Resolução nº 2/2018 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação determina que as crianças devem ser matriculadas aos quatro anos na pré-escola e aos seis no Ensino Fundamental.

 

CRP-PR acompanha avanços na avaliação psicológica no trânsito

A avaliação psicológica no contexto do trânsito é um processo importante que contribui para a redução de acidentes e de violência no trânsito. Fundada na ciência da Psicologia e nos preceitos éticos da profissão, essa avaliação tem sido parte importante para a obtenção da carteira de habilitação.

Dada sua importância para a sociedade, o tema tem recebido especial atenção do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) nos últimos anos. A instituição – responsável por fiscalizar, disciplinar e orientar a categoria – tem promovido diversos eventos sobre o tema em várias regiões do Paraná, realizado regularmente inspeções nas clínicas credenciadas pelo Detran e orientado as(os) profissionais.

“A avaliação psicológica no contexto do trânsito é uma parte essencial do processo de habilitação e do combate à violência no trânsito. Podem ocorrer falhas, mas não é correto generalizar ou desvalorizar a importância da avaliação psicológica em função de casos pontuais. Esse é um processo sério realizado por profissionais competentes. Nos casos em que ocorrerem erros, o CRP-PR está à disposição para acolher a comunicação destas falhas e orientar os profissionais”, explica a conselheira-secretária da instituição, Carolina de Souza Walger (CRP-08/11381).

Melhorias no processo

Segundo a colaboradora da Comissão de Mobilidade Humana e Trânsito, Sandra Cristina Batista Martins (CRP-08/12213), é preciso aproveitar esse momento e continuar avançando, mas nem por isso se pode deixar de reconhecer a contribuição do trabalho de Psicólogas e Psicólogos. “O trabalho de avaliação psicológica para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, tal como tem sido ofertado pelo DETRAN/PR através das clínicas credenciadas, tem meu total apoio, porque há observância das normatizações específicas. Compreendo, no entanto, que enquanto profissionais de avaliação psicológica no contexto do trânsito temos que avançar, assim como em qualquer outra área de conhecimento, em parceria com o DETRAN/PR e Conselho Regional de Psicologia (CRP-PR), para o aprimoramento do sistema, de forma que possamos cumprir satisfatoriamente, dentro da devida legalidade, o nosso papel social para um trânsito mais seguro”, afirmou.

E vem avançando. A avaliação psicológica no contexto do trânsito vem passando por sucessivas melhorias. Desde 2013, a Resolução nº 425/12 do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) especificou as condições e características para o exame físico e mental do candidato à habilitação e determinou que somente poderão ser credenciados ao Detran as(os) Psicólogas(os) que possuírem a especialização em Psicologia de Trânsito.

De acordo com o documento, a avaliação psicológica neste contexto envolve compreender as condições do candidato em relação à tomada de informação; processamento de informação; tomada de decisão; comportamento e traços de personalidade. Nestes casos, essa avaliação envolverá a observação realizada pela(o) profissional que conduz a avaliação, entrevista e a aplicação de testes psicológicos, validados cientificamente.

“Apesar de seu rigor científico, a avaliação psicológica considera a natureza dinâmica e não cristalizada dos fenômenos avaliados. Por isso, é possível que mesmo que o candidato tenha sido considerado inapto temporariamente, possa vir a ser considerado apto em uma segunda avaliação, realizada em outro momento, sem que isso indique, por si só, qualquer incorreção naquela primeira avaliação”, explica a coordenadora da Comissão de Avaliação Psicológica do CRP-PR, Mari Angela Calderari Oliveira (CRP-08/01374).

Ações do CRP-PR

Desde 2010, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná tem realizado um trabalho em parceria com o Detran-PR para a qualificação da prestação dos serviços de avaliação psicológica no trânsito, que envolve reuniões frequentes entre a equipe técnica do órgão e a Comissão de Orientação e Fiscalização do CRP-PR. A autarquia tem se colocado à disposição, por meio dessa interlocução, para colaborar com o Departamento de Trânsito em ações de fiscalização e orientação e, quando necessário, acionamento da Comissão de Ética, a fim de garantir serviços de qualidade para a população.

Além disto, o CRP-PR realiza a orientação de profissionais por meio de inspeções e convocações de forma rotineira e independente, acompanhando também a adequação da prestação dos serviços quando são verificadas situações em desacordo com as regulamentações da profissão. A Comissão de Ética também é acionada em casos de infrações éticas que forem detectadas nestes procedimentos.

A instituição conta ainda com o Núcleo de Avaliação Psicológica no Contexto do Trânsito, ligado às comissões de Mobilidade Humana e Trânsito e de Avaliação Psicológica, um espaço para que as(os) profissionais possam debater esse tema e discutir sobre melhorias da prática profissional. Nesse contexto, o CRP-PR realizou nos dois últimos anos os 1º e 2º Encontros de Mobilidade Humana e Trânsito, além de diversas reuniões abertas em várias regiões do Paraná.

Serviço

Qualquer pessoa que se sentir lesada ou prejudicada por uma Psicóloga ou um Psicólogo pode procurar o CRP-PR para dar notícia da situação ou realizar uma denúncia. É possível entrar em contato com a instituição pelo telefone (41) 3013-5766, e-mail crp08@crppr.org.br. Saiba mais sobre como realizar denúncias no link crppr.org.br/fazer-denuncia/

Resolução CFP nº 018/2008, sobre avaliação psicológica para porte de arma, continua em vigor

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) tem recebido diversos questionamentos acerca da validade da Resolução CFP nº 018/2008, que regulamenta a atuação de Psicólogas(os) na avaliação psicológica para concessão de registro ou porte de arma de fogo.

A temática ganhou a mídia recentemente em virtude da movimentação da Associação Brasileira de Cursos de Formação e Aperfeiçoamento de Vigilantes e da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores para que as(os) profissionais da Psicologia possam realizar as avaliações nas dependências das escolas de formação de vigilantes.
O CRP-PR reafirma, no entanto, que esta prática é vedada pela Resolução CFP nº 018/2008, que continua em vigor. A normativa do CFP veda que as(os) Psicólogas(os) que realizam a avaliação psicológica para este fim estabeleçam “qualquer vínculo com os Centros de Formação de Vigilantes, Empresas de Segurança Privada, Escolas de Formação ou outras empresas e instituições que possa gerar conflitos de interesse em relação aos serviços prestados”.

Desta forma, independentemente de comunicados ou posicionamentos de outros órgãos, como a Polícia Federal de São Paulo, as infrações à Resolução CFP nº 018/2008 continuarão a ser fiscalizadas pelos Conselhos Regionais de Psicologia.

Leia também: Avaliação psicológica para porte de arma: documentos norteadores e exercício profissional (páginas 29 e 30 da Revista Contato, edição 116) 

70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos: o que a Psicologia tem a ver com isso?

Texto de Grazielle Tagliamento (CRP-08/17992), colaboradora da Comissão de Direitos Humanos e coordenadora do Núcleo de Diversidade de Gêneros e Sexualidades (Diverges)

Era 1948, o mundo estava estarrecido com as atrocidades ocorridas nos campos de concentração na Europa e com o poder aniquilador das bombas que devastaram Hiroshima e Nagasaki. Foi nesse momento que a Organização das Nações Unidas (ONU) elaborou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual foi assinada por 58 Países-Membros em 10 de dezembro de 1948.

A Declaração foi inspirada na Declaração Francesa dos Direitos Humanos e do Cidadão, de 1789, e na Declaração de Independência dos Estados Unidos, de 1776, e visa a garantir uma vida digna para todas as pessoas.

A ênfase dada nessa Declaração não é na filantropia ou caridade, mas no protagonismo e autonomia das pessoas, tendo a solidariedade e a diversidade como meios para efetivá-los. Mas quem tem direito a ter direitos humanos? Segundo a Declaração, todos os humanos, ou seja, todas as pessoas, independentemente de sua raça, etnia, gênero, crença religiosa, orientação sexual, idade, classe social, entre outras.

Pautar a sua atuação nos direitos humanos é antes de mais nada contribuir para que todas as pessoas, sem distinção, sejam reconhecidas e se reconheçam enquanto sujeitos de direitos. É garantir que todas as vidas sejam vidas que importam.

Já em seu preâmbulo a Declaração traz: “a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade tendo sempre em mente esta Declaração, esforce-se, por meio do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos”. Entretanto, 70 anos após a sua criação, ainda vivemos diante de graves violações dos direitos humanos.

O número de mulheres violentadas ou mortas por serem mulheres é altíssimo. O número de pessoas que não têm acesso à educação, saúde, justiça e moradia é altíssimo. O número de pessoas que têm suas casas e vidas invadidas e aniquiladas é altíssimo. Enfim, ainda hoje, vivemos um genocídio diário, em nossas cidades e campos, de pessoas que não são consideradas sujeitos de direitos.

A Psicologia tem um papel fundamental para que os direitos humanos deixem de ser um privilégio de poucos e passem a ser algo que todos os humanos possam ter; para que todas as pessoas tenham direito a ter direito e a ser protagonista de suas vidas em sociedade.

Nesse sentido, a Psicologia, enquanto ciência e profissão, tem como princípio fundamental pautar a sua atuação na garantia dos direitos humanos: “I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. (Código de Ética Profissional, 2005).

Pautar a sua atuação nos direitos humanos é antes de mais nada contribuir para que todas as pessoas, sem distinção, sejam reconhecidas e se reconheçam enquanto sujeitos de direitos. É garantir que todas as vidas sejam vidas que importam. É contribuir para que todas as pessoas tenham uma vida digna, a partir da concepção que cada pessoa tem de dignidade. Com isso, a Psicologia tem um papel fundamental para que os direitos humanos deixem de ser um privilégio de poucos e passem a ser algo que todos os humanos possam ter; para que todas as pessoas tenham direito a ter direito e a ser protagonista de suas vidas em sociedade.

Boleto da anuidade 2019 poderá ser recebido por correio ou e-mail

Com o objetivo de contribuir com as questões de sustentabilidade, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) está lançando para o exercício de 2019 a possibilidade de a(o) Psicóloga(o) fazer a escolha da forma de recebimento da anuidade por e-mail ou correios.

As(Os) Psicólogas(os) que optarem pelo pagamento em cota única receberão um boleto no valor de R$ 497,24 com vencimento para o dia 31 de março de 2019. Para o pagamento até o dia 31 de janeiro de 2019 há um desconto de R$ 73,62 (ficando um saldo para pagamento líquido de R$ 423,62). Para aquelas(es) que optarem pelo pagamento parcelado em cinco vezes, os boletos serão emitidos com vencimentos entre janeiro e maio.

 

Como escolher?

Para fazer a opção pelo envio do boleto por e-mail, envie um e-mail para guilherme.souza@crppr.org.br ou rafaela.silva@crppr.org.br até o dia 10 de dezembro de 2018 (segunda-feira). As(Os) profissionais que não fizerem a escolha receberão automaticamente a anuidade será enviada por correio.

Campanha Laço Branco ressalta a participação dos homens no combate à violência de gênero

Em 6 de dezembro de 1989, Marc Lapine, um jovem de 25 anos, entrou numa sala de aula da Escola Politécnica de Montreal, no Canadá, e pediu para que todos os homens se retirassem. Começou a atirar contra todas as estudantes enquanto gritava “Eu odeio as feministas”, e depois se suicidou. Com ele, foi encontrada uma carta dizendo que não suportava que mulheres frequentassem a faculdade de engenharia e o quanto as feministas destruíram a sua vida, além de uma lista os nomes de 19 feministas canadenses que, para ele, deveriam morrer.

O crime resultou na morte de 14 meninas e motivou um grupo de homens canadenses a realizar a campanha do Laço Branco, com o objetivo de envolver os homens no combate à desigualdade e à violência de gênero. O lema do movimento era: “jamais cometer um ato violento contra as mulheres e não fechar os olhos frente a essa violência”.

No Brasil, a data do Massacre de Montreal foi escolhida para marcar o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A data marca a necessidade de engajamento dos homens pela mudança de ideias e comportamentos machistas e agressivos em relação às mulheres, mostrando o papel deles para aumentar a igualdade de gênero e conscientizar outros homens sobre o tema. 

A campanha do Laço Branco faz parte dos 16 dias de ativismo contra a violência de gênero, que começou no dia 25 de novembro. Confira aqui a matéria do Conselho Regional de Psicologia do Paraná que abre esse período de lutas: www.crppr.org.br/16diasdeativismo

Dia Mundial da Luta contra a Aids completa 30 anos com redução nos novos casos

Os casos de infecção por HIV no Brasil caíram 12% nos últimos quatro anos, segundo o novo Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS, divulgado pelo Ministério da Saúde em 27 de outubro de 2018. A mortalidade em consequência do HIV e Aids caiu, no mesmo período, quase 16%.

Esses resultados demonstram a eficiência das políticas de prevenção e tratamento em relação ao vírus, que incluem Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para qualquer adulto com teste positivo para HIV, mesmo sem apresentar sintomas (o medicamento dolutegravir, disponibilizado pelo SUS, é considerado um dos melhores do mundo para esse tratamento) e a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para população em alto risco de infecção.

Além disso, testes rápidos para a detecção do vírus podem ser realizados nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de janeiro de 2019 também serão disponibilizados autotestes para populações-chave em alguns municípios para um projeto-piloto.

30 anos do Dia Mundial da Luta contra a Aids

Foto de www.diamundial30anos.com.br

Todos os avanços se devem, em parte, a 30 anos de luta de diversos ativistas e entidades. A data teve início quando, durante a Macha Nacional pelos Direitos dos Gays e Lésbicas de 1987, em Washington, nos EUA, uma colcha de retalhos com nomes de pessoas que morreram por causas relacionas à Aids cobriu um espaço maior do que um campo de futebol no parque National Mall. Esse memorial deu origem ao NAMES Project Foundation, buscando prestar homenagens às pessoas que faleciam por causa do vírus e que não recebiam um funeral devido ao estigma.

Em 2018, para comemorar três décadas deste movimento, o Ministério da Saúde montou um mosaico formado por colchas de retalhos sobre a Esplanada dos Ministérios em Brasília. Qualquer pessoa interessada poderia participar e escolher uma arte no site da campanha (www.diamundial30anos.com.br), escrevendo uma mensagem ou fazendo uma dedicatória para alguém. As produções foram impressas em tecidos para compor o memorial, com o objetivo de marcar a data de lutas e conquistas em relação à Aids, mas também enfrentar o preconceito e a desinformação em relação a ela.

Conheça o HIV para não ter HIV

O 1º de dezembro para mim representa um dia de reflexão sobre a epidemia e seus desdobramentos. As questões mais importantes são a solidariedade em relação às pessoas vivendo com HIV e Aids e a prevenção. A prevenção ainda é um grande tabu em nossa sociedade. O que nós precisamos é ter um amplo conhecimento sobre o que é o HIV e como ele age em nossa sociedade, para nós procurarmos mecanismos de defesa mais eficazes que não seja somente o preservativo. Conheça o HIV para não ter HIV.

Paulo Wesley Faccio, 47 anos, vive há 22 anos com HIV

Sozinho a gente não faz nada

Neste ano de 2018, refletindo sobre os 30 anos do laço vermelho e da luta contra a Aids no mundo e no Brasil, eu estou com muito pesar porque nós estamos vivendo uma situação de banalização do impacto da epidemia sobre a vida humana e sobre as condições de qualidade de vida do planeta. A gente precisa que as autoridades e os segmentos profissionais retomem esta luta, porque novamente estamos sob grande ameaça. Tomara que consigamos porque sozinho a gente não faz nada.

Roni Lima, da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (ALIA)

Estigma e medo

Eu tenho dois filhos, estou separada há três anos e sou médica. Tive um problema numa relação eventual, fui fazer o meu teste para pegar uma PEP (Profilaxia Pós-Exposição) e descobri neste teste que eu estava infectada. Foi um impacto muito grande porque eu jamais imaginei que fosse. Eu nunca consegui falar com a minha família. Eu pego a medicação através de uma outra pessoa porque, como médica numa cidade menor, eu seria facilmente identificada. Eu troco os comprimidos de frasco para que ninguém descubra a minha sorologia. Eu sofro imensamente com isso. Estou tomando remédio há quase um ano, a minha carga viral é indetectável e a minha saúde física é muito boa. Mas, eu tenho muita vontade de morrer, de medo que as pessoas descubram que eu estou infectada com esse vírus.

A., 40 anos
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