18 de maio

Para que não se esqueça. Para que nunca aconteça. Por uma sociedade sem manicômios!

Texto escrito por: Lorena Maria da Silva (CRP-08/22083), Maynara Helena Flores (CRP-08/24595 – CDH Sede Maringá) e Roselania Francisconi Borges (CRP-08/06008 – Docente da Universidade Estadual de Maringá).


A frase do psiquiatra italiano Franco Basaglia (1924-1980), mentor maior da reforma psiquiátrica italiana e grande inspirador da reforma psiquiátrica brasileira, é o que move as ações da Luta Antimanicomial. O Dia Nacional da Luta Antimanicomial, 18 de maio, nos traz à memória a histórica luta para a consolidação dos direitos às pessoas em sofrimento psíquico e a garantia do cuidado em liberdade e no seio da comunidade. Instituída no ano de 1987, na I Conferência Nacional de Saúde Mental, em Brasília, a data marca o embate feito pelos movimentos de Trabalhadores em Saúde Mental contra o modelo de assistência centrado nas internações em hospitais psiquiátricos. Com o lema “Por uma Sociedade sem Manicômios”, a Conferência apresentou propostas que orientaram as mudanças estruturais na gestão pública e redefiniram a lógica do cuidado à saúde mental.


Discorrer sobre uma nova rede ou lógica de atenção em saúde mental implica no resgate dos caminhos construídos até aqui, já que muitos foram e ainda são os desafios para a permanência dos direitos conquistados. A lógica manicomial, isto é, o cuidado em saúde mental por meio da retirada da comunidade e inserção em hospitais psiquiátricos, não é uma particularidade deste momento histórico. O pesquisador da Fiocruz, Paulo Amarante, destaca que o surgimento dos manicômios e da lógica de isolar para o cuidado advém do século XVIII com o médico francês Philippe Pinel, que sob os ideais da Revolução Francesa buscou corrigir as desordens da razão por meio do “tratamento moral”, ou seja, do enclausuramento dos considerados “alienados”.


Após a Segunda Guerra Mundial e as denúncias em relação às violências ocorridas dentro dos hospitais psiquiátricos, várias foram as tentativas de repensar o cuidado à loucura e formas de humanizar os manicômios (psiquiatria de setor, psiquiatria preventiva, psicoterapia institucional, etc.). Entretanto, não bastava a extinção dos leitos psiquiátricos, mas o enfrentamento ao conjunto de saberes, culturas, práticas científicas e sociais institucionalizadas para além das estruturas físicas.


No Brasil, a Reforma Psiquiátrica é fruto do seu tempo. As experiências italianas, com Franco Basaglia na década de 1960, as lutas travadas pelo direito à saúde universal com a Reforma Sanitária, no Brasil, na década de 1970 e os movimentos sociais que pediam pela redemocratização do país no início da década de 1980, foram alguns dos marcos históricos que abriram os caminhos para o fortalecimento da Reforma Psiquiátrica brasileira e seus feitos posteriores. A promulgação da Lei 10.216/2001 que dispõe sobre os direitos das pessoas em sofrimento psíquico e redireciona o modelo assistencial em saúde mental, foi um dentre os muitos resultados da Reforma.


Aliada ainda à Reforma Psiquiátrica e ao movimento da Luta Antimanicomial, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), instituída pela Portaria n.º 3.088 de 2011 do Ministério da Saúde (MS), apresenta os pontos de atenção e cuidado a pessoas em sofrimento psíquico e orienta a implantação de um modelo de base comunitária, garantindo a livre circulação dessa população nas cidades e nos espaços públicos. Vemos assim, que muitas foram e são as conquistas que devem ser lembradas e celebradas no dia 18 de maio, porém, estas não estão garantidas. O psiquiatra e militante pelos direitos das pessoas em sofrimento psíquico, Pedro Delgado, em seu artigo “Reforma psiquiátrica: estratégias para resistir ao desmonte”, aponta que desde 2016 tem ocorrido um permanente processo de desinvestimento nas políticas públicas acarretando impactos na política de saúde mental. O reajuste no valor das diárias dos leitos psiquiátricos, a ampliação do financiamento às comunidades terapêuticas e a Nota Técnica MS n.º 11 de 2019, que instituiu mudanças na Política Nacional de Saúde Mental e nas Diretrizes na Política Nacional sobre Drogas, foram algumas expressões dos retrocessos ocorridos.


Inspeção Nacional dos Hospitais Psiquiátricos

No ano de 2019, o Relatório de Inspeção Nacional dos Hospitais Psiquiátricos – ação interinstitucional organizada pelo Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) – exemplificou os muitos desafios que ainda se apresentam para o enfrentamento da lógica manicomial.


O Relatório apresenta a inspeção de 40 hospitais nas cinco regiões do país, sendo estes selecionados com base em um conjunto de critérios previamente definidos, bem como, as categorias de análise do cuidado e atendimento ofertado. O Hospital Psiquiátrico de Maringá (HP) foi um dos hospitais selecionados e inspecionados no estado do Paraná, juntamente com o Hospital San Julian em Piraquara, dentre os 131 em funcionamento no país que são financiados com recursos do Sistema Único de Saúde (Relatório de Inspeção, 2020).


Hospital Psiquiátrico de Maringá

Dentre as diversas inadequações encontradas no Hospital Psiquiátrico de Maringá e apresentadas no Relatório de Inspeção, a estrutura arquitetônica foi um dos pontos destacados, tendo em vista que mais da metade dos hospitais inspecionados foram inaugurados ao longo do regime militar – período de grande expansão dos leitos psiquiátricos no país – apresentando uma arquitetura própria desse período, com muros altos, diversos blocos sendo separados uns dos outros com fechaduras e trancas, dificultando o acesso e o livre trânsito dos usuários, como cita o próprio Relatório de Inspeção: “De forma geral, observou-se que o edifício do Hospital Psiquiátrico é uma construção antiga e arquitetonicamente inadequado às finalidades terapêuticas e de reabilitação psicossocial. Muitos níveis de edificação e em diferentes blocos compõem o prédio, tornando a estrutura construída complexa e de difícil acesso e trânsito. Tudo isso sob funcionamento de trancas e fechaduras.”


Apesar de o modelo arquitetônico do Hospital Psiquiátrico de Maringá ser inadequado e levar a episódios de violação de direitos, uma nova ou adequada arquitetura não eximiria essa instituição da sua histórica lógica de cuidado manicomial – isto é, o cuidado por meio do isolamento da comunidade – e ainda acarretaria danos a longo prazo.


A insuficiência ou ausência de insumos para a higiene pessoal foi outra característica observada no Hospital Psiquiátrico de Maringá. O compartilhamento de materiais de higiene pessoal – como o armazenamento irregular de escovas de dentes, por exemplo – coloca a saúde de usuários em risco, além de acarretar prejuízos a sua autonomia e individualização. É preciso considerar que impedir a autonomia e a liberdade para o exercício do autocuidado constitui-se uma violação dos direitos relacionados à saúde. Indo além, em meio à pandemia da Covid-19, o compartilhamento de objetos de higiene pessoal e o controle sobre produtos de higiene podem levar à transmissão do vírus e ao favorecimento do contágio entre os usuários, como já foi notado por meio do Boletim COVID-19 da Secretaria Municipal de Saúde de Maringá. Na segunda-feira, 18 de maio, dia da Luta Antimanicomial, foram confirmados 18 casos neste hospital.


Outra prática constatada no Hospital Psiquiátrico de Maringá e apresentada pelo Relatório de Inspeção (2020) foi a contenção mecânica e química por meio do uso de psicofármacos: “Nas inspeções realizadas foi constatado que o uso excessivo de medicamento ganha sentido e uma função especial para o funcionamento institucional, qual seja: o de controlar as pessoas internadas que desorganizam ou atrapalham a rotina da instituição e se rebelam em face da violência institucional”, afirma o relatório.


As refeições oferecidas nos Hospitais inspecionados, dentre eles o Hospital Psiquiátrico de Maringá, foi outro ponto abordado pelo Relatório. Apesar da presença de profissionais nutricionistas, “observou-se oferta restrita, com cardápio pobre no que se refere à variedade dos grupos alimentares e à qualidade nutricional.” O Relatório ainda destaca, dentre as inúmeras violações de direitos encontradas: a negligência sobre as necessidades alimentares por meio do controle sobre a quantidade de alimentos, impedindo os usuários de repetir refeições e servindo alimentos misturados, “parecendo lavagem de porco” como contaram as pessoas ouvidas pela inspeção.


A inspeção também constatou irregularidade nas condições de trabalho da equipe de profissionais (condições insalubres) e exploração da mão de obra dos internos para atividades laborais. O resultado desta inspeção se desdobra em outras ações para o combate dessas irregularidades, envolvendo não só a violação de direitos dos usuários, mas também ações trabalhistas, que ainda estão ativas e detalhadas no relatório.


Por fim, reafirmamos que a correção das irregularidades supracitadas e outras apresentadas ao longo do Relatório, não torna as instituições psiquiátricas recomendáveis ao cuidado às crises psiquiátricas, sendo preferencialmente indicado, como expõem a Lei 10.216/2001 e a Portaria MS 3.088/2011, o cuidado em serviços comunitários de saúde mental ou ainda em leitos psiquiátricos em hospitais gerais. O Relatório de Inspeção e os atuais retrocessos políticos mais uma vez indicam que os direitos até então conquistados não são intocáveis e exige-se de nós, trabalhadoras(es) do campo da saúde mental, constante embate e resistência por meio da reafirmação dos pressupostos da Reforma Psiquiátrica. Como bem aponta Pedro Delgado: “a trincheira da resistência está nos serviços territoriais.”


Para saber mais:

Saúde mental e atenção psicossocial – Livro de Paulo Amarante, publicada pela Editora Fiocruz (2007).


Lei 10.210, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Brasília: DF. Presidência da República.


Hospitais psiquiátricos no Brasil: relatório de inspeção nacional – Publicação do Conselho Federal de Psicologia (CFP) em parceria com Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e Ministério Público do Trabalho (MPT).


Hospital Psiquiátrico de Maringá tem 17 funcionários com Covid-19, reportagem de Monique Mangaro publicada na página GMC Online (https://www.gmconline.com.br/noticias/cidade/hospital-psiquiatrico-de-maringa-tem-17-funcionarios-com-covid-19).


Reforma psiquiátrica: estratégias para resistir ao desmonte, artigo de Pedro Delgado publicado pela Revista Trabalho, Educação e Saúde, 17(2). (https://doi.org/10.1590/1981-7746-sol00212).


Portaria 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: DF. Presidência da República.

Já imaginou se o isolamento durasse a vida inteira? É isso que o manicômio faz. Loucura não é um vírus! Trancar não é tratar!

Estamos em crise.

Ainda que estejamos apenas começando a compreender os efeitos que a pandemia da Covid-19 impôs ao mundo inteiro, quase de uma só vez, já é possível dizer: esta é a maior e mais profunda crise sanitária, econômica, política e social das nossas vidas. Somente uma resposta robusta e conjunta entre Estados e sociedade civil pode prevenir uma crise humanitária em escala global, mas o que temos percebido é a histórica denegação de direitos básicos assumindo dimensões cada vez mais explícitas.

Há meses que estamos lidando com os efeitos de uma síndrome respiratória aguda e severa causada por um novo vírus, até então desconhecido. À medida que o número de casos subia e mais países eram atingidos, e o potencial pandêmico se delineava, várias pessoas que tinham condições ao redor do mundo começaram a estocar suprimentos, muitas vezes de forma beirando o irracional, levando à falta de produtos como álcool em gel, máscaras exclusivas para profissionais de saúde e até mesmo produtos remotamente relacionados à doença, como papel higiênico. Nas redes sociais, as imagens de sistemas de saúde (em especial os da Itália, Espanha e Equador) colapsando assustaram. Corpos amontoados nas ruas, equipes de saúde em completo desespero, a vida de pessoas idosas sendo preterida diante de mais jovens – com “mais condições de lutar pela sobrevivência e tempo para usufruir a vida depois de recuperados” – foram cenas chocantes e que nos jogaram na cara que as coisas não vão nada bem.

Grande parte da população percebeu a necessidade de isolamento social como forma de proteção. Algumas pessoas tiveram condições de adotar esta prática voluntariamente, enquanto outras se desesperavam sem saber o que fazer. Muitas(os) de nós, talvez a maioria, nunca passou por circunstância semelhante: “de uma hora pra outra”, a vida teve uma mudança brutal. Recomendações enfáticas de autoridades sanitárias começaram a ocupar os noticiários, os letreiros iluminados nas ruas e as telas dos nossos celulares. Em todos os lugares, as mesmas orientações: “evite contato físico”, “evite aglomerações”, “não toque”, “lave as mãos”. Essas práticas passaram a ordenar o comportamento de muitas(os) de nós e logo evoluíram para um cenário jamais vivido por ampla parcela da população: “fiquem em casa”.

Ao longo das semanas, as recomendações de “ficar em casa” passaram a ser mais enfáticas. O regime de teletrabalho começou a ser organizado para muitos setores que sequer imaginavam que conseguiriam operar desta maneira. Os serviços de delivery deram um salto: foi possível encomendar de tudo um pouco – contanto que se tivesse dinheiro para pagar por isso. Tudo à mão, no conforto dos lares. Na televisão se ensinavam passatempos com as crianças, enfadadas pela impossibilidade de brincar fora de casa. Ríamos dos gatos e cachorros passando atrás de jornalistas que transmitiam notícias em frente a enormes e lindas estantes de livros. Uma das práticas mais antigas do mundo, a de “fazer o próprio pão”, ganhou ares de novidade, com farinhas de trigo gourmet. Comerciais de televisão diziam que esta crise seria uma oportunidade de repactuar laços, aproximar pessoas, exercitar o corpo e aquecer o coração. Vizinhas(os) cantando nas janelas, salvas de palmas a “heróis da saúde”, e uma sensação de que a solidariedade e a paciência bastariam para nos salvar. 

Infelizmente, a possibilidade de adotar estas medidas de proteção e autocuidado não é uma realidade para a maior parte da população brasileira. A pandemia escancarou a desigualdade social que aflige nosso país.

A crise é estrutural.

Há uma fratura a história do Brasil desde o período colonial, passando pelos quase 350 anos de escravização da população negra, por uma república oligárquica e plutocrática, pela ditadura militar, por nossas crises democráticas, determinando quem vive e quem morre. 

Somos bombardeadas(os) com vídeos, lives e notícias de jornais sobre o escalonamento da doença, sobre o quanto é fundamental ficarmos em casa para podermos “achatar a curva” de contágio. Por outro lado, comentários duvidosos dizendo que o pior já passou, que temos que ser melhores e mais fortes que a doença. E na garganta fica apenas a vontade de sair e poder ir aos lugares a que sempre fomos. A angústia, medo, ansiedade criam a necessidade de fugir, se refugiar, não mais da doença, mas sim da informação – afinal, somos a sociedade da informação. E, para isso, quem tem condições para tal consome seus deliverys, lives, séries, jogos, todo o possível para nos distanciarmos minimamente da realidade que está lá fora, à espreita e nos assombrando. Chega a ser irônico que, agora, nessa pandemia, muitas pessoas estejam entendendo o valor da arte.

Porém, o isolamento não vem de graça, ele custa, custa o não isolamento de muitas(os), de entregadoras(es), motoristas de aplicativos, trabalhadoras(es) do varejo que, para garantir o isolamento, não podem se isolar. Para garantir o sustento e a comida do mês, da semana e às vezes do dia, tem-se que sair, com chuva, sol, pandemia, máscara e transporte lotado. Vivemos o sentimento paradoxal do isolamento, todos devem se isolar, mas se isola quem pode, como quem, com a desculpa pelo trocadilho, lava as mãos para a situação.

Isso não ocorre apenas com quem tem emprego, ou mesmo casa. A população em situação de rua passa a vida lutando por direitos, principalmente à moradia, e agora, mais do que nunca, estão isoladas(os)… na rua, porque até alguns abrigos fecharam por causa da pandemia.

A crise não vem de agora. Estamos em crise há muito, muito tempo.

Milhões de trabalhadoras(es) brasileiras(os) se viram diante de uma brusca piora de suas já difíceis condições de vida. Estamos no Brasil, o 2º país mais desigual do mundo, de acordo com o último Relatório de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (ONU). Apenas 1% das pessoas mais ricas do Brasil tem renda 34 vezes maior do que a metade mais pobre (IBGE), diferença que só aumenta, e apenas cinco pessoas juntas têm a mesma renda que 100 milhões de brasileiras(os). De um dia para outro, milhões de trabalhadoras(es) formais e informais tiveram suas fontes de renda cessadas. Muitas(os) foram demitidas(os). A taxa de desemprego oficial já atingia 12,3 milhões de pessoas em fevereiro, influenciada pelo corte de postos de trabalho nos setores de construção, indústrias, serviços domésticos e no ramo de transportes particulares, e subiu para 12,9 milhões em março (última divulgação do IBGE). Profissionais liberais e em regimes informais de contratação ficaram à mercê da própria sorte. Os efeitos da desregulamentação do trabalho, do desmonte dos sindicatos e de imensos retrocessos promovidos pelas Reformas Trabalhista e Previdenciária, associados ao desmonte das políticas públicas, ficaram ainda mais evidentes.

O número de pessoas em situação de rua e de sem-teto não parou de aumentar e medidas de enfrentamento a suas duras realidades se resumiram quase que exclusivamente à solidariedade da sociedade civil, sem apoio consistente do poder público. Com o fechamento de restaurantes ou estabelecimentos que forneciam comida e água potável para estas pessoas, bem como a redução da circulação nas ruas, a fome – que para muitos nunca passou – voltou com toda força. A resposta de muitas(os) gestoras(es) públicas(os) não foi diferente do que costuma ser: invisibilizar a miséria com a expulsão da população de rua dos centros urbanos, ações da Guarda Municipal para recolhimento dos seus pertences e muita violência.

Outras filosofias, não brancas nem ocidentais, contribuem imensamente para a compreensão deste momento que vivemos. Um exemplo é o conceito de “necropolítica”, cunhado pelo historiador camaronês Achille Mbembe, que significa, literalmente, política de morte, referindo-se às ações ou omissões do Estado que determinam qual parcela da sociedade pode viver e quem pode (ou deve) morrer. Em tempos de pandemia, essa política de morte ficou ainda mais escancarada nos pronunciamentos e práticas de várias(os) representantes do governo.

De maneira subjacente, também podemos identificar a necropolítica quando trabalhadoras(es) são implicadas(os) a decidir sobre qual paciente deve ser prioritariamente atendida(o) nos leitos de UTI, embora a Constituição nos aponte justamente que a saúde deveria ser um direito de todas(os) e um dever do Estado. Ou, diante da desassistência social e a volta da carestia, em que “ficar em casa” não é uma possibilidade para todas as pessoas. No entanto, para muitas(os), as necessidades extrapolam os R$ 600,00 do Auxílio Emergencial (ou a ele nem tiveram acesso). Outras, porque nem casa têm.

Quando o Estado não possibilita formas de que todas(os) fiquem em casa, a experiência de “confinamento social” torna ainda mais nítida, com dureza e muita força, nossas desigualdades sociais. Para alguns setores da sociedade, o “confinamento” pode representar uma experiência de proteção e segurança diante da ausência de vacinas e tratamentos à COVID-19. Para outros, ele está tão distante da realidade que, ainda que deva ser firmemente defendido como a melhor medida possível, reflete os efeitos do desemprego, da precarização da vida e do trabalho, das próprias condições de moradia e da necropolítica. Para muitas(os), as medidas de isolamento social são vistas como uma ameaça a sua subsistência, pois a negação histórica aos direitos mais básicos naturalizou a certeza de que serão abandonadas(os). O acesso aos direitos mais básicos de todas as pessoas para muitas(os) é tomado como um privilégio. 

Somos forçados viver com um paradoxo. As medidas de isolamento social que, se garantidas as condições para uma adesão em massa, poderiam ter um caráter de autocuidado, passam a demandar a obrigatoriedade – o chamado lockdown. Muitos países já tiveram que adotar estas medidas, assim como várias cidades e estados no Brasil já contam com formas mais brandas ou severas de restrições. O paradoxo é que estas mesmas medidas que visam garantir o direto fundamental e universal à vida interferem em outros direitos universais como a liberdade ir e vir, de livre associação e à privacidade, entre outros.

Os direitos humanos universais são inalienáveis e somente em situações extremas podem ser suspensos; ainda assim, desde que observados os princípios da legitimidade e proporcionalidade. Isto significa que as restrições de direitos devem atender a uma necessidade legítima e não podem em hipótese alguma serem usadas para justificar medidas que visam atingir determinadas populações, como, por exemplo, utilizar as necessidades reais impostas pela pandemia para encarcerar grupos específicos, sob a égide do isolamento social. Devem ser previstas e reguladas por leis que explicitem o que está sendo restringido, quem tem poder para impor a restrição e quando estas restrições devem acabar. E devem ser proporcionais, devem estar diretamente relacionados à crise que estamos combatendo e devem ser garantidas condições para que as restrições sejam observadas sem o prejuízo desnecessário de outros direitos. Tudo isso é assustador na medida em que temos que lutar pelo direto de acesso à saúde que está sendo negado a milhões de brasileiras(os), temos pouco tempo e forças para monitorar a legitimidade e proporcionalidade das medidas restritivas.

As restrições à livre circulação e acessos deveria ser uma exceção que só um evento do impacto de uma pandemia poderia demandar. Infelizmente, nossa história recente depõe contra este princípio. A luta antimanicomial teve uma longa caminhada para evidenciar as restrições de liberdade e os tratamentos desumanos impostos a pessoas em sofrimento psíquico no Brasil. E, neste momento, os efeitos manicomiais tão combatidos desde o princípio da Reforma Psiquiátrica atuam com força. Desde o congelamento de gastos em políticas sociais, a Rede de Atenção Psicossocial já vinha tendo seus desmontes intensificados. A lógica do cuidado em liberdade no território estava, assim, sob ameaça de instituições de caráter total, revestida de novos pavimentos, ungidas por destinações orçamentárias generosas do Executivo e posicionando seus discursos em nome de uma suposta “ineficácia” do modelo da atenção psicossocial que defendemos.

Agora, durante a pandemia e em nome de “cuidados às populações vulneráveis”, instituições e práticas manicomiais podem se acentuar. Um exemplo é a opção de diversos setores de, sob a desculpa do “confinamento”, propor a todo custo internações de pessoas em uso abusivo de álcool e outras drogas em instituições totais como as comunidades terapêuticas.

Tal ação acentua uma lógica que é dissonante (e por vezes antagônica) das diretrizes da Reforma Psiquiátrica, asfixiando por meio da dotação orçamentária insuficiente os equipamentos e dispositivos que deveriam garantir a existência e o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial com forte interlocução com a atenção primária à saúde. Fomenta-se assim um mercado que se alimenta da crise sanitária que o país atravessa e agudiza ainda mais os efeitos do controle e gestão do Estado sobre os corpos, ao mercantilizar a saúde e o cuidado, ao “naturalizar” práticas de higienização e gentrificação social.

Sim, estamos em crise.

E, para algumas pessoas, esta é uma excelente época para os negócios e para o fortalecimento da lógica manicomial. Em um país em que as crises se sucedem e o Estado de exceção é regra, talvez soe como natural a lógica do manicômio que transforma a intervenção na crise em tratamento crônico.

Não há como desvincular os processos: o Estado necropolítico que escolhe quem atravessa a pandemia com conforto e segurança é o mesmo Estado manicomial que determina que os corpos “dissonantes” devem ser trancafiados em manicômios pela vida inteira – por critérios que muitas vezes dizem mais respeito à raça, à condição socioeconômica e à possibilidade de acesso a serviços. É esse Estado servil ao poder econômico que produz e se retroalimenta de desigualdades, operando de forma muito ativa nas subjetividades e afetos. E que fará de tudo para nos conduzir a um “novo normal”, que de “novo” não tem nada. “Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades”, como canta Cazuza, nunca fez tanto sentido.

Do outro lado desta fronteira, estão aquelas(es) que querem a mera “normalidade” de até então: foi em nome dessa “normalidade” que se sustentou este estado de profunda desigualdade e violência. A última coisa que devemos permitir é, justamente, voltar ao “normal”. Aquela “normalidade” com seus muros e segregações, com os discursos únicos sobre o que é “ser um sujeito normal”, sobre o que é a saúde ideal ou sobre como levar a vida ordinária.

Estamos em crise, e a crise pode trazer novos ares. 

Se tantos repetem que o mundo nunca mais será o mesmo, qual é então o mundo que queremos? Deixar para projetar – e, por que não, sonhar? – esse mundo apenas depois que a pandemia passar pode ser tarde demais. Imaginar hoje como será o amanhã, disputar essas narrativas e utopias em defesa da sociedade é também um gesto ético e político. E, mais do que isso, é fundamental reatualizar o compromisso social da Psicologia com ações concretas e conectadas à realidade da população brasileira.

Nós, Psicólogas e Psicólogos, somos sonhadoras(es)-do-mundo-pós-manicômio. Ao defendermos o fim do horror manicomial, com o derrubamento de grades e muros altos, sonhamos com algo maior do que um “novo normal”, uma sociedade com pluralidade e onde caiba toda a diversidade. Defendemos laços e encontros verdadeiramente solidários, sob a égide do cuidado e da dignidade humana. 

Neste 18 de maio, Dia da Luta Antimanicomial, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná quer ecoar as vozes de muitas trabalhadoras e trabalhadores da saúde mental, usuárias e usuários dos serviços. Convidamos você a voltar a sonhar e colocar em prática os princípios que moveram a Reforma Psiquiátrica.

Solidariedade, cuidado, Direitos Humanos, dignidade, afeto, comunidade, território e alteridade são os nossos recursos para enfrentar o “normal”. Se não fizermos isso, o “mundo pós-pandemia” pode aprofundar brutalidades, violências e desigualdades sociais, nos levando a crises ainda mais agudas. Que usemos esse momento para nos mobilizarmos a pensar e criar estratégias para o fortalecimento das nossas redes de cuidado e afeto, e não para a construção de muros.

A Luta Antimanicomial já nos ensinou que não há saúde mental sem solidariedade e encontro. Que colegas da “linha de frente” da atenção psicossocial merecem muito mais que palmas, mas valorização efetiva e condições de trabalho e segurança. A atuação ético-política dessas(es) trabalhadoras(es) e a continuidade na prestação do serviço nos equipamentos demonstram que uma sociedade sem manicômios é possível, mesmo em épocas de pandemia.

São as reverberações e a potência dessas práticas antimanicomiais que promovem a articulação intersetorial e buscam a (re)inserção social, que possibilitam ao sujeito – com a sua loucura – algum cabimento (para circular) na cidade.

Se a pandemia não nos deixa dormir, não deixaremos de sonhar: convidamos você a destruir os muros, tanto os do manicômio quanto os que nos separam entre “pessoas que podem se manter protegidas” e outras que precisam arriscar suas vidas para manterem um mínimo de dignidade. Venceremos! 

Acorda, amor! O manicômio quer voltar, fortaleça a Luta Antimanicomial

Durante o mês de maio, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) realizará diversas ações em comemoração ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18). As atividades relembram o início do movimento social que transformou o paradigma do atendimento em saúde mental no Brasil, construído por profissionais, usuários e instituições comprometidos com o fim das violações de direitos humanos em manicômios e instituições de saúde.

Mais de 30 anos se passaram desde o II Congresso Nacional de Trabalhadores em Saúde (Bauru, 1987) e diversas legislações foram criadas para garantir programas de saúde que rompessem com a lógica centrada no hospital psiquiátrico. Tanto a Lei nº 10.216/2001, da Reforma Psiquiátrica, quanto a Portaria nº 3.088/2011, que institui a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), além da política de Redução de Danos, são avanços incontestáveis do movimento antimanicomial.

No entanto, diante das alterações, por parte do Governo Federal, da Política Nacional de Saúde Mental e da Política Nacional sobre Drogas, o CRP-PR convida a categoria a se posicionar de forma crítica e reflexiva. A lógica de ampliação do financiamento de instituições psiquiátricas em detrimento do investimento na RAPS, presente nas recentes alterações das políticas de saúde, exige a ampliação da defesa do SUS e das tecnologias críticas de cuidado que foram desenvolvidas nos últimos 32 anos.

A Luta Antimanicomial reforça a necessidade de formas de atenção dignas e diversificadas para a pessoa com sofrimento psíquico, de maneira a garantir o direito à liberdade e o direito a viver em sociedade, lutando contra o estigma da loucura. A Reforma Psiquiátrica não foi suficiente para superar totalmente o manicômio: ele quer voltar e é preciso fortalecer a Luta Antimanicomial!

Campanha 2019

A campanha do CRP-PR para o Dia da Luta Antimanicomial deste ano tem como slogan “Acorda, amor! O manicômio quer voltar, fortaleça a Luta Antimanicomial”. A frase chama atenção para o cenário de retrocessos nas políticas de saúde mental e de drogas e enfatiza a defesa dos direitos à dignidade e ao respeito das pessoas com sofrimento mental.

Eventos

Exibição de Filme e roda de conversa: Nise: O Coração da Loucura
Curitiba

Data: 13 de maio

Horário: 19h30

Local: Sede do CRP-PR – Av. São José 699, Cristo Rei, Curitiba-PR

Mesa-redonda: “Acorda, amor! O manicômio quer voltar, fortaleça a luta antimanicomial

União da Vitória
Data: 14 de maio

Convidadas(os): Altieres Edemar Frei (CRP-08/20211), Denize Aparecida Teixeira (CRP-08/10667), Emerson Miguel (CRP-08/IS-425) e Dennys Keyiti Shintaku (CRP-08/18326), Guidie Elleine Nedochetko Rucinski (CRP-08/12167)

Horário: 19h30

Local: Centro Universitário Vale do Iguaçu – R. Padre Saporiti, 717, Nossa Sra. do Rócio, União da Vitória-PR

Audiência Pública: Saúde Mental, 18 de Maio e a Luta Antimanicomial
Curitiba

Data: 15 de maio

Proposição: Comissão de Saúde da ALEP, Deputada Mabel e Deputado Goura

Horário: 09h

Local: Assembleia Legislativa do Paraná – Praça Nossa Senhora do Salete, s/n, Centro Cívico, Curitiba – PR

***

Entrega e fixação de cartazes da Campanha
União da Vitória

Data: 15 de maio 

Descrição: Entrega e fixação de cartazes da Campanha nos CAPS e Secretaria de Saúde de União da Vitória para que a secretaria encaminhe os cartazes para as unidades de saúde.

Horário: a confirmar

Mesa-redonda: “Acorda, amor! O manicômio quer voltar, fortaleça a luta antimanicomial – Conversas multiprofissionais em saúde mental
Curitiba

Data: 16 de maio

Descrição: O evento tem o objetivo de proporcionar o debate sobre as novas, porém anacrônicas, políticas de saúde mental junto a categoria; estimular a reflexão sobre a importância dos serviços de saúde mental e fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial no debate sobre Direitos Humanos, especialmente quanto a princípio da dignidade humana; proporcionar reflexões sobre políticas públicas em contextos específicos – como no caso da implantação dos CAPS Híbridos em Curitiba-PR.

Convidadas(os): Cleuse Barleta (Psicóloga) (CRP-08/02871), Vanderleia Schineman (Assistente Social), Sylvia Cardim (Psiquiatra), Cassiano Robert (Terapeuta Ocupacional), Dione Menz (Enfermeira e Psicóloga) (CRP-08/05491)

Horário: 19h

Local: Sede do CRP-PR – Av. São José 699, Cristo Rei, Curitiba-PR

Não é preciso realizar inscrições

***

Exibição on-line da mesa “Acorda, amor! O manicômio quer voltar, fortaleça a luta antimanicomial
Pato Branco

Data: 16 de maio 

Descrição: Exibição on-line da mesa “Acorda, amor! O manicômio quer voltar, fortaleça a luta antimanicomial” e debate com os alunos dos cursos de Psicologia, Medicina e Enfermagem.

Horário: 19h

Local: Faculdade de Pato Branco – FADEP – R. Benjamin Borges dos Santos, 1100 , Fraron, Pato Branco-PR

***

Stand na Faculdade Guaricá: campanha “Acorda amor! O manicômio quer voltar! Fortaleça a luta antimanicomial”. 
Guarapuava

Data: 16 de maio

Descrição: Stand em Parceria com o colegiado e estudantes da Faculdade Guairacá como forma de informação e debate a respeito da campanha “Acorda amor! O manicômio quer voltar! Fortaleça a luta antimanicomial”. Contaremos com performances artísticas e diálogos individuais e em grupo.

Horário: 19h às 21h

Local: Campus da Faculdade Guairacá – Rua XV De Novembro, 7050, Centro, Guarapuava-  PR

***

Exibição do filme: “Nise: O Coração da Loucura” e debate
Paranavaí
Data: 16 de maio

Horário: 19h30

Local: Colégio Nobel – R. Bahia, 479, Centro, Paranavaí-PR 

***

Saúde, café e prosa
Campo Mourão

Data: 16 de maio

Local: Campo Mourão

*Promovido pela Secretaria Municipal de Saúde em parceria com o COMAD, CRP-PR, Comitê Municipal Intersetorial de Saúde Mental e CAPS AD e II.

Reunião aberta sobre LGBTIfobia e a saúde mental da população LGBTI
Londrina

Descrição: A reunião será conduzida pelo colaborador do Núcleo de Diversidade de Gênero e Sexualidades, Psic. Leandro Herkert Fazzano (CRP 08/21756).
Data: 17 de maio

Horário: 09h

Local: Subsede Londrina – Avenida Ayrton Senna da Silva, 550, sala 1101, Torre Montello, Gleba Fazenda Palhano, Londrina-PR 

 

Palestra: Internamento involuntário x Luta Antimanicomial

União da Vitória
Data: 17 de maio 
Descrição: Participação da Representante Setorial Denize Aparecida Teixeira (CRP-08/10667), no evento do CAPS alusivo à Luta Antimanicomial com o tema “Internamento involuntário x Luta Antimanicomial”

Horário: 08h

Local: Auditório da Secretaria Municipal da Cultura – Praça Visconde de Nacar, S/N,  Estação União, União da Vitória-PR

Posse dos representantes do CRP-PR no Conselho Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu e apresentação da campanha “Acorda amor!”
Foz do Iguaçu
Data: 17/05
Horário: 09h
Local: Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu – Tv. Oscar Muxfeldt, 81, Centro

Palestra sobre a “nova saúde mental”

Londrina

Data: 18 de maio

Descrição: Palestra sobre “nova saúde mental” que abordará a importância da discussão para que não haja o retorno dos manicômios.  

Convidadas(os): Nadya Christiane Silveira Pellizzari (CRP 08/06926) – Colaboradora Comissão de Direitos Humanos e Comissão de Psicologia e Saúde do Conselho Regional de Psicologia do Paraná

Horário: 8h30

Local: Subsede CRP-PR Londrina, auditório do Torre Montello – Avenida Ayrton Senna da Silva, 550, sala 1101, Torre Montello, Gleba Fazenda Palhano, Londrina-PR 

 ***

Stand na Faculdade Guaricá. Campanha “Acorda amor! O manicômio quer voltar! Fortaleça a luta antimanicomial”. 
Guarapuava

Data: 18 de maio

Descrição: Stand em Parceria com o colegiado e estudantes da Faculdade Guairacá como forma de informação e debate a respeito da campanha “Acorda amor! O manicômio quer voltar! Fortaleça a luta antimanicomial”. Haverá performances artísticas e diálogos individuais e em grupo.

Horário: 09h às 11h

Local: Praça 9 de Dezembro – R. XV de Novembro, 7426, Centro, Guarapuava-PR

***

Exibição do filme: “Nise – O Coração da Loucura” com uma fala dos Psicólogos do CAPS após a exibição

Ponta Grossa

Data: 18 de maio

Horário: 14h

Local: R. Des. Westfalem, 60, Oficinas, Ponta Grossa – PR

***

Entrevista com a Psicóloga Semiramis Maria Amorim Vedovatto (CRP-0806207) sobre a Luta Antimanicomial
Data: 18 de maio

Horário: 12h

Local: Programa Psicologia em foco – Rádio Litoral Sul FM (transmissão)

***

Participação da Campanha de Sensibilização alusiva à Luta Antimanicomial em parceria com os comitês de saúde mental e de prevenção ao suicídio
Francisco Beltrão
Data: 18 de maio

Horário: a partir das 08h

Local: Calçadão da Praça Central de Francisco Beltrão

Mesa de debate sobre a campanha “Acorda, amor! O manicômio quer voltar, fortaleça a luta antimanicomial!
Guarapuava

Data: 20 de maio

Convidadas(os): Psicóloga Carla Silveira Batista Lauer (CRP-08/18606), Ligia Gobbo Larocca (CRP-08/11365) e Eduardo Bernardes Nogueira (CRP-08/12071)

Horário: 19h às 23h30

Local: Miniauditório Faculdade Unicentro – R. Salvatore Renna, 875, Santa Cruz, Guarapuava – PR

Contribuições da Bioética e da Psicologia para fortalecer a Luta Antimanicomial – Cinedebate: O bicho de sete cabeças
Curitiba

Debate sobre as temáticas com:

– Thiago Rocha da Cunha, coordenador do Programa de Pós Graduação em Bioética da PUCPR;

– Juliana Radaeli, professora de Psicologia da PUCPR e Psicanalista;

– Semíramis Maria Amorim Vedovatto, Conselheira do CRP-PR;

– Julia Mezarobba Caetano Ferreira (aluna do PPGB, intermediadora).

Data: 21/05
Horário: 17h

Local: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Bloco Verde (Escola de Ciências da Vida) – auditório Brasílio Vicente de Castro, térreo | R. Imac. Conceição, 1155, Prado Velho

Inscrições: gratuitas, através do e-mail lutaantimanicomial.evento@hotmail.com

 

Participação da Representação Setorial no Sarau da Luta Antimanicomial realizada pelo CAPS 

Cianorte

Data: 22 e 23 de maio

Descrição: Trata-se de um evento cultural pautado na expressão artística com o objetivo de promover criatividade, cidadania, socialização, informação e reflexão à toda comunidade através da exposição de artesanatos, declamação de poesias e apresentações musicais e de teatro.

Os usuários dos CAPSi e CAPS I discorrerão acerca de temas relativos à saúde mental, luta antimanicomial e políticas públicas, ocupando o papel de protagonistas destas últimas na possibilidade de expressarem seus sentimentos, necessidades e potencialidades através da arte.

Horário: 08h às 21h

Local: CAPS I (Rua Tiradentes, 84)

***

Acorda amor! Bate-papo sobre a Luta antimanicomial

Maringá

Data: 22 de maio

Convidada: Mayra Costa Martins (CRP-08/25174)

Horário: 19h

Local: Subsede Maringá (Avenida Duque de Caxias, 882 ou 856, Torre II, sala 905, Ed. New Tower Plaza, Zona 01, Maringá-PR)

Mesa-redonda: “A importância da RAPS no Atendimento Humanizado em Saúde Mental: por uma sociedade livre de manicômio!”
Campo Mourão

Data: 23 de maio 

Descrição: O evento tem o objetivo de promover um espaço de conhecimento e trocas de experiências na execução dos serviços de saúde mental no Município de Campo Mourão, através de mesa redonda composta por três serviços de compõem a RAPS na cidade, numa perspectiva dialética, humanizada e de proteção integral às(aos) usuárias(os) da saúde pública.

Convidadas(os): a confirmar

Horário: 13h30 às 16h

Local: Auditório do Sindicado dos Servidores Municipais de Campo Mourão – Sindiscam. Rua Mato Grosso, 2712, Jd. Gutierres, Campo Mourão – PR

Inscrições: não será necessário inscrição antecipada, teremos lista de presença para declaração na hora do evento.

Participação da Representação Setorial no Sarau da Luta Antimanicomial realizada pelo CAPS 

Cianorte

Data: 22 e 23 de maio

Descrição: Trata-se de um evento cultural pautado na expressão artística com o objetivo de promover criatividade, cidadania, socialização, informação e reflexão à toda comunidade através da exposição de artesanatos, declamação de poesias e apresentações musicais e de teatro.

Os usuários dos CAPSi e CAPS I discorrerão acerca de temas relativos à saúde mental, luta antimanicomial e políticas públicas, ocupando o papel de protagonistas destas últimas na possibilidade de expressarem seus sentimentos, necessidades e potencialidades através da arte.

Horário: 08h às 21h

Local: CAPS I (Rua Tiradentes, 84)

Roda de conversa “O papel da(o) Psicóloga(o) clínica(o) como agente de desospitalizacao frente à Luta Antimanicomial”
Data: 30/05
Horário: 19h
Local: Têmeno Clínica de Psicologia – Rua Arquimedes Cruz, 80, Jardim Social, Curitiba.
É necessário inscrição pelo link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScpkTr4HGY6TNafgmu8SyTQb_kjQcT2zODXgNU5-hGtvVPFBw/viewform?usp=sf_link

CRP-PR em Brasília

Confira abaixo as representações do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) em atividades relacionadas ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial em Brasília. 

14 de maio

Lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial

Local: Salão Nobre, Anexo II, Câmara Federal – Brasília-DF

Representação: Cons. Semíramis Vedovatto (CRP-08/06207)

15 de maio

Sessão Solene em Homenagem ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial

Local: Plenário Ulysses Guimarães, Câmara Federal – Brasília-DF

Representação: Cons. Semíramis Vedovatto (CRP-08/06207)

15 de maio

Participação na Sessão Plenária do Senado Federal, para acompanhar votação do PLC 37/2013 (Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas)

Representação: Semíramis Maria Amorim Vedovatto (CRP-08/06207)

18 de maio também é dia de combater o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes

No primeiro semestre de 2018, o Disque Direitos Humanos (Disque 100) recebeu mais de oito mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes, representando 23,35% do total de denúncias registradas pelo canal naquele período. Desse número, 6.350 foram de violações que envolveram abuso sexual e 1.380 que envolveram exploração sexual. Na história do Disque 100, desde 2011, mais de 180 mil casos foram notificados. Os números são expressivos e ainda é importante ressaltar que nem todos os casos são reportados.

Desde o ano 2000, 18 de maio — já tão conhecido das(os) Psicólogas(os) como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial — é também o Dia Internacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em uma campanha nacional intitulada Faça Bonito. Foi nessa data, há 46 anos atrás, que Araceli Cabrera Crespo desapareceu e foi violentamente abusada e assassinada em Vitória, no Espírito Santo. Ela tinha apenas 8 anos de idade. Depois do julgamento, os acusados dos crimes foram absolvidos e o processo foi arquivado pela Justiça.

A violência sexual contra crianças pode ocorrer de várias formas: estupro, grooming (assédio via internet), pornografia infantil, sexting (mensagens texto com conteúdo sexuais), abuso e exploração sexual. As duas últimas formas de violação se distinguem da seguinte forma:

O abuso sexual é a utilização da sexualidade de uma criança ou adolescente para a prática de qualquer ato de natureza sexual para a satisfação de um adulto. Geralmente é praticado por uma pessoa com quem a criança ou adolescente possui uma relação de confiança e que participa do seu convívio, dentro ou fora do ambiente doméstico.

 

A exploração sexual ocorre no contexto da prostituição, na pornografia, nas redes de tráfico e no turismo com motivação sexual. É uma relação de mercantilização em que o sexo é fruto de uma troca financeira, de favores ou com presentes.A Psicologia enquanto ciência e profissão não apenas estuda e pesquisa, como intervém em diferentes dimensões de atendimento com destas situações.

A Psicologia sempre é convidada a se colocar nas discussões e a formular estratégias de atuação com esse tipo de violência, oferecendo recursos para a compreensão das dinâmicas familiares, subjetividade dos membros, ciclos de violência, análise da situação, o papel que cada envolvido exerce dentro do contexto, a inclusão ou reinclusão social, o desenvolvimento do protagonismo juvenil, a compreensão da realidade econômica e social, as possibilidades de estratégias de intervenção e atendimento ou acompanhamento, dentre outras ações de intervenção, mas principalmente na busca da prevenção das situações de violência contra crianças e adolescentes

O combate a esses tipos de violação de direitos de crianças e adolescente exige a desnaturalização de diferentes formas de violências que passam abatidas no nosso dia a dia. “Isso não significa que tudo tem que ser visto como um problema, mas também que não dá pra se continuar numa crença de que ‘ninguém se mete na educação dos meus filhos, então, eu também não me meto na do outro’. Esse ditado popular faz com que muitas crianças e adolescentes permaneçam expostas às situações de violência, sendo que existe inclusive uma lei que contradiz isso”, explicam as Psicólogas que fazem parte do Núcleo de Infância e Adolescência da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), Gabrielle Aparecida Kepka (CRP-08/16818) e Talita Quinsler Veloso (CRP-08/22148), citando o artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

 

Diante disso, segundo as profissionais, a Psicologia tem importante papel, seja na atuação com as famílias, com as crianças e adolescentes, com os profissionais da rede de proteção ou em qualquer dos diversos contextos nos quais a Psicologia se encontra inserida. “A Psicologia sempre é convidada a se colocar nas discussões e a formular estratégias de atuação com esse tipo de violência, oferecendo recursos para a compreensão das dinâmicas familiares, subjetividade dos membros, ciclos de violência, análise da situação, o papel que cada envolvido exerce dentro do contexto, a inclusão ou reinclusão social, o desenvolvimento do protagonismo juvenil, a compreensão da realidade econômica e social, as possibilidades de estratégias de intervenção e atendimento ou acompanhamento, dentre outras ações de intervenção, mas principalmente na busca da prevenção das situações de violência contra crianças e adolescentes”, explica o Núcleo da Infância e Adolescência.

 

Por isso, nesta data, é importante enfatizar a importância da atuação da(o) Psicóloga(o) para a proteção dos direitos humanos das crianças e adolescentes, buscando a efetivação de políticas públicas que previnam e intervenham nas situações, fazendo valer as leis que protegem a infância e a juventude de qualquer tipo ou forma de opressão e violência. Esta atuação se torna ainda mais efetiva quando se considera a interdisciplinaridade, envolvendo diferentes olhares, segmentos e práticas profissionais, configurando verdadeira rede de proteção.

Campanhas

Diversas campanhas são realizadas com o objetivo de mobilizar a sociedade para o enfrentamento dessas violações. Confira algumas:

 

Pode ser abuso

Com o objetivo de comover a sociedade para as consequências que o abuso sexual infantil causa às vítimas, a campanha da Fundação Abrinq possui diversos materiais sobre os principais sinais que podem revelar possíveis casos de abuso contra crianças e adolescentes.

www.podeserabuso.org.br/campanha


Não engula o choro

A Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social do Paraná promove a campanha “Não engula o choro” para enfrentar as violências contra crianças e adolescentes. O material conta com duas animações que alertam sobre como o silêncio dificulta a intervenção nos casos de violência contra os jovens. Para as crianças e adolescentes vítimas de violência, é mais comum que os sinais sejam percebidos por manifestações não verbais e pelo choro. O incentivo da campanha é para que essas expressões não sejam reprimidas. Além disso, crianças e jovens precisam saber que existem pessoas que podem ajudar quando há algo de errado.

www.desenvolvimentosocial.pr.gov.br/naoengulaochoro


Defenda-se

A campanha Defenda-se do Centro Marista de Defesa da Infância promove a autodefesa de crianças contra a violência sexual por meio de uma série de vídeos educativos com linguagem acessível, amigável e preventiva, apropriados para meninas e meninos entre 4 e 12 anos de idade.

www.defenda-se.com

Disque 100

Se você souber de algum caso de abuso ou exploração sexual infantil, denuncie pelo Disque Direitos Humanos, de número 100. Você também pode denunciar pelo aplicativo Proteja Brasil e pela Ouvidoria Online.

PodPsi: Gustavo Zambenedetti fala sobre saúde mental e Luta Antimanicomial em Irati

O pesquisador Altieres Edemar Frei (CRP-08/20211), que está percorrendo o Estado do Paraná em busca de informações, encontros, entrevistas e “pistas” sobre a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), conversou com o Psicólogo Gustavo Zambenedetti (CRP-08/IS-318), professor e pesquisador da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste) no campus de Irati. O bate-papo entre os dois pesquisadores aborda fatos sobre a atenção em saúde mental na cidade de Irati sob a perspectiva da Luta Antimanicomial, além de comentar as alterações recentes nas Políticas Nacional de Saúde Mental e sobre Drogas e comentar os desafios e potencialidades da atenção em saúde mental nos tempos atuais.

Gustavo também destaca, ao longo da conversa, a importância do posicionamento político dos Conselhos, especialmente diante dos retrocessos apresentados: “é importante reconhecer a importância do nosso Conselho e o quanto ele tem se manifestado ativamente em relação a essas pautas, em consonância com outros Conselhos profissionais, ou em dissonância em alguns casos”. O profissional lembra que qualquer atuação psicológica envolve um posicionamento político. “Não é possível fazer clínica sem política”, concordam os profissionais durante o áudio.

O podcast está disponível na plataforma SoundCloud (acesse aqui) e também no Youtube (ver abaixo).

Acorda, amor: o manicômio quer voltar

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) se posiciona firmemente a favor da Luta Antimanicomial, da Reforma Psiquiátrica e dos Direitos Humanos. Recentemente, o Governo Federal anunciou mudanças preocupantes nas Políticas Nacional de Saúde Mental e sobre Drogas, ampliando o financiamento de instituições psiquiátricas em detrimento do investimento na RAPS, bem como o foco na abstinência em detrimento da Redução de Danos.

Em 2019, a campanha “Acorda, amor! O manicômio quer voltar, fortaleça a Luta Antimanicomial” traz um alerta: a Reforma Psiquiátrica não foi suficiente para superar totalmente o manicômio: ele quer voltar e é preciso fortalecer a Luta Antimanicomial!

Saiba mais sobre a campanha: www.crppr.org.br/18m2019

VII Congresso Internacional ABRAMD: Políticas de Drogas, Autonomia e Cuidados

De 05 a 08 de junho de 2019 a cidade de Curitiba recebe o VII Congresso Internacional da ABRAMD, a ser realizado no Centro Universitário UNIBRASIL. O evento foca em debates transversais, interdisciplinares e plurais sobre temas relacionados aos usos de drogas e seus regimes de controle social, técnico e político. Os congressos da ABRAMD se tornaram reconhecidos pela pluralidade de abordagens temáticas e pelo protagonismo e diversidade de atores sociais participantes, ultrapassando as barreiras disciplinares, e aquelas que por vezes separam o mundo acadêmico das esferas política e de ação social. Uma política de drogas com foco nas pessoas e que respeite os direitos humanos é necessária e urgente. Participe e fortaleça a resistência coletiva aos retrocessos nas políticas sobre drogas.O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) é apoiador do VII Congresso Internacional da ABRAMD.

CRP-PR encaminha ofício à Prefeitura sobre os CAPS de Curitiba

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) enviou na última quarta-feira, 03 de outubro, ofício à Prefeitura de Curitiba solicitando informações sobre a execução das modificações que estão sendo propostas pelo município na Rede de Atenção Psicossocial, especialmente modificando o atendimento prestado pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) na cidade.

O envio do documento atende a um compromisso firmado em janeiro deste ano pelo CRP-PR junto à Prefeitura Municipal de Curitiba diante do Ministério Público, que determinou que a autarquia acompanhe as alterações, integrando grupo de trabalho em parceria com conselhos regionais de outras profissões, “destinado a estruturar, promover e qualificar o processo de trabalho, os núcleos profissionais e as ações e serviços vinculados à atenção em saúde mental de forma específica junto aos CAPS”.

Na reunião com o Ministério Público também ficou acordado a participação do CRP-PR, junto a outras instituições, em um grupo de trabalho para atuar de forma próxima à Comissão de Saúde Mental do Conselho Municipal de Saúde a fim de “acompanhar, fiscalizar e verificar a execução do projeto de redimensionamento do CAPS, a partir do projeto deliberado pelo referido Conselho”.

O início das mudanças foi anunciado na última reunião da Comissão de Saúde Mental do CMS. Diante da ausência de qualquer notificação oficial ao CRP-PR e da falta do detalhamento sobre as modificações que expliquem como se dará a garantia de prestação de serviços à população curitibana com qualidade e preservação da autonomia profissional das(os) Psicólogas(os), o CRP-PR optou por encaminhar os questionamentos à Prefeitura.

 

Entenda o caso

No final do ano passado, a Prefeitura anunciou que realizaria modificações no sistema de atendimento em saúde mental para a população. Atualmente, os CAPS que são responsáveis pelo cuidado da população adulta estão divididos entre as modalidades “CAPS ad”, indicados para atendimento a pessoas com intenso sofrimento psíquico decorrente do uso e abuso de álcool e outras drogas, e “CAPS TM”, para pessoas com sofrimento decorrente de transtornos mentais.

Segundo o novo modelo, todos os CAPS em Curitiba reunirão em si todas as demandas em saúde mental dos diferentes públicos. As principais preocupações do CRP-PR são com a qualidade dos serviços prestados à população nestas condições, levando em consideração a especificidade de cada clínica e terapêutica em um mesmo ambiente, com a mesma equipe, em um mesmo equipamento. Além da própria atuação técnica, há também dúvidas quando à adesão aos serviços pelos usuários, uma vez que as questões se expressam de formas diferentes.

CRP-PR participa de audiência pública na Câmara Municipal em defesa da Luta Antimanicomial

Charge desenvolvida a partir da composição da mesa na audiência pública na Câmara Municipal de Curitiba | Crédito: mandato do vereador Goura

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) participou, em 25 de maio, de uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Curitiba. A iniciativa foi do vereador Goura e contou com a presença de outros parlamentares, representantes de diversas instituições, trabalhadores da área de saúde e usuários dos serviços de Saúde Mental.

O CRP-PR foi representado no evento pelo assessor de políticas públicas, César Fernandes (CRP-08/16715), e pela colaboradora da Comissão de Direitos Humanos, Vanessa Tauscheck (CRP-08/17572). Em sua fala, César destacou a campanha elaborada pela instituição “Saúde não se vende, louco não se prende, quem tá doente é o sistema social” em referência ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, lembrado em 18 de maio. Ele também destacou a importância da resistência e da luta por direitos humanos em um contexto de desmonte e de privatização das políticas públicas de saúde pública, saúde mental e da política sobre drogas.

 

O Psicólogo ressaltou ainda a importância da Luta Antimanicomial e do cuidado comunitário e em liberdade das pessoas com sofrimento mental. “Estamos bastante preocupados, sobretudo com a forma como esse governo federal vêm fazendo a gestão das políticas de saúde mental e também da política de drogas. Nós estamos vivendo sob um ajuste fiscal que é absolutamente incompatível com a produção de políticas públicas. (…) A política nacional de saúde mental dá passos atrás, volta, retroage nos avanços que a gente tinha conquistado, no sentido em que fortalece o investimento em entidades que não são das entidades de rede de atenção psicossocial e fortalece o reinvestimento em leitos nos hospitais psiquiátricos em detrimento do investimento nos equipamentos públicos da rede de atenção psicossocial, que são os CAPS”, afirmou.

“A política de drogas nacional também retroage bastante nos direitos que haviam sido conquistados. A destruição da política de redução de danos que é uma política que avança como uma tecnologia crítica de cuidado expressa uma volta ao entendimento da política de drogas como uma política guiada pela abstinência como único plano terapêutico e isso é um retrocesso. E também fortalece uma noção de que para finalizar o problema com as drogas nós precisamos acabar com as pessoas que usam drogas. (…) É uma política de bastante retrocesso porque expressa na guerra às drogas na verdade uma guerra aos pobres, uma guerra às pessoas que usam drogas, mas não são todas as pessoas, porque existe um corte, uma opção de quem vai ser perseguido por essa guerra e quem não vai ser”, alerta o assessor de políticas públicas.

Vanessa Tauscheck, que também falou pela Frente Paranaense em Defesa da Reforma Psiquiátrica e da Democracia, que o CRP-PR compõe, esclareceu que a frente é solidária à Luta Antimanicomial e que ela espera não escutar mais relatos em que a pessoa passa por privações quando precisa de tratamento no campo da saúde mental.

Também presente no evento, Altieres Edemar Frei (CRP-08/20211), Psicólogo e membro do Colegiado Gestor da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme-PR), chamou a atenção para a necessidade de pautar o atendimento em sofrimento mental por coeficientes de alteridade, que estão relacionados com as possibilidades de tolerar as diferenças. “Só os fascistas e algumas igrejas querem que todos pensem da mesma forma e comam a mesma comida”, afirmou.

Semana da Luta Antimanicomial realizou atividades em diversas cidades

Na semana do dia 18 de maio, o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) e parceiros promoveram uma série de eventos, a fim de reforçar a necessidade de formas de atenção dignas e diversificadas para as pessoas com sofrimento psíquico.

Companhia de palhaços de rua realiza atividades com crianças usuárias do CAPSi de Londrina
A aula pública "Luta Antimanicomial: O direito de ser quem sou; a beleza de ser único e irrepetível" aconceteu na IFPR (Instituto Federal do Paraná). O evento teve a confecção de cartazes e de tsurus, e montagem de móbiles com as dobraduras que foram instalados no campus.

A data relembra o início do Movimento da Luta Antimanicomial, que reivindica um acolhimento humanizado das pessoas com sofrimento mental, diferente do tratamento usado pelos manicômios e hospitais psiquiátricos.

Nesta semana especial de atividades, as temáticas debatidas foram variadas, desde a saúde mental da população LGBTI até as políticas de cuidado com a População em Situação de Rua. As crianças não ficaram de fora e tiveram uma atividade com um grupo de palhaços no CAPS i de Londrina. 

Mesa-redonda: “18 de maio, que data é essa?” no Centro Universitário Dinâmica das Cataratas, em Foz do Iguaçu

Os eventos aconteceram nas cidades de Curitiba, Foz de Iguaçu, Paranavaí, Ponta Grossa, Campo Mourão, Londrina, União da Vitória, São Mateus do Sul, Apucarana, Cianorte e Maringá. Entre as atividades, foram 11 rodas de conversa e quatro mesas-redondas, além de oficinas, exibição de filmes, palestras, aula de yoga e piquenique, totalizando 25 atividades diferentes.

Roda de conversa: “Dizem que sou loucx: práticas manicomiais e a autonomia das pessoas LGBTIs” que aconteceu na ONG Dom da Terra. O evento contou com a presença do Transgrupo Marcela Prado e da Associação Paranaense da Parada da Diversidade

Confira todas as fotos em nosso banco de imagens

É preciso reagir à nova (porém anacrônica) Política Nacional de Saúde Mental e de Drogas!

No apagar das luzes de 2017, ano em que a Carta de Bauru – marco inicial da Luta Antimanicomial – completou 30 anos, a saúde mental brasileira sofreu um grave ataque: mudanças significativas na Política Nacional de Saúde Mental. Sem qualquer debate público, as alterações, consubstanciadas na Resolução nº 32 de 14 de dezembro de 2017, foram impostas à Comissão Intergestores Tripartite (CIT) pelo Coordenador Nacional de Saúde Mental, Quirino Cordeiro, e pelo então Ministro da Saúde, Ricardo Barros. Marcada pela verticalidade e autoritarismo do Governo Federal, a nova proposta de Política Nacional passou por cima de 16 anos de avanços da Reforma Psiquiátrica brasileira, que buscou implementar o cuidado em liberdade e serviços substitutivos em rede na contramão da mercantilização da saúde.

Sob a lógica da ambulatorização, a Política Nacional de Saúde Mental recentemente sancionada se distancia do investimento em políticas públicas, sobretudo porque se centra na ampliação do já robusto financiamento de instituições privadas, como hospitais psiquiátricos, ambulatórios especializados e as comunidades terapêuticas. A falta de investimentos na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é expressiva, e o empobrecimento das possibilidades de suas ações pode retomar a generalização e a despersonalização do cuidado em liberdade.

Mais recentemente, houve uma nova investida sobre a Reforma Psiquiátrica: em 10 de março desde ano, o Conselho Nacional de Política de Drogas (CONAD), em outra demonstração de autoritarismo, negou o direito democrático de que o Conselho Federal de Psicologia solicitasse vistas ao processo e aprovou a Resolução nº 01/2018, que promove retrocessos na Política Nacional sobre Drogas e na Política de Redução de Danos. A proposta, capitaneada pelo ex-Ministro Osmar Terra, atua no sentido inverso de modernas políticas de atenção integral as pessoas que usam álcool e outras drogas com foco na Redução de Danos operadas em todo o mundo, centradas em tecnologias críticas de cuidado que promovem autonomia a todas as pessoas que usam drogas.

Desconsiderando os acúmulos históricos, técnicos e científicos do campo da saúde mental, a Resolução 01/2018 da CONAD define que a política de drogas deve considerar a “posição majoritariamente contrária da população quanto às iniciativas de legalização das drogas”. Em uma “guinada à abstinência”, o documento reconstrói o estigma de que todo e qualquer uso de substância psicoativa causa sofrimento psíquico e social e consequentemente precisa ser medicado e ter tratamento segregado nos hospitais psiquiátricos ou ambulatórios especializados, em detrimento da lógica da autonomia do sujeito em seu uso e, se necessário, do cuidado no território e em liberdade.

A nova resolução da CONAD representa um retrocesso porque, em prol do financiamento massivo de comunidades terapêuticas, abre mão dos imensos acúmulos constituídos com a política de Redução de Danos brasileira. Esta estratégia de saúde tomou forma inicialmente com a assistência à saúde de pessoas vivendo com HIV/Aids, especialmente a partir da gestão municipal de Telma de Souza, David Capistrano e Fabio Mesquita, em Santos. Neste momento, o movimento antimanicomial entrava em ebulição e desenvolveu diversas estratégias da Redução de Danos para o contexto da saúde mental. Anos mais tarde, a Redução de Danos foi preconizada na Política de Atenção Integral a Usuários de Álcool e Outras Drogas (2003) e respaldada pela Portaria nº 1.059/GM de 2005, que destinava financiamento para ações de Redução de Danos em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS ad), em todo território nacional.

Esta política está voltada para qualquer cidadão com qualquer tipo de uso de drogas. No entanto, em geral, os maiores beneficiários da Redução de Danos são as pessoas em contextos de vulnerabilidade e é utilizada em diversos serviços da Rede de Atenção Psicossocial. As intervenções no campo do “uso de drogas” são intersetoriais, interligadas entre diversos segmentos. Neste aspecto, importante destacar que, com a diminuição de investimentos públicos em políticas sociais, há um deslocamento do eixo de atenção ao usuário de drogas da saúde para a justiça e segurança pública. Isto contribui para a associação do uso de drogas à criminalidade e, consequentemente, o aprofundamento do preconceito e estigma contra as pessoas que usam drogas, as que exercem as ações de Redução de Danos e até mesmo com pesquisadores da área das drogas, como a intimação pelo Tribunal de Justiça de São Paulo ao Professor Doutor Elisaldo Carlini e sua equipe, da UNIFESP, ou o impedimento de acesso legal a substâncias consideradas ilícitas para pesquisadores no Brasil.

Na esteira dos retrocessos, por intermédio de uma parceria entre o Ministério da Justiça (MJ), Ministério da Saúde (MS), Desenvolvimento Social (MDS) e Trabalho (MTE), a Secretaria Nacional de Política de Drogas (SENAD) lançou, recentemente, um Edital de Credenciamento para contratação de serviços especializados em acolhimento de pessoas com “transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas”, em regime residencial transitório e de caráter exclusivamente transitório, com grande dotação orçamentária vinculada ao Fundo Nacional Antidrogas. Neste sentido, o financiamento público deveria priorizar o fortalecimento da RAPS, para fazer avançar o financiamento e a abertura de mais espaços especializados de caráter comunitário, com capacidade de atenção 24 horas e possibilidade de internação nas situações de crise. A insistência em investimento em espaços centrados na reclusão de usuários, desconectados dos contextos nos quais produzem suas experiências de vida, tende a impedir o desenvolvimento de práticas efetivas, complexas e intersetoriais de cuidados na perspectiva do respeito aos direitos de usuários, sua autonomia de escolha, e das múltiplas possibilidades de reabilitação psicossocial.

Também é fundamental levar em conta, ao reagir contra a nova Política Nacional de Saúde Mental e de Drogas, as contribuições da Redução de Danos e de posições não proibicionistas para o enfrentamento das consequências da guerra às drogas. A política de proibição e criminalização dos usuários de drogas já se mostrou ineficaz em seu papel de controlar o uso de substâncias e plantas ilícitas. O “combate às drogas”, que orienta as ações da SENAD em conjunto com políticas militarizadas de segurança pública, revela-se, em verdade, como um combate às pessoas que vivem em periferias, especialmente pobres, jovens e negros.

Esta “guerra às drogas”, no mundo inteiro, abastece o genocídio da população negra e produz o encarceramento em massa. Dados levantados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2005 revelam que um em cada quatro presos foram condenados por roubo ou tráfico de drogas. Em números absolutos, em 2018, o Brasil – terceiro lugar no ranking mundial do encarceramento – possui mais de 200 mil pessoas atrás das grades por conta da repressão, com muitos presos provisórios ainda aguardando o julgamento, pois lhes é negado o direito de responder em liberdade. A proporção é ainda maior nas prisões femininas, cujos motivos de encarceramento são majoritariamente por questões relacionadas ao tráfico de drogas. Mulheres são estigmatizadas por serem “criminosas”, mas ainda mais por serem “mulheres criminosas”; se forem usuárias de crack ou morarem nas ruas, podem perder o direito de serem mães e de conviverem com seus filhos. Além de aprisionar, a política de repressão às drogas também gera mortes. A cada dia, 154 pessoas morreram, em média, vítimas de homicídio no Brasil, segundo o Mapa da Violência 2014. Ao todo, 56 mil pessoas perderam a vida assassinadas, sendo a maioria jovens, negros e moradores de periferias. Esses números superam os de diversas zonas de guerra e alçam o Brasil à sétima posição entre os países que mais matam.

Entendemos, então, que as propostas da nova Política Nacional de Saúde Mental e a de Drogas caminham na contramão dos acúmulos da Luta Antimanicomial, em um processo de descaracterização e retrocesso com relação à própria Constituição Federal em seu artigo 196; à lei nº 10.216/2001, que redireciona o modelo de assistência das instituições à RAPS; à portaria nº 2.197/2004 do Ministério da Saúde, que redefine e amplia a atenção integral para usuários de álcool e outras drogas no âmbito do SUS; à portaria nº 3.088/2011, que institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas; e outras legislações como a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a lei nº 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência).

Além disso, os retrocessos nas políticas produzem espaços de intervenção ainda mais desafiantes ao exercício profissional de Psicólogas e Psicólogos, sobretudo à luz dos Princípios Fundamentais do Código de Ética Profissional do Psicólogo (CEPP – Resolução CFP nº 010/2005). O CEPP aponta que a(o) Psicóloga(o) realizará seu trabalho para a promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiada(o) nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Além disso, esta(e) profissional deverá trabalhar visando à promoção de saúde, contribuindo para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Diante da grave situação no âmbito nacional, é fundamental que os Conselhos de Psicologia sigam em composição orgânica com as associações de saúde mental, de usuários e trabalhadores deste segmento, para debater com a sociedade e fortalecer a defesa das políticas públicas de saúde mental e de seu financiamento público. Também é central reivindicar a manutenção dos direitos sociais e dos sistemas públicos de políticas sociais como o SUS e o SUAS, apontando e combatendo o esfacelamento e as distorções das políticas e ações já existentes. Em tempos de investidas conservadoras sobre todas as esferas da vida, de primazia da violência e da contínua retirada de direitos sociais, compreendemos a necessidade de fortalecer ainda mais a Luta Antimanicomial.

Deste modo, postulamos a real ampliação dos investimentos nos equipamentos públicos da RAPS, em contraposição à substancial destinação de dinheiro público para a iniciativa privada, representada por comunidades terapêuticas, hospitais psiquiátricos e ambulatórios especializados, entre outros, que estão desconectados desta Rede. Exigimos o alinhamento contínuo da Política Nacional de Saúde Mental e de Drogas às diretrizes da Redução de Danos, do movimento da Reforma Psiquiátrica, da Luta Antimanicomial e dos Direitos Humanos.

“Saúde não se vende, louco não se prende: quem tá doente é o sistema social”

Em defesa da Redução de Danos, da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial: por uma sociedade sem manicômios!

CRP-PR e parceiros promovem semana de eventos pelo Dia Nacional da Luta Antimanicomial

Neste mês de maio, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) e parceiros promovem uma série de eventos para lembrar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, que acontece em 18 de maio. A data marca o início do Movimento da Luta Antimanicomial, que aconteceu durante o II Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental em Bauru, em 1987.  

A manifestação, que deu origem à Carta de Bauru e ao lema “por uma sociedade sem manicômios”, reivindica os direitos das pessoas com sofrimento mental e propõe que elas sejam acolhidas de forma humanizada, diferentemente das intervenções aplicadas pelos manicômios e hospitais psiquiátricos, que isolam os pacientes e praticam, muitas, vezes, atos de violência, abuso e negligência.

A Luta Antimanicomial reforça a necessidade de formas de atenção dignas e diversificadas para a pessoa com sofrimento psíquico, de maneira a garantir o direito à liberdade e o direito a viver em sociedade, lutando contra o estigma da loucura.

Campanha 2018

A campanha do CRP-PR para o Dia da Luta Antimanicomial deste ano tem como slogan “Saúde não se vende, louco não se prende: quem tá doente é o sistema social”. A frase, usada originalmente em um samba-enredo no carnaval do Rio de Janeiro nos anos 1990, chama atenção para os objetivos do movimento, assim como para os retrocessos que vivemos atualmente em relação aos direitos à dignidade e ao respeito das pessoas com sofrimento mental garantidos pela lei nº 10.2016 de 2001, mais conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica.

Entre os problemas enfrentados atualmente estão a nova Política Nacional de Saúde Mental e a Resolução 01/2018 do Conselho Nacional de Política sobre Drogas, que, entre outras medidas, ampliam o financiamento dos hospitais psiquiátricos e de instituições privadas, como as comunidades terapêuticas, o que prejudica o financiamento das políticas públicas. Além disso, já se percebe o fechamento de equipamentos de saúde mental em alguns municípios, o que intensifica a relevância desse debate.

Programação

Confira as atividades confirmadas para a semana da Luta Antimanicomial.

Exibição do filme: “Nise, o coração da loucura” – discussão mediada pela Psicóloga Emília Senapeschi (CRP-08/26237)

Horário: 19h

Local: Anfiteatro da Sede do CRP-PR em Curitiba | Avenida São José, 699, Cristo Rei

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: CRP-PR

Roda de Conversa: “Saúde Mental e a Luta Antimanicomial” – com representantes da UNOPAR e a Psicóloga Nadya Pelizzari (CRP-08/6926), da Comissão de Psicologia e Saúde do CRP-PR Subsede Londrina

Horário: 19h

Local: Auditório da Unopar

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: CRP-PR e UNOPAR

 

Visita da Representação Setorial Noroeste do CRP-PR ao CAPS I e conversa com equipe e usuárias(os) em Paranavaí

Horário: 10h

Organização: CRP-PR

II Seminário da Luta Antimanicomial: avanços e desafios

Horário: 14h às 20h

Local: CESCAGE | Rua Balduíno Taques, 810, Centro, Ponta Grossa-PR

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: Curso de Psicologia da CESCAGE, com apoio da Secretaria de Estado de Saúde – 3ª Regional, Prefeitura de Ponta Grossa, UEPG, ABRASME Núcleo Carrano, Frente Paranaense em Defesa da Reforma Psiquiátrica da Democracia e Representação Setorial Campos Gerais do CRP-PR. 

Live: “Saúde Mental, luta antimanicomial e população em situação de rua” – com Psicóloga Aline Cristina Araújo Vargas (CRP-08/19157), Psicóloga Adriane Wollmann (CRP-08/06579), Psicóloga Sandra Regina Fergutz Batista (CRP-08/02667) e Mauricio Pereira (Movimento Nacional da População de Rua).

Veículo: Facebook e Instagram

Horário: 14h

Organização: CRP-PR


Roda de conversa: “Saúde Mental e População em Situação de Rua – A Psicologia para além dos consultórios” – com Psicóloga Aline Cristina Araújo Vargas (CRP-08/19157), Psicóloga Sandra Regina Fergutz Batista (CRP-08/02667) e Mauricio Pereira (Movimento Nacional de População em Situação de Rua).

Horário: 19h

Local: PUCPR | Rua Imaculada Conceição, 1155, Prado Velho (Auditório Carlos Chagas, 2º andar, Bloco Verde, Escola Ciências da Vida) 

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: CRP-PR e PUCPR

Roda de conversa sobre a Saúde Mental – com a Psicóloga Vivian Magalhães Rosa (CRP-08/04936), do CAPS II, e estudantes.

Horário: 18h

Local: Faculdade Unicampo (Campo Mourão-PR)

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: Faculdade Unicampo e Representação Setorial Centro Ocidental do CRP-PR

Roda de conversa: “Redução de danos e saúde mental: fortalecer resistências na nova Política de Drogas” – discussão mediada pela Psicóloga Sandra Regina Fergutz Batista (CRP-08/02667) e pela Psicóloga Vanessa Tauscheck (CRP-08/17572)

Horário: 19h

Local: Universidade Tuiuti do Paraná | Rua Sydnei Antonio Rangel Santos, 238, Santo Inacio (Bloco D, sala 104)

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: CRP-PR e UTP


Roda de conversa: “Dizem que sou loucx: práticas manicomiais e a autonomia das pessoas LGBTIs” – discussão mediada pela discussão mediada pela Psicóloga Grazielle Tagliamento (CRP-08/17992), Psicóloga Ana Carolina Arima (CRP-08/24254), Psicólogo Victor Hugo Brandão Meireles (CRP-08/26155) e representantes das ONGs Dom da Terra, Transgrupo Marcela Prado e Associação Paranaense da Parada da Diversidade. 

Horário: 19h

Local: ONG Dom da Terra | Rua José Bonifácio, 15, conjunto 405, Praça Tiradentes

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: CRP-PR, ONG Dom da Terra, Transgrupo Marcela Prado e Associação Paranaense da Parada da Diversidade.


Roda de conversa: “Saúde não se vende, o louco não se prende: quem tá doente é o sistema social: debate sobre saúde mental” – com a Psicóloga Denise A.P. Teixeira (CRP-08/10667), Cláudia Moema Zaions (CRP-08/13108), Ivete Inês Muhl (CRP-08/12325) e Psicólogo Emerson Augusto Miguel Padilha Vaz (CRP-08/IS 425), além de Representantes do CAPS de União da Vitória e Instituto Federal do Paraná de União da Vitória.

Horário: 19h

Local: Avenida Paula Freitas, 2800, São Braz, União da Vitória-PR. 

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: Representação Setorial Sudeste do CRP-PR e Instituto Federal do Paraná

Roda de conversa: “Saúde não se vende, o louco não se prende: quem tá doente é o sistema social: debate sobre saúde mental” – com Psicóloga Nadya Pellizzari (CRP-08/06926), Enfermeira Cláudia Denise Garcia e Enfermeira Regina Célia Rezende Bueno Machado.

Horário: 19h30

Local: Subsede do CRP-PR em Londrina (Auditório do Edifício Torre Montello) | Avenida Ayrton Senna da Silva, 550, sala 1101, Torre Montello, Gleba Fazenda Palhano

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: CRP-PR

Reunião do Comitê Intersetorial de Saúde Mental, com apresentação da campanha “Saúde não se vende, louco não se prende: quem tá doente é o sistema social”

Horário: 08h30

Local: Auditório da UTFPR (Campus Campo Mourão) 

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: CRP-PR e UTFPR

Piquenique na praça com equipe e usuárias(os) do CAPS I e Representação Setorial do CRP-PR em Paranavaí

Horário: 10h

Local: Praça dos Pioneiros 

Não é necessário realizar inscrição. 

Organização: CRP-PR

Apresentação de vídeos: “História de Loucura”; Apresentação artística de estudantes de Psicologia da Unibrasil; Mesa-redonda: “Dos manicômios ao cuidado em liberdade: reflexões sobre a luta antimanicomial” – com Psicólogo Altieres Edemar Frei (CRP-08/20211), Psicóloga Semiramis Amorim Vedovatto (CRP-08/06207), Psicóloga Adriane Wolmann (CRP-08/06579) e Psicóloga Dulce Mara Gaio (CRP-08/00892)

Horário: 19h

Local: Auditório Cordeiro Cleve da Unibrasil | Rua Konrad Adenauer, 442, Tarumã

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: CRP-PR e UniBrasil

Mesa-redonda: “18 de maio, que data é essa?” – com o Psicólogo Giuliano Inzis (CRP-08/20675) e a Assistente Social Edinalva Severo 

Horário: 19h

Local: Anfiteatro da Cesufoz (Centro de Ensino Superior de Foz do Iguaçu) | Av. Paraná, 3695, Jardim Central, Foz do Iguaçu-PR

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: CRP-PR e Cesufoz

Roda de conversa: “Saúde não se vende, o louco não se prende: quem tá doente é o sistema social: debate sobre saúde mental” – com Representação Setorial Noroeste do CRP-PR e curso de Psicologia da FATECIE

Horário: 19h30

Local: a confirmar

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: Representação Setorial Noroeste do CRP-PR e FATECIE

Aula Pública “Luta Antimanicomial: o direito de ser quem sou, a beleza de ser único e irrepetível” e Oficina de confecção de cartazes sobre a Luta Antimanicomial e de “tsurus”, símbolo da Frente Paranaense em Defesa da Reforma Psiquiátrica e da Democracia – com Psicóloga Renata Dutra (CRP-08/11311) 

Horário: 10h15

Local: Auditório do Campus Curitiba do Instituto Federal do Paraná (IFPR) | Rua João Negrão, 1285, Rebouças, Curitiba-PR

Inscrição gratuita pelo e-mail loucospelavida.curitiba@ifpr.edu.br 

Organização: Projeto de ensino e extensão Loucos pela Vida (IFPR) e CRP-PR

Mesa-redonda: “Saúde não se vende, louco não se prende: quem tá doente é o sistema social” – com Psicóloga Semiramis Amorim Vedovatto (CRP-08/06207), Psicóloga Manuele Monttanari Araldi (CRP-07/23514) e Psicólogo Altieres Edemar Frei (CRP-08/20211)

Horário: 19h

Local: Sede do CRP-PR em Curitiba | Avenida São José, 699, Cristo Rei

Inscrição pelo site (clique aqui)

Organização: CRP-PR

Palestra: “Saúde não se vende, louco não se prende: quem tá doente é o sistema social” – com Psicóloga Fabiola Ferreira de Souza (CRP-08/21821), Enfermeira Luize Auer e Assistente Social Fernanda Sardanha. Participação da Psicóloga Marly Terezinha Perrelli (CRP-08/04561), representante setorial Sudeste do CRP-PR.

Horário: 13h30

Local: CAPS | Rua Agenor Nascimento, 445, Centro, São Mateus do Sul-PR

Não é necessário realizar inscrição. 

Roda de Conversa: “Saúde não se vende, louco não se prende: quem tá doente é o sistema social” – com profissionais e docentes dos cursos de Psicologia e Enfermagem da FAP (Faculdade de Apucarana)

Horário: 19h

Local: Auditório da FAP de Apucarana

*As vagas estão esgotadas e o evento é voltado para estudantes.

Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: Representação Setorial Centro-Norte do CRP-PR e FAP

Roda de Conversa: “Saúde Mental e Luta Antimanicomial” – com o Psicólogo Thiago de Souza Pinto Moreno (CRP-08/26049) e estudantes de Psicologia

Horário: 19h

Local: Faculdade Herrero | Rua Álvaro Andrade, 345, Portão, Curitiba-PR

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: CRP-PR e Faculdade Herrero

Mesa-redonda: “18 de maio, que data é essa?” – com o Psicólogo Giuliano Inzis (CRP-08/20675) e a Assistente Social Edinalva Severo 

Horário: 19h

Local: Anfiteatro da UDC (Centro Universitário Dinâmica das Cataratas, Unidade Vila A), Foz do Iguaçu-PR

Não é necessário realizar inscrição. Haverá declaração de presença, com carga horária, para os que solicitarem.

Organização: CRP-PR e UDC

Roda de Conversa com música na praça com profissionais e Representãção Setorial Oeste do CRP-PR

Horário: 19h30

Local: Praça XXVI de Julho (Cianorte)

Não é necessário realizar inscrição. 

Organização: Representação Setorial Oeste do CRP-PR

Conferência “Saúde Mental e o sofrimento psíquico em diferentes perspectivas” – com o Psicólogo Eduardo Chierrito de Arruda (CRP-08/22624), o historiador Thiago Cavalcante dos Santos, a Psicóloga Émily Laiane Aguilar Albuquerque (CRP-08/24208) e Nilson Lucas Dias Gabriel (graduado em Psicologia).

Horário: 8h

Local: Subsede Maringá do CRP-PR | Avenida Duque de Caxias, 882 ou 856, torre II, sala 905, Zona 01, Maringá-PR

Não é necessário realizar inscrição. 

Organização: Representação Setorial Oeste do CRP-PR

Aulão de yoga na praça

Horário: 9h

Local: Praça Raposo Tavares (Cianorte)

Não é necessário realizar inscrição. 

Organização: Representação Setorial Oeste (CRP-PR) e Prefeitura de Cianorte

Rolar para cima