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Notícia

Carta aberta em repúdio à transfobia

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná, por meio de seu Núcleo Transcentrado, repudia todos os ataques transfóbicos contra pessoas trans nas redes sociais desta autarquia. Em especial, solidarizamo-nos com as pessoas colaboradoras que participaram da nossa campanha e foram atacadas diretamente. Notificamos que os comentários nas redes deste Conselho foram temporariamente restringidos como meio de proteção da integridade das pessoas que foram atacadas. A Psicologia, embasada na defesa intransigente dos Direitos Humanos, expressa no princípio fundamental de seu Código de Ética Profissional, NÃO SERÁ CONIVENTE com transfobia, homofobia, racismo, capacitismo e demais violações de Direitos Humanos. Enquanto autarquia responsável por orientar, fiscalizar e disciplinar a atuação profissional da Psicologia, já estão sendo tomadas as medidas cabíveis. Manifestações de cunho preconceituoso estão sendo documentadas e excluídas para que a violência não seja propagada.

A negação das existências trans e não binárias e a imposição das reducionistas normativas de gênero são processos excludentes e violentos, que compõem uma necropolítica, buscando regular quais corpos, expressões e subjetividades são dignos de existir e quais não são. Além disso, essas ações contrariam o posicionamento consolidado da Organização Mundial de Saúde, que, em 1990, retirou a homossexualidade da categoria de doenças, e, em 2018, também retirou o equívoco de afirmar experiências trans e não-binárias como doenças mentais, atualizando a Classificação Estatística Internacional de Doenças — CID-11. Essas alterações refletem o entendimento sedimentado de que a diversidade de gênero e sexualidade faz parte intrínseca da pluralidade humana, e que a patologização, o preconceito e o estigma social são responsáveis pelo sofrimento dessas populações.

A transfobia é a manifestação do ódio direcionado às existências trans e não binárias, um processo violento, histórico e estrutural que mina a vida e o direito de uma existência digna para a população trans. Devemos lembrar a categoria que a transfobia é um ato criminoso que mata nossa comunidade.

O Brasil é o líder mundial em assassinatos de pessoas trans há 14 anos consecutivos. As principais vítimas dessa violência brutal são mulheres trans e travestis pretas, pobres e periféricas. São assassinatos cometidos com intensa crueldade. A violência transfóbica em suas diversas manifestações também se revela um processo adoecedor, que exclui sistematicamente pessoas trans, travestis e não binárias da possibilidade de conseguir educação, emprego, acesso à saúde, outros direitos básicos e afetos. Essas marginalizações e expulsões sistemáticas ao longo da vida dessa população contribuem para o elevado nível de suicídios entre pessoas trans e não binárias. As discriminações sistemáticas culminam no fenômeno da suicidação. Nossa população é morta e suicidada por ações violentas, discriminações diversas e discursos de ódio.

Para aquelas pessoas que acreditam que suas manifestações por meio de discursos de ódio são democráticas e que se trata de liberdade de expressão, mas na verdade estão ferindo os Direitos Humanos: nosso sangue está em suas mãos. Lembre-se de que, se você se formou em Psicologia, é seu compromisso máximo o respeito à diversidade, principalmente considerando o contexto social vigente, no qual nossas vidas e subjetividades estão constantemente sendo ameaçadas. É dever ético de toda a categoria combater toda e qualquer manifestação de violência, o que inclui a transfobia, o exorsexismo, a LGBTQIAPN+fobia, o racismo, o capacitismo, o etarismo, o machismo, a xenofobia e a discriminação de classe, entre outras, compreendendo o impacto que tais violências causam na saúde mental das populações por elas atingidas, em suas especificidades. Todas as Psicologias e formas de se fazer Psi possuem o dever ético de respeitar as subjetividades, compactuando com a diversidade, e as nossas existências são inegociáveis. Do contrário, são apenas mais uma forma de perpetuação de violência.

Nós existimos e temos existido desde os mais imemoráveis tempos.

Nós combinamos de não morrer. 

Nós não cessaremos o avanço em busca de espaço e visibilidade das nossas existências!

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