Notícia

500 mil

No último final de semana, o Brasil atingiu a triste marca de 500 mil vidas perdidas em decorrência da Covid-19, uma tragédia humanitária sem precedentes na história recente de nosso país.

Todas(os) nós experimentamos de perto o sofrimento de tantas dessas mortes, ou pelo menos conhecemos alguém que tenha experimentado esse luto. Todas(os) as(os) Psicólogas(os), independente do campo de atuação, estão lidando e continuarão trabalhando por muito tempo com as múltiplas expressões desse sofrimento em sua prática profissional.

Por isso, por mais que estejamos todas(os) exaustas deste cenário, é preciso insistir que esta situação não pode ser normalizada, não podemos simplesmente aceitar como se fosse natural perder tantas vidas e, menos ainda, admitir tamanha falta de apoio do Poder Público à maioria da população. É necessário vivermos esse luto e reunir esforços para que não haja mais mortes evitáveis.

Não se trata, por óbvio, de comemorar a marca, e o foco, tampouco, deve ser o número de sobreviventes, muitas(os) dos quais com sequelas físicas e emocionais. Afinal, o absurdo que não se pode naturalizar é a falta de condições de proteção, de cuidado e de imunização para grande parte da população.

Engana-se quem considera que a pandemia acabou, ou que se aproxima “naturalmente” do fim. É verdade que, a cada pessoa vacinada, renova-se a esperança de que superaremos esse cenário. Contudo, a realidade é que, até 21/6, apenas 10,24% da população paranaense recebeu as duas doses da vacina, conforme Ranking da Vacinação do Governo do Estado (outros 18,02% receberam apenas a primeira). Pelo menos 94% dos leitos de UTI/Covid do Estado estão ocupados (dados de 20/6) e a média móvel do número de infecções segue tendência de alta, chegando atualmente ao maior patamar desde o mês de abril.

Ou seja, mesmo vivendo há mais de um ano nesse contexto, ainda não temos políticas efetivas que deem conta do controle e diminuição do número de casos. Por isso, é premente a mudança na gestão pública do enfrentamento à pandemia. Continuam sendo urgentes maiores esforços pela vacinação em massa, condições efetivas para o distanciamento, políticas de renda e acesso a serviços públicos, com apoio e proteção às(aos) trabalhadoras(es), especialmente aos grupos socialmente vulnerabilizados. Só estaremos seguras(os) quando todas as pessoas estiverem seguras, como bem disse Ann Lindstrand, coordenadora do Programa Expandido de Imunizações do Departamento de Imunização, Vacinas e Biológicos da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O CRP-PR tem empreendido esforços pelo enfrentamento à pandemia em suas várias articulações – seja no contato direto com representantes do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, ou na atuação em instâncias de controle social e participação em fóruns com outros Conselhos, órgãos públicos e organizações da sociedade civil. Contudo, é preciso engajamento de toda sociedade pela mobilização de ações de proteção à população. Por isso, para além das manifestações institucionais que temos realizado, oferecemos abaixo sugestão de texto e contatos dos Poderes Executivo e Legislativo paranaenses para que todas(os) que se sentirem à vontade colaborem na movimentação para que as medidas de cuidado contra a Covid-19 ganhem, de fato, mesmo que com tanto atraso, a devida centralidade na agenda pública nacional.

Senhoras(es) Gestoras(es) Públicas(os),

 

Após mais de quinze meses do início da pandemia, atingimos a triste marca de mais de 500 mil vidas perdidas em decorrência da Covid-19 e da falta de condições efetivas de enfrentamento ao vírus e proteção à população.

Em dados dos canais de transparência do Governo do Estado, é nítido que menos de 11% da população paranaense está devidamente imunizada, enquanto a ocupação de leitos de UTI passa dos 94% e a média móvel de infecções segue em alta.

Para superarmos esse cenário, precisamos inserir (ou retomar definitivamente) como pautas centrais na agenda pública as medidas básicas para contenção da pandemia e seus efeitos: a produção, aquisição e distribuição de vacinas; a coordenação de medidas de distanciamento e restrições de circulação efetivas; o apoio às(aos) trabalhadoras(es); políticas de renda e acesso a serviços públicos; distribuição de máscaras e outros equipamentos de proteção individual.

Nós, Psicólogas(os) paranaenses comprometidas(os) com a promoção de saúde e direitos humanos, contamos com vossos esforços para efetivação de medidas que ajudem a evitar mais centenas de milhares de mortes. Só estaremos seguras(os) quando todas as pessoas estiverem protegidas.

E-mails das(os) Deputadas(os) Estaduais Paranaenses

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