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15/6 – Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa: é preciso valorizar e reconhecer a sua independência

A sociedade brasileira está acompanhando a tendência mundial de envelhecimento populacional e, em 2017, o número de pessoas idosas no Brasil já passava de 30 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diariamente, é impossível ignorar esse contingente que hoje representa parcela substancial da nossa população, especialmente diante das vulnerabilidades e fragilidades físicas ou emocionais às quais parte dele está sujeita. No Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa (15/6), o CRP-PR destaca a importância de não apenas combater os males – quaisquer que sejam – impingidos às(aos) idosas(os), mas também de identificá-los e preveni-los.

Ocorre que, dada a condição de muitas dessas pessoas, elas sequer conseguem perceber que sofrem algum tipo de violência, de forma que é necessário fazer uma abordagem correta para que a(o) idosa(o) não se sinta superprotegida(o) ou infantilizada(o). Sobre esse aspecto, o Psicólogo Cloves Antônio de Amissis Amorim (CRP-08/03741) orienta que é importante promover o protagonismo social da(o) idosa(o) e cita como referência a obra (RE)pensar as pessoas idosas no século XXI, organizada pela Psicóloga Teresa Medeiros, professora da Universidade dos Açores, em Portugal. No livro, o Psicólogo, que também é professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), aponta estratégias para a otimização do bem-estar psicológico de pessoas idosas por meio da inserção social em capítulo específico sobre o tema.

A criação de um clima de confiança e respeito, ainda de acordo com o Psicólogo, está dentre as ações que podem ajudar a mitigar a violência contra idosas(os). “É possível conquistar a confiança, informar que ninguém precisa sofrer sozinha(o) e que é possível receber ajuda”, afirma Cloves, que destaca instituições e entidades voltadas às políticas públicas e atendimento de pessoas idosas, como o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa no Paraná, Ministério Público, Pastoral do Idoso e a Polícia Militar. O importante é saber que se tem a quem recorrer, e que isso pode se dar por meio de uma pessoa amiga, conhecidas(os) e – por que não? – vizinhas(os).

Embora as agressões físicas e humilhações que conduzem a(o) idosa(o) ao sofrimento emocional sejam uma realidade perversa, o Psicólogo chama a atenção para um outro tipo de violência que tende a ser negligenciado: a patrimonial. É nesse espectro que ocorrem os abusos financeiros, assédios praticados por membros da família e pelas financeiras que vendem crédito consignado, com desconto automático em aposentadorias e pensões recebidas por idosas(os). Por isso é tão importante insistir em manter ou resgatar, nessas pessoas, a sua noção de autonomia, para que elas mesmas administrem seus recursos de acordo com as suas próprias necessidades.

Como qualquer pessoa, idosas(os) precisam de valorização, respeito, autonomia, acolhimento e inserção social, devendo ser consideradas as subjetividades de cada indivíduo. É importante inseri-las(os) em atividades com a família e em tantas outras que lhes permitam estabelecer vínculos sociais e afetivos, desenvolver tarefas cotidianas. A valorização desse sujeito, aponta Cloves, passa pela atenção, afeto e convivência: almoços semanais, idas ao salão de beleza, e, caso pessoa tenha condições físicas e deseje, pequenos passeios, práticas religiosas e outras que sejam igualmente valorizadas naquele grupo sociocultural são formas de fazer com que a pessoa idosa se sinta valorizada e de fato integrante do grupo social que a cerca.

Por fim, o profissional lembra os ensinamentos do também Psicólogo Burrhus Frederic Skinner, autor de livro sobre a independência da pessoa idosa. “Skinner nos mostra que uma pessoa, antes de fazer uma determinada viagem a outro país, informa-se sobre a moeda, gastronomia e o clima de lá, por exemplo. Assim deve ser com essa fase da vida, mas é uma pena que a velhice seja um continente em que muitas(os) desembarcam totalmente desprevenidas(os)”, conclui Cloves.